29 maio 2018

Sobre a transição do berço para a cama – e aqueles sentimentos conflitantes que encontramos pelo caminho

Faz tempo que estou devendo esse post pra vocês, não é? Mas hoje finalmente vim aqui para contar como foi a transição do Leo do berço para a cama, que aconteceu em março do ano passado, no mesmo dia em que ele largou a chupeta, como contei nesse post aqui.

Leo dormia muito bem e adorava o berço, mas com o crescimento e a inclinação do pequeno às peraltices – como tentar sair sozinho de dentro dele, por exemplo – me fizeram pensar em trocá-lo por uma caminha em dois tempos.

Pesquisamos juntos, olhamos quartos super legais no Pinterest e selecionei alguns modelos de caminhas que ele demonstrou interesse. Expliquei que algumas camas mais altas e radicais que ele havia gostado teriam que ficar para quando ele estivesse mais crescido. Além disso, conversamos sobre o tamanho do quarto e o espaço disponível para a cama. Leo gostou então da ideia de uma caminha no estilo Montessori, baixinha, sem grandes emoções nem escorregas, mas que desse a ele total independência.

E algum tempo depois, o novo quarto do Leo nasceu e eu mostrei tudinho para vocês nesse post cheio de fotos, detalhes e um apanhado de como as ideias surgiram e foram realizadas. Ele ficou absolutamente orgulhoso e apaixonado pelo seu quarto de menino grande, e eu, claro, fiquei também!

As primeiras noites na caminha nova foram um pouco tensas já que Leo sempre foi muito inquieto durante o sono – um tal de vira para lá, vira para cá, rola, senta, se joga, deita com a cabeça nos pés e os pés na cabeça, sabem? Eu tinha muito medo de que ele caísse da cama numa dessas peripécias noturnas e por isso escolhi uma cama baixinha. E mesmo com os rolinhos que colocamos em volta da cama toda e com o tapete de crochet logo ali para amenizar um pouquinho possíveis quedas, eu não consegui dormir sossegada na primeira semana. Ficava checando a babá eletrônica a todo instante e ao menor sinal de que ele poderia se virar e cair, eu ou Alexandre corríamos lá para ajeitá-lo na cama.

Foi uma primeira semana intensa para nós dois: eu tentando superar o meu medo dele cair ou descer as escadas sozinho; ele conhecendo o novo terreno e habituando-se com o novo espaço e com os novos limites, porque agora, afinal, ele poderia sair de lá sempre que quisesse.

Conversamos inúmeras vezes sobre como ele estava crescido e o quanto estava preparado para dormir sozinho na sua própria caminha – assim como sempre dormiu em seu berço. Sempre enfatizando que ele era muito corajoso mas que também estaríamos pertinho caso ele precisasse de nós. Além disso, mantínhamos a mesma rotina todas as noites, de banho, jantar e brincadeiras mais calminhas, a fim de não deixar os pequenos agitados.

Mas, apesar de estar amando seu quarto novo, Leo acordava no meio da madrugada me chamando, levantava e ia até o nosso quarto pedindo que um de nós ficasse com ele – em 90% da vezes, era a mim que ele queria. Pedia também que a gente deixasse a luz fraquinha do abajur acesa, porque tinha um pouco de medo do escuro. E, com isso, uma nova necessidade/costume surgiu: de que um de nós fossemos para a cama junto com ele e ficássemos lá, até que ele adormecesse. E foi aí que a coisa complicou porque quando a criança acostuma a dormir de um certo jeito ou com algum elemento (que nesse caso, deveria ser um ursinho ou algo assim), ela busca por esse mesmo jeito ou elemento para adormecer novamente. O que aconteceu nesse meio tempo foi que eu me tornei esse ursinho indispensável para o sono dele.

No início, tentei a tática de colocá-lo na cama depois da historinha, dar um beijo de boa noite e sair do quarto. Um minuto depois ele levantava e eu já estava ali na porta para fazermos tudo outra vez, quantas vezes fossem necessárias. Sempre que pensava que ele havia dormido e ia para a nossa cama, ele levantava novamente. E assim fui cansando do choro e das repetições de todas as noites e larguei mão de tentar. Sabe quando a gente opta pelo caminho “errado” porque ele parece mais fácil? Foi o que eu fiz. Ou pelo menos era o que eu achava, até realmente (me) entender.

