Categories: Maternidade/ Nascimento & pós-parto

Sobre os últimos três meses e fases (boas e ruins) que passam

Minha primeira preocupação desde que engravidei e especialmente depois do nascimento do Leo, foi em relação à Melanie e como ela reagiria com o irmão, nesse início. A segunda, era se eu daria conta de ser mãe de dois e isso ainda estou descobrindo, a cada dia.

Nesses três meses que se passaram desde que Leonardo entrou nas nossas vidas, tive vitórias, muitas alegrias e algumas tristezas. O bom agora é olhar para trás (não tão atrás assim) e ver que fui capaz de superar os obstáculos, que fui forte o bastante para enfrentar de frente as dificuldades.

O primeiro mês

Melanie e Leonardo se conheceram na maternidade e foi uma cena linda e muito emocionante para nós todos.

Chegando em casa, minha mãe já veio para nos ajudar, o que foi ótimo. Eu tinha companhia e ajuda, tinha uma pessoa para me preparar aquele chazinho, conversar, fazer o almoço, colocar a roupa para lavar, fazer aquele bolinho gostoso e uma pessoa para brincar e dar atenção à minha filha, que era o principal para mim. Ela ficou conosco por umas duas semanas direto e depois foi alternando entre nossa casa e a dela.

Leonardo se mostrava um bebê calmo, bonzinho, dormia bem e nossa amamentação parecia muito promissora, já que ele estava ganhando peso e mamava muito bem – mesmo com um dos meus mamilos invertidos, que ficou assim por conta da mastite que tive quando amamentei a Mel. Eu estava muito feliz e orgulhosa.

Melanie se mostrava muito curiosa e cuidadosa com o irmão, sempre por perto, sempre querendo ajudar. Eu a incluía em todas as situações, desde troca de fraldas até o banho do bebê. Apenas para amamentá-lo eu tentava dar uma fugida, para ficarmos mais sossegados. Nesses momentos minha mãe e Alexandre davam toda a atenção que ela precisasse.

Mesmo com a mudança que tinha acabado de acontecer, muita coisa ainda fora do lugar e todos se habituando à casa nova, eu me sentia muito dona de mim, muito segura naquele início com um recém nascido. Nada comparado a minha primeira experiência como mãe, com a Mel. Achei que as coisas seguiriam assim, tranquilas, em paz, mas claro que não poderiam, afinal, quem disse que seria fácil, não é?

O segundo mês

Janeiro chegou trazendo dificuldades. Sabem quando tudo acontece ao mesmo tempo? Então.

Alexandre teve uma transferência no trabalho e não conseguiu tirar suas férias vencidas, como tínhamos planejado. Minha mãe foi para a casa dela, teve uns contratempos e não voltou mais. Minha sogra estava dando um suporte para minha cunhada, que teve sua bebê três dias antes do nascimento do Leo, por isso não poderia vir. E para completar, Melanie estava de férias da escola. Ou seja, eu, sozinha com um bebê recém nascido e uma criança de 3 anos e meio, cheia de energia e muito, muito carente.

[ Pausa para pergunta: você já pensou em ter uma babá ou uma empregada? Uma babá, ainda não. Uma pessoa aqui todos os dias para me ajudar, sim. Mas, ainda não encontrei aquela pessoa especial e de confiança que eu necessito. Quem sabe um dia ela aparece. Des-pausa. ]

Leonardo continuava super bonzinho, mas começamos a ter uns estresses na amamentação (não vou entrar em detalhes porque estou escrevendo um post só sobre isso). Mas digo que amamentação requer calma, tranquilidade e descanso, tudo o que eu não tive nesse segundo mês.

Melanie começou a fazer birras, a desobedecer, a dizer não para tudo – não quero tomar banho, não quero comer, não quero dormir, não quero pentear os cabelos – e por aí vai. Obviamente o ciúme tinha dado as caras, o que era bem compreensível.

Com relação ao blog, que acabou se tornando também o meu trabalho, recebi uma proposta muito boa, mas num momento delicado, em que eu não tinha tempo nem de me coçar, como dizem. Mas decidi aceitá-la, mesmo assim. Sou dessas, “de meter as caras” mesmo.

