16 set 2013

Sobre gatos, gravidez e crianças

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Já me pediram algumas vezes para contar sobre a relação da Boo comigo (gestante) e principalmente, com a Mel. Acho que por ter sido sempre tão tranquilo e natural, acabei esquecendo do assunto.

Depois do último vídeo fofo que gravei das duas, lembrei de vir escrever.

A Boo entrou na minha vida em dezembro de 2006, quando tinha pouco mais de um mês de vida. Foi escolhida e me escolheu, com aquelas pupilas enormes que ela tem.

Desde então, ela se tornou mais do que um bichinho de estimação, se tornou parte da família, parte de mim até, eu diria. Somos muito, muito apegadas uma a outra. Eu sei o que ela quer só de olhar pra ela. Ela, por sua vez, sabe quando não estou bem só de estar próxima a mim. A cumplicidade é sem fim.

Boo dorme no meu travesseiro, em cima da minha cabeça (!), no meu pescoço, fuçando os meus cabelos. No dia seguinte pareço o Valderrama. Ou então, dorme nas minhas pernas, se estiver mais calor. Mas sempre junto. Até se vou ao banheiro ou tomar banho ela não admite uma porta entre nós. Temos que estar sempre juntas e isso não muda, estando eu grávida ou não.

Quando engravidei da Mel, muitas pessoas me disseram coisas do tipo “nossa, você vai ter que dar a sua gata, gato dá doença, sabia? a prima da minha vizinha pegou!”. Estava ali, o mito do gato vilão que carrega o tempo todo a toxoplasmose.

Durante uma consulta do pré natal, perguntei ao meu obstetra sobre o perigo real e ele me confirmou que era muito mais fácil que eu contraísse toxoplasmose ingerindo alimentos crus ou mal lavados do que através da minha gata. O que eu deveria fazer eram os exames (para ver se eu já tive toxoplasmose ou estava reagente naquele momento) e tomar alguns cuidados básicos como lavar bem as mãos e se possível deixar os cuidados com a caixinha de areia para outra pessoa. Só isso.

Como a Gracy Marcello (veterinária e mãe) já explicou pra gente nesse ótimo texto sobre a toxoplasmose e os gatos (recomendo muitíssimo a leitura), existem alguns cuidados básicos para que a gente se proteja da doença:

* Manter seu gato saudável (leve-o ao veterinário, faça um check up, mantenha as vacinas e vermífugo em dia)

* Não dar carne crua para o seu gato.

* Não permitir os hábitos de caça do seu gato.

* Oferecer ao gato apenas água filtrada ou fervida.

* Retirar as fezes da caixa de areia assim que detectá-las, evitando que fiquem por mais de três dias no ambiente, tempo que os cistos necessitam para se tornarem infectantes por via oral. O ideal é pedir para que outra pessoa da casa o faça. Para que a grávida não tenha contato com as fezes.

* Pedir para outra pessoa da casa escovar diariamente o pelo do gato, retirando os cistos que ele possa ter espalhado no pelo ao se lamber.

É importante também fazer os exames de sorologia de acordo com o pedido do seu obstetra, não comer carne crua ou mal passada, não comer frutas, verduras e hortaliças crus sem saber a procedência (de restaurante), lavar bem estes mesmos alimentos ao comê-los em casa e só beber água fervida ou filtrada.

A gravidez da Mel

Durante a gestação da Mel nós morávamos em apartamento, então a Boo não saía nunca, não tinha contato com outros gatos, plantas, etc. Hoje, que moramos numa casa, ela sai, passeia no quintal e de vez em quando tem um contato longínquo com outros felinos. Como ela é castrada, nunca se interessou muito por outros da sua espécie. As vacinas sempre estão em dia (ok, às vezes atrasamos um pouco) e o vermífugo idem.

Tanto nessa quanto na minha primeira gravidez, a Boo se comportou igualzinho. Ficou um pouquinho mais carente, querendo meu colo direto e fazendo algumas coisas para chamar a minha atenção. Coisas como bagunçar de madrugada, arranhar o sofá, etc. Tudo normal.

Quando montamos o berço da Mel, ela quis investigar, claro. Entrou, cheirou, afofou e até dormiu dentro dele, sem que eu visse. Isso aconteceu três vezes (antes da Mel nascer) e em todas eu a retirava e falava que ali não podia dormir. Dali em diante ela não voltou a entrar no berço.

