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Sobre as dificuldades da rinite alérgica

leo vida materna

Se fossemos dar nome aos bois aqui em casa, nosso maior pesadelo com certeza se chamaria rinite alérgica – que infelizmente acomete três integrantes da nossa família: Alexandre, Mel e Leo.

Partindo do começo, vamos falar sobre algumas informações importantes sobre a doença:

Rinite é uma inflamação das mucosas do nariz e a rinite alérgica é um dos tipos mais frequentes. Os sintomas mais comuns são espirros, coriza, obstrução nasal, tosse, coceira nos olhos, nariz e garganta, dor de cabeça e na face, tosse e até falta de ar. Já as causas mais comuns da rinite são alergia à poeira, pólen das árvores e das plantas (especiamente na Primavera), pelo de animais, poeira doméstica, fumaça, cigarro, poluição, perfumes, produtos de limpeza doméstica.

Como e por quê isso acontece?

O nariz possui um complexo mecanismo de defesa, por isso, ao entrar em contato com alguma substância tóxica, desencadeia uma resposta para impedir que essa substância alcance os pulmões. O surgimento da obstrução nasal provoca o bloqueio da passagem do agente agressor e, através dos espirros e coriza, a remoção dessa substância. Essa reação é normal e todas as pessoas, ao entrarem em contato com algumas substâncias tóxicas, apresentam tais sintomas. Por isso, quando fica gripada, a pessoa apresenta obstrução nasal, espirros e coriza, pois seu organismo está tentando protegê-la, impedindo que os vírus alcancem seus pulmões através do ar.

Alergia, na realidade, indica uma defesa exagerada contra agentes que não são potencialmente agressivos ao ser humano. Ou seja, uma pessoa alérgica é hiperreativa a determinadas substâncias que numa pessoa normal não despertam nenhuma resposta.

O sistema imunológico das pessoas alérgicas, por características genéticas, interpreta que determinada substância é tóxica, e que precisa proteger o organismo contra sua entrada. Por essa razão, algumas pessoas convivem normalmente com fatores que causam a alergia, como a poeira de casa, sem ter sintomas, ao passo que outras pessoas, ao entrarem em contato com essa mesma poeira, podem ter rinite e asma.

O paciente alérgico não nasce hiperreativo (com alergia), mas sim com a capacidade de sensibilizar-se a determinado fator. Tornar-se sensível significa passar a ter uma resposta de defesa a uma substância que antes era tolerada. Isso significa que podemos conviver com determinada substância por muitos anos, e vir a desenvolver sintomas apenas tardiamente.

Essa característica é herdada dos pais. Quando um homem e uma mulher alérgicos tem um filho, a probabilidade dessa criança ser alérgica é de cerca de 50%. No entanto, mesmo que nenhum dos pais apresente alergia, a criança ainda assim pode ter  manifestações alérgicas, como rinite, conjuntivite, asma e alguns tipos de alergia de pele. A forma mais comum, porém, é a rinite. Cerca de 10% a 25% das pessoas sofrem de rinite alérgica. (texto daqui)

Eu nunca havia me inteirado muito bem do que se tratava a doença. Meu primeiro contato mais próximo foi justamente com meu marido, que assim que nos conhecemos me explicou o motivo de todos aqueles espirros, coriza e incômodos no nariz.

Lembro que eu já me adiantei dizendo que tinha uma gatinha e que não ficaria sem ela de jeito nenhum (!). Mas ele me tranquilizou dizendo que tinha três gatos na casa da minha sogra e que teve gatos a vida toda. Ou seja, alérgico ou não, o amor pelos bichanos sempre falou mais alto.

Melanie, assim que nasceu, precisava com frequência que a gente lavasse seu nariz com sorinho. Os incômodos com a respiração sempre foram a causa das diversas vezes que ela despertava durante a madrugada. Depois que completou 1 ano de idade, uma situação se repetia com frequência: coriza, congestionamento nas vias nasais (o famoso nariz entupido) e tosse. Observamos por um período e então veio o diagnóstico clínico óbvio: ela também tinha rinite alérgica, como o pai.

Desde então alguns medicamentos viraram rotina aqui em casa. Eu sempre tentei evitar a máximo os corticóides, por todos os efeitos colaterais que podem vir a ocorrer (leia aqui). Mas em situações de crises muito fortes, acabávamos utilizando, através de medicamento oral ou spray nasal.

