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Quando a maternidade, enfim, nos define

Todos os anos, lá por meados de novembro, eu acabo sempre mergulhando num auto exame de consciência profundo, em uma introspecção maior do que aquela que já estou habituada no meu dia a dia, aquela que já faz parte da minha personalidade. Sem querer, acabo me fechando um pouco, voltando o meu olhar e os meus sentidos para mim mesma, e, ao mesmo tempo, para tudo e todos que fazem parte da minha vida. Esse é o período que antecede o meu aniversário e, recordando os últimos oito anos, é um momento que sempre traz um turbilhão de emoções e algumas decisões importantes, sempre nessa época. Traz novos pontos de vista, novas óticas, novos caminhos e todo o aprendizado que consigo carregar comigo, do ano que passou.

Quando nascemos, basta que cresçamos um pouco e nos reconheçamos como seres humanos, partes integrantes desse mundo, para começarmos uma busca intensa pelo nosso eu verdadeiro, pela nossa missão, pelo nosso caminho. Existem aqueles que parecem já ter nascido sabendo a que vieram, aqueles que têm plena consciência e plena certeza do seu papel nessa vida. Eu não fui uma dessas pessoas.

Já quis ser bailarina, mas nunca fiz uma aula de ballet sequer. Já quis aprender a tocar guitarra, mas nunca fui além dos solos que meu primo me ensinou. Já quis dançar jazz, mas compareci a uma aula apenas e nunca mais retornei. Já quis ser jogadora de vôlei, treinei por quase dois anos, mas desisti no meio do caminho porque achava que meus 1.64 não eram suficientes. Já quis ser fluente nas línguas que eu amo – inglês e francês – mas não fui além daquilo que aprendi sozinha através da música e dos livros. Já quis cantar numa banda, mas nunca apareci nos ensaios daquela que havia me convidado. Já quis ser publicitária, veterinária, jornalista e até advogada, mas acabei sem concluir nenhuma faculdade. Já quis ser caxias e trabalhar fora doze horas por dia, mas larguei tudo ao ser mãe porque achei que aquilo não era para mim. Já quis ser aquela blogueira super organizada e manter meu blog sempre atualizado com conteúdo e imagens de qualidade, mas tive que aceitar que meu trabalho – do jeitinho que eu quero que ele seja realizado – depende uma palavra simples mas cheia de pegadinhas e truques, chamada criatividade – e aceitar que não consigo encher linguiça, se é que vocês me entendem.

De tudo que eu já quis fazer ou que comecei e não terminei, eu poderia facilmente dizer que não tive força de vontade e dedicação suficientes para levar nenhuma dessas coisas adiante. Mas isso não seria completamente verdade. A verdade, é que sempre fui muito perfeccionista e, se não fosse para ser perfeito, eu preferia não fazer. Luto contra isso desde pequena e melhorei muitíssimo nos últimos anos, graças a coisa mais imperfeitamente perfeita que poderia ter me acontecido: a maternidade. Mas ela não esteve sempre aqui. Ela chegou devagar e foi tomando conta, foi abrindo espaço onde parecia não haver.

Sabem aquela amiga, conhecida ou parente que diz desde sempre “eu nasci para ser mãe”? Então, eu não fui essa pessoa. Já contei para vocês que nunca tive um instinto materno muito aflorado, nem era daquelas pessoas que se derretiam ao ver uma criança. O que consigo me recordar, porém, é que ser mãe era algo que me intrigava bastante, algo que levava meu pensamento lá para longe, que me fazia ficar com a pulga atrás da orelha. E, principalmente, que fazia meu coração palpitar e dava aquela sensação de embrulho no estômago, sabem? Do tipo que a gente tem quando se apaixona ou antes da descida daquela montanha russa radical que, quando acaba, juramos nunca mais voltar.

Eu nunca soube bem ao certo qual era o meu papel no mundo, o que eu deveria ou desejava fazer. Só sabia e sentia – como provavelmente todas as pessoas desse planeta – que queria amar e ser amada, queria espalhar amor pela vida afora. E foi aí que a maternidade se encaixou com perfeição para mim. Com ela pude experimentar e aprender muito mais sobre mim mesma, sobre os outros e sobre o próprio amor. Com ela, pude conhecer com um olhar microscópico o melhor e o pior que existem aqui dentro. Com ela pude evoluir, graças a cada erro que cometi, graças a cada tropeço e a cada lágrima que deixei rolar em todas as vezes que me senti cansada, frustrada ou impotente. E foram tantas as vezes que me senti assim!

De repente, é engraçado perceber que mesmo lutando internamente para que a maternidade não pudesse definir totalmente quem eu era, ela acabou, aos poucos e sorrateiramente, definindo.