Estando grávida, nunca deixei de dar colo ou carinho para ela e confesso que nem deixei de retirar o cocô da caixinha de areia, afinal, eu uso uma pá e depois lavo muito bem as mãos, claro.

A Mel bebezinho

Quando a Mel nasceu, logo que chegamos em casa, a Boo veio cheirar o bebê conforto. Cheirou os pés da Mel, cheirou os cobertores da Mel. Ficou meio ressabiada e preferiu só observar, de longe.

Ao primeiro chorinho de recém nascido que ouviu, ela tomou um susto. Arregalou os olhinhos e fez uma cara de “que p***** é essa?! que bichinho é esse?” :)

Desde o início, ela sempre quis acompanhar tudo de perto e nós sempre permitimos que ela acompanhasse. Se ela sempre esteve junto conosco não teria sentido privá-la de repente da rotina da família. Seria até prejudicial.

Quando íamos dar o banho ou trocar a fralda da Mel, ela sempre subia na cômoda ou numa das extremidades do berço. Tinha que ser um lugar bem alto, afinal, ela não podia perder nada daquilo tudo.

Quanto aos pelos que obviamente caem – principalmente quando troca as estações – não se tem muito o que fazer. O negócio era escovar, dar banhos e mantê-la longe – dentro do possível – dos lugares em que a Mel dormia e brincava. Mas sem paranóias.

Nos dois anos que se passaram, ela nunca mais entrou no berço e nunca nem deitou perto da Mel. Ainda assim, sempre mantivemos os olhos bem atentos. Não tem aquele mito do gato sufocador que senta em cima dos bebês? Então, por aqui isso nunca passou nem perto de acontecer.

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Enfim, a interação

Quando a Mel começou a engatinhar e depois a andar, o normal era mesmo que ela se interessasse por aquele serzinho peludo e com rabo balançando que andava pela casa. Aconteceu diversas vezes dela correr atrás da Boo, de tentar puxar o seu rabo, de gritar perto dela e assustá-la, enfim, todas as coisas que crianças pequenininhas fazem com os animais.

A Boo, por sua vez, só corria. Se escondia embaixo da cama ou entrava em algum cantinho, para se proteger. Sempre tivemos essa impressão: que a Boo tinha medo da Mel. E ainda tem.

A Mel nunca se interessou em mexer na caixinha de areia dela e poucas vezes a vi perto do potinho de ração e de água. Hoje em dia ela quer colocar sozinha a comidinha da Boo, mas nunca quis comer. Ufa.

Agora que a Mel já tem três anos, elas interagem e brincam mais do que nunca.

Se a Boo já arranhou ou mordeu a Mel? Depois que ela cresceu, sim, algumas poucas vezes. Todas elas foram superficiais e sem a intenção de machucar. A Boo é uma gatinha muito tranquila e boazinha, sempre ao invés de atacar prefere correr ou se esconder.

Se a Mel a provoca demais ou ela se sente muito acuada, ela revida dando uma patada ou uma mordidinha (de leve, de amor).

Com isso a Mel aprendeu que existem limites do que ela pode fazer com a Boo e do que não pode. Aprendeu que tem coisas que a Boo não gosta, como por exemplo, que pegue no seu rabo. Nós também sempre ensinamos e demonstramos que ela – e todos os animais – devem ser tratados respeito e carinho.

Então no mais, é só alegria. Ou quase.

Mel e Boo from Michelle Amorim on Vimeo.

Ps: para quem tem cachorros, veja algumas dicas aqui.

13 comentários no blog

  1. Maísa em

    Desse mesmo jeitinho comigo!!! Meus amores! Helô, Menininho e Sambudinho!!

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  2. Simone Galhardo em

    Olá, vi vc falando sobre minha historia rs. Tbm adotei um gato persa inclusive, com aquele monte de pelos rs,o Yugui, e logo engravidei, me disseram tantas coisas, mas eu jamais poderia abandonar meu companheiro, em casa é exatamente como na sua, dorme comigo e me espera no banho rs. Meu filho o Nicolas, hj tem 1 ano e 7 meses e os dois estão o tempo todo juntos pela casa. Hj mais do que nunca tenho certeza q fiz a coisa certa de jamais me desfazer de quem tem tanto amor pela minha familia, e alias ele faz parte dela rsrs. Um bjão!!

