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Sobre aquele grande amor que retoma o seu lugar

Uma das primeiras coisas que a gente se pergunta quando pensa em ter mais filhos, é se seremos capazes de amá-los por igual; se seremos capazes de amá-los na mesma medida. E essa dúvida existe porque sentimos que aquele amor que o primeiro filho carrega é tão grande e tão intenso, que dificilmente terá lugar para mais alguém.

Outros filhos vêm e comprovamos então o que já imaginávamos (e o que nos falaram também): que somos capazes sim, que o amor se multiplica e que sempre encontra um espaço vago naquele coração no qual aparentemente não cabia mais ninguém.

Na verdade, acho que eu nunca duvidei dessa nossa capacidade de amar.

O que jamais me passou pela cabeça, porém, é que o amor pelo segundo filho pudesse nascer e crescer de forma tão intensa e arrebatadora, que tomasse parte do espaço do outro. E que esse espaço, essa atenção, esse amor, precisassem ser recuperados.

E é sobre isso que quero falar hoje.

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Quando Leonardo nasceu e trouxe com ele aquela sensação de já saber o que fazer, aquela calmaria em meio ao mar revolto, trouxe também uma forma diferente de amar. Um amor mais sereno, mais dono de si, mais confiante. E esse amor foi crescendo, amadurecendo, e me tomando cada vez mais.

Conforme o tempo foi passando, percebi que eu amava meus dois filhos na mesma medida, mas, de formas diferentes. E que esses amores, vivendo dentro do mesmo coração – confuso, falho e humano – precisariam ser conciliados, balanceados, a fim de que nenhum dos dois ficassem em segundo plano – mesmo que isso acontecesse de forma inconsciente, às vezes.

Eu tive muito medo, filha.

Tive medo de não conseguir mais sentir por você o que eu sentia antes.

Tive medo de não conseguir mais dedicar o mesmo tempo e espaço que você tinha antes na minha vida.

Tive medo de não conseguir mais focar minha atenção em você novamente.

Tive medo de te perder, de perder os seus momentos e as suas conquistas.

Tive medo que aquele sentimento de falta, de falha, jamais fosse embora.

Tive medo de que as coisas jamais voltassem a ser como antes, quando éramos só nós duas e o mundo. 

Mas então, percebi o quanto você cresceu. O quanto nós crescemos. E como tudo foi tomando o seu lugar.

Foi difícil, eu sei. Especialmente naqueles momentos onde a saudade de nós duas doía, bem lá fundo no peito. Especialmente naqueles momentos onde você precisava tanto de mim e eu não podia te ajudar. Já não como antes.

Nós passamos por tanta coisa, tantos momentos de caos, de stress, de choro, de não ter para onde fugir.

Doeu em mim – e sei que em você também – cada “não” que precisei dizer, cada abraço ou colo que precisei negar, porque meus braços estavam ocupados e minha atenção focada em outro lugar.

Mas nós conseguimos. Você conseguiu. E nossa conexão se restabeleceu, ainda mais forte e sólida do que antes.

Você me ajudou a encaixar as peças, de maneira que você e seu irmão coubessem dentro desse mesmo coração, dividindo um mesmo espaço, mas de formas diferentes, porque vocês são diferentes.

Mesmo tão pequena, tão frágil, você se tornou minha companheira, minha ajudante, minha amiga – como você tanto gosta de dizer.

Você conseguiu superar os obstáculos, o ciúme e o sentimento de ter sido substituída – mesmo que ele retorne, hora ou outra.

Você retomou o seu lugar e foi capaz de entender que seu irmão chegou para somar, jamais para tirar o que é seu e sempre será.

Aprendeu a amá-lo, a respeitá-lo, a zelar por ele, sem que ninguém precisasse explicar muita coisa.

Nós piscamos e você se tornou tão grande, tão forte, tão dona das suas vontades, tão você mesma.

Me encho de orgulho a cada vez que você diz, de boca cheia, que é uma guerreira. Porque você é mesmo. E eu não poderia te amar mais.

Obrigada por me ajudar a reconquistar aquele espaço que sempre foi seu.

