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Para todas as garotas que já fui

Nesses últimos meses eu estive pensando muito sobre o quanto a gente muda, cresce, evolui e se transforma ao longo de uma vida. Especialmente, sobre todas as facetas que eu já tive, sobre todas aquelas que já fui, as que sou e as que ainda vou ser. Porque, nesses trinta e oito anos, eu já fui muitas garotas dentro da mesma, sabe? E, apesar de muito tempo já ter se passado, eu ainda lembro com carinho dos aprendizados e das marcas que cada uma delas deixou em mim – sempre mantendo aquela essência otimista, amorosa e juvenil que eu carrego desde o dia em que nasci, provavelmente.
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Eu já fui a menina que amava dançar e fingir karaokê com o cabo azul da corda velha de pular.

Eu já fui a menina tímida que amarrava a blusa na cintura fizesse chuva ou sol e que se acoava sempre com medo de falar.

Eu já fui a menina descolada com camiseta da banda de rap fingindo ser rebelde pra se enturmar.

Eu já fui a menina que mesmo não fumante comprava cigarro de cravo só pra puxar papo com o carinha que gostava.

Eu já fui a menina ingênua que ouviu de um babaca sem noção “se ela era virgem mesmo porque não tinha sangue no lençol”.

Eu já fui a menina séria e funcionária exemplar que pulou de alegria ao comprar o seu primeiro celular com chip pré pago.

Eu já fui a menina que se casou na ilusão de que serem melhores amigos já seria todo o caminho andado dentro de uma relação.

Eu já fui a menina corajosa que enfrentou julgamentos, olhares e indignação quando finalmente decidiu se divorciar.

Eu já fui a menina que encontrou o amor da vida por acaso numa esquina de hotel sem estar a procura de nada nem de ninguém.

Eu já fui a menina que de repente se viu gerando outra vida dentro de si e se transformando em algo que ela nunca achou que tinha vocação pra ser.

Eu já fui a menina que chorou exausta e com medo de não dar conta daquele pequeno ser incrível que dependia totalmente dela para sobreviver.

Eu já fui a menina que tinha receio de ser mãe pela segunda vez por temer que o amor não se multiplicasse e que depois de surpreendeu do quanto o ser humano é capaz de amar.

Eu já fui a menina mais feliz, abençoada e agradecida que eu conheço ao olhar a estrada sinuosa que construiu e trilhou até aqui.

Eu já fui a menina confusa e perdida ao olhar pra si mesma e não se reconhecer depois de tanto tempo doando corpo, mente e alma para os seus.

Eu já fui a menina correndo numa busca implacável e desesperada por achar respostas e motivos para as suas dores e os seus porquês.

Eu já fui a menina que depois de tantas e tantas quedas, hematomas e arranhões se viu renascer das cinzas e voar alto novamente.

Eu já fui a menina que deixou as asas atrofiarem por não confiar em si mesma e em toda a sua força e capacidade de realizar.

Eu já fui a menina que percebeu que o tempo realmente não descansa nem perdoa pra que a gente perca mais dele paralisados pelo medo de mudar.

Essas foram algumas das garotas que já viveram e, se a gente olhar bem de perto, ainda vivem em mim. Mas girar o leme e mudar o curso é o que de melhor podemos fazer. Por nós, pelos nossos, por todas as garotas que nós já fomos e pelas que ainda vamos ser. 💜

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1 comentário

  1. Lindo texto! Acabei me identificando demais, sobretudo aqui: Eu já fui a menina que tinha receio de ser mãe pela segunda vez por temer que o amor não se multiplicasse e que depois de surpreendeu do quanto o ser humano é capaz de amar.

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