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Sobre auto-controle e paciência

Antes de mais nada eu queria pedir desculpas pela ausência e pelos dias que o blog acaba passando sem posts novos. Não entendam isso como desleixo ou descaso da minha parte.

A vida tem estado muito, muito corrida nesses últimos meses, especialmente neste último. Eu, com quase 34 semanas de gravidez, estou às voltas com a construção da casa nova no seu último estágio, correndo para todo o lado, todos os dias. Temos que nos mudar em coisa de vinte dias, se tudo der certo (e eu espero que dê). Ou seja, faremos a mudança como der pra fazer, lá pelas 37 semanas de gestação. Então, torçam por mim.

O post de hoje é na verdade uma indicação de leitura de um texto que foi uma espécie de tapa na cara assim que acordei. Li enquanto tomava café, pelo celular. Incrível como tem dias em que alguém escreve exatamente aquilo que você precisa ler.

Essa noite passei por um dos momentos mais tensos nesses três anos e alguns meses da Melanie. Para resumir, ela acordou às 3 da manhã e pediu para ir para a sala, para ver desenho. Isso já aconteceu algumas vezes e obviamente não permitimos que ela vá e sempre conseguimos contornar a situação, seja com muito carinho ou contando uma história, até que ela adormeça novamente. Só que nessa noite, não foi assim.

Estávamos só eu e ela e quando eu disse que não podíamos ir para a sala e os motivos, ela simplesmente surtou. Chorou, gritou, esperneou, tentou me empurrar quando eu tentei contê-la com um abraço. Foi a pior birra de todas que ela já fez. Eu, que deveria ter mantido a calma, criei mais um problema ao ficar nervosa e irritada. Acabei brigando e sendo ríspida com ela. E depois de vinte minutos de luta verbal e corporal (para tentar acalmá-la), acabamos as duas por chorar. Chorar de soluçar.

Ela então, parou de gritar e se preocupou comigo. Começou a falar “o que foi mamãe? não chora, eu to aqui com você. eu vou obedecer, eu não posso ir pra sala agora porque é hora de dormir, tá escuro.. eu vou ser boazinha. eu te amo demais…”

Nessa hora, juro que meu coração se partiu em mil e um pedaços e ficha da sensatez caiu: cadê o adulto aqui?

O adulto, ontem de madrugada, foi ela, a criança de 3 anos. A minha criança, tão amada e que precisa tanto de mim.

Não dormi o resto da noite e levantei me sentindo péssima. Claro que tenho a consciência de que estou em final de gestação com os hormônios e a sensibilidade à flor da pele, mas ainda assim, isso não justifica. Pelo menos não pra mim. Basta saber apenas que nos últimos meses não tenho dado o meu melhor como mãe e isso me dói bastante.

Por tudo isso, esse texto caiu como uma luva nessa manhã de hoje, porque é exatamente assim que a maioria de nós se comporta.

Recomendo muito a leitura, é um dos melhores e mais sensatos textos que já li. Aqui, um trechinho:

“Crianças não “tiram os adultos do sério”!

Adultos já estão “fora do sério”.

Adultos vivem “fora do sério” por questões pessoais!

Por suas próprias frustrações, preocupações, medos, mágoas, receios, pressa, pressões externas e internas, os adultos estão constantemente fora de si, desarmonizados, encolerizados, contidos, como bombas prestes a explodir.

O que acontece é que facilmente se deixam explodir quando precisam lidar com quem é menor, mais frágil, indefeso e que geralmente não precisam temer uma retaliação…

Antes de se permitir “sair do sério” com uma criança, reflita se você já não está “fora do sério” por outras razões em sua vida que só você pode (e deve) tentar mudar!

Pode ser a vida apressada, cheia de horários controlados por segundos preciosos, que não podem ser “perdidos” por causa de uma criança, que precisa andar mais devagar para olhar pedrinhas na calçada.

Pode ser as contas para pagar e os prazos para cumprir, que consomem, além de energia física, uma preciosa tranquilidade mental tão necessária para desfrutar da companhia dos filhos.

As expectativas pessoais que visam sempre um futuro melhor, mas fazem esvair por entre os dedos qualquer possibilidade de viver o agora, e tal impossibilidade grita através do choro dos filhos, que imploram agora a atenção de hoje.

Adultos estão constantemente “fora do sério” por causa das mágoas do passado, da pressa no presente e das angústias do futuro!

E as crianças, na verdade precisam de muito pouco, é que o pouco que elas precisam é algo que se tornou muito difícil para nós, adultos! Elas precisam de tempo de qualidade, de olhar demorado, de presença verdadeira, sem TV ligada, sem atender o celular no meio da brincadeira, uma volta na pracinha sem um “anda logo”.

As crianças não nos tiram do sério, não nos cobram nada, é que nós, preocupados, ansiosos e infelizes, nos sentimos cobrados internamente, e quando uma criança nos pede algo simples, lá no fundo sentimos vergonha, pois descobrirmos que somos, ou estamos, incapazes de realizar as coisas simples.

E são as coisas simples que carregam em si as maiores alegrias!”

Você pode ler o texto completo, escrito por Luzinete Carvalho, que é psicanalista e mãe, clicando aqui: http://vilamamifera.com/mamiferas/seu-filho-te-tira-do-serio-isso-e-serio/

E que a gente possa mudar o que pode e deve ser mudado.

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14 comments

  1. Amei o texto. Perfeito. Para mim, ele também caiu como uma luva, pois em muitos momentos também tenho minhas crises de birra (minhas mesmo, não as do Léo). Cheguei a ficar com os olhos cheios d`’agua quando li o texto, a parte que você conta o que ela disse para você. Mas também não se culpe tanto. Você está num momento MUITO, MUITO, MUITO, MUITO delicado, com gravidez chegando ao fim, construção da casa nova chegando ao fim, com filha sentindo as mudanças que virão e é impossível se manter linda, bela e equilibrada nesse momento. Eu estaria completamente surtada. Certeza! Bjs. Quando bater o desespero, lembre-se de respirar, pois algumas vezes não dá tempo nem para isso. :-)

  2. Ai Mi… quem nunca? Acontece mesmo e nunca é culpa da criança. Ela só quer a energia que não está recebendo e a qual tem direito como criança. A gente deve evitar com todas as forças e procurar descarregar um pouco o mundo das nossas costas pra ter espaço pra paciência e amor. Mas é difícil, é sim. E a gente morre de remorso.. Mas também, acho importante ela ver que nós também temos falhas, também perdemos a paciência, e como agimos qdo isso acontece, pois ela vai guardar isso também. Acho que faz parte da educação emocional da criança ver como lidar com momentos de estresse. Pensa por este lado. Vc explodiu, ela viu, não foi bonito. Mas vc se acalmou e pediu desculpas. E é isso que a gente faz qdo gosta de alguém, pede desculpas. É aprendizado também :) Beijo!

  3. Michelle, estou louca procurando o post em que vc traz sites de festas infantis americanas. Já revirei o blog e não achei. Vc “tirou do ar”??? Ps. AMEI esse post, como de costume. bj

  4. Michelle, me emocionei ao ler o seu post, realmente me coloquei no seu lugar. Minha filha tem um ano e três meses, e sei bem como é. Nós nos desdobramos em mil, e parece que ainda não é o suficiente, principalmente no que diz respeito aos nossos filhos. Com certeza sua pequena está sentindo que o bebezinho está chegando, mas isso faz parte. O melhor é ter paciência e compreensão! Quando ela compreender ela verá a maravilha que é ter um irmãozinho! Bjs

  5. Ai Michelle, a carapuça é do meu tamanho, serviu direitinho. Tenho vivido isso também agora no finalzinho da gravidez(metade da 34 semana)e sei como é quando acontece isso, inclusive com a inversão de papéis quando nós nos tornamos as crianças incontroláveis em crise de choro.Meu filho tem 4 anos e meio e é maravilhoso, mas vem me testando nos últimos meses, daí já viu. Mas acredito( por nós duas) que isso vai passar.

  6. ” Pode ser a vida apressada, cheia de horários controlados por segundos preciosos, que não podem ser “perdidos” por causa de uma criança, que precisa andar mais devagar para olhar pedrinhas na calçada.”
    putz…. quantas vezes já briguei porque estava atrasada e ela queria pegar uma formiga no chão, fechar uma porta (ela mal alcança , por isso demora) ou fazer alguma coisa que, pra mim, parece enrolação.
    Mas daí, de uns tempos pra cá eu respiro e penso “porque eu não acordei ela mais cedo?” e deixo ela ser criança…
    1 minuto a mais ou a menos não vai ser a causa da minha demissão… heheh
    beijos e… coragem!!!!!

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