06 jun 2013

Sobre tempo, dedicação e estar realmente presente

imagem www.unitedfamiliesinternational.wordpress.com

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Esse vídeo “Crianças Terceirizadas” chegou até mim meio por acaso e em uma fase interessante da minha vida. Exatamente numa fase onde tenho questionado o tempo e como nos dedicamos à nossa filha e, por que não, ao tempo que dedicaremos ao nosso filho que está chegando. Me vi concordando com cada posicionamento do Dr. José Martins Filho, professor titular de pediatria da UNICAMP. E me identificando em algumas situações.

Acho muito importante que tenhamos essa consciência de que nossos filhos precisam desse vínculo com pai e mãe, precisam desse afeto, desse cuidado, assim, de perto. É um cuidado que vai além de alimentar, amar e dar tudo de melhor que pudermos dar a eles. É se envolver, estar presente de verdade, de corpo e alma nessa jornada. Eu percebi isso há algum tempo e mudei várias coisas na nossa rotina. Na minha, pelo menos. Coisas que antes passavam desapercebidas pela loucura do dia a dia.

O vídeo para mim teve ainda mais uma finalidade. De dar um cachoalhão, um lembrete de que sim, a vida de mãe às vezes enche o saco, mas foi uma opção minha, nossa. Não que isso vá amenizar a frustração, o cansaço, as privações, as noites insones. Mas ajuda a ver as coisas de outra forma, ajuda a encarar as fases mais difíceis. Nós, os adultos, temos que ter essa consciência de que se escolhemos um caminho, devemos estar ali para enfrentar e ultrapassar os obstáculos da melhor forma que pudermos. Essa consciência é o que tenho tentado trabalhar, especialmente agora, com um segundo filho a caminho.

Eu realmente me considero uma pessoa de sorte por não ter tido que voltar ao mercado de trabalho depois que a Melanie nasceu. Pelo menos não da mesma forma como antes, trabalhando fora 10 horas por dia. Foi uma opção minha e do meu marido, em comum acordo. E em nenhum momento nos arrependemos. A Mel ficou em casa comigo até quase 2 anos e então começou a frequentar a escolinha, meio período. Esse ano havíamos mudado o horário dela para o intermediário, para que ela chegasse um pouco antes do almoço e pudesse assim explorar o cardápio tão variado e exemplar da escola (mesmo ela comendo tão pouco).

De repente senti que, tanto eu quanto ela, precisávamos de mais tempo, uma com a outra. E com isso, voltamos a levá-la para a escola apenas meio período. E por mais que eu agora tenha que me virar com os afazeres da casa, da obra e do trabalho em apenas quatro horas, sinto que foi a coisa certa a fazer.

Além disso, quando ela está em casa eu realmente fico com ela. Realmente estou ali. Fecho o notebook, esqueço o celular, internet, desligo a tv, deixo a louça para depois. Me envolvo nas brincadeiras, deito, rolo, beijo, abraço, vivo os momentos dela. Foi uma das coisas que percebi. Que não adianta estar junto, assistindo a novela, o jornal ou estar no facebook enquanto o filho brinca – sozinho – ao seu lado. Isso é presença e não estar presente. Não dá pra fingir estar presente. E isso não é algo para se gabar do tipo “oh, veja como me dedico à minha filha”. É minha obrigação como mãe.

Eu sei que todo mundo precisa trabalhar, que a maioria não tem essa opção de trabalhar em casa ou simplesmente largar o emprego para passar mais tempo com os filhos. E sei que carreira e dinheiro também são importantes. O que quero dizer com esse texto é: não importa se você pode se dedicar uma, duas, cinco ou vinte e quatro horas para o seu filho. Apenas se certifique de, nestas horas, estar realmente presente. Parece e deveria ser óbvio termos essa consciência, mas por vezes esquecemos dela. Em meio ao cansaço, eu já esqueci e tenho certeza de que você também. Mas sempre podemos tentar melhorar.

Ontem, quando estava finalizando esse post, li um texto da Dani Brito que complementa muito bem essa linha de pensamento. Vale muito a pena ler: Como ser mãe em uma época em que impera a lei do menor esforço?

