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Sobre as alegrias e as dificuldades de ser mãe de dois, para mim

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“É muito difícil ser mãe de dois?” 

Essa é uma das perguntas que mais ouço desde que Leonardo nasceu e embora eu pense e viva o assunto há mais de um ano, ainda não tinha conseguido assentar as minhas ideias e escrever sobre isso. Acho que o motivo, na verdade, é que eu não tenho uma resposta pronta e simples como um sim ou não.

Eu poderia começar dizendo que: ser mãe é difícil. Seja de um, de dois, de cinco. Contudo, é claro que as coisas mudam de figura, de ordem e de lugar quando somos responsáveis pela criação e educação de um número maior de pessoas. Isso não há como negar. Se o grau de dificuldade aumenta? Hum… eu diria que ele fica diferente.

Acredito que toda mãe, quando pensa em ter ou está a espera de um segundo filho, tem alguns receios como: se irá conseguir amar o segundo tanto quanto o primeiro, se conseguirá se dedicar da mesma forma e se não irá perder nenhum momento no desenvolvimento de ambos. Esses eram os meus medos, sempre foram.

Sobre o amor, sinto que amo meus filhos na mesma medida, porém, de formas diferentes, porque eles são pessoas diferentes, afinal. Sobre a dedicação, sinto que faço o meu melhor para que cada um deles tenha acesso ao que precisa e que por eles sempre estou em busca de crescimento. E, por fim, sobre perder momentos importantes no desenvolvimento de cada um, especialmente do filho mais velho, sinto que eu não perdi nada, porém, não pude vivenciar alguns deles por completo, com minha mente cem por cento ali. Mas perder, isso não.

Para mim, as maiores dificuldades de ser mãe de dois, poderiam ser resumidas a: balancear a atenção, o carinho e os cuidados que cada um recebe e, claro, lidar com os eventos simultâneos que ocorrem no dia a dia. Perguntei ao Alexandre, para saber a sua visão como pai, e ele disse a mesma coisa. É toda uma parte que diz respeito aos sentimentos e outra que diz respeito a rotina e vida na prática mesmo.

Uma das coisas que tive que aceitar e entender, é que, como mãe, eu nunca conseguirei suprir cem por cento da demanda de cada um dos meus filhos. Mesmo quando tinha apenas um, simplesmente porque não há como nunca falhar. A gente falha, conosco, com eles, com o trabalho, com a vida. Se não falhássemos, como iríamos mudar, melhorar ou evoluir? Eu não vejo como. (se alguém aí nunca falhou, se apresente, por favor.)

Muitas vezes esse sentimento de falha atormenta, é verdade, mas, de repente, paro para pensar que meus filhos inevitavelmente precisarão esperar e dividir durante toda a vida que ainda têm pela frente. Então aprendi a ver isso como uma preparação porque nada mais são do que regras gerais para viver em sociedade, em conjunto. O que eu posso afirmar é que:

Alguém inevitavelmente terá que esperar.

Alguém inevitavelmente terá que ceder – seu lugar, seu espaço, seu tempo.

Alguém inevitavelmente terá que dividir – suas coisas, suas pessoas amadas.

Quase sempre o mais velho terá que ser o mais paciente – não pura e simplesmente por uma questão de idade, mas de maturidade e entendimento de como as coisas funcionam.

E que nada disso é o fim do mundo. Pelo contrário.

É muito difícil julgar quem precisa mais ou menos. A não ser em situações que obviamente um precise mais de você (caso um deles esteja machucado, por exemplo). Mas em situações cotidianas, é muito difícil ter esse julgamento. Na verdade, será que ele deve existir? Julgar quem precisa mais de carinho, de amor, de atenção? Eu nunca consegui.

A solução então tem sido buscar um equilíbrio – porque vocês sabem, eu corro atrás dele todos os dias, erro, caio, quebro a cara, levanto, tento de novo e acerto – e ter aquele jogo de cintura, tipo de rodar o bambolê sem deixar cair. 

Muitas vezes Leo quer colo e ficar aconchegado no meu peito enquanto Mel quer correr e brincar de esconde esconde. A solução para mim é sempre convencer um dos dois a entrar no momento do outro. Ou um deles dá uma desacelerada momentânea ou o outro se anima e entra na brincadeira. Eu proponho, observo e deixo eles decidirem. E na grande maioria das vezes, funciona. Nas outras, um dos dois acaba chateado por não ter sua vontade atendida.