E obrigada por me ensinar que podemos amar infinitamente e na mesma medida, mas, ainda assim, de formas tão diferentes, tão únicas – assim como vocês.

mel_leo_blog vida materna

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69 comments

  1. Nossa, amei seu post…eu estava sentindo a mesma coisa q vc, eu tenho apenas uma filha e quero muito ter mais um(a) filho(a), mas tinha esse mesmo medo…muito obrigada por dividir essa sua experiência conosco..

  2. Não posso mais ler teus post no trabalho! Estou disfarçando as lágrimas aqui… Tenho uma menina de 2 anos e 2 meses e estou bem no início da gravidez do segundo! Obrigada por compartilhar esse sentimento que é de todas nós!

  3. Lindas palavras, linda foto.
    Mel e Leo têm muita sorte de ter vc como mãe. E a cada vez que leio os seus textos, tenho mais vontade ainda de partir para o segundinho!
    Bjs!

  4. Lindo texto. E muito importante esse cuidado que você teve e tem com a Mel, porque é claro que ela sente, a criança não entende automaticamente que o irmão é pequeno, precisa de cuidados e pronto…a atenção que era só dela de repente passa a ser dividida com outra pessoa, é tudo muito novo. Parabéns pelo carinho com que tratou a situação.

  5. Lindo…emocionante, como estou grávida, estou passando por muita ansiedade, insegurança, o meu amor pelo Kauã é tão grande que chega a doer pensar que ele possa se sentir de lado, é como você disse o amor se multiplica e tenho fé em Deus que saberei lidar com essas situações e parabéns por saber lidar com essa situação com tanto carinho, a Mel é uma fofa e o Léo também, abraços!

  6. Chorei… é o que estou passando com meu filho de 5 anos e meu bebê de 7 meses.Parece que escreveu pra mim.Obrigada pelo carinho que esse texto foi pra mim.

  7. Lindo!!!! Estou nessa fase de dizer não ao Heitor, de negar o colo pq Bruna está mamando, de não poder atendê-lo como antes… Como dói na gente! Mas creio que tudo vai se ajeitar!

  8. Michelle,
    me identifiquei muito com seu post!

    A primeira coisa que senti ao descobrir da minha segunda gravidez foi medo e culpa em relação a meu filho mais velho: os mesmíssimos medos que você descreveu de não mais conseguir dar para ele a atenção, cumplicidade, dedicação que ele tinha recebido de mim, nos seus 1 ano e 6 meses de vida até então.

    Com o tempo e o desenrolar da gravidez, procurei prepará-lo para essa fase que não mais seria “de nós dois”… também tentei me preparar e, de certa forma, consegui me asserenar quanto a estas ansiedades até bem perto do nascimento da minha segunda filha, quando então ressurgiram com intensidade todos os medos e angústias.

    Hoje, tendo minha caçulinha já 5 meses, vejo com admiração e emoção o amor e carinho que meu mais velho tem em relação à irmã, e percebo que não foi em vão nosso cuidado extremo para que ele não se sentisse e não se sinta em segundo plano.

    O meu coração ainda não encontrou seu ponto de equilíbrio, mas tenho certeza que vai encontrar…

  9. Linda sua declaração para a Mel…é de emocionar!
    Na suas palavras da pra sentir seu amor por ela! Nao só por ela…mas tbm pelo guerreiro Leo.
    Que Deus abencoe ainda mais a sua familia.

  10. Eu sofro com isso…..pois tenho duas meninas….e por mais que nao queira, sei que a mais velha se sente em 2°, peço pra Deus me orientar sempre…mas parece que o amor que sinto trava. Desculpe o desabado :'( gostaria de ter o mesmo sentimento para as 2.

  11. Impossível ler e não ficar com os olhos cheios de lágrimas e o coração transbordando emoção!! tenho uma princesa e, mesmo que ainda não esteja preparar para ter outro, já penso se meu coração é capaz suportar mais amor! E ao ler esse relato tão sincero sei que que o coração de mãe é capaz de ser infinito mesmo sendo tão pequeno! Obrigada por partilhar com a gente esse desabafo tão intimo! S2

  12. OI MICHELLE,
    Que bom saber que não somos apenas nós, eu estou gravida do segundo e chor desesperada pq tenho medo de ceder espaço que é da minha filha (3anos) para o que está chegando, ao mesmo tempo me sinto culpada pois o bebe não te culpa de nada… é deseperador estou fazendo terapia para ver se esses sentimentos se alinham, eles estão me deixando depressiva e insegura.
    espero poder estar preparada quando ele nascer!

    bjao! parabéns.

