28 mar 2016

Sobre a necessidade de desconectar, definir prioridades e metas realistas

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Em meados do ano passado, recebi alguns cartões bonitinhos junto com um planner gringo que comprei. Esse foi um deles. A primeira vista, ele me chamou a atenção pelas fontes lindas e pelo design. Então, aquela frase tão simples, depois de ser lida e processada, me impactou imensamente. Tanto que acabou sendo colocada em uma pequena moldura e agora enfeita uma das paredes do escritório. Para me lembrar todos os dias de que “você pode fazer qualquer coisa, mas não tudo” (essa é a tradução da frase acima). E isso acabou definindo algumas mudanças importantes e um tanto drásticas na minha vida.

Desde que Leonardo nasceu, nossa rotina mudou bastante. Tudo ficou muito corrido e tumultuado por aqui. Dias em que não havia como fugir do caos e estarmos fazendo sempre duas, três coisas ao mesmo tempo, era algo recorrente, acontecia com muita frequência. Especialmente para mim.

Nos últimos tempos, isso começou a me incomodar um bocado. Era como se eu estivesse sempre muito ocupada realizando inúmeras tarefas ao mesmo tempo sem estar fazendo realmente nenhuma delas, sabem? O famoso lema de ser multi tarefa, que, pelo que sei, há muito tempo deixou de ser considerado ideal e até mesmo coerente por aí. Porque ser multi tarefa simplesmente não funciona. Pelo menos não no meu caso, que sempre terminava o dia com aquela sensação de “nossa, como eu estou cansada, mas… o que eu fiz hoje, afinal?”. Mais tarde, lendo a respeito, compreendi que estar ocupado não é o mesmo que estar sendo produtivo. Existe um abismo enorme entre essas duas coisas.

Realizar várias tarefas ao mesmo tempo simplesmente não estava mais dando certo para mim. Porque sentia que nenhuma delas estava sendo bem feita, sentia que estavam incompletas. Meus filhos não estavam tendo toda a atenção que eu gostaria de dar, minha casa estava meio abandonada tendo apenas o imprescindível sendo feito e o blog sempre me trazendo uma cobrança interna de que poderia estar sendo mais atualizado caso eu não tivesse largado tudo para ir ao supermercado ou para arrumar aquele armário bagunçado. Claro que por diversas vezes terei que realizar mais de uma tarefa ao mesmo tempo. A vida com filhos, principalmente, demanda isso. Aqui, estou falando das situações onde eu possa escolher estar cem por cento presente e atenta. Para mim, são essas as situações precisam ser trabalhadas.

Por alguns meses tive vontade de me dedicar mais a minha casa, organizar aquilo que as listinhas de afazeres viviam me lembrando que deveria ser feito. Arrumar o ninho mesmo. Também quis cozinhar mais, aprender e saborear novas receitas. Sentar para brincar com os pequenos sem me sentir culpada por não estar fazendo todo o resto. Me exercitar quando sentia que meu corpo necessitava, mesmo que isso significasse deixar outra coisa sem ser feita.

Além disso, comecei a me sentir refém de toda essa tecnologia e disponibilidade full time. Depois das facilidades que os smartphones e tablets trouxeram para as nossas vidas aliado a quantidade de redes sociais que participamos, adquirimos uma necessidade equivocada de estar sempre disponíveis, de estar sempre online – seja para responder aquela amiga no whatsapp, seja para acompanhar o que foi publicado na nossa timeline na última hora. Ficamos reféns do celular e de estarmos atualizados de tudo que acontece por aí quase vinte e quatro horas por dia. Obviamente eu não tenho a pretensão de generalizar porque muitas pessoas dependem dessa conexão full time para trabalhar e outras simplesmente não se sentem atrapalhadas por isso. Mas, acredito que atrapalhe a maioria sim, mesmo que essas pessoas não tenham se dado conta ainda. O que eu sei é que me ver constantemente checando e-mails, instagram, facebook, navegando sem intuito pela internet e, por último, conferindo as conversas no whatsapp, estava sim me fazendo muito mal. Pior ainda, esse costume estava levando meu tempo embora sem que eu percebesse; um tempo que não volta mais e que poderia ter sido tão melhor aproveitado.

