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Depois que nascem os filhos… e o sexo, onde é que fica?

“Sair dirigindo por aí em alta velocidade (mentira), com os vidros abertos, cabelos ao vento, ouvindo e cantando empolgada Lady Gaga. Aaaah, depois que a gente é mãe qualquer saída sem os filhos tem gostinho de rebeldia/transgressão/fuga.”

Esse post surgiu logo após esse meu devaneio acima, no facebook. A música, que eu andei cantando a plenos pulmões por aí, assustando as pessoas no trânsito, diz: Você não pode ter meu coração e você não usará minha mente, mas faça o que quiser com meu corpo, faça o que quiser com meu corpo.

Mas, convenhamos. Isso está longe da minha realidade – mental – atual.

Desde então fiquei pensando… onde é que a libido vai, onde é que ela se esconde depois que temos filhos? Especialmente nos primeiros meses que se seguem após o nascimento de um deles? 

Ocorre que, no pós parto, começamos a nos recuperar lentamente das grandes mudanças pelas quais nosso corpo passou durante toda a gestação. Durante a amamentação, o estrogênio fica escasso e ele é o responsável pela nossa libido. Esse danadinho. Com essa montanha russa de hormônios, a lubrificação também diminui, o que pode acarretar em desconforto durante a relação. Ou seja, é cientificamente compreensível que a libido suma do mapa por algum tempo. É normal.

E é difícil mesmo pensar em sexo com a mente cheia de infantilidades, de tudo que vai na contramão disso. Vomitou, fez cocô, fez xixi, mamou, arrotou, vou lá trocar outra fralda, tá com febre, dar remédio, fez birra, deu chilique, educar é punk, estimular, ensinar, preparar e dar almoço, jantar, brincar, ver a agenda da escola, dar banho, ler um livro, colocar pra dormir – acrescente aqui mais uma infinidade de coisas e tarefas domésticas – ufa. 

Tem marido que começa a cantar a pedra ainda no resguardo e já vai dizendo que está contando os dias para voltarem à ativa. Bole daqui, bole dali… e a gente corre pra lá, corre pra cá. E eles nem se importam com o peito doendo, vazando leite, o sutiã de amamentação, a barriguinha de pão, os kilos ainda por irem embora, as roupas sexies de pós parto. Que nada. Isso é coisa da nossa cabeça. Eles querem amô, só isso.

Só que você está exausta, acabada, com dor de cabeça, aliás, dores múltiplas no corpo todo… preocupada se as crianças estão bem cobertas, se vão passar calor, se o ar condicionado está muito frio, que horas vão acordar para mamar, chorar ou chamar por você. A maternidade exige muito de nós, mental e fisicamente, especialmente nos primeiros meses. No final do dia, você só quer a sua cama. Para dormir, apenas.

É complicado. Principalmente a primeira relação depois do parto. Porque em quarenta dias você ainda nem voltou a ser quem você era, está nem lá nem cá, numa espécie de limbo, sei lá. E, de repente, tem que ser a mulher fatal/sexy/super disposta de novo, num piscar de olhos. Daí rola o medo, a ansiedade, a auto estima que está baixa. Todo um contexto que na verdade não deve passar de auto aceitação mesmo.

Mas e daí, como faz? Faz com muita força de vontade e uma grande pitada de bom humor, ué. Sem ele, não dá. As situações hilárias que acontecem no sexo pós parto (pós filhos!) dependem desse bom humor e dessa capacidade de rir de si mesmo. Quem já passou por isso sabe do que estou falando. Depois dos filhos, não basta esperar que aconteça, tem que querer que aconteça.

Dizem que a libido volta ao normal depois de algum tempo. E volta mesmo. Pelo menos por aqui ela deu as caras novamente, poucos meses depois do nascimento da Mel. Espero que ela retorne, mais uma vez, agora, depois do nascimento do Leo.

Sei que tudo muda depois que os pequenos entram na nossa vida. Sexo passa fácil para o segundo plano, deixa de ser prioridade na relação e isso não chega a ser ruim, não. A gente passa a visar muito a qualidade e não a quantidade. É mais ou menos igual quando a gente namora e depois se casa. São estágios, eu acho. A gente vai dosando melhor as coisas.

Depois dos filhos, tem que ter muito jogo de cintura, criatividade, disposição e muito bom humor, e não só para o sexo, mas na relação como um todo. Não dá pra se cobrar tanto como mulher, até porque a gente já se cobra muito, como mãe.