Depois que iniciamos o tratamento com a homeopatia, Melanie teve uma melhora grande em relação à rinite. Falei disso nesse post aqui, lembram? Tanto que até hoje ela usa e realmente diminuíram muito as crises de rinite e tudo que geralmente acompanhava – resfriados, gripes, infecções. Foi um alívio, um santo remédio, como dizem.

Leonardo chegou e de cara me confirmou o que alguns já tinham me dito: o segundo filho fica muito mais doente do que o primeiro. Melanie só foi ao pronto atendimento ou tomou medicamentos mais fortes depois de 1 ano de idade. Já o Leo antes mesmo de completar três meses já teve um episódio de febre, me deixando super preocupada. Ao longo desses (quase!) doze meses, já tomou antibiótico quatro vezes. Advinha o motivo? Sim, ela, a rinite alérgica – que Leo também tem.

O pequeno já teve alguns episódios de resfriados e gripes, que provavelmente foram transmitidos pela irmã que frequenta a escolinha e está mais sujeita aos vírus e bactérias. Mas o que nos incomodou mesmo, sempre foi a alergia.

Qualquer crise de rinite – que por si só já é terrível – progredia para uma rinusinusite e daí, dá-lhe antibiótico quando a homeopatia e os xaropes antialérgicos e anti-histamínicos não resolviam. Febre, coriza, congestionamento nasal intenso, tosse. Tudo isso acontecia com força total à noite – motivo pelo qual Leo acordava chorando muito, várias vezes durante a madrugada. Motivo pelo qual fiquei sem conseguir escrever o quanto deveria e gostaria aqui no blog. Acordando diversas vezes e sem dormir direito, eu simplesmente não conseguia ficar acordada até tarde, que é um dos horários que tenho para trabalhar.

O que eu percebi nesse tempo, é que Leonardo é muito mais alérgico que a irmã. A rinite dela é mais moderada ou então, está sob controle com o uso da homeopatia. Já com Leo os medicamentos homeopáticos não surtiram tanto efeito. Há pouco tempo atrás, depois que começou a engatinhar e, claro, a explorar toda a casa, Leo estava tomando um arsenal de remédios – xarope antialérgico, xarope para a tosse, spray nasal, sachê de pozinho na comida, enfim, aquele cenário que nenhuma mãe sonha. Na última consulta com a alergista, depois de feitos alguns exames de sangue, ouvi ela dizer “seu filho é triplamente alérgico – tem rinite, APLV e é paciente atópico (que apresenta alergias na pele, etc). Que beleza, não é? …

Por isso comecei a ficar mais atenta ao que acontecia ao longo do dia, a situação da casa e dos locais onde Leo ficava mais, do ambiente no quarto dele, especialmente antes de dormir e por aí vai.

Fiz pequenas mudanças e passei a intensificar certos cuidados que até existiam já, mas confesso que estavam meio de lado ultimamente. Algumas dessas coisas que surtiram efeito para amenizar a rinite do Leo (e com certeza a da Mel também) foram:

– Lavar o nariz deles com o sorinho mais vezes durante o dia, o que diminui a incidência das bactérias presentes na coriza e nas mucosas nasais (médicos me corrijam se eu estiver errada, mas é isso que lembro do pediatra dos pequenos falando). Além disso, Leo respira muito melhor depois disso. Ele odeia os sprays e odeia lavar o nariz com eles, mas depois fica cafungando, feliz por poder respirar aliviado novamente. Idem para a Mel, com a diferença de que ela nunca reclama dos sorinhos.

– Tirar o tapete da sala e deixar somente aquele tapete de pvc: como o inverno já passou e logo teremos altas temperaturas por aí, achei que dava para tirar o tapete da sala, um bem peludo e com certeza mega acumulador de ácaros e poeira. Ficou mais fácil para limpar e manter limpo também.

– Tirei o único bichinho de pelúcia que ficava no berço do Leo – um elefantinho azul – e passei a cobrí-lo com um edredon a invés de cobertor.

