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Sobre a importância da rotina para o bebê e os métodos da Encantadora de Bebês

A palavra rotina por vezes causa arrepios em algumas pessoas – especialmente em nós, os adultos – mas o fator previsibilidade é importantíssimo para bebês e crianças. Saber o que vem a seguir contribui muito para deixá-los mais calmos e seguros, além de ajudar os pais a se organizarem melhor.

Para mim, a rotina também ajudou a conhecer e entender melhor meus dois filhos. Me ajudou a saber reconhecer cada tipo de choro, cada resmungo, cada movimento. Por isso a considero tão importante.

Hoje parece muito óbvio que um bebê precise ter uma rotina dividida entre comer, fazer alguma atividade e dormir, mas quando nos deparamos com um bebezinho em casa e mais todos os nossos afazeres diários, isso nem sempre fica tão claro. Principalmente quando somos mães de primeira viagem.

Eu lembro como se fosse hoje do dia em que chegamos da maternidade com a Mel e de como me senti perdida e apavorada, mesmo tendo lido alguns livros sobre o assunto. O novo é realmente muito assustador e acabamos aprendendo muito mais na prática do que com mil leituras e pesquisas. Isso é fato.

Um dos primeiros livros que li, ainda grávida, foi Os Segredos de uma Encantadora de Bebês, conhecido como “o livro azul”. Logo depois foi a vez do A Encantadora de Bebês resolve todos os seus problemas, conhecido como “o livro rosa”, que reforça o conceito e passa informações mais abrangentes sobre o método da Tracy Hogg.

Se me perguntam qual dos dois livros eu recomendo, é difícil escolher um só porque o livro azul faz a introdução do método, é como um ponto de partida. Então, o bacana é ler os dois, primeiro o azul, depois o rosa. E já que estamos falando de livros, eu também gosto muito (ou mais até!) das obras da Elizabeth Pantley, como o Soluções para noites sem choro, que falei aqui.

Muitas pessoas criticam os livros da Encantadora e o método em si, dizendo, por exemplo, que é muito rígido e que incentiva o uso da mamadeira e, consequentemente, o desmame precoce. Na minha opinião, nenhum livro deve ser levado ao pé da letra por um motivo muito simples: somos indivíduos únicos, assim como nossos filhos. Precisamos adaptar as informações que chegam até nós conforme as nossas crenças e necessidades.

Acredito que livros como esses, da Encantadora de Bebês, podem sim agregar conhecimento, ensinar coisas novas, reforçar o que já sabemos ou fazer com que vejamos a mesma situação de modo diferente. Portanto, para mim, livros e leituras sempre agregam. Ou quase sempre. (agora lembrei de alguns livros ruins que eu li…)

O que eu gosto nos livros da Tracy Hogg:

– do método EASY – E (eat = comer), A (activity = atividade), S (sleep = dormir) e Y (you = você) – que propõe uma rotina estruturada (mas não engessada) para os bebês, podendo ser aplicada desde os primeiros dias.

– do método SLOW que consiste em S (stop = parar), L (listen = escutar), O (observe = observar) e W (what’s up? = o que está acontecendo?) – que ensina a não agirmos por impulso ao primeiro choro do bebê, oferecendo o peito ou a chupeta, por exemplo, sem antes identificar o real problema. A única forma de comunicação dos bebês pequenos é o choro e ele não deve ser silenciado, e sim, identificado e consequentemente atendido. Por isso a importância de, durante uma crise de choro, parar, escutar, observar e entender o que o bebê precisa, o que está tentando dizer.

– de como ela frisa que devemos começar da maneira certa, da maneira como queremos manter.

– da abordagem acerca da superestimulação e do quanto isso prejudica especialmente o sono do bebê.

– das informações que ajudam a identificar comportamentos e atitudes de cada bebê.

– da forma como ela ensina a tratarmos nosso bebê com respeito e carinho.