Foram muitas as noites em que deitei com ele e acabei adormecendo toda torta e acordei com torcicolo duas horas depois. Foram muitas as noites em que ele demorou mais de uma hora para dormir porque queria saber por que os gatos miam ou por que o sol vai para casa no final do dia. Foram muitas as noites em que fiquei um pouco mais porque ele adormeceu em cima do meu braço e eu não queria correr o risco de acordá-lo. Foram muitas as noites em que fiquei um pouco mais porque naquele dia havíamos passado poucos momentos realmente juntos. Foram muitas as noites em que tive vontade de dormir ali mesmo e ficar sentindo o cheirinho do pescoço dele até a manhã seguinte. Foram muitas as noites em que fiz um segundo turno na cama da Mel porque ela ainda estava acordada e queria a mesma atenção. Foram muitas as noites em que levantei da cama tantas vezes durante uma mesma madrugada que já achava que nem valia mais a pena tentar dormir. Foram muitas as noites também em que Alexandre fez esse papel e ao invés de descansar, eu fiquei com saudades de ser o ursinho…

O tempo passou, Leo continuou acordando de madrugada e a gente quase surtou. Tentamos homeopatias, horários diferentes de ir para a cama e de acordar, rotinas diferentes antes de ir dormir, reza brava e dança da chuva, digo, do sono. Mas nada parecia resolver e eu até já tinha me despedido da ideia de dormir uma noite inteira novamente.

Até que em fevereiro, durante a nossa viagem de férias, Leo começou a dormir melhor. Logo as aulas começaram também, com isso ele voltava mais cansado para casa e as acordadas da madrugada foram diminuindo. Numa noite ele acordava uma única vez, na outra duas e na noite seguinte dormia direto até às 6 da manhã pelo menos. Essa, inclusive, é uma das diferenças que meus filhos têm em relação ao sono: Mel dorme mais e geralmente acorda lá pelas 8:30. Leo gosta de madrugar e acorda às 6:30, às 7:30 no máximo. E assim vamos nos adaptando.

Nesse meio tempo de mudanças e noites não dormidas, eu fui compreendendo que nunca havia sido firme o suficiente nas minhas intenções e nas minhas ações para que ele dormisse sozinho. Porque lá no fundo, eu não fazia questão disso. Eu gostava demais daqueles nossos momentos antes de dormir. E, acima de tudo, eu não conseguia parar de pensar que precisava aproveitar cada segundo, cada fase e cada minuto com ele ainda pequeno. Porque ele muito provavelmente seria o meu último bebê.

As crianças são extremamente sensitivas e com certeza todos esses meus sentimentos conflitantes em relação a ele estar crescendo e estar deixando de ser “meu bebê” o deixavam muito confuso e inseguro também. Algo como “será que eu tenho mesmo que dormir sozinho? porque minha mamãe não está tão certa disso…”. A partir do momento em que me dei conta e fui trabalhando os meus sentimentos, as coisas começaram a melhorar. Porque sim, uma intenção extremamente clara e firme tem muito poder na hora de educar ou de estabelecer regras e padrões.

Ainda são muitas as noites em que o levo para a cama, escolhemos um livro, conversamos um pouquinho e fico ali deitada ao lado dele fazendo o carinho que ele sempre pede. Em outras, ele fica com o pai e eu aproveito para ler com a Mel e deitar um pouquinho com ela também. Já houveram noites, porém, em que ele deitou e dormiu sem que ninguém estivesse ao seu lado, geralmente naqueles dias em que estava bem cansado. Já dormiu na casa da vovó também, sem maiores problemas – embora tenha voltado me contando o quanto meu beijinho de boa noite havia feito falta naquela noite. (mal sabe ele da falta que fez para mim).

E assim vamos seguindo meio sem pressa, com noites boas e ruins, com poucas ou apenas suficientes horas de descanso, sendo chamada madrugada adentro ou sendo “esquecida” até a manhã seguinte pelo menos. E, naqueles dias de bastante cansaço, tento pensar que posso não ter dormido bem naquela noite que passou, mas que com certeza contabilizei minutos a mais de vínculo, de amor e de vida com aquele pequenino que precisou de mim na hora de dormir. (e que, logo, logo, não precisará mais).