Já não sinto mais falta de sair para trabalhar usando aquela saia lápis, a camisa branca impecavelmente limpa e passada e o sapato de salto alto, porque aprendi que estar confortável sob a própria pele é o que há de mais bonito – seja com salto ou sem ele. Já não preciso mais sentir saudade das amigas e dos papos de antes, porque aprendi que as companhias queridas e as conversas de ontem e de hoje, podem conviver juntas e em paz, precisando apenas de um encaixe diferente. Já não sinto mais aquela angústia de provar o meu valor através do meu trabalho ou do dinheiro que eu poderia ganhar, porque aceitei que nem sempre serei capaz de fazer tudo. Já não sinto mais aquela necessidade enorme de resgatar a minha feminilidade e a minha sexualidade, porque elas também mudaram, elas também evoluíram, mas, acima de tudo, nunca deixaram de existir – estavam apenas adormecidas, esperando que eu encontrasse a harmonia dentro de mim. E eu sinto que estou no caminho certo.

Ultimamente tenho me sentido tão bem fazendo coisas corriqueiras, no meu papel de mãe e dona de casa – aquele mesmo que lutei contra nos últimos anos. Tenho me sentido bem ao andar por aí sem ter que necessariamente montar um look do dia (hahaha) – calçando meu All Star e minhas calças jeans surradas; ao ir na padaria comprar o pão francês que Mel e Leo pedem todos os dias ao entrar no carro depois da escola; ao ajudá-los nas tarefas e projetos escolares; ao pensar em brincadeiras e coisas divertidas que podemos fazer; ao passar por aqueles dias corridos levando os dois para cima e para baixo; ao cuidar da nossa casa, das plantas que repentinamente tive vontade de ter, da comida (embora eu ainda seja um tanto preguiçosa e pouco criativa nesse quesito) – e ao mesmo tempo, abrir mão de que tudo esteja cem por cento organizado ou que saia como no script (até porque não existe script no mundo materno); ao fazer minhas artes, festas e coisinhas de papel para deixar a vida mais colorida; e, finalmente, ao terminar um dia exausta depois de colocá-los na cama e vê-los dormir alimentados, quentinhos e felizes.

Eu, que queria ser mãe, mas não mãe apenas, tenho curiosamente me sentido extremamente feliz e satisfeita assim, exercendo a maternidade de braços abertos, enfrentando os desafios, os dias difíceis e as minhas falhas – que são tantas – com as únicas coisas que posso ter de garantido para oferecer aos meus filhos: a coragem, o respeito e o amor. 

Eu perdi o medo de ser mãe apenas, no exato segundo em que me dei conta de que essa é a minha missão, esse é o meu principal papel no mundo – colocar gente amorosa e amada nessa vida. Quando falamos em ser mãe, parece algo básico, trivial, nada comparado aos grandes feitos, aqueles que mudam os rumos da humanidade. Mas, se formos analisar bem de pertinho, é sim, gente. É enorme.

Se eu ainda quero fazer e ser tudo aquilo que contei lá no início do texto? Claro que quero! Mas, por agora, mãe, apenas, me define: gente forte, guerreira, porreta e cheia de amor. É isso que eu quero ser quando eu crescer.

Esse texto, esse aprendizado, continua nos próximos capítulos – que devem durar a vida toda, eu espero.

mimelleo_vidamaterna

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28 comments

  1. Mi, parabéns amei seu texto! Buscar autoconhecimento traz felicidade e transforma a vida. Você conseguiu através da maternidade olhar para seu verdadeiro Eu. ?? Muita luz para você e que a felicidade esteja sempre com vocês! ?

  2. Era tudo o que eu precisava ler nesse momento em que estou exausta…após ter passado o dia inteiro de pijama…nutrindo…cuidando e principalmente dando muito amor e carinho ao meu pequeno.
    Tem momentos que a exaustão me define…é triste ouvir que não fazemos "nada" muitas vezes de outras mães que se julgam ser muito mais que nós "apenas" mães. Enfim…foi reconfortante e inspirador ler seu texto…pois me sinto exatamente como você…que encontrei minha missão…missão essa de amar sem limites e transmitir todo esse amor ao meu filho…acredito que só com esse amor o mundo possa ser transformado para melhor!!!!!
    All you need is love.

    Bjos!

  3. Michelle, embora não me enquadre totalmente no que escreveste ( ainda estou tentando entender meus papéis) amei teu texto. Adoro a forma como VC escreve, cheia de essência, profundidade, autoconhecimento. Por favor, continue escrevendo de forma a não "encher lingüiça", é o que torna teus textos especiais.
    Cansada de blogs maternos que visivelmente produzem conteúdo para permanecerem populares, com aquela obrigação de ter q postar algo, acabam sendo superficiais.
    Beijao em ti e nos pequenos!

