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Realmente. Com três anos, tudo melhora.

Gosto muito de todos os textos do Piscar de Olhos e da querida Roberta, que escreve aqueles posts bacanérrimos que alegram o dia de qualquer um.

Um deles, em especial, me serviu de alicerce, quase que virou um mantra – bem comprido, diga-se de passagem – para aqueles momentos de crises, birras e choros intermináveis que a Melanie já teve. Era passar por alguma situação crítica que lá estava eu, lendo o texto, para tentar me manter otimista. (falei dos terrible twos da Mel aqui, na semana passada, num texto que foi originado deste que você lê hoje).

Mel completou três anos agorinha, no dia 2 de agosto, e há pouco mais de um mês tenho notado mudanças grandes no comportamento dela, especialmente no quesito aceitação.

De repente, vejo que a Roberta realmente tinha razão, não era balela. Aos três anos, tudo melhora.

Há, enfim, uma luz no fim do túnel dessa vida materna de chororôs/teimosia/se jogar no chão/gritar/bater o pé. (o post não está abrindo. já mandei uma mensagem pra Roberta avisando.)

Além de todo desenvolvimento na parte motora e intelectual e que acontece naturalmente conforme eles vão crescendo – aprender a comer sozinhos, tomar água quando sentem sede, ir deitar quando sentem sono e ir ao banheiro/penico sozinhos, por exemplo – vi um crescimento muito grande acontecer em um curto espaço de tempo. Um enorme crescimento emocional.

Hoje, tenho uma criança que, mesmo ainda tendo seus momentos normais de frustração, aprendeu a aceitar que algumas coisas podem ser feitas e outras não. E não simplesmente porque nós não queremos que ela faça, mas porque existe certo e errado.

Hoje, tenho uma criança que conversa muito, sobre tudo, e que me conta coisinhas pequenas do seu dia a dia. Especialmente da escolinha. Que me conta entusiasmada dos projetos e atividades e me conta desolada quando um amiguinho bate em outro, porque sabe que não se deve bater em ninguém.

Que cada dia mais demonstra expressões próprias e personalidade forte, mas que sabe que não somos todos iguais.

Que canta o dia todo e dança qualquer música, em qualquer lugar.

Que durante as brincadeiras sempre inventa uma palavra nova ou um novo jeito de brincar e com isso faz de nós crianças novamente.

Que adora correr atrás da nossa gata, mas sabe que não deve machucá-la porque os animais merecem carinho.

Que sabe que existem lugares que ela pode correr livremente e outros que não. Que deve dar a mão quando andamos na rua e que deve esperar sua vez quando há outras pessoas na sua frente.

Que entende, depois de reclamar um pouco, que o que acabou, acabou, e que não vamos comprar qualquer besteira para ela no supermercado.

Que diz obrigada para tudo e para todos. Que diz me desculpe, foi sem querer. Que diz eu te amo muito mamãe/papai, espontaneamente e de coração. Que diz que sente saudades, que lembra de quem não vê há algum tempo.

Que sabe que quando algo se quebra, talvez possa ser consertado. Talvez não.

Que sabe só de olhar pra mim se eu estou bem ou não e diz “o que foi mamãe, não fica triste, eu to aqui com você.”

E que me corrige toda vez dizendo que “não é bunda, é bumbum!” :)

Hoje, me emociono quando ela, sozinha, entende e segue as regras. Coisinhas pequenas como:

Guarda o brinquedo na mochila quando chegamos na escola e diz “hoje não é dia do brinquedo, tem que ficar na mochila, né mamãe?”

Espera sua vez no escorrega, sem empurrar e sem apressar o coleguinha. Apenas espera.

Vê a cama elástica ou o parque cheio de crianças maiores e volta dizendo que “agora é a vez dos menininhos e menininhas grandes, né mamãe?”

Depois de uma briga homérica para vestir camiseta num frio de 2 graus, volta com o casaco e diz “não pode ficar sem blusa, fica com o braço gelado, né mamãe?”

Entende que um amiguinho ou amiguinha tem o direito de não querer emprestar um brinquedo. E diz “esse não é meu, é da fulana, né mamãe?”