Em situações de rotina em que coisas acontecem ao mesmo tempo e eu estou sozinha com eles, não tem jeito a não ser se virar nos trinta, como dizem por aí. Situações do tipo: Mel está no banheiro gritando “prontoooo” enquanto eu estou dando o almoço do irmão. Alguém inevitavelmente terá que esperar, lembram? E esse é só um dos milhares de exemplos que eu poderia dar. (nesse caso específico, eu dou algo que dê mais trabalho e leve mais tempo para Leo mastigar – tipo um pedaço pequeno de carne – e ganho tempo para ir até o banheiro, rá!).

Sobre a logística do dia a dia com duas crianças, como a gente faz aqui em casa, vou deixar para um próximo post. Mas posso afirmar que a gente dá conta e aprende a gerenciar tudo da melhor forma possível.

Uma das situações mais punks é quando ambos choram ao mesmo tempo. Quando um fala chorando e o outro chora falando, e você não consegue entender nada, só sente o zumbido nos seus ouvidos. Nesses casos o negócio é respirar, (se acalmar!), acalmar um primeiro, depois o outro. Ou quem sabe tentar acalmar ambos ao mesmo tempo, apertados num abraço bem forte. Na verdade, eu não tenho receita infalível para passar.

Fora isso, existem as brigas – que nessa idade que os meus têm, 1 e 4 anos – ainda não são brigas propriamente ditas. São pequenos conflitos e discordâncias, digamos assim. E com certeza são mais desgastantes para nós do que para eles, já que por aqui, por exemplo, temos que falar repetidas vezes “não empurra o seu irmão”, “deixe ele brincar também”, “não tira as coisas da mão dele assim”, “não sobe aí que ele vai querer fazer igual” ou “não coloca o dedo no olho da sua irmã!”, “não puxa o cabelo dela!”, e por aí vai.

Meu cuidado e minha atenção, meus filhos dividem entre si e todos dançamos conforme a música – mais lenta ou mais agitada, depende do dia. Meu carinho e meu amor, eles têm o tempo todo, por inteiro, só para eles. Isso não muda nem nunca mudará.

Com certeza a vida com dois, três, cinco filhos, é mais apertada – em espaço e tempo; é mais tumultuada e agitada – em relação à rotina e é mais cansativa no geral. Normalmente quando você coloca um na cama ainda tem o outro para contar aquela história antes dele dormir. O “turno materno diário” parece não ter fim com mais de um filho.

Às vezes faltam horas, às vezes falta colo, braços e mãos. Às vezes falta pique para correr atrás de todo mundo, faltam palavras ou paciência para consolar quem chora e um olhar mais atento para quem está crescendo tão rápido. Mas, por outro lado, sempre sobra em amor, em alegria, em cumplicidade e em aprendizado. E, para mim, isso compensa todas as dificuldades. De verdade.

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comentários via facebook

33 comments

  1. É assim mesmo. .Acho que a paciência é o grande segredo. .respirar fundo e continuar dando o seu melhor para os dois. .tem dias mais difíceis. .dias tão fáceis que nem da p acreditar. . Mas no final, o amor sempre está ali p dar um jeito. .

    Beijos Mi

  2. Meu maior medo aqui em casa foi sempre fazer Olívia ceder demais. Tenho a impressão de que estou sempre falando pra ela “não empurra o seu irmão”, “deixe ele brincar também”, “não tira as coisas da mão dele assim”, “não sobe aí que ele vai querer fazer igual”. Tenho a impressão de que o contrário é com bem menos frequência e isso sempre me faz parar pra pensar se estou sendo justa. Obviamente que o Vinícius é menor e portanto vai seguir o exemplo da irmã. Ele ainda é alucinado por ela, o que torna a vida dela bem mais complicada já que ela tem que dar o exemplo né?
    É muito difícil achar esse equilíbrio!

    1. Oi Camila! Já pensei muito nisso também, na questão de ser justa com ambos mas especialmente com a Mel, que sendo a maior, acaba “tendo” que ter uma maturidade maior.