Eu comecei a me sentir sozinha, cansada, sobrecarregada e entediada. Sentia falta da minha rotina, sentia falta de sair, dirigir, ver gente, conversar com adultos. Todos os dias lidando somente com crianças, vinte e quatro horas por dia, nos faz surtar um pouco, ficar com cara de louca, como diz uma amiga. Fora as noites mal ou pouco dormidas, que nos deixam um caco. O que acabou culminando numa falta de paciência com tudo e com todos, em crises de choro, em medo de ficar sozinha, em medo de não dar conta.

Achei que talvez fosse depressão pós parto de novo, e com todas as minhas forças tentei fugir, tentei me livrar desses sentimentos. A gente fica muito sensível e é normal (e hormonal), como já sabemos. Mas a cada vez que uma sensação ruim batia, eu olhava para os meus filhos, agradecia pelas bençãos recebidas e com isso me coração se acalmava. Sempre respirava fundo e pensava “vai passar, vai passar, você é forte, já passou por isso uma vez”. E seguia em frente.

Passei momentos bem difíceis tendo que dar conta sozinha, da casa, da vida e de duas crianças, uma totalmente dependente de mim e outra carente e precisando de atenção, mais do que nunca. Nossa rotina ficou totalmente bagunçada e por vários momentos eu não sabia o que fazer primeiro ou melhor, quem atender primeiro! Duas crianças chorando ao mesmo tempo, precisando de você, é tenso, afinal, você só tem duas mãos. A gente surta e não tem tempo nem para nossas necessidades mais básicas, como fazer um xixi sossegada, por exemplo.

Tive problemas na amamentação por conta disso tudo –  stress e amamentar simplesmente não combinam. A diarista, que tenho uma vez por semana, faltou diversas vezes e a casa ficou de pernas para o ar, afinal, eu não tinha tempo pra limpeza, muito menos para faxina. Pronto, o caos estava armado.

Minha mãe veio ficar conosco mais uns dias, mas começamos a nos desentender por conta de pensamentos diferentes em relação a criação e educação dos dois. Ela ainda acha que tudo que ouvia lá na década de oitenta, vale para os dias atuais. Então eu apenas ouvia, dizia que hoje em dia não era mais assim, argumentava e finalizava o assunto. Mas é claro que isso me incomodava. Além disso, todas as vezes que precisávamos dizer não para a Melanie, ela intervinha, e isso tirava nossa autoridade, o que era péssimo. Mães deveriam apenas deixar que suas filhas sejam mães e cometam seus próprios erros, se necessário.

No fim das contas, achei melhor ficar por conta própria a ter essas interferências. Decidi abraçar a causa (e o caos!) e disse a mim mesma que eu daria conta. E, surpreendentemente, as coisas começaram a melhorar.

O terceiro mês

Fevereiro chegou e com ele a volta às aulas. Com isso, era chegada a hora, aquela que eu temi por algum tempo, de sair sozinha com duas crianças. Eu, as tralhas e os pequenos. Fora que agora teríamos horários a seguir, ou seja, era a rotina voltando ao normal.

A primeira semana de volta às aulas foi difícil. Melanie não queria entrar, chorava, queria voltar pra casa. Tive que ter muita paciência e carinho para lidar com ela naqueles momentos. Tudo com Leo no colo, é claro. Mas valeu a pena. Na semana seguinte ela já estava super entrosada com a nova turma, com as novas professoras e animada com a escola. Para conseguir carregar o Leo, a mochila e tirar a Mel do carro, usei e abusei do sling, uma mão na roda sempre. Falei sobre ele aqui.

Em casa Mel melhorou também, as birras deram um tempo e fomos nos ajeitando, agora como uma família maior.

Tive que reaprender a me organizar com o trabalho, a casa, a família, enfim, com a nossa vida. Afinal, um bebê nasce mas tudo continua acontecendo, o mundo não pára – embora eu acho que devesse, nos primeiros meses. (muitas de vocês têm me perguntado sobre como está nossa rotina, como tenho feito para dar conta de tudo e estou escrevendo um post separado sobre isso, assim esse não fica tão longo.)

De repente, foi muito gratificante ver que, mesmo com todos os momentos de dificuldade, de correria, de achar que não daria conta, aprendi a conhecer meu bebê, a lidar com ele e a cada dia estava mais apaixonada e abobalhada pelo Leo (vide post dos três meses aqui). Além disso, aos poucos fui conseguindo dar conta dos dois e de tudo mais, com muito esforço e alguns surtos, é claro. Mas sim, a gente pode, a gente dá conta.