Ver essa capacidade deles de crescer, de aprender e aceitar, é maravilhoso. E melhor ainda é perceber que nós também podemos crescer e aprender, cada dia mais, como mães, como seres humanos.

Mel ainda tem seus momentos de choro quando é contrariada, mas logo entende que realmente é daquele jeito que tem que ser. E assim, vamos vivendo. (entra aqui também o mérito das professoras dela na escolinha, por sempre agirem com amor e paciência, e acima de tudo, com assertividade).

Hoje, acho que nem chamaria mais os “pitis” – que ainda ocorrem esporadicamente, claro, afinal ela tem apenas três anos – de birra. Vejo como a expressão de uma (mini) pessoa que está frustrada porque ainda não é capaz de lidar com seus sentimentos e de entender completamente como o mundo funciona. E que precisa de apoio, que precisa ser guiada. Acho que essa é minha visão de educação. Guiar, mostrar o caminho, ao invés de impor somente.

Essa fase atual dela tem sido tão bacana, tão gratificante, que às vezes sinto vontade de congelá-la, para sempre. Congelar essa inocência, essa curiosidade genuína e esse entusiasmo que ela tem com as mais pequenas e simples coisas da vida.

Congelar esse jeitinho amoroso com todos, especialmente conosco. É lindo de ver e cada dia me sinto mais feliz em poder vivenciar esse aprendizado. Junto com ela.

melanie_blogvidamaterna.com

Então, pra você que está passando por uma fase difícil com seu filho: as coisas melhoram sim. Os dias não são todos perfeitos, mas alguns deles chegam bem perto de ser.

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17 comments

  1. Por acaso vc era uma abelhinha dentro da minha casa hoje??? Porque acertou o post como ninguém!
    O almoço foi tão intenso( ruim) , que eu simplesmente abaixei a cabeça e deixei as lágrimas escorrerem , rsrsr depois me refiz e recomecei o processo até que não deu mais…quando meu marido chegou achou que eu estivesse levado uma surra e na teoria levei mesmo!
    O meu está com 2 anos e 4 meses e saber que existe a possibilidade disso tudo ao menos diminuir me fez sorrir agora!
    Bju, bju bju.

  2. Ai que texto lindo, me emocionei! Minha laura completou 3 anos sabado e ja venho notando umas diferenças ha um tempo, essas que vc citou. E da muuta vontade de congelar esses entusiasmos com coisas tao simples. A laura ainda nao aceita facil o nao, mas ja esta começando a parar para ouvir os porques. Bjos

  3. Que maravilha saber que as coisas melhoram! As meninas estão com 2 anos e 9 meses e vira e mexe surge alguma birra. A mais comum nos últimos tempos tem sido da Ana Luiza quando é acordada. O simples fato dela dormir na cadeirinha do carro e ela sem querer acorda ao tirarmos de lá ela fica irritadíssima, faz o maior escândalo, como se estivesse possuída. É a coisa mais horrorosa do mundo, pois ela não enxerga nada e nem ninguém. Me sinto péssima pois não consigo acalmá-la e acabo me irritando e frustrando. Por mais que tente conversar com ela, explicar que pode dormir de novo ela não ouve, só grita, chora, esperneia, arranca a roupa. Gente, onde eles aprendem isso?!!
    Depois de um tempo fazendo isso o meu marido conseguiu acalmá-la, convencer ela a colocar o pijama, tomar um leite e dormir. Foi uma noite daquelas!!!

    1. Nossa Telma, que barra! :/ Eu sei como é difícil, mas quando isso acontecer, tentem não falar muito e contê-la perto de vocês, tipo um abraço de urso, sabe? Nessa idade em que elas estão isso ajuda muito.

      Bjo e fé que isso passa logo :)

  4. oi Michele, falava disso hoje com minha colega de trabalho, como é gostoso ser mãe de um bebê, mas como é trabalhoso e que venha os 3 anos, mesmo assim tenho tentado aproveitar estes momentos (sem as birras) para não ser uma mãe acelerada rsrs…

    Que bom ler os relatos do crescimento da Mel, tipo a blusa de frio o brinquedo do colega sei que vou passar por isso.