  4. Nossa Mi, sempre me emociono com os seus post, estou descobrindo a maternidade, minha bebê está com cinco meses e você foi fundamental para todos as descobertas ,desde a lista maternidade (hehe) até agora , onde você fala abertamente que mãe comete erros SIM, as vezes agente fica tão cansada de mulheres que se alto denominam as mães perfeitas , que quando leio os seus textos ,onde você mostra a maternidade em suas alegrias , dificuldades e erros ,sempre me emociono e digo OBRIGADA POR VOCÊ EXISTIR !!!

  5. Sinto como se me identificasse por cada palavra escrita aqui por ti, Michelle. Sou bem nova, estou no início da minha vida ainda, cheia de angústias e incertezas, porém, vou levando tudo isso, como um aprendizado. Sinto, dentro de mim, que a coisa que eu mais quero na vida, é fazer a descoberta da maternidade. Também não acho que eu tenha nascido para ser mãe, ainda tenho medo, receio do que vem pela frente, porém a maternidade me encanta. Todo esse amor envolvido entre mãe e filhos, entre essa perfeição da natureza de uma vida gerar outra, isso me tem. Sigo me preparando e absorvendo tudo que é necessário para este desafio da vida materna, e te agradeço imensamente por fazer deste blog, um local de aprendizado e de amor. Parabéns por ser essa mulher de fibra que és!

    Com amor,

    Brenda Marry

  6. obrigada por compartilhar de forma tão inteligente um assunto tão delicado (e pessoal) como esse.
    Sou muito parecida contigo, pois nunca achei algo na vida que me desse um prazer enorme e aquela sensaçao de plenitude, sabe? Foi só alguns meses depois do Leo nascer que comecei a perceber que aquilo ali.. aquela vida, mesmo que corrida e exaustiva, era o que estava me fortalecendo como mulher.
    O que incomoda é essa competição de quem é mais mulher. quem é mais “super”. Esses dias ainda li num blog bem famoso inclusive uma frase +- assim “que tipo de mulher hoje quer só ficar em casa cuidando de filho?”. Na hora quis responder, mas nao sou do time que trava discussões em redes sociais. mas aquilo realmente me incomodou, principalmente por partir de uma pessoa no qual admirava bastante.
    Ninguem precisa ser phD em nada para mudar o mundo. Sempre acreditei que o essencial de tudo nessa vida é a nossa base.. pessoas ao nosso redor querendo o nosso bem. ensinando valores. isso muda o mundo. e nao um diploma (ou varios). um pedaço de papel nao faz de voce um ser melhor ou superior.

    Beijao :*

  7. Te acompanho há tanto tempo mas não sou de comentar. Este post, devo confessar, foi realmente feito pra mim… Faço minhas as suas palavras sem tirar nem por!!
    Tenho uma filha de 5 anos e desde este tempo sou mãe full time porém durante muito tempo cheia de questionamentos, “o que será que vao pensar?”, “como será minha vida quando ela crescer?”… Enfim… Não tem fim! Rsrs…
    Decidi deixar rolar e fluir e quer saber? Só saio de casa pra trabalhar se compensar financeiramente todo este sacrifício pra ficar longe dela. O mundo está precisando disso, de mães mais amorosas, mais amor!! ❤️❤️

  8. Perfeitamente lindo esse texto Mi…Me encontrei em meio as suas palavras, eu, que nunca trabalhei fora, por vezes me cobrei em, será que não me falta isso? Será que não vai ser bom eu lutar por uma carreira? Mas, eu sei que nasci pra ser mãe, cuidar da minha casa, dos filhos ( segundinha está a caminho), sou extremamente realizada com essa vida que eu escolhi, meu marido super me apoia e não me cobra nada, sou livre..Um dia quem sabe talvez eu posa ir embusca de uma “profissão remunerada”, mas no mais, sou feliz assim e ver o olhar de gratidão, amor e companheirismo do meu marido e filho me basta, me completa…Vc como sempre sendo diva em todos os seus textos, amo seu blog e seus pimpolhos, to sempre lá no insta te acompanhando tbm..Mil bjs