Dando tempo ao tempo, as coisas se ajeitam, nós aprendemos a lidar com as situações novas e vamos tirando um aprendizado de cada uma delas. Pelo menos é assim que eu tenho visto essas curvas e tropeços pelo caminho. Como aprendizados.

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26 comments

  1. Perfeito! Que bom que a gente só muda de endereço, mesmo, é tudo igual, com todas, rss… Por aqui percebo a tal da libido indo e voltando nesses 2 anos e 5 meses. Primeiro é o pós-parto, e depois, cada fase parece que exige da mãe física e mentalmente e como vc falou… a gente só quer cama pra dormir. Precisa ter um maridão – muito paciente, rs.
    Beijos pra vcs!

  2. É assim mesmo, rsrsrs… Por aqui o marido ficava “riscando o calendário” na contagem dos 40 dias após o parto. Juro que eu nem pensava nisso… Tanta coisa nova na minha vida acontecendo e a gente se olha no espelho e vê um tribufu danado, aquele corpo horrível que não era o nosso e o marido todo feliz! Vai entender… E fora que ficamos muitas noites sem dormir e qquer minuto livre serve para dormir e mais nada, rsrsrs… Mas ainda bem que tudo se ajeita depois!

  3. Que lindo Post amei, por um momento pensei que só eu estivesse nesta situação, mas vejo que sou normal como qualquer outra mãezinha, Ufffa que bom!!!

    OBS: Tem um filme maravilhoso que retrata a verdade nua e crua da maternidade sem enfeites e ilusões se chama “UM EVENTO FELIZ” acho que toda mamãe deveria assisti-lo é muto bom e retrata bem tudi isso que voce acabou de citar… beijinhos

  4. Michelle, vc é ótima… sempre escrevendo o que todas nós precisamos ler… afinal, isso é normal e acontece com todas nós…
    Comigo tbm foi exatamente assim, com a diferença que eu não tive essa inspiração e esse seu bom humor pra lidar com o assunto, kkkkkk
    Bjus pra vc e sua familia linda…

  5. Frase que disse tudo: “tem q querer que aconteça” q post ótimo, creio que cada mulher/mãe q lê irá se identificar muito. Adoro seus posts Michele, são leves, realísticos e nos traz sempre uma reflexão,nos faz olhar para dentro de nós msms…Abraço na família linda!

  6. Mi, verdade! E sabe que tem muita mulher que não tem coragem de assumir que a libido “se foi”. Falei isso mais ou menos sobre isso numa “tag” la blog uma vez, aqui em casa não foi quarentena, foi noventena! Um tempo que eu precisei, parecia que era errado fazer.
    Depois começamos com calma e seguimos vida normal. Mas no início foi bem complicado! Eu não me sentia mulher, eu me sentia somente mãe.
    Beijos

  7. Nossa! Genial! Para mim um dos seus melhores posts que já li sobre o assunto! Você conseguiu retratar com um toque de humor exatamente tudo o que acontece nesse quesito após o parto, a gente se desliga totalmente como mulher e vive a maternidade integralmente, sem outras preocupações! Você é sempre ótima! Parabéns!

  8. Sabe quando a gente tá sentada ao lado daquela amigona do peito e que fala exatamente o que precisamos ouvir e da melhor forma? Foi assim que me senti lendo o texto… levantou meu astral.
    Amo quando você compartilha suas experiências de forma tão sincera com um humor indiscutível…
    Beijos

    1. Ah, você é uma querida Mônica! Muito obrigada! Fico feliz que vocês tenham gostado do post, estava em dúvida se publicava ou não, afinal, falar de sexo assim, pro povo todo, é complicado, hahaha

      Ps: pessoas da família leem o blog, então imagine como é a repercussão de tudo que escrevo aqui. ai ai ai.

      Bjão

  9. ri muito com o inicio do post pois me sinto exatamente assim quando dou uma escapada (acredite) ao supermercado por exemplo enquanto a vó cuida do pequeno.. gente, que nivel chegamos? haha
    realmente é um período difícil. dificílimo eu diria. mas aí entra aquele ingrediente basico que nos fez escolher o nosso companheiro.. o amor, redescobrir tudo aquilo que ja vivemos, se reinventar.
    bjao!

  10. Adorei o post!!! Concordo com tudo, mas lembro que a primeira relação sexual após o parto e o resguardo, foi tranquila, pra não dizer magica. Foi um reencontro com meu marido, que me olhou cheio de amor, sem acreditar que meu corpo tinha voltado praticamente ao normal depois de 30 dias após a cesária. Temos uma menina, Helena, de 3 anos e 3 meses.

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