      O que eu faço é conversar com os dois de forma igual, sempre. Na hora de elogiar ou de dar bronca. Mas realmente, encontrar o equilíbrio é uma luta diária :)

      Bjo

  3. é bem assim, alias, é sempre assim !!
    também passo meus dias buscando esse equilíbrio, desejando mais paciência, mais sabedoria. Hoje eles estão mais independentes, porém, as “briguinhas” por aqui não são só “pequenos conflitos e discordâncias”.
    São duas crianças totalmente diferentes em personalidade, que querem suas vontades saciadas, suas perguntas respondidas, e minha atenção o tempo TO-DO.
    As vezes, tenho dificuldade em conseguir relaxar mais, no sentido de tentar encontrar uma forma de suprir as necessidades dos dois, de forma que todo mundo seja atendido e fique feliz, mas como você disse, um sempre vai ter que esperar… e a vida segue.
    bjos Michelle

  4. aiii que lindos meu sonho e ter mais um bebe mas eu penso nao dou conta minha cassa nao tem espaço…….mas quero quando minha filha tivver 4 anos (hjtem 1 a 3m) penso nisso sempre sempre….mas nao sei se dou conta….trabalho fora e isso fica mais complicado de conciliar penso eu…ou seila ne pra quem trabalha em casa quando trabalhar ? ehhehe…enfim quero mto ter mais um filho (a) mas nem sempre querer e poder ne……as vezes penso a BEA ja me consome imagina se tivesse outro??ashuahushauh…e as vezes penso ahh ela ta crescendo e logo consigo cuidar de mais um….haushuasuhLINDOS FILHOS E FAMILIA PARABENS MICHELE

  5. Michelle, leio todos os textos do blog, pois recebo por e-mail, e por conta disso acabo não comentando. Esse eu não podia deixar passar. Tenho a Marina de 2 anos e 8 meses, e o Yuri que nascerá em Junho. Chorei litros lendo esse post e me imaginando, na prática, em situações que hoje são só hipotéticas. Não tenho medo de não amar igual, mas tenho medo de ser injusta e principalmente de fazer a Marina sofrer com todo esse processo. Mas é isso mesmo que você disse, é a preparação para eles viverem em sociedade. Admiro muito a forma como você conduz a educação da Mel e do Léo e me identifico de mais com a rotina de vocês. Parabéns pela mãe que é!!!! beijo carinhoso!!!

  6. Lembro da minha transição de 1 para 2 filhos foi mais difícil do que de 2 pra 3 e 3 pra 4 rsrsrs
    Tinha tanto medo de não dar conta, chorava, pedia a Deus pra dar forças, no final da tudo certo, tão certo que eu continuei.Mas me identifiquei demais com o texto.
    Parabéns pela família e pelo blog.
    Bjos

  7. Lindooo, sábias palavras, todos os dias eu chego no meu trabalho e penso o que a Michele vai postar hoje?
    e sempre fico admirada como meus anseios, medos, preucupações é retratado nesse blog… e isso me dá um alivio. obrigada por expor a sua maneira de educar seus pequenos… a demonstrar os seus sentimentos.
    um beijo no seu coração!!!

  8. Michele terminei de ler seu post com as lágrimas correndo no meu rosto pois sou mãe de duas Mariana de 3 anos e Yasmin de 1 aninho e estou no mesmo processo de adaptação sei lá se posso chamar assim. Me sinto tão perdida e em muitos momentos me sinto incompetente e totalmente despreparada pra cuidar das minhas filhas. Penso até em procurar uma ajuda profissional pois me sinto tão estressada que por motivos banais grito com elas e falo coisas que eu não deveria dizer, de verdade me sinto perdida, não sei se eu me cobro de mais ou se realmente preciso desta ajuda pois quem está próximo diz o contrario diz que dou conta sim e que são crianças bem cuidadas mas estou confusa, amei suas palavras parece a minha história diária. Obrigado por compartilhar a sua experiência conosco.Bjs

    1. Oi Regiane! É normal esse sentimento de despreparo, de se sentir perdida, sabe? Filhos são responsabilidades imensas, as maiores que podemos ter na vida. Mas com o tempo a gente vai aprendendo a ter mais paciência e a ver as coisas de maneira mais leve :)

