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Primeiras palavras sobre a retirada das fraldas

Este é um assunto que merece especial atenção, tanto dos pais quanto dos professores. Podemos dizer que é um ritual de passagem e como tal é um procedimento que não deve ser imposto à criança, pois pode gerar ansiedade e insegurança e até mesmo traumas que serão difíceis de superar.

Interferir negativamente no momento em que ela mais precisa se sentir segura para enfrentar tão significativa mudança que é viver sem as fraldas, além de trazer danos, retarda o processo.

Esta tarefa deverá ser assumida de comum acordo entre pais e professores (se for o caso) para obter melhores resultados, em menor tempo. Isto depende de um trabalho conjunto, que respeite os mesmos procedimentos, que deverão ser respeitados tanto na escola quanto em casa.

A criança deverá ser preparada para enfrentar esta importante mudança como algo bom, positivo e interessante, nunca como algo difícil e obrigatório.

Esta é uma mudança significativa na vida da criança, pois desde o nascimento ela elimina o xixi e o cocô nas fraldas e a sensação que sente ao realizar esse ato sem elas é muito diferente daquela que sentia antes, além do que, requer aparatos que antes não eram necessários como: um local determinado, um vaso sanitário ou um peniquinho onde deverá se sentar e ali ficar por algum tempo, e também não poderá mais fazer isso em qualquer lugar e em qualquer momento, como estava acostumada.

Esta passagem só poderá acontecer quando se constatar que o esfincteres já podem ser controlados, ou seja, quando as estruturas musculares que regulam a retenção e eliminação das fezes e urina já estejam prontas. Isto ocorre por volta dos dois anos (em média), quando a criança já anda e fala. Momento este em que deverá entender a linguagem dos adultos e saber manifestar seus desejos, responder comandos, reconhecer o sim e o não e manifestar certa consciência corporal.

Como saberemos se ela está pronta para iniciar essa tarefa tão importante?

Primeiramente ela deverá avisar que o xixi ou o cocô saiu e nunca que vai sair, pois ainda não tem a percepção e nem a consciência corporal para isso. O fato de avisar já é um sintoma de que tem consciência da atuação dos esfincteres, percepção essa que antes não tinha.

O período preparatório é muito importante, é conveniente motivá-la a livrar-se das fraldas, comprando roupinhas que antes não existiam em seu armário, como calcinhas ou cuequinhas e comprando um peniquinho, que ficará ao seu dispor no banheiro, nunca em outro lugar. A opção do uso do piniquinho é a mais recomendável. O uso do redutor não oferece segurança, visto que, os pés ficam dependurados não deixando a criança relaxar e assim eliminar mais rápido o xixi e o cocô.

Imagine como a criança deve se sentir, sentada sobre um buraco enorme, cheio de água que é engolida com um movimento giratório, junto com um barulho enorme quando se aperta um botão? Esse momento deverá significar para a criança uma vitória, nunca um sacrifício. Ela deverá sentir-se confortável.

Outro ponto importante é ficar atenta ao que acontece após a retirada das fraldas, aí começa a verdadeira maratona. Haja paciência e bom senso para enfrentá-la.

É normal a criança ficar sentada por muito tempo e o xixi não sair, então se levanta e logo em seguida molha as roupas e o chão. É natural, saiu de lá, relaxou, soltou.

O que fazer nesse momento: Perguntar-lhe porque fez tal coisa?  Ralhar e cobrar uma ação correta? Exigir dela um domínio que ela ainda não tem? Cobrar dela um conhecimento ainda não adquirido? Perguntar-lhe porque fez tal coisa se sabe onde deve fazer? Enfim, uma série de advertências que só sevirão para retardar o processo.

Nesse momento, acolha a criança convidando-a a participar da limpeza, pedindo sua ajuda. Essa é uma boa medida, além de ser uma atitude educativa é uma atitude de respeito à criança. Ela jamais deverá associar um ato de alívio e prazer que é a eliminação de excrementos a uma represália, isto pode gerar traumas irreparáveis.

Convide a criança a ir ao banheiro com frequência motivando-a para isso. Não pergunte se ela quer fazer xixi, pois sempre dirá que não, para não interromper suas brincadeiras.

Ao iniciar esse processo, faça a escolha de retirar as fraldas só durante o dia. Para ajudá-la nessa empreitada, retire as fraldas da noite em outra etapa.

Só retire as fraldas durante a noite, quando a criança amanhecer com elas sequinhas por dias seguidos. Durante o sono, a consciência corporal é que vai regular o mecanismo dos esfincteres. Evite dar líquidos antes de dormir e evitará que a criança molhe a cama nesse período de desfralde.

Uma vez retirada as fraldas, jamais volte atrás, recolocando-as para evitar constrangimento ao sair de casa. A decisão tomada deverá ser definitiva. Saia de casa previnida com uma sacola de roupas, calçados e meias etc…  Voltar atrás nessa decisão deixa a criança confusa e retarda o processo. É preciso uma boa dose de paciência e muita perseverança.

Vale lembrar que nesses primeiros momentos da retirada das fraldas, mesmo os meninos devem fazer xixi sentados, lembrem-se os pais que seu filho é apenas uma criança e isto não compromete sua masculinidade. Só mais tarde os meninos conseguirão fazer isso com segurança sem molhar a superfície ao seu redor.

A duração da maratona varia de criança para criança, mas depende muito da certeza do processo e da eficácia de sua aplicação. A intenção convicta, as informações claras e a ação correta, garantem esta eficácia. Para que se efetive completamente os novos hábitos faz-se necessário aproximadamente seis meses.

Agora, mãos à obra, muita coragem e sabedoria para realizar esta árdua tarefa.  Afinal, educar é um ato de amor.

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10 comments

  1. Excelente!
    Me disseram q eu deveria começar o desfralde da minha filha com 1 ano e meio (já q é um processo lento) eu fiquei bem apreensiva e com muitas dúvidas se eu iria conseguir tirar um bebê tão pequeno das fraldas…
    Esse texto me esclareceu bastante…

    Agradeço ao Vida Materna <3

  2. As minhas meninas estão com 2 anos e desde 1 ano e 8 meses mais ou menos elas convivem com o penico no banheiro. Como ele é cheio de “frescurites” (colorido, toca música, etc) elas encaram como brincadeira. Eu explico que é para fazer xixi e cocô e elas sempre pedem para fazer xixi e cocô só para sentar nele. Antes do banho, quando já estão sem roupa eu falo para elas sentarem para fazer xixi, ficam alguns segundos e vão para o chuveiro sem fazer nada e as vezes fazem xixi dentro do box. Sei que é um processo demorado e que vou ter que ter muita paciência, ainda mais por serem duas, mas pelo menos elas já estão se familiarizando com o peniquinho.

  3. Eu tenho uma dúvida… Minha filha tem 2 anos e 5 meses e não quer tirar a fralda. Tenho um bebê de 3 meses e acho que isso está influenciando na “decisão” dela… Quando devo iniciar o desfralde? Tenho que esperar a voltade dela? Ela se recusa a sentar no penico e na privada, mas está pronta, pois sempre pede pra gente trocar a fralda dela quando ela fez xixi ou cocô… Não sei o que fazer…

    1. Oi Mary!

      Segue a resposta da Maria de Lourdes :)

      Ensinar a criança viver sem as fraldas é um processo que exige dos pais muito tempo e dedicação. Se nesse momento tão importante para ela, tiver que compartilhar a atenção dos pais com um irmãozinho ou irmãzinha bebê, é compreensível que se sinta insegura e esse processo seja prejudicado.

      A retirada das fraldas é um ritual de passagem que mexe com o emocional da criança, pois ela deixa de ser bebê para ser uma criança. Deixar de ser bebê significa: “não receber a atenção que espera receber, já que o bebê recebe muitos cuidados e consequentemente muita atenção.” Então, continuar sendo bebê é conveniente, e permanecer com as fraldas lhe garante a condição de bebê.

      Os pais são responsáveis por isso, enquanto usam fraldas são vistas como bebês, sem elas são cobrados a ter maior responsabilidade, e até irem ao banheiro sozinhas.

      Então a retirada das fraldas está mais ligada ao emocional do que a dificuldade em aceitar a formação de novos hábitos.

      È bom que a criança esteja aberta a aprender, e conveniente aproveitar o momento em que ela estiver mais receptiva por estar emocionalmente mais segura para iniciar o processo de retirada das fraldas.

      Se ela pede para retirar a fralda após a eliminação dos excrementos, é para se livrar do incômodo, mas quer continuar com ela depois disso, para se manter como bebê.

      Por conta desses sentimentos, a criança pode manifestar resistência em deixar as fraldas, e usar o banheiro exige dela maior autonomia e menor presença da mãe. Então é aconselhável respeitar e entender seus sentimentos e suas emoções nesse momento. Este processo deve ser adiado, e enquanto isso é aconselhável redobrar a atenção, o carinho, a paciência, a dedicação, assim como, fazer uso de boas estratégias como:

      – Motivar sua criança a usar o penico recolocando a fralda logo após.

      – Deixar a criança exercitar sua autonomia ( fazer coisas sem ajuda), por iniciativa dela, sem forçar.

      – Incentivar a realizar ações mais complexas e elogiar sempre que conseguir realizá-las.

      – Fazer uso de brincadeiras usando a linguagem simbólica e de “faz de conta”. Esta é a fase em que o interesse por estas brincadeiras é crescente.

      – Ajude sua criança a se sentir mais segura, mais unida emocionalmente aos pais, mostrando-lhe que compreendem o que ela sente e pensa.

      No entanto, é importante saber em que contexto familiar isto ocorre, para melhor poder avaliar e orientar os pais com base em dados mais concretos.

      Quanto mais aprendo sobre a criança, mais acredito que o cérebro infantil é naturalmente programado para procurar segurança e amor, conhecimento e compreensão.

      Maria de Lourdes Barduco

  4. Tenho uma filha de 1 ano e sete meses e o blog me deu um empurrão pra comprar um piniquinho, há muito que ela avisa que vai fazer cocô, agacha e faz.
    Não quer sentar no piniquinho, senta rápido e já quer levantar. Vou seguir as dicas e tentar um desfralde até os dois anos.

  5. Ai ai, tô com um medo danado do desfralde… a Nati parece pronta faz tempo, mas fico esperando o momento certo de começar. Acho que falta mais iniciativa minha do que dela… Tô tomando coragem, acho que este texto era tudo o que eu precisava ler :)

  6. Adorei