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  3. Kaa em

    Lindo texto, linda interação e fotos!
    Gata foooofa a sua! Parabéns!
    Se eu tivesse uma gata seria da mesma forma, como parte da família!

    beijos!!

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  4. Erika/SP em

    Oi Mi! Faz tempo que eu queria ler este post! Eu tenho uma persinha, a Nevinha, e sei o quao maravilhoso eh ter um animalzinho em casa, principalmente gatinhos. Quando eu engravidar farei de td para que a Nevinha se sinta bem com a mudanca e fico muito feliz em saber que a Boo eh tao querida assim! Alias, ela eh linda e achei uma gracinha ela usar coleirinha, a Nevinha nao gosta, o que eh uma pena, mas respeito a vontade dela. Mil beijos! Erika/SP

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  5. Mirela Costa em

    Perfeito! Aqui em casa são CINCO gatos e um bebê de 10 meses que convivem super bem! E SEMPRE dormiram no berço, no carrinho, na cadeirinha de balanço… Deitavam no meu colo enquanto eu o amamentava. E vamos super bem! Meus gatos não saem de casa. E agora na casa dos meus pais tem uma gatinha que é a alegria do Heitor!

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  6. Gracy Marcello em

    Lindas!!!!

    Amei escrever esse texto que vc citou! São as duas coisas que eu mais amo ser na vida mãe e veterinária!

    Bjs

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  7. Mistelko em

    Mi imagina se eu ia deixar de comentar um texto sobre bebês e gatos né?? Pra quem não sabe nós temos um site de tirinhas sobre os nossos 3 gatos, e claro quando nossa filha chegou entrou pra turma. Nossos gatos já tem 10 anos e nossa filhota 2,4. Antes da Nati eles eram nossos filhos, tratados e chamados desta forma. Durante a gestação este elo foi um pouco rompido. Percebi que a paciência não era mais a mesma :( Depois que a Nati nasceu eles acabaram ocupando o lugar de bichos de estimação mesmo. Não eram menos amados, só passamos a vê-los como gatos e não crianças. (sério, eles eram filhos mesmo para nós) Também lutamos contra o mundo para ficar com os gatos, testamos os 3 e eu, ninguém tinha pego toxoplasmose na vida. Nossos gatos só ficavam dentro de casa e é assim até hoje, pois achamos q é o melhor pra eles. Como a Boo experimentaram tudo do bebê, da cama ao carrinho e também ensinamos q não era o lugar deles. Mas ao contrário da Mel, a Nati já comeu ração, já brincou com a caixa de areia, já deu do iogurte dela pra eles, diz que é uma gata também, joga a ração na água sempre q a gente descuida, abraça, beija, faz os gatos de neném, de lobo, toca eles do sofá, disputa caixa de papelão e toda noite 1 ou 2 gatos dormem na cama com ela. É uma relação intensa e ela diz q os gatos são dela hehe Apesar de tudo, nunca foi arranhada ou mordida pq ensinamos a respeitar uns aos outros. Acho que eles são muito importantes pra ela e não imaginamos nossa casa sem este quarteto!

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  8. Daniela em

    Aiiii que lindo sua gatinha!! Que fofa!!! Eu queria muito ter uma em casa… Eles são super protetores com nossos bebês! A minha sogra mandou uma baba embora porque o gato dela que por sinal é super manso, arranhou a baba todinha!!!! Ah… Parabéns principalmente pela filha linda!!!! Bjo

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  9. bya em

    achei linda a relação da Boo com Mel,mas o gato qe tem aki em ksa é louco,antisocial nao existe isso com ele. –‘ ate pq ele nem é meu,quando a Bianca nascer quero ele bem longe do quarto ;; bjoos

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  10. Muriel Coelho em

    Boo!!!! você é demais!!! Linda!!!

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  11. Kamylla Ribeiro de Oliveira em

    lindo gatinho tambem estou gravida e tenho um lindo gato em casa e nao consigo ficar longe dele.

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  12. lucibeli em

    Estou no oitavo mês de gestação tenho 3 gatos em casa e quero continuar com eles espero que aceitem bem o bebe e com a higienização correta é possível a boa convivência de todos.

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  13. Gi em

    Aí que alívio, pois tou querendo engravidar e tenho uma gatinha que amo, e ficava tensa em dar minha gatinha agora posso fica com ela e ter o meu bebê futuramente!

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