      Bjo

  9. Que texto maravilhoso!!! Mais um pra lista dos meus preferidos… Foi emocionante ler, pois aqui em casa meu marido que pede pra termos o segundo filho.
    Eu sempre fujo do assunto e quando não dá a resposta é sempre a mesma: ou a casa que não está pronta ou que não estou preparada mesmo.
    Mas sei que nunca vou estar, nunca estamos na verdade. E diferente do que aprendi com mamãe ter filhos não é aquela famosa frase: onde come e vive um, come e vive dez. E sim é ter esse balanceamento que você tão sabiamente expôs aqui.
    Até me senti encorajada de tentar o segundo ;-)
    Beijo grande

    1. Oi Mônica! Eu sei bem como é isso de esperar a casa estar pronta, haha. O que eu posso te dizer é que a dúvida sempre existirá. Mas chega um dia que seu coração decide e você sente. Se for para ser assim, você também vai sentir que o momento chegou :)

      Bjão

  10. Perfeito! Busco diariamente esse equilíbrio e é tão difícil… Heitor com 2anos e 4 meses e Bruna com 10 meses me solicitam demais. Tem dias q acho q vou surtar e a paciência me falta. Em outros tudo corre tão bem que a gente nem acredita…

  11. Acho que ter irmão é tudo de bom. Não precisam ser melhores amigos – melhor ainda se forem -, mas serão, com certeza, parceiros. Mais uma pessoa, além dos pais, com quem vc pode contar sempre. Acho lindo ver o relacionamento dos meus dois filhos começando. Espero mais ele falar Maitê, do que mamãe. Heitor completa um ano em abril. Ela tem 2,5.

  12. Minhas pequenas têm 6 e 3 anos e apesar das disputas e das briguinhas, já sentem um amor incondicional uma pela outra. Ter dois filhos vale muito a pena, mas equilibrar a atenção e os cuidados é a parte mais difícil. Acho que essa é a minha luta diária!

  13. Oi Michelle amei essa visão de ser mãe de dois, a alguns meses atrás em algum de seus textos que sempre ajudam nós mamães, eu já havia dito o meu medo de como ia ser quando a Ana Clara nascesse, hoje ela está com quase seis meses e vou tentando encaixar e encontrar o melhor caminho, não é fácil, mas todas as conquistas e vitórias são gratificantes, um grande abraço Bia

  14. ola, michelle gosto muito de ler seus posts, tenho um filho de 2 anos e estou esperando uma menina , a minha duvida em relação a esse texto é que o meu filho e muito grudado em mim , tenho medo de quando o bebe nascer ele se sentir rejeitado de alguma forma , tenho medo também que ele pense que perdeu o lugar ou coisas desse tipo . não sei o que fazer , minha sogra sugeriu que eu deixasse o mais velho dormir com ela os primeiros dias , mais eu to em duvida com medo assim que ele se sinta de lado, depois a nova pessoinha chegar . o que faço deixo ele dormir la ? nao deixo afinal ele ainda dormi comigo e com meu esposso desde de quando nasceu . e meu parto sera uma cesariana . me ajude !!! bjs

    1. Oi Tais! Acho que nesse momento, o ideial seria evitar qualquer mudança na rotina dele, sabe? Eu esperei alguns meses depois do nascimento do Leo para fazer a transição da Mel para o quarto dela. E deu tudo certo.

      Tenha calma que as coisas vão se ajeitando com o tempo :)

      Bjo

  15. Oi Michelle,
    que fotos mais lindas. Tenho um bebê de 1 aninho, e já estou pensando no próximo, queria que o segundo nascesse com o primeiro ainda pequeno. Eu fico ansiosa e preocupada (já!) com a rotina e os medos que você contou eu já sinto. Cada desafio sempre parece intransponível pra mim, minha tendência é achar que nunca vou conseguir – minha personalidade… Mas quando olho pra trás vejo que consegui sim, e melhor do que esperava. Enfim, no fim dá certo! rsrsrs…queria mesmo ler um posto sobre a logística! Um abraço forte, Deus abençoe vocês!!

  16. Adorei seu depoimento! Eu não pretendo ser mãe de 2, mas admiro quem tenha a coragem e a disposição. Tenho uma filha e tanto eu como o meu marido desejamos permanecer assim. Eu não teria pique para um segundo filho. Para mim é impensável.

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