  9. Mi, seus textos são incrivelmente impecáveis, cheios de amor e profundidade. Me reconheço no seu texto, sempre, masss neste momento estou passando por uma fase meio punk, algo como “rejeitando ser apenas mãe”. Suas palavras bateram no meu coração, amo meus 2 filhotes meninos, amor cuidar da casa, e essa fase esquisita em que estou não aceita só isso. Queria mais, ser alguém, que meus filhos se orgulhem de mim. Que contradição, não é?! Estou passando por terapia, e lá faço exercícios em que devo criar planilhas de rotina, como se maternidade tivesse um script. Sou muito perfeccionista também, e prefiro não fazer de qualquer jeito, gosto do bem-feito, e algo não está se encaixando.
    Espero me encontrar novamente, sempre envolvendo muito amor à minha família.
    Obrigada por compartilhar auto-conhecimento conosco!
    Beijocas com carinho

  10. Nossa Michelle! Como eu precisava ler isso… Eu me formei, exerci minha profissão por dez anos e larguei tudo para ser mãe, o que quis e não quis em diferentes etapas da vida. Tbm acho que não nasci pra isso. Ainda busco algo que me faça ser mais que mãe, morro de saudades do meu direito de ir e vir sem ninguém pra me atrapalhar ou ter que levar um comboio atrás. Ainda estou buscando essa aceitação que vc teve… Nesse momento minha vontade é sumir e não ter que escutar duas vozes me chamando o dia todo. Minha paciência anda no zero. Seu texto caiu como uma luva… Haja terapia….

  11. Oi Michelle, adoro teus textos, mas me identifiquei especialmente com este, onde diz em começar coisas e não terminar e a angústia que essas coisas geravam antes da maternidade, em relação ao instinto de mãe, que em mim também não era aflorado, mas que me surpreendeu, em relação a aceitar a maravilha do simplesmente viver com as pequenas alegrias do dia-a-dia… Na internet a gente lê tantos blogs de 'pessoas bem sucedidas', negócios bem sucedidos, mas raros tão profundos como o teu, de pessoas sendo pessoas simplesmente, sendo humanas em todos aspectos, e em como isso realmente é a essência da vida, viver intensamente e sem máscaras a simplicidade dos momentos! beijos!

  12. Me identifiquei, mas não pelo fato de ser igual, mas sim, por querer ser.
    Ainda não sei quem sou, nem meu papel.. Tento dar meu melhor, todos os dias na missão de ser mãe, de ser aluna, se der dona de casa, mestre de obras, esposa, profissional.. e ainda não escolhi e estou sem rumo para conseguir decidir e focar o que quero ou quem eu sou de verdade.
    Começo tudo e não termino, por falta de determinação (?) – não sei – acho que por medo, medo de encarar o que o mundo irá dizer, medo de decepcionar os meus, e por que realmente nao sei se devo, abandonar meu trabalho e ser “apenas” mãe, e deixar todos os meus sonhos materiais para trás… mas espero que logo eu saiba onde estou e pra onde eu vou. A unica coisa que realmente sei, é que sou mãe, e serei pelo resto da vida, em meio a muitos erros e falhas, sim , mas principalmente dando o meu (singelo) melhor.
    Sigo tentando conciliar essa vida louca e bipolar.

  13. Como sempre lindo e emocionante! A pouco deixei meu emprego pra ser Mãe em tempo integral. E não foi logo assim que minha pequena veio ao mundo não, isso ocorreu somente 3 anos depois, mas que pra mim foi no tempo certo e na hora certa!
    Me descobri Mãe, e nasci pra isso. Estou muito feliz com minha escolha e não há salário que pague eu poder levá-la e buscá-la todos os dias na escola, poder levar ela para passear… Passar as férias com ela! Essa será a primeira vez que passaremos férias juntos.
    E no final do dia vê-la dormindo como um anjo, feliz!!!

  14. Ai ai Michelle, ser “apenas” mãe…
    Ser mãe é ser tantas coisas. Mesmo sem nunca ter feito aula de ballet hj vc tem uma bailarina linda e que com certeza já deve ter te ensinado alguns passos, mesmo sabendo tocar apenas aqueles solos de guitarra aprendidos com seu primo já deve ter tocado mil guitarras imaginárias e aquelas barulhentas de brinquedo e tirado sorrisos lindos dos seus expectadores Mel e Léo, já deve ter dançado jazz como louca ao ouvir a música do filme Dirty Dancing em um dia mais ou menos para animar todos, Não sei se já jogou vôlei com as crianças, mas quantas vezes já brincou de bola com eles ou até mesmo foi a juíza?!! Pode não ser fluente nas línguas que gosta mas já ouvimos a Mel cantando em inglês devido a forte influência musical da mamãe, logo já deve ter cantado muito para eles, mesmo recusando o convite para cantar naquela banda. Existe melhor publicitária de um filho do que a própria mãe? Se não exercitou muito isso ainda (que eu duvido) irá fazê-lo ao longo dos anos. Cuida da Boo, conta as noticias do dia para o marido e ainda defende os filhos em qualquer situação e não precisa de diploma para nada disso não. Ser mãe é trabalhar em tempo integral, sem folga. Ainda é ser administrador do lar, enfermeira qdo necessário, psicóloga, motorista, professora, cozinheira, nossa… ser “apenas” mãe é a atividade mais completa que uma mulher pode exercer e sabe qual é a maior recompensa de tudo isso?!! Olha bem a foto dos seus filhos, lá no fundo dos olhinhos deles.