O que eu quis passar com esse relato, afinal, é que tudo são fases, realmente. E elas passam. As boas e as ruins. E outras sempre virão, com novos desafios, novas alegrias e novas tristezas e frustrações. Porque assim é a vida, assim é a maternidade.

Ainda bem que nessa nossa vida de mãe, o bom é tão bom, o bom vale tanto a pena, que a gente quase sempre esquece dos momentos difíceis e se fortalece, para os próximos.

blog vida materna_post fases que passam
eu e meus filhotes, em janeiro, no dia do meu aniversário, surtando, mas feliz :)

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25 comments

  1. Adoro seus posts! Esse em especial me deu forças pra encarar os desafios com meu rescem nascido. As vezes parece que não vai passar a fase difícil e é muito bom saber que todo mundo tem fases assim na maternidade e que é só uma questão de tempo pra tudo se acertar. ❤️

  2. Oi,Michelle
    Nem consigo imaginar minha vida sem uma empregada domestica pelo menos 5 vezes na semana. Pelo menos depois que nasceu minha segunda filha. Agora, com o terceiro com pouco mais de um mês, quase surtei com todos em casa nesse carnaval e sem a empregada. E olha que o marido tava em casa… Voce é uma heroína! To curiosa sobre o seu relato sobre amamentação. Desde que o Felipe fez um mês tem tido dificuldade na pega e faz barulhinho, engole ar, e eu estou ficando agoniada!
    Bjs.

  3. Michelle, assim não vale! Eu me emociono com todos os posts, pq estou prestes a passar por essa situação, mas com a diferença que Heitor terá quase 1 ano e 7 meses, ainda usando fraldas, mamadeira, não fala quase nada e quer minha atenção o tempo todo! Parei de trabalhar quando engravidei dele, por opção mesmo e desde então eu cuido dele e da casa. Tbm me perguntam se não quero uma empregada e que “tenho que ter”, mas elas estão escassas no mercado, quase encontrar uma agulha no palheiro! Estou procurando, mas… Minha mãe se mudou para a mesma cidade e está morando na mesma rua. Sorte que ela respeita a minha maneira de agir com o Heitor, meu pai é que dá pitacos além da conta, mas a gente dá um jeito. As fases passam sim, mas quando estamos nela, elas parecem não terminar nunca! Depois te conto como foi por aqui com uma diferença de idade tão pequena, rsrsrs…

  4. Michelle, não a conheço mas admiro vc. Obrigada pela sua sinceridade e coragem. Seus textos sem frescuras e reais me inspiram e fazem pensar que apesar dos meus medos ,dúvidas e inseguranças vou conseguir ser uma boa mãe.
    Abraços!

  5. Nossa é verdade realmente, nossos filhos dá um baile na gente..rs. Eu sou mãe de primeira viagem, meu bebê tem 3 meses e estou passando por cada uma, imagino vc que tem dois..rsrs. Mas é muito gratificante.
    Gostaria muito de saber como está sua rotina com o Leo.
    Bjs.

  6. são fases e tudo passa…são fases e tudo passa…são fases e tudo passa… nos meus surtos e devaneios eu repito isso de forma calma e sorridente ( a loka total) e sim, tudo passa…rrsrrsrs bjs

  7. Oi Michele, parece que quando assumimos o caos ele se torna menor. Acho que é por isso que só parei de surtar quando assumi minha situação. Mas quanto pânico até conseguir….
    Beijos e vamos lembrar que somos fortes!!!

  8. pois é.. logo que meu filho nasceu me vi na mesma situaçao. nao quis ninguem me ajudando (nem mae e muito menos sogra). a casa virou um caos, mas pelo menos nao fiquei ouvindo papo furado de 30 anos atras. e os hormonios.. malditos! sim, eles fazem a gente quase pirar, mas tudo passa. AH SE PASSA. Que bom que as coisas amenizaram por aí. O Leo ta uma graça! Parabens pela familia linda! :*

  9. Oi Michele!
    Eu amo seu blog e amo o jeito que vc é…
    Aqui em casa são 2 meninos: um de 4 anos e outro de 10 meses. Infelizmente o caos ainda não foi embora! rs Sou “dona de casa” e as vezes a vontade é de trancar a porta e sair correndo e gritando! Desde que o mais novo nasceu, conto nos dedos quantas vezes consegui fazer almoço ou limpar a casa numa boa, sem pirar.
    Acho que souega desorganizada e, depois de ler esse post, tenho quase certeza! Hahahahahaha
    Bjs! E parabéns pela família linda! <3

  10. Parabéns pelo texto mi, é complicado o começo, com 2 então, deve ser muuuuito dificil. Mas com paciência e bom humor passa, isso passa. Bjos e boa sorte!