Dessa forma, a primeira coisa que senti foi uma necessidade enorme de me desconectar, de dar um tempo mesmo, de tirar os olhos das telas, principalmente. Eu sentia falta de estar cem por cento presente nas atividades do meu dia a dia e no que me propunha a fazer – desde cozinhar, conversar com minha mãe ao telefone ou brincar com meus filhos – sem estar fazendo outras coisas ao mesmo tempo. E, infelizmente, não houve como deixar o blog e as redes sociais que são essencialmente alimentadas por ele de fora dessa desconexão. Até que eu aprendesse a priorizar efetivamente – o que ainda está – a duras penas – em andamento.

Além disso, eu me sentia exausta mentalmente e, ao mesmo tempo, frustrada, porque obviamente os resultados não estavam sendo bons. Quando percebi que isso estava afetando minha relação com meus filhos, nossa rotina, nossos horários e compromissos, essa foi a hora de parar e rever conceitos e necessidades. E sim, eu sei que aqui cabe uma porção grande de perfeccionismo, de auto crítica e de perspectivas muito altas, mas vamos falar disso adiante.

Desde então, comecei a identificar alguns pontos no meu comportamento e na nossa rotina, e desenhar mentalmente o que eu gostaria que mudasse. Se esses planos fossem um quadro, eu diria que não consegui finalizar nem o esboço, mas, o que consegui perceber foi o suficiente para me abrir os olhos para certos costumes que estavam subaproveitando o meu tempo.

Muitas coisas mudaram. Hoje consigo me policiar melhor quanto ao celular, à internet e também quanto a questão de ser multi tarefa. Mas, sinto que muito há de mudar ainda. Em especial, minhas altas perspectivas e metas irrealistas. Estou no caminho de aceitar que não, não conseguirei – no mesmo diamontar um mega circuito de atividades para os meus filhos, brincar e rolar junto com eles; fazer um mega almoço nutritivo e colorido com direito a garantir um bolo quentinho de fubá para o café da tarde; escrever textão para o blog, manter e-mails e comentários em dia, tirar lindas fotos; deixar a casa limpa, arrumada, sem louça acumulada na pia ou roupas para lavar e ainda lidar com todas as interrupções e imprevistos de um dia comum na nossa vida. Eu terei que definir o que será prioridade naquele dia, naquela semana, naquele mês. E realmente seguir com o plano.

Mas não é meio óbvio que não podemos fazer tudo? Nem sempre, gente. Porque insistimos em tentar carregar mais do que podemos. Nós gostamos de desafios. E, acima de tudo, não sabemos priorizar. Mas o corpo e a mente começam a reclamar e a gente percebe que nosso tempo não tem sido aproveitado como deveria. A Thais sempre diz uma coisa que eu tento me lembrar todos os dias: que o tempo é o mesmo para todos nós; todos temos as mesmas vinte e quatro horas. Se algo foi deixado de lado ou não foi feito, foi porque não priorizamos aquela questão. Parece tão simples (talvez seja) mas tão difícil de ser colocado em prática sem que haja muita disciplina e foco.

Então, esse post é também uma forma de dizer que eu sei que o blog tem ficado de lado, que vocês sentem falta de atualizações mais frequentes. Eu também sinto. E por isso quero que ele seja uma das minhas prioridades novamente.

As pouquíssimas horas que tenho para escrever sem grandes interrupções acabaram, é hora de buscar as crianças na escola. Normalmente eu não publicaria esse post ainda. Iria querer revisá-lo umas cinco vezes, mudaria uma frase aqui e outra ali, para ter certeza de que estava escrito da melhor forma possível. Mas apertar o botão ali em cima faz parte das mudanças que precisam ser feitas. Então ele está aqui. Para que não se passe mais um dia sem atualizações simplesmente porque eu quis abraçar o mundo sabendo que não poderia.