Como eu implantei a rotina por aqui

A rotina do bebê recém nascido é muito simples, determinada essencialmente por dois fatores: fome e sono. O próprio relógio biológico deles funciona dessa forma, baseado na saciedade. Barriguinha cheia, bebê dormindo. Deu fome, bebê acordado. Além disso, o indicado é que se amamente em livre demanda no início, para que o próprio bebê vá determinando o seu ritmo. Por isso, é difícil simplesmente impor uma rotina a um recém nascido. Após esse período, ela pode e deve ser implementada, mas de forma tranquila, leve, respeitando as singularidades e as necessidades de cada bebê.

Tanto com a Mel quanto com o Leo, depois dos primeiros dois meses, fui estabelecendo a rotina baseada no método Easy, num período correspondente a 3 horas, ou seja, a cada 3 horas. Segui esse período de 3 em 3 horas porque ambos demonstraram que esse era realmente o ritmo no qual precisavam mamar, dormir, etc. Mas essa rotina, apesar de seguir o método que o livro ensina, não é somente regida pelos horários. A rotina existe visando primeiramente as necessidades deles, agora, no caso, as necessidades do Leo. Se ele demonstra sono ou fome antes do horário esperado, ele certamente será atendido. Para mim, isso é adaptar, como falei no início do texto.

Com o Leo tudo foi mais tranquilo, claro. No início, ele determinava o horário e a duração das mamadas, que normalmente aconteciam de 2 em 2 horas e duravam cerca de 20 a 30 minutos. Depois de cada mamada, ele dormia. E assim aconteceu por todo o primeiro mês e parte do segundo.

Com um mês e meio, ele começou a passar mais tempo acordado e eu também consegui espaçar um pouco as mamadas. A partir daí, fui implementando a rotina 3×3 – de 3 em 3 horas – sempre estabelecida pelo horário das mamadas. Estas, por sua vez, foram estabelecidas com base nas necessidades dele mas também na nossa rotina diária, visando evitar conflitos de atividades, como, por exemplo, a mamada do Leo ser no horário do almoço da Mel ou na hora de levá-la para a escola. Por esses motivos, estabeleci os horários de 6h, 9h, 12h, 15h, 18h e 21h (com variações de quinze minutos a meia hora, para mais ou para menos) para as mamadas. Sem contar a madrugada, claro.

Os períodos de “atividade” do Leo incluem, claro, as trocas de fralda, trocas de roupa, brinquedos (livrinhos e bichinhos de pano, mordedores, etc, nada de eletrônicos ou brinquedos muito estimulantes), ficar na cadeirinha brincando com um arco de atividades (daquelas que chamam de bouncer), no carrinho, no chão, deitado ou sentado naqueles tapetes de bebê, dar um passeio no colo ou no sling (seja para levar a irmã na escola ou sair comigo para qualquer canto). Enfim, há bastante coisa para um bebezinho fazer.

Estou escrevendo um post mais detalhado sobre a rotina atual do Leo, o ritual de sono e sobre a minha rotina como mãe de dois. Logo logo eles serão publicados.

O fato de termos uma rotina assim me permitiu uma maior organização com todos os afazeres da casa, do trabalho e principalmente com as necessidades do Leo e da Mel. Tornou os dias mais previsíveis e as situações mais fáceis de serem resolvidas e planejadas. O nosso dia a dia já é imensamente corrido, então, fico imaginando se não tivéssemos uma rotina estruturada.

Para quem quiser saber mais, tem várias informações sobre os métodos da Encantadora de Bebês aqui. Ainda assim, acho que vale a pena ler os livros, absorver o que ela ensina, filtrar o que serve para você e então aplicar à sua rotina.

Leo num momento "atividade" :)
Leo num momento “atividade” :)

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9 comments

  1. Anciosa pra ler o post mais detalhado da rotina do Léo,o
    ritual do sono,e a rotina como mãe de 2.Também tenho duas,uma de 2 anos e 2 meses e outra de 3 meses.E como acho complicado aplicar a rotina em casa,muitas vezes fico totalmente perdida.Adoro o seu blog,me ajuda muito.

