14 abr 2011

Sobre Atividades: CineMaterna

Não há quem não concorde que depois de se ter um bebê uma ida ao cinema vira evento raro, algo que necessita de todo um planejamento prévio, uma logística especial. Logo após o nascimento dele então, nem se fala. Imagine só, ir ao cinema quando se tem um bebê de 15 dias em casa? Du-vi-do que alguma mãe consiga! (claro, há exceções, mães com ajuda de babás, enfermeiras, enfim. Mas falemos de nós, mortais).

Eu sempre gostei de ir ao cinema, era rotina na minha vida. Grávida, então, assisti a todos os filmes que minha pouca disposição e humor permitiam (o que surpreendentemente foram muitos). Aí foi o Francisco nascer para eu achar que lá por 2015, quem sabe, poderia finalmente assistir nas telonas algum filme concorrente ao Oscar daquele ano.

Um dia, conversando com uma amiga obstetra, falei justamente disso, da vontade de sair, ir ao cinema. O Francisco não tinha ainda completado duas semanas de vida. Ela então me contou de uma tal sessão especial para mães e bebês que suas pacientes frequentavam. Fiquei curiosa e fui pesquisar a respeito, claro, no google: “cinema + mães + bebês”…e eis que assim conheci o fantástico (com licença, mas não pouparei elogios) CineMaterna!

Mamães atentas, bebês dispersos, mas todo mundo feliz. (foto: divulgação)

 

A ideia do CineMaterna surgiu em 2008, através de um grupo de discussões sobre maternidade, na internet. Numa conversa sobre esse meu papo aí em cima, de ir ao cinema depois de ter um filho, um grupo de amigas decidiu “invadir” uma sessão de cinema com seus bebês. E assim fizeram. Deu tão certo que virou uma ONG, e hoje já atua nas grandes capitais do país.

Atualmente a coisa toda funciona assim: os filmes são os atuais, em cartaz no momento, e são escolhidos através de votação pelas próprias mães (corre lá no site, cadastre-se e comece a votar para escolher o próximo!). Todas as sessões têm a luz um pouquinho acesa, para facilitar a circulação das mães e bebês (que costuma ser constante), têm o ar-condicionado fraco e o som mais baixo que as sessões normais. Até mesmo trocadores elas têm – com direito a lencinhos umedecidos, pomada e até fraldas descartáveis, de todos os tamanhos.

Mamães trocam os bebês sem perder o filme. (foto: divulgação) 

Podem ir bebês desde recém-nascidos até no máximo 18 meses de vida – depois disso, convenhamos, a coisa complica e não há quem segure a criança dentro do cinema. Fui à primeira sessão logo depois que conheci o projeto – o Francisco tinha 20 dias de idade! Desde então só perdi aquelas em que a quinta-feira do CineMaterna (aqui em Curitiba as sessões acontecem quinzenalmente, às quintas e aos sábados) caía junto a um compromisso realmente inadiável.

Sempre me divirto. Às vezes o Francisco apronta um pouco (aí costumo assistir ao filme de pé, andando para lá e para cá com ele no colo), outras vezes dorme (só alegria). Para acalmar a criançada vale tudo: passer pela sala, sentar no chão em frente à tela para brincar, amamentar, oferecer um brinquedo, o que vier na telha. Sempre há algum barulho na sessão, claro – afinal, é por isso que é destinada apenas para mães e bebês. Mas sinceramente, acho que é do bom senso de cada um: se seu filho começa a fazer um escândalo fenomenal, não custa sair da sala. Aliás, é o que as próprias meninas do CineMaterna pedem, em um panfleto entregue no início de cada sessão. Mas não é todo mundo que cumpre. Já passei muita raiva com mães que simplesmente ignoravam o escândalo dos filhos, atrapalhando as outras mães que tentavam assistir ao filme e também outros bebês (Francisco já acordou com o escândalo allheio diversas vezes).

Mas vale o risco – com choro, sem choro, CineMaterna é sempre um passeio divertido para mães e bebês.

 

Na foto, as três mosqueteiras (piadinha infame) e seus pimpolhos na última sessão do CineMaterna:
Michelle e Mel, eu e Francisco, Camila e Olívia.

 

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