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Sobre a ansiedade da separação

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Já falamos aqui no blog dos saltos de desenvolvimento e picos de crescimento – que vão até os 20 meses da criança e são períodos de aquisição de novas habilidades. Nesses períodos, o bebê tem não só o seu humor, mas também a sua saúde, inteligência e principalmente seus padrões de sono alterados. E, para fechar esse o pacote, existe mais uma fase relativamente difícil, que tem seu pico geralmente pouco antes dos doze meses. E é dela que vamos falar hoje.

Faz algum tempo já que Leonardo tem apresentado os mesmos comportamentos e, antes de embarcar na clássica frase “é manha!”, resolvi prestar mais atenção e tentar identificar o que acontecia com o nosso pequeno. E foi batata: é a tal ansiedade da separação, que pode começar aos 6 meses e se estender até os 2 anos (oh, céus).

Mas o que é isso, afinal?

Os bebês nascem sem nenhuma concepção ou entendimento do mundo que os cerca. Com o tempo, vão criando vínculos e identificação com as pessoas ao seu redor: mãe, pai, irmãos, avós, etc, e percebem que algumas dessas pessoas são essenciais para a sua existência, segurança e felicidade.

Partindo daí, dá para entender por que eles se desesperam tanto quando saímos de cena ou quando saem do nosso colo. Eles ainda não entendem que as pessoas vão e vem, que não vamos sair e sumir simplesmente, que não serão abandonados. Ainda não conseguem compreender que mesmo nos ausentando por algum período – curto ou longo – iremos voltar.

Existe um conceito de que os bebês sentem, no início, que somos a mesma pessoa, que eles são parte da gente. E acho isso lindo.

Leonardo tem se mostrado bem apegado comigo, agora mais do que nunca. Acorda de madrugada chorando e murmurando mamamãe e só se acalma quando vou até lá dar um cheirinho nele. Parece que ele acorda só para ter certeza de que eu não fui embora.

Engatinha atrás de mim pela casa toda e quando chega perto, se agarra nas minhas pernas e fica ali, tipo “me pegue, por favor. preciso de você”. Quando estou com ele no colo e preciso colocá-lo no chão para fazer algo, ele chora bastante e fica me olhando com aquela carinha de cachorro abandonado. Resumindo, ele quer estar aonde eu estiver, o mais próximo possível.

Quando ele acorda e eu abro a porta do quarto, vocês não tem ideia da felicidade estampada na carinha desse menino. Chega a gargalhar até, de tão feliz. Assim que o pego no colo, ele encosta a cabecinha no meu ombro e fica aconchegado. Como se tivesse encontrado seu porto seguro, novamente.

Esses dias estávamos eu, Alexandre, meus pais e a Mel na cozinha. Leo veio engatinhando, passou por todo mundo e sentou na minha frente, para logo depois ficar em pé se agarrando nas minhas pernas, como se quisesse me escalar. Melanie muito observadora já foi dizendo “ele quer a mamãe”. Pois é, essa frase resume bem a história.

Claro que é cansativo não poder sair um minuto para fazer um xixi sem que seu bebê chore desesperado, como se não houvesse amanhã. Mas no fundo ando curtindo esse apego, esse dengo todo. Sei que essa fase chicletinho vai passar e daí, da-lhe saudades.

Para que a gente possa saber lidar melhor com os pequenos nessa fase, tem três dicas bem interessantes retiradas de um livro da Elizabeth Paintley (já falei dela aqui no blog) e achei bacana compartilhar aqui com vocês:

Três maneiras de reduzir a ansiedade da separação

Pratique separações rápidas e diárias

Durante seus dias juntos crie oportunidades de expor seu bebê a separações visuais breves, seguras e rápidas (brincar de esconder o rosto e logo reaparecer é ótimo, eles adoram!). Esse processo é particularlmente útil para bebês super grudados ou ‘high needs’, que precisam estar muito perto de você o tempo todo. Comece incentivando que seu bebê brinque com um brinquedo interessante ou outra pessoa. Quando seu bebê estiver feliz e distraído com o brinquedo ou pessoa, caminhe calmamente e lentamente para outro quarto. Assobie, cante, murmure uma canção ou fale, de modo que seu bebê sabia que você ainda está por perto, mesmo que não possa te ver. Pratique essas separações breves algumas vezes ao dia numa variedade de situações diferentes.