    Ta rolando um sorteio de uma caneca personalizada no Blog, quando puder venha participar.

    Bjs

    Gélia

  5. Nossa é tudo q estamos vivendo, meu filho tem 2 anos e 1 mês e está terrível, cada birra, tenho vontade de chorar achando q o erro é meu….mas pelo q eu li isso vai passar.

  6. Me emocionei. O meu esta com 2 anos e 8 meses e é igual a Mel. Vontade de congelar para sempre e fIcar agrarrado! Eles crescem rapido demais. Eu com o segundo estou revivendo tudo e fico pensando que parece que foi ontem!

  7. NOSSA AMEI LER SEU TEXTO BEM A FASE Q ESTAMOS PASSANDO AKI EM CASA MEU OCEANO DE AMOR ESTA COM TRÊS ANINHOS É TD SÃO FASES UMAS DIFÍCIL E OUTRAS MAIS FÁCIL , MAS NADA QUE NÓS NÃO APRENDEMOS JUNTOS COM ELES TAMBÉM !!! BEIJINHOS FIQUEM COM DEUS

  8. Me emocionei com seu texto. É exatamente o que minha filha Ana Carolina que acabou de fazer 4 anos diz pra mim. Mamãe vocè é linda e eu quero ficar com você pra sempre, eu te amo muito. Me diz que seremos amigas para sempre. Quando brigo com ela por algo errado que fez ela me pede desculpas e me pede um beijo. Como é doce minha filha. Só de pensar que irá crescer fico imaginando a saudade que irei sentir dessa inocência. Ela é um anjo em minha vida.

  9. Oi Mi,
    Adorei seu depoimento e como você também acredito que quando os gêmeos completarem 3 anos em Fevereiro vou ter uma folguinha (uufa). A Mari e o Kenzo estão com 2 anos e 11 meses mas para mim parece que se passaram quase 6 anos! Queria fazer ja a festinha deles! =)
    beijos

  10. Quando eu li este post (assim que você publicou), minha filha estava prestes a completar 2 anos e já há quase 6 meses vinha se antecipando na fase dos terrible twos. Juro que ao longo de todo este ano que passou, lembrava muitas vezes de suas palavras: aos 3 anos, tudo melhora. Esperava ansiosamente pelo aniversário de 3 anos da baixinha, como se houvesse uma data marcada para que tudo enfim, melhorasse realmente. Certamente, desde que minha filha nasceu, esse foi o ano mais difícil que passamos! Mãe de temperamento forte com filha desafiadora, questionadora e com um temperamento (melhor) pior que da mãe, rs…. resultaram em quase um ano e meio de lutas diárias!! Hoje, 05/09, eis que minha Beatriz completa seus (meus) tão desejados 3 anos. E há dois dias, foi como se uma luz surgisse dentro de minha casa, uma fada madrinha, com sua varinha fizesse "plim"!… E realmente, Michelle!!!! Tudo melhorou! Exatamente como vc descreveu acima, ainda existem as frustrações, lógico… mas de uma forma mais suave, tranquila, entendida, de ambas as partes!
    Obrigada por compartilhar sua vida conosco. Sem imaginar, você acaba nos transmitindo uma certa segurança, e até, por que não dizer, esperança, de como as situações são praticamente as mesmas em todas as casas. E sim, tudo passa. Que bom que o aprendizado fica! ;)
    Beijos pra vc e seus filhotes lindos!

  11. Michelle, me emocionei muito com o seu post! Parece que me vi no “antes” e no “depois” (risos). Minha filha tem 2 anos e 1 mês e está numa fase muito linda (cada dia me surpreendo com ela), porém difícil no que diz respeito a birras, que começaram com intensidade a algumas semanas. É muuuuuuito bom saber que aos 3 anos tudo vai melhorar…

    Procurando algumas coisas sobre o “terrible two”, me deparei com o seu blog e li postagens que são de grande ajuda. Quero, de coração, agradecer pelo tempo dedicado a compartilhar suas experiências conosco dessa forma tão especial… É muito bom conhecer a experiência de outras mamães para saber que não estamos sozinhas…

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