Categories: Café da Tarde/ Reflexões

Sobre as crianças, vamos aprender: é desnecessário dizer…

Ele sempre mama pouquinho tempo assim?!

Ele sempre mama tanto tempo assim?!

Nossa, ele ainda mama de madrugada?!

Nossa, mas ele já desmamou?!

Nossa, mas ele ainda mama no peito?!

Nossa, como ele chora alto, né?!

Jura que ele não consegue dormir com barulho?!

Nossa, como ele chora, né?!

Ele sempre come pouquinho assim?!

Ele sempre come tanto assim?!

Nossa, ele não engatinha/anda/fala ainda?!

Ele tá tão magrinho, né?!

Ele tá ficando gordinho, né?!

Como a saúde dele é frágil, né?!

Ele é sempre choroso/manhoso assim?!

Ele é sempre quieto assim?!

Ele é sempre agitado assim?!

Ele é sempre medroso assim?!

Ele é sempre terrível assim?!

Ele sempre pede colo assim o tempo todo?!

Ele sempre estranha as pessoas assim?!

Ele é sempre fechado assim?!

Ele é sempre bravo assim?!

E a lista de frases desnecessárias, cheias de julgamentos – sobre os pais e os filhos – segue infinita.

Então, colocando o foco apenas nos pequenos, vamos lá:

Crianças são seres humanos únicos, diferentes de mim e de você. Aceite isso. Não compare crianças, não queira que crianças sejam iguais, que reajam da mesma forma – ou da forma como você julga correta – às diferentes situações que se apresentam à elas. Nós, aliás, já fomos bebês, já tivemos 1, 2, 5, 8 anos, não é? Nós, adultos, temos os nossos dias bons e ruins, nossos desejos, necessidades e frustrações – como qualquer outro ser humano. Por que então uma criança não os teria?

Compreenda que uma situação pode ser corriqueira para você – um adulto, dotado de total racionalidade já – mas não para uma criança. Algo que é pequeno e simples para nós, é gigante e assustador para uma criança pequena – que ainda está aprendendo a perceber o mundo, a conhecer as pessoas, os lugares, os sentimentos e o seu próprio potencial. A sensibilidade natural de uma criança, especialmente das menores, deve ser respeitada, deve ser acolhida. Seja qual a forma que ela encontre para exteriorizar isso – o choro, o silêncio, a agitação, o apetite, a necessidade de se sentir segura.

Crianças precisam apenas de tempo – do tempo delas. Precisam de espaço seguro para se desenvolver no seu próprio ritmo. E, acima de tudo, precisam de amor e de compreensão. Elas têm direitos – de ir e vir, de pensar, de sentir, de demonstrar, de agir – assim como eu e você.

O que elas definitivamente não precisam, é de comparação com outras crianças ou de julgamento. Aliás, quem precisa disso, não é?

A sua intenção até pode ser boa, mas posso garantir: os pais dessa criança sabem de todas as suas dificuldades, inquietações, medos e do ciclo do seu amadurecimento melhor do que ninguém. Eles acompanham isso dia após dia enquanto estão dando o seu melhor para criá-la e educá-la. Então, não é necessário relembrá-los de algo que eles – melhor do que ninguém – já sabem, não é?

***

Esse post é para você, para mim, para nós todos.

Agora que aprendemos, então, vamos praticar isso nos próximos 365 dias que vêm por aí.

leo_dog

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21 comments

  1. Fantástico.
    Como você disse, um post para todos nós.

    Somos mães e muitas vezes nos irritamos com esses comentários, mas nos pegamos repetindo uma vez ou outra, né? Me policio muito também para não fazer isso, mas tem dia que escapa!

  2. Nem me fale… já ouvi muitas dessas!!! fora que, se formos seguir à risca os manuais de pediatria, teremos mais afeto com um pet do que com os filhos….