Evite a transferência de colo para colo

É muito comum passar o bebê do colo de um cuidador para outro. O problema é que cria ansiedade no bebê sair da segurança dos braços da mãe e ser fisicamente transferido para os braços de outra pessoa que lhe é menos familiar. Essa separação física é a mais extrema na mente do bebê e que mais traz ansiedade de separação.

Para reduzir as sensações físicas de ansiedade que são produzidas na transferência de um bebê dos braços de uma pessoa para outra, faça a mudança com seu bebê num lugar neutro, como o bebê brincando no chão ou sentado numa cadeirinha, cadeirão de alimentação ou bebê conforto. Peça para o cuidador sentar do lado de seu bebê e interagir com ele, enquanto isso você fala um ‘tchau’ rápido porém positivo, num tom feliz. Assim que você sair é um bom momento para o cuidador pegar seu bebê no colo.

A vantagem é que o cuidador vai ser colocado na posição de ‘salvador’ e isso pode ajudá-los nessa relação.

Entenda a ansiedade de separação como um sinal positivo

É perfeitamente normal – até maravilhoso – que seu filho tenha esse bom apego e que ele/ela desejem essa proximidade contigo e sua presença constante. Isso é evidência de que o laço afetivo que você criou desde o início está seguro. Então ignore educamente as pessoas que te dizem o oposto. Relaxar em suas expectativas de independência certamente irá ajudar seu bebê a relaxar também e a ter menos ansiedades nas horas de separação entre vocês.

* texto do livro ‘No-Cry Separation Anxiety Solution: Gentle Ways to Make Good-Bye Easy from Six Months to Six Years’ de Elizabeth Pantley (Editora McGraw-Hill, 2010). tradução: Andreia Mortensen

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9 comments

  1. Oii Michelle! por aqui estamos passando por essa fase com o Guilherme também. Ele tem 11 meses e de um mês para cá só quer colo. Sou estudante de psicologia e comecei a me interessar pelo assunto desde que meu filho mais velho que hoje tem 3 anos e meio começou a apresentar esses comportamentos. Eu me sentia incomodada porque algumas pessoas falavam que era “balda”, “manha”, que eu tinha que deixar que ele chorasse. Mas eu não aceitava isso e foi então que comecei a ler, estudar mesmo sobre a ansiedade de separação. A partir daí fiquei mais segura em relação as minhas atitudes com o pequeno. E hoje, já não me incomodo mais com a opinião dos outros. Penso que é positivo esse apego, sinal que conseguimos criar um vínculo forte e seguro. Abraço

  2. Adorei o texto! Parece bem o que meu filho está passando, mas ele ainda tem 5 meses e 3 semanas… Só sei que quando largo ele no berço ou no carrinho para fazer algumas coisas, ele chora muito! Aí eu fico com pena, pego ele no colo e ele para de chorar na hora. Estou bem preocupada porque minha licença está terminando e semana que vem ele começa na escolinha. Até parece que ele está sentindo o que está pra acontecer… Eu desde semana passada estou triste por causa dessa separação e sempre que penso nisso eu choro, então nessa ultima semana em casa com ele quero aproveitar pra ficar junto dele o tempo todo!

  3. Acho que aqui temos isso desde que a Bruna nasceu… ô menina grudenta! kkkkk… Agora com quase 6 meses está mais grude ainda. Mas a deixo com minha mãe, com o pai e ela fica por um tempo, mas quando dá minha falta, chora como se não houvesse amanhã. E cansa demais mesmo. Mas no fundo a gente gosta de ser “a” preferida!

  4. A Laura ainda é bem apegada comigo, fico pensando na escola, ano que vem ela comeca a estudar. Ate hoje com 1 ano e 3 meses gruda nas minhas pernas e só quer colo mesmo, olhar o que eu estou fazendo…é uma delicia…

  5. Estou me preparando pra ser mãe e adorei suas dicas pq não conheço essas fases dos bebês!

    Sou muito fã do canguru para levar o bebê juntinho da gente para caminhadas e etc, mas fico me perguntando se ele funciona bem na vida real pq vejo tão poucos usando… A maioria prefere os carrinhos mesmo.

  6. Oi Michele!!! Tudo bem? Tenho acompanhado seu blog já tem um tempo, pois tenho uma filha que fez 1 aninho essa semana, então adoro especialmente os posts sobre o Leo!!! Gostaria de saber sobre a rotina de alimentação dele, agora com 1 aninho também.
    Um abraço e parabéns pelo sucesso com o blog :-)

  7. Oi Michelle, adorei seu blog, meu príncipe está passando por essa fase, gostei muito do texto, vai me ajudar bastante.
    Parabéns pelo blog, beijos.

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