Continua… :)

20 comentários no blog

  1. Maiani em

    Esse post diz muito sobre mim. O Gabriel ta com um aninho e eu tentei voltar pra faculdade, trabalhar, cuidar da saúde, da casa e ainda ter tempo com ele. Deu certo? Quase morri tentando! Deixei a faculdade para mais tarde de novo, ajustei um horário pra cuidar da minha saúde, minha cada eu faço o que dá, quando dá e estou tentando voltar a ter rotina, mas é muito difícil. Estou me sentindo frustrada e derrotada por não ter dado conta de tudo como achei que daria. Mas é assim mesmo, só espero poder ensinar essa tranquilidade do fazer o que der para meu filho.

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    1. Michelle Amorim respondeu Maiani em

      Olá Maiani!

      Obrigada por comentar :) A gente se cobra demais e é exatamente em cima disso que tenho tentado trabalhar. Acredito que esteja ligado cem por cento a definirmos nossas prioridades e essa é outra questão que tenho tentado praticar.

      Bjo

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  2. Juliana T. Dos Santos em

    Amei! Venho pensando muito nisso também! Fazer escolhas envolvem ter algo e não ter outras tantas coisas, mas não delimitar é priorizar nos deixa sem nada…

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    1. Michelle Amorim respondeu Juliana T. Dos Santos em

      Obrigada por comentar Juliana :)

      Bjo

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  3. Daniela Junqueira em

    Adorei. Você conseguiu por em palavras o que muitas de nós sentimos.
    Parabéns!
    Você é admirável.
    E boa sorte nessa nova empreitada!
    Você vai consegui por tudo nos eixos da maneira que deseja.
    E se por acaso um dia parecer que as coisas não estão saindo da maneira como desejou ou planejou, não desanime.
    Por vezes precisamos voltar uns passos para conseguir dar outros mais longos.
    Bjão
    Dani Junqueira.

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    1. Michelle Amorim respondeu Daniela Junqueira em

      Obrigada pelo carinho, Dani! <3 Com certeza as coisas vão se ajeitando. Quando passamos a ter consciência as mudanças vêm de forma mais tranquila.

      Bjo grande

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  4. Michele em

    Michelle,
    Tenho um grande carinho, sintonia, sensibilidade e atenção com todas as suas postagens, pois esse é um papo que eu teria no parquinho, com as crianças correndo de lá para cá.
    Eu ando meio frustrada com tudo, estamos com suspeita de que meu filhote tenha TEA e isso abalou toda a minha rotina louca, mas coerente até certo momento. Minhas questões sobre educar as crias mudou, meu lado tolerante não está tão tolerante, infelizmente tive que sair da linha mãe comercial de margarina para uma mãe que faz tudo. O que estava fazendo não era suficiente, a realidade me deu um oi, sabe?
    Dois filhos alérgicos, uma dieta restrita (dieta gaps) que pode ser a solução de um problema, dois livros que quero terminar de ler urgente! Uma descoberta que a cura está na cozinha, na relação familiar e menos em atividades corriqueiras como shopping, compras etc.
    Meu emocional está ligado nos 220V mas tenho um Deus que cura nossas feridas e acalenta o nosso coração. Ando me fechando para o mundo virtual, pois a grama do vizinho sempre será mais verde e correr atrás do que realmente importa. Menos mimimi e mais semeadura, no trabalho, no lar e na família.
    Eu tenho a impressão que o tempo voa, mas os ladrões de tempo são muitos. Até festinha ando pensando dez vezes se vou, pois é algo q abala a rotina.
    Tenho seguido duas pessoas que estão nas redes sociais, que apesar de passarem o seu melhor, também seus dias de bode. A@FlaviaCalina, com a sua educação integrada e que é um exemplo pra mim e a Keli do @mylovefamilia, pelo zelo com a casa e seus filhos. Livros que estou devorando são o Como ensinar o seu bebê a ler, do Glenn Doman ( que só achei em sebo) e o da japonesinha Marie Kondo com o seu destralhe de vida e o sparkle Joy com seu livro A magica da arrumação. Esse eu já li e recomendo bastante!!!
    Foco na sua família, coragem para seguir metas realistas e fugir da multitarefa e amor para recomeçar, mesmo não sendo como vc gostaria, você e a melhor mãe e esposa que a sua família merece!!!
    Um grande beijo, fique com Deus e aguardo boas notícias!!!
    Sucesso!!