  11. Tb tenho 2 filhos um de 3 anos e outro de 3 meses, não é fácil neste mês estamos em férias e o Lucas de 3 anos tem tido crises de ciumes exatamente como vc descreveu. O Miguel de 3 meses graças a Deus é um anjinhoz, mas tb tem momentos de birras pra dormir, ja que o mano toda hora grita, fala alto perto dele, enfim… tb tenho surtado algumas vezes, mas faz partd, com o tempo tudo vai melhorando, assim espero, hehehehe.

  12. Sabe Michelle, tenho um filho de 1 ano e 3 meses e quando questionada se pretendo ter outro respondia que sim, mas num tom “aguado”, justamente pelo medo de passar pelo mesmo caminho maternal que ainda não tá lá tão calmo…
    Me conforto em saber que quando tomar a decisão de que está no momento o amor compensará toda e qualquer dificuldade que eu possa sentir, que só sendo mãe pra viver os dias mais felizes da vida, mesmo com lágrimas, sono, dor… ser mãe é TUDO!
    Deus te abençoe todos os dias com esse amor incondicional!

  13. “No fim das contas, achei melhor ficar por conta própria a ter essas interferências. Decidi abraçar a causa (e o caos!) e disse a mim mesma que eu daria conta. E, surpreendentemente, as coisas começaram a melhorar.”

    Ajuda é bom e difícil também, mas damos conta sim! =P

  14. Michelle,
    Uma vez a minha irmã me disse logo depois de ter o primeiro filho: ” não conte com os outros, pois no final é você com você mesma para lidar com tudo”.
    Vejo que se encaixa totalmente no seu caso, mãe de dois e recém parida.
    Imagino o seu estresse em janeiro, a época que as crianças estão mais serelepes para sair, brincar, ir na piscina etc.E a interferência dos outros enche o saco mesmo.
    A casa deixa o cérebro em pane quando se desorganiza, mas antes isso que alguém enchendo o saco! A casa você se vira depois, o foco são os pequenos.
    enquanto ao trabalho, eu desejo o seu crescimento assim como as suas leitoras, mas você está na licença poxa, teu filho é pequeno. E isso você tem que priorizar!!!
    Não banque a mulher maravilha, ninguém aqui espera isso de você. Pois o preço é o seu querido leite…e sabemos que ele faz tão bem para as crianças, né?
    Meu filho desmamou com oito meses e eu chorei tanto!!! Eu dava leite para ele na mamadeira para suprir o meu pouco leite pelo estresse pós parto(no meu caso foi estresse e não depressão). Se eu pudesse voltar no tempo teria mudado isso, pois o pequeno é alérgico a um monte de coisa, ou seja fez falta para ele.
    O foco é o Léo. A Mel talvez esteja te vendo meio culpada e tem que ter naturalidade para ela entender que o bebê é ele e não ela. Família tem que se unir nessas coisas e cada um tem o seu papel, ela é uma menina agora e não uma bebê.

  15. Michelle, você descreveu tudo o que passei! Hoje estou com o Vini(5 anos) lidando ainda com os ciúmes do irmãozinho Arthur(4 meses), mas já curtindo ficar junto, brincar, tocar e acarinhar um ao outro, Tudo passa e fica cada vez melhor.

  16. Muito importante seu relato, sobre a jornada com 2, eu e meu esposo estamos nesta caminhada, rumo ao segundo rs… na verdade começamos a tentar este mes e temos um filho com 4. O que eu mais ouço é “Não faça isso, um só ja esta bom”, mas cada dia que passa eu sinto mais falta do meu segundo filho que eu ainda nem conheço, sei que vou passar tudo isso, mas quero passar…
    Ver voce vivendo isso e dividindo conosco apesar de todas as dificuldades me da mais força…vamos lá
    Quem sabe, no proximo comentario eu ja estarei aqui pedindo dicas …obrigada.

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