– Toda semana fazemos um pente fino no quarto dele, limpando em cima do armário, atrás de todos os móveis, as grades do berço e o móbile, enfim, em todos os cantinhos e lugares onde a poeira possa acumular. Também lavo o kit berço com frequência e troco a roupa de cama toda semana. E ainda tem a cortina, que apesar de fininha, merece uma atenção especial para que não acumule sujeira e poeira. Acabei de lembrar que está na hora de lavar!

– Continuo usando o umidificador e purificador de ambiente, que falei nesse post aqui, lembram? Não vivemos sem esse aparelhinho e faz MUITA diferença ter um umidificador no quarto de uma criança que é alérgica. Posso afirmar isso porque experimentamos na prática essa situação, por três vezes. Em duas delas, minha mãe ou minha sogra não sabiam ligar o aparelho e em outra, ele deu um tilt e parou de fucionar. Nas três vezes Leo acordou chorando muito pouco depois de ter sido colocado no berço, com o nariz totalmente trancado e ressecado. Uso óleos essenciais de lavanda, capim limão e de eucalipto (que a Gabi do Dadada me indicou como sendo ótimo para as vias respiratórias). Só vale lembrar que óleo essencial é diferente de essência (é mais puro) e preferível para o uso com crianças. E são duas gotinhas no máximo para o volume de água indicado. Caso você não possua um umidificador, manter uma bacia de água no quarto ajuda a quebrar aquele ar seco.

– Passei a usar um travesseiro um pouquinho mais alto e também maior no berço do Leo. Daqueles que não deixam suar, anti ácaros e bactérias, lavável, perfurado e feito com espuma fria. O que uso lá no berço do Leo é esse aqui.

– Passamos a usar o ar condicionado somente junto com o aparelho purificador que falei acima e sempre dando preferência pelo modo “umidificar”. É bom anotar também uma limpeza nos filtros e bandejas dos aparelhos, que tendem a acumular ácaros e bactérias. Alguns médicos torcem o nariz para o ar condicionado no quarto das crianças, mas como lidar com aqueles dias e noites de calor insuportável? E ainda, algumas pessoas alérgicas têm a rinite agravada quando estão num ambiente com ar condicionado. É o caso do meu marido. Já os pequenos não demonstram nenhuma alteração na respiração por conta do ar ligado, pelo contrário, dormem melhor. Por isso há de se usá-lo com parcimônia e adaptando de acordo com o grau de tolerância de cada um.

– Passamos a escovar os pelos da Boo regularmente, usando uma rasqueadeira, daquelas que são vendidas em pet shops. Ela normalmente curte o carinho e saem tantos pelos que daria para fazer um ursinho de pelúcia com eles. Imaginem tudo isso solto pela casa e pelo chão?

– Falando nela, Boo quase não entra no quarto do Leo, só quando estou sozinha em casa e subo para dar banho nele. Como ela sempre procura estar perto da gente, acaba subindo para nos acompanhar. Mas nunca entrou no berço nem invadiu nenhum espaço que não deveria. O mesmo acontece com o quarto da Mel.

– Sempre abro as janelas para deixar o ar ventilar e assim ser renovado.

– Passei a varrer o chão e passar pano mais vezes, mas ainda assim tem dias em que não consigo fazer como gostaria. Então nesses dias tento evitar que Leo percorra a casa engatinhando e mantenho o pequeno lá no tapetão de brincar com a ajuda de um pufe para impedir que ele saia.

Depois de feitas essas pequenas mudanças e intensificados esses cuidados, notei uma melhora nas crises de rinite, especialmente do Leo. Percebo que quanto mais a gente cuida do ambiente, principalmente evitando a poeira e os pelos dos animais (desculpa aí Boo), menos a rinite se manifesta.

Rinite alérgica não tem cura, infelizmente. Então o caminho é tentar amenizá-la com essas medidas simples no dia a dia e com o tratamento através de medicamentos (alopáticos ou homeopáticos) indicados pelo médico.

E vocês? Têm pequenos que também sofrem com doenças alérgicas? Tiveram alguma melhora com algum tratamento específico?