  2. bah eu nao gostei muito desse livro. Eu li um pouco antes do Leo nascer e depois ficava tentando achar respostas nele como se fosse encontrar.
    O livro tem dicas boas SIM (bem boas eu diria) mas muita coisa acho forçado.. até porque, para ela, cada bebê tem o mesmo sistema (pelo menos foi assim que entendi), e percebi que o Leonardo tinha horários totalmente inflexíveis. Dormia horrores e, quando o acordava para implementar a rotina das mamadas, ele ficava irritadiço! chato mesmo. então comecei a deixa-lo dormir o quanto quisesse e notei que assim ele estava sempre mais disposto e felizinho.. depois de um tempo ele mesmo começou a adquirir a rotininha dele, sem que eu forçasse a barra (fazia isso quando ele era bem pequeno (RN), agora que o meu tem 10 meses a rotina já existe sim, bem certinha eu diria).

    Sobre a amamentação, ela deixa BEM claro que a MULHER, ou seja a MÃE tem o direito de escolher se quer ou não amamentar o filho. Alias, acho que está certo. ninguém pode forçar alguém a amamentar se não “quer”, certo? Acho bacana isso da parte dela, tem algumas autoras que são cruéis demais com mães que não amamentam, independente de ter tido ou não problemas com isso. tem autoras muito insensíveis com um assunto tão delicado como esse.

    Bjao!

  3. Eu li só o azul e eu costumo filtrar bem o que serve ou não para mim. Heitor mamou sem horários enquanto era RN e ele mesmo foi espaçando as mamadas e mostrando o seu ritmo. O que “impus” a ele foi a rotina do sono – banho no mesmo horário, redução dos estímulos, mamada e dormir no berço, sempre. E hoje, com 1 ano e meio, ele pede o banho quando quer dormir, o colocamos no berço, ele já puxa a cobertinha, mama e dorme sozinho, sem precisar ninar.

  4. Michele adorei o post, principalmente pq a maioria dos comentarios sobre esse tipo de metodo sao negativos. Tenho bastante dificuldade com rotinas, mas o que me deixa mais aflita é que tb cuido da casa além da bebe e em alguns momentos somente os eletronicos salvam! Me sinto culpada, mas tem horas que nao há bouncer, tapete, carrinho.. É só a tal da galinha! Me ajuda? Preciso de mais ideias pra entreter minha bebe! Ela tem só 4 meses, nao quero ficar expondo minha pequena aos eletronicos desde tao cedo, mas tem horas que nao vejo outra alternativa pois tenho 1000 afazeres. Bjos!- desculpa os comentarios anteriores incompletos, estou escrevendo no celular com bebe no colo!

  5. Olá Michele! Amo seu blog, me ajuda bastante. Sou mãe de primeira viagem, Felipe tem 1 mês e 1 semana. Estou tentando implementar o easy com ele. Amamento exclusivamente e tenho enfrentado um dilema. Felipe mama super bem, de 2 em 2 horas. Porém ele quer o peito a quase toda hora mesmo estando bem alimentado. Se tem dor, peito, se vai dormir, peito… E por aí vai… Sei q busca consolo e segurança mas a noite ele acorda as veses de 1 em 1 hora para ficar no peito quase sem sugar… Pra voltar a dormir. Isso acontece nas sonecas de dia tb. Vc já passou por isso? Tem alguma sugestão de como lidar? Tentei a chupeta mas ele é relutante em pega-la. Beijos e parabéns pelo blog!

  6. Eu li os livros da Tracy Hogg e acho que ela é mal interpretada. Ela deixa sempre bem claro que não devemos ser extremamente rigorosos com os horários e que você deve sempre observar o seu filho para atender suas necessidades.
    Pra mim, foi essencial colocar o Mateus numa rotina. Bom pra nós e bom pra ele. E as dicas dela vieram muito a calhar. Também gosto do fato de ela dizer para respeitarmos a individualidade do bebê e não deixá-lo chorando sozinho.

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