9 comentários no blog

  1. Camila em

    O Vini dorme sozInho toda noite e à noite inteira; mas isso só aconteceu depois que completou 3 anos. E quem conseguiu isso foi o Eduardo, justamente por ele ser mais firme nas decisões dele. Comigo o Vini sentia que era uma palavrinha dele e eu cedia e deitava com ele 😂
    Hoje eu nem deito mais na cama dele. Eu sento, lemos uma história, dói beijo, abraço e boa noite; apago a luz e saio. Se ele estiver bem cansado, ele já dorme em seguida! Se não estiver tão cansado assim, ele levanta pelo menos uma vez e vem no meu quarto contar alguma história q lembrou, ou tirar alguma dúvida! Mas volta sozinho pro quarto e não preciso ir com ele.
    Achei que esse dia nunca chegaria! 😂

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    1. Michelle Amorim respondeu Camila em

      E como é maravilhoso dormir uma noite inteira, né? Aqui elas existem mas ainda não com a frequência que a gente gostaria hahaha

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  2. Ana em

    Olá,
    Estou com mesmo problema, só que eu acostumei ele a dormir em nossa cama, com o nascimento da caçula e o fato de ter que dar mais atenção a ela, meu coração não deixava ensiná-lo a dormir sozinho. Hoje tá ficando mais complicado, pois aos poucos a caçula demonstra que tb quer dormir conosco e não quero esse hábito pra ela, morro de dó, além de que passam um por cima do outro e fico a noite td cuidando deles (sim, ja tentei trazer a caçula pra cama tb :-/ …. rsrs)
    Tenho conversado com ele sobre voltar a dormir no quarto sozinho, mas com a mudança de casa, parece ter piorado a questão do medo. Talvez quando conseguir montar o quartinho dele e envolvê-lo nas escolhas, pode ser que ele se estimule a mudar de cama…. confesso que tb amo sentir ele perto e ao mesmo tempo me condeno por deixar a caçula dormindo sozinha no quarto, que tb vivo indo lá umas 2,3 vezes pra amamentar já com 1ano e 3 meses. As vezes da vontade de desistir e levar td mundo pra um quarto só!
    Rsrsrs
    Abraço!!!

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    1. Michelle Amorim respondeu Ana em

      Oi Ana!

      Melanie passou a dormir na nossa cama quando a tiramos do berço e foi complicado fazer a transição para o quarto dela um pouco antes do irmão nascer, mas deu tudo certo no final :) (escrevi sobre isso aqui olha http://www.vidamaterna.com/a-cama-descompartilhada-e-todos-dormiram-felizes-para-sempre/)

      Boa sorte com tudo!

      Bjo

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  3. Pricila em

    Amo tudo que vc fala.Parece que vc adivinha tudo que vou passar,pois estou a tempos tentando ter essa coragem da transição com a minha casula.Meu filho mais velho me cobra muito.Ue mãe, vc não disse que ela ia dormir no quarto esse mês kkk calma Marcelo ela vai logo logo kkkk. Bjs amo vcs!!!!

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    1. Michelle Amorim respondeu Pricila em

      Oi Pricila! Ah, que bom que os textos te ajudam, fico muito feliz <3 E os mais velhos cobram mesmo, né? Melanie faz o mesmo por aqui sempre que o irmão dá uma escapada pra nossa cama :)

      Beijo grande

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  4. Laíssa Mendes em

    Muito legal o artigo. Minha filha saiu do berço faz 3 anos, mas meu filho vai sair nos próximos meses. Mas ele é muito sapeca, estou com um pouquinho de receio. Mas adorei suas dicas, obrigada!

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  5. Natália em

    Essa fase é bem complicada rs.Não sou mãe ainda,mas sou titia e vejo a dificuldade.Muito bom seu conteúdo,parabéns,vou indicar o site para minha cunhada.

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  6. Débora em

    Super me identifiquei com seu relato. A minha filha sempre precisou de mim para dormir e eu dela também (tinha vários medos por causa das alergias dela), sempre deitei com ela e acabava adormecendo junto, sempre tive medo de desapegar, ainda não consegui. Ela já tem 6 anos e dormimos juntas, vejo agora que sou o ursinho dela e ela o meu… dá realmente vontade de segurar o tempo, de aproveitar o máximo possível, de proteger eternamente, é maravilhoso ver aquele ser gerado por nós em nossos braços, sentir seu cheiro… Enfim, mas sei que é preciso ensinar a ser independente, a crescer… estou me trabalhando para isso e breve conseguirei também esse feito! bjssss

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