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7 comments

  1. Meu filho Lucas com mais ou menos 1 ano de idade começou a ter crises de alergia, muita tosse, coriza, e o pior dermatite atópica. Eu mãe de primeira viagem me desesperei. Era xarope daqui, pomada dali e a bendita alergia não melhorava. O verão era a pior estação, a alergia da pele piorava muito. Hoje com 3 anos posso dizer que está controlada, não tem mais crises de tosse, e a pele mantendo os cuidados necessários com os cremes indicados está uma beleza. Fazem 5 meses que mudamos de São Paulo e pasmem ele nunca mais teve tosse ou coriza! Acho que o ar poluído no caso dele era o que desencadeava a alergia! É isso aí vamos encarando tudo por nossos pequenos! Bj

  2. Oi Mi!!! Te deixei recado…hehehe
    O Caio sofre com rinite alérgica (pó), dermatite atópica e outras alimentares. Dou hixizine para ele desde os 2 meses de idade. Já fiz vários tratamentos com remédios alopáticos para a rinite, mas atualmente as crises diminuíram um pouco. O Caio piora sempre no inverno. Precisando conversar, estou por aqui!!! bj

  3. Ainda não tenho bebe, mas a rinite e a dermatite… humpfff
    :( #tomepreparandojá Pelo menos meu marido não tem! Vamos ver se acerto na loteria com o sistema respiratório do meu futuro baby. #oremos

    Há 5 anos moro no Mato Grosso do Sul e pro meu nariz a mudança foi uma benção! Como a temperatura é bem estável aqui, eu praticamente esqueço que tenho rinite. Apenas no período de chuvas onde é quente e úmido (o que favorece a multiplicação dos ácaros) que sinto muita coceira na garganta e rosto de manhã e durante a primavera (depois da seca, onde começa a chover periodicamente) que a coceira volta dae durante o dia todo e até a pele fica desconfortável com coceira. A dermatite no pescoço então… essa fica + sensível.

    Não tomo remédios porque estou tentando engravidar, mas hidrato muito a pele o tempo todo e isso alivia. Quero comprar o hidratante novo da Johnson pra recém-nascido. Espero que ele hidrate o suficiente…. Outro que estou procurando é o cicaplast baume da La Roche Posay para usar quando a pele encomodar [ele é de uso pediátrico tbm, viu?! ;)].

    Parabéns pela dedicação e paciência com seus filhos alérgicos pq não é nada fácil (a minha mãe só mandava eu respirar pela boca quando o nariz entupia (detesto!) e a cada espirro dizia que eu tava com pouca roupa e devia ser frio ¬¬).

    Outras dicas pro ambiente que acrescento é evitar: objetos decorativos pra facilitar a limpeza, papel de parede, textura nas paredes, madeira natural e papéis velhos empilhados (ácaros gostam também de papel e madeira).

    É isso, boa sorte ae com sua família!
    Bjos

  4. Eu tenho a Júlia (6 anos) e o Arthur (2 anos e 9 meses) todos dois com rinite, o que não é nada fácil cuidar. Agora a alergista me deu a notícia que eles tbm tem dermatite atopica.
    Essas dicas são muito uteis.Alguns já pus em prática, tento me dedicar o máximo com os cuidados com eles.

    bjussss

  5. Obrigada pelo post! Aqui em casa também são dois alérgicos, com rinite. A Lavínia manifesta a doença de forma mais severa, o Lucca foi submetido a tratamentos homeopáticos que o ajudaram muito (muito mais do que ajudaram a irmã, inclusive).
    Os cuidados aqui em casa são bem parecidos, a diferença é que temos cachorro, não gato.
    Beijo.

  6. Uma coisa que por muito tempo achei besteira, mas que hoje não vivo sem é o aspirador de pó. Meu marido é muito ‘rinitico’ e com o aspirador tudo melhorou, tanto na praticidade quanto no resultado da limpeza. Recomendo muito!! O meu é com filtro lavável ótimo!

  7. Buenas, tenho 17 anos e sofro com rinite alérgica, sei o quanto é difícil conviver com isso… Horrível

    Mas tenho uma dica que sempre me ajudou muito nos dias de crise ou nos dias que tenho a impressão que vou ficar mal.

    Minha mãe fazia e eu segui os passos dela! Tenho um pé de eucalipto limão perto de casa, pego umas folhas que caem no chão, coloco em uma panela com agua e deixo ferver, ira sair um cheiro delicioso para aquele nariz alergico… Coloco em uma bacia e deixo a noite no meu quarto.

    SANTO REMÉDIO

    Obs.: tem que ser eucaplito LIMÃO

    espero ter ajudado.. Abraços

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