  15. Você é MARAVILHOSA, Mi!
    Além de estar precisando muito ler tudo isso… Achei mais essa feliz coincidência entre nós duas, eu também idealizei e quis ser tanta coisa… [e eu pai, sempre diz: quis ser tanta coisa e termimou não sendo nada ?]. Dói na alma!
    Mas tenho a certeza que estou desenvolvendo o meu melhor papel: o de ser mãe. A estrada é longa, estou apenas no começo, mas é por essa função que quero ser reconhecida, respeitada e amada por toda minha vida.
    Belíssimo relato, mais uma vez! Parabéns!

  16. Michelle adoro seu blog, já lhe disse isso e me identifico com muitas coisas que vc faz e diz…
    Perfeito o texto escrito!
    Não sou esta mãe 100% presente, mesmo porque eu trabalho, mas não condeno às mães que optaram em ficar com seus filhos,abdicaram de uma carreira em prol da prole. Acho lindo isso! Acho lindo tb às mães que tb saem para trabalhar e tb não as condeno, porque no fundo, ambas as mães buscam o que há de melhor para seus filhos.
    Eu tenho um trabalho privilegiado, trabalho somente na parte da manhã e isso me faz muito bem, prq ser mãe em tempo integral não é fácil, assim como, trabalhar em tempo integral tb não é…
    Por isso hj, me divido com certa facilidade, de manhã ocupo a mente com as coisas do trabalho e a tarde/noite sou mamãe… na minha opinião acho que tds as mamães deveria trabalhar, ao menos meio período, faz bem pra alma, ego, distrai… mas, entendo as que abdicaram de tudo isso, seja p abrir mão do trabalho ou dos filhos.
    Trabalhar meio periodo me fornece uma renda, não uma excelente renda como se eu trabalhasse o dia todo, mas já fico feliz e aprendi a trabalhar com o que tenho.
    Adoro fzer as festas, as papelarias e as comidinhas, adoro fotografar, e gosto de tudo com muito capricho e criatividade, sou 100% adepta ao DIY e tenho um certo tempo para tudo isso, sou advogada e não exerço, pois sou educadora, mas pretendo após o segundo filho, focar nos estudos para um concurso público, prq qnd estiverem maiores dependerão menos de mim e talvez seja o momento de eu voltar a pensar em mim.
    Por enquanto… sou mamãe 75% do meu dia/noite… e sou feliz assim.
    Amei seu post, parabéns! Muito bem escrito.

  17. Então, vc me definiu nesse texto!! Sou ‘apenas’ mãe, é tem dias que dói ouvir e ser cobrada disso por terceiros. Comecei 2 faculdades, não terminei nenhuma, tem dias q me sinto péssima por isso é outros….Não!!! Não poderia ter escolhido outra vida para mim, eu não era NADA chegada às crianças e muito menos elas à mim,mas meu pequeno leãozinho me ensibou e ensina todos os dias como ele é maravilhoso.

  18. Meu pai…nunca escrevo em lugar nenhum, não comentando nada. Até nem andava mais por blogs.
    Fui pesquisar sobre quantas fraldas comprar (estou a espera da minha segunda filha) e achei teu blog. Gostei tanto do post que fui ver o que mais tinha por aqui.
    Li esse post e chorei, chorei muito. Incrível como a tua historia é quase e praticamente a minha, parecia eu escrevendo. Nossa!
    Obrigada por escrever e compartilhar esse texto lindo. É tudo que ando sentindo e é tão maravilhoso. Tão libertador assumir a maternidade sem culpas, numa sociedade que exige tanto de nós mulheres. Exige tudo…perfeito…e ao mesmo tempo!

    Obrigada!

  19. Uau, me identifiquei muito com seu texto, comexcessao que eu sempre quis mudar o mundo. Estou experimentando a surpresa da maternidade e, para mim que nunca imaginou isto, tem sido este mesmo desafio. Que lindo vc nos faz pensar na maternidade como uma definicao, uma identificacao na sociedade. Amei seus textos.

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