  3. Perfeito me descreveu completamente quando minha pequena nao esta nos seus melhores dias. Sempre tento mentalizar numa crise dela, que a criança é ela ela que nasceu so há 1 ano e 5 meses e esta aprendendo a lidar com suas emoções, frustrações, sentimentos, alegrias e tristezas, mais ainda é muito doloroso os olhares e palavras de julgamento. Um beijo.

  4. Michelle,

    Minha linda você é muito sutil nas suas palavras…a verdade é que experiência não se passa, se vive, se constrói. E com as crianças não poderia ser diferente. A relação mãe-filho é baseada em ouvir e ajudar e nada além disso, mas saber ouvir é que é o pulo do gato, tem que estar em sintonia com as crianças e isso você tem de sobra.
    As pessoas que usam esses comentários, estão apenas com nostalgia de algum filho/parente/criança por perto que elas viveram a situação. Tenho uma amiga que me disse a seguinte frase: “quando a minha filha nasceu, minha mãe veio me ajudar. Depois de um tempo, eu pedi que ela voltasse para a sua vida, e me baseei em um pediatra, pois a diferença de geração estava me enlouquecendo!!!”
    Logo após um tempo, eu me vi fazendo o mesmo. Não é falta de amor, mas a diferença da experiência. Mas eu ouço o meu filho, vejo as suas necessidades. Não posso fazer todas mas posso ensiná-lo a esperar, não ter medo, ser corajoso.
    Estou muito alegre por estar caminhando para esse pensamento. Você é mãe, pode não ser perfeita na sua cabecinha ( as nossas expectativas sobre maternidade sempre são tão altas, né?), mas é a melhor mãe que seus filhos terão.
    Acho que já falei aqui, mas eu conheci uma youtuber chamada Flavia Calina. Ela é pedagoga e tem uma filhinha de dois anos e me baseio muito na sua relação com a sua filha que é uma fofura. Eu vejo que estou no caminho certo.O meu preferido é esse aqui.https://www.youtube.com/watch?v=ehCTwmi4wNw
    Um grande beijo pra ti, minha amiga e muitas alegrias em 2016 para a sua família linda!!

  5. Eu gosto de tentar entender que muitas vezes esses comentários sao excesso de zelo por parte de parentes/amigos/conhecidos.. mas que é chato, que complica a vida da mãe e atormenta muita gente.. isso é fato!
    Hoje em dia estou tentando dar menos importância ao que os outros pensam ou falam.. mas é tão dificil simplesmente ignorar. ainda mais quando é pitaco de gente na pracinha que tu nunca viu na vida.
    Beijao!

  6. Palmas e mais palmas!!! Escolhi não dar chupeta para minha filha, e hj ela está com 1 ano e 9 meses. Tudo e qualquer coisa que aconteça com ela….é por causa da falta do bico! Afff.. Tô de saco cheio.Parabéns pelo trabalho lindo.Seus textos São injeções de ânimo.

  7. Que coisa maravilhosa!!Texto tranquilizador e conscientizador!Toda a paciência do mundo ,e mais a que Deus nos dotar,sempre auxiliarão nossos pequeninos…Eu não tive nenhum,mas cuidei de muitos,e meu radar estava sempre alerta.Como é lindo ver o desebrochar desses seres maravilhosos!Muito obrigada,pelas orientações.è como um sexto sentido,se ele está em conflito é porque precisa de auxílio, atenção,amor…Amei sobre as "perguntinhas bobinhas",só quem não criou não sabe como é…Muito obrigada Michele Amorim!Tenha um Ano Novo abençoado!

  8. Comecei a ler seu blog hoje.
    Seus textos são fantásticos!!!
    Estava me sentido isolada com os conflitos e angústia de mãe de primeira viagem, de uma criança de 2 ano e 3 meses, que se diferencia das demais crianças desde bebê, e que vive passando por esses pre-julgamentos e essas frases corriqueiras que algumas pessoas vivem dizendo. Lendo seu blog vejo que meu problema não é isolado e que, pelo contrário, acho que cercam todos os pais. Obrigada por expor o que você passa e assim auxiliar e acalmar quem está nesse mesmo conflito.

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