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  5. Bia em

    Mi, você descreveu com certeza o dia a dia de boas partes das mães e pais que te acompanham.
    Parecia que estava lendo um texto do meu dia !!
    Mas é isso o melhor é tentar se desconectar um pouco do virtual e nos conectarmos novamente com nós mesmas!!
    Vai dar tudo certo e você vai conseguir se organizar!!
    Fé!

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    1. Michelle Amorim respondeu Bia em

      Obrigada, Bia! <3

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  6. Mariana Brancatte em

    Mi, sensacional esse post… já me peguei nesses pensamentos e nessas mudanças várias vezes. Mas, por algum motivo, chega um momento em que volto para a estaca zero e o clico de “preciso rever as coisas e montar um plano de ação” recomeça. Tenho adotado um “mantra”, que aprendi em um curso de gestão de tempo, que vem me ajudando bastante: o bem feito é melhor que o perfeito!
    Nossa, como isso mudou a minha perspectiva. Porque sim, eu sei que poderia fazer algumas coisas melhor do que fiz, mas não significa que do jeito que consegui não está bom. Enfim… hoje mesmo entonei meu mantra porque o negócio começou a desandar…rs. Ai ai ai… Beijos!

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    1. Michelle Amorim respondeu Mariana Brancatte em

      A Thais do Vida Organizada sempre fala isso também. É algo que preciso colocar em prática :(

      Bjooo

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  7. Bruna Barros em

    Uau. Como vc conseguiu abrir tanto o coração???? Parabéns pela decisão de vida.

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    1. Michelle Amorim respondeu Bruna Barros em

      Obrigada, Bruna! :)

      Bjooo

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  8. Renata em

    michelle, mais um texto seu q parece q foi escrito pra mim…obrigada! :)

    Responder
    1. Michelle Amorim respondeu Renata em

      Obrigada você por comentar <3

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  9. Eduardo Santana em

    Olá Michelle…. Fantástico seu texto.
    Lá em casa são sempre comentados. Minha esposa sempre lê ( foi ela q me indicou rss)

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    1. Michelle Amorim respondeu Eduardo Santana em

      Obrigada, Eduardo!

      Abraços para vocês :)

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  10. Alessandra Garcia em

    Fazia tempo que não passava aqui!! Mas ameiiiiiiiiiiii ter vindo dar uma espiadinha justo nesse texto! Lindo, lindo, lindo.. como muitos outros que já li por aqui!! Me identifico demais! Já nos falamos um tempo atrás, sou engenheira civil, tenho dois filhos… trabalho na minha área, tenho uma loja virtual e um blog! Loucura total!! Já precisei abrir mão de algumas coisas.. pois percebi que não dava mesmo para fazer tudo… Sofri no começo.. mas depois vi que foi a melhor coisa que fiz!! Realmente é impossível fazer TUDO… mas sei que posso fazer o que quiser!!! Fazendo JÁ um quadro desses para mim!!! Beijão!! Seja leve e muito feliz!!!

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  11. Nick em

    Que post mais maravilhoso! Botando pra fora o que a maioria guarda pra si. Eu poderia elogiar mil vezes mais, só que vou priorizar descansar, já que o baby dorme. No entanto, fica aqui os meus parabéns pela mudança, meu desejo de muita sorte e meu agradecimento. Pois eu realmente precisava ler isso! Obrigada!
    Beijos.

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  12. Lair em

    Que leveza Michelle. Obrigada por compartilhar! Um beijinho

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