8 comentários no blog

  1. Juliani em

    Quando vi esse vídeo a primeira vez ainda não tinha voltado a trabalhar então deu um frio na barriga, depois há um ano atrás vi de novo e chorei no meu trabalho.
    Passava 9 horas longe do meu filho, e o meu trabalho não era muito flexível então muitas das consultas ao pediatra(que meu filho ficou muito doente naquele ano, coincidência só que não) e meu coração de mãe não aguentou!
    Mas não fiquei só no mimimi, me organizei e esse ano voltei a estudar e parei de trabalhar, mesmo com os perrengues financeiros vale muito a pena. Meu filho vai agora já tem 2 anos e frequenta a escolinha apenas no período da manhã quando estou em aula.
    Foi a melhor coisa que eu fiz!

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  2. Patrícia Coe em

    Esse texto é simplesmente maravilhoso! Me identifiquei 100%. Tb parei de trabalhar para cuidar do Théo, abri mão de muuuuuita coisa e nunca me arrependi! Eu, meu marido e o Théo somos felizes assim, como uma família que se cuida e se ama. Se todas as mães pudessem ter a mesma oportunidade que nós as crianças seriam mais felizes e se sentiriam mais amadas. E foi daí que surgiu a Bebê Amore, trabalho em casa nas horas vagas pq, hoje, minha vida gira em torno do Théo.
    Parabéns Michelle!!!!
    Bjs
    Patrícia

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  3. Nayla em

    Esse texto e o video me acalmaram e me tiraram muitas dúvidas.

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  4. Mirela Costa em

    Eu fiz a mesma coisa: parei de trabalhar para me dedicar ao Heitor!

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  5. Karen em

    Adorei ♥ Narração das decisões que assumimos quando resolvemos ser pais, ANTES mesmo de sermos pais, nada de terceirizar a função, qualidade do tempo do Thi, casa bagunçada rs, noites mal dormidas, mãe sendo mãe e pai sendo pai!, aprendizado a todo instante, os primeiros anos como devem ser enfim, hj estou na contramão do mundo, e assumidamente realizada, não menos atarefada ou deixando coisas para trás, é o contrário, todo dia tenho ganhos que não tem preço, estar com seu filho, amar uma criança é algo inestimável que desejo a todos, obrigada pelo texto Michelle ;)

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  6. Luana em

    Lindo texto, vídeo enriquecedor,a mais pura realidado do nosso século, senti vontade chorar, pois cumpro em parte o que ele falou, mas tenho desejo de consertar, meu bebê tem 9 meses e trabalho fora, mas tenho fé em Deus que no próximo ano irei parar de trabalhar e me dedicar aos melhores anos da vida do meu filho e meu também. O mundo está desta maneira, pois os valores de família estão perdidos e este vídeo só prova isso…crianças terceirizadas!

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  7. Flávia Nunes em

    Acompanho o blog desde as primeiras semanas q estava grávida e fica sempre nos meus favoritos…rs
    Como muitas mães me sinto pressionada a largar a profissão por aquelas que fizeram isso….e pressionada a voltar ao trabalho por outras mães…
    E ja me peguei por várias vezes pensando que muitas mães que eu conheço que pararam de trabalhar para se “dedicar ao filho” não percebe que não tem qualidade e fica em casa arrumando a casa o dia inteiro e a criança fica presa em um chiqueirinho,berço ou tem babá que faz tudo! Eu acho absurdo vc em casa com babá fazendo aquilo que vc tem q fazer! Tenho empregada domestica mas, as coisas da minha filha sou eu quem faço…a papinha, os sucos..lavar as frutas e etc.
    Após minha licença maternidade pedi demissão não por não querer trabalhar, pois eu batalhei muito e amo muito a minha profissão para dar a ela o valor de um estudo…mas, pq só tive 4 meses e era muito pequena e ja estou no processo de voltar a trabalhar e espero que me adapte a essa nova vida.
    só que acredito que não adianta ficar em casa se vc não tem tempo para seu filho!

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  8. Diana em

    Muito legal seu blog! Dicas interessantes! Hoje em dia poucas pessoas falam com franqueza sobre maternidade. Esse blog aqui também tem dicas legais: http://maesembaba.blogspot.com.br/
    Parabens!

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