    1. Oi Aline,

      É super normal esses sentimentos confusos na gravidez quando a gente já é mãe. Eu tive muito medo tbm. Mas veja como tudo se resolveu por aqui :) Basta esse amor que sentimos aliado a uma boa pitada de paciência!

      Bjo

  13. Estou grávida de 6 semanas do nosso segundo filho.. imagina se não chorei um monte agora!!! Lindo!!! Obrigada!!! Sabe que assim que recebi o positivo.. a primeira noite não dormi.. pensando exatamente nisso tudo.. e aflita com o dia do parto.. “como farei longe de casa… como ela vai dormir longe de mim”… mas sei que é apenas uma FASE.. e logo serão super amigos!!!!

  14. Como me identifico com você. Seus sentimentos são os meus sentimentos.Tenho uma menina de 3anos e 5 meses e bebê de 3 meses e meio. E me sinto assim. Quando ela nasceu eu sentir uma emoção arrebatadora. Esperava sentir o mesmo no nascimento do Henrique,mas, não aconteceu. Mas com o passar dos dias, semanas, aquele sentimento cálido foi tomando conta de mim, do meu coração. E meu amor pela Luísa?! Eu sempre me pego vendo e revendo as fotos dela bebê. Mas eu a amo demais e sinto orgulho dela também.

  15. Lindo texto, parabéns! Passei por isso com meus pequenos, Júnior e Léo também, e é a mais pura verdade, amamos na mesma medida mas de formas diferentes, afinal de contas eles também têm personalidades distintas, cada um nos ensina uma forma diferente de amar, um gosta de ser afagado, o outro é mais arredio, um é mais prestativo, mas em contra partida o outro é mais engraçado, e assim é, mas nunca amamos menos!!!

  16. Ah.. chorei.. chorei muito ao ler esse post.. tenho uma filha de três anos e a outra nasce mes que vem.. estou muito confusa tbm.. a minha mais velha esta muito apegada a mim…. Estou sem saber o que sentir..

  17. ameei, tenho um menino de 3 anos e estou gravida de outro menininho, ja de 7 meses….tive e ainda tenho muito medo sobre se darei conta de dar atenção aos dois de forma igual, medo de perder esse vinculo q tenho com o Rapha, estou tentando me preparar, mas as vezes o medo volta me pego pensando muito nisso… Esse texto ajudou muito, e com tdos os comentarios pude ver q passar por isso é “normal”, espero conseguir me encontrar assim como vc!!!

  18. Obrigada por traduzir em palavras um sentimento tão comum entre nós, mães… Você descreveu exatamente o que estou sentindo com minha Ana (6 anos) e meu Davi (8meses)… Lembro que na semana do nascimento dele, ela sofreu tanto… choramos juntas ainda perdidas, totalmente sem rumo… Agora tudo está tomando seu lugar… As coisas se acertaram… Estão se acertando… Graças a Deus!!!

  19. Nossa, estou arrepiada com sua declaração a sua filha mais velha! me emocionei muito.
    Eu quando tive a minha filha que hoje tem 4 anos, eu disse que não queria mais filhos, fiquei muito assustada no começo, tinha muito medo de não conseguir cria-la da melhor forma que um bebê precisa. Hoje tem vontade mas continuo com medo, pois vão ser dois pra tudo. Mas o que mais me da medo é a questão da educação.

    Mas adorei teu blog e vou começar a ler todos os dias.

  20. Estou em prantos, descreveu todos os meus medos e pressentimentos. Grávida de 5 meses da Cecília e Vitória com 2 anos e um mês. Sensação de conforto e medo ao mesmo tempo. Deus no comando, obrigada pelas lindas palavras e pela experiência. Indescritível sentimento!!!

  21. Tão lindo e profundo. São exatamente o que me pergunto toda a noite ao dormir, hoje mãe da Geovanna de 8 e aguardando o Guilherme. Me pergunto por várias vezes como será, se vou conseguir ama-los assim por igual, e hoje lendo seu texto sejo que Sim, se você conseguiu eu também vou. Pq não há nada maior e profundo o amor que sinto por minha princesa, mas que já sinto outro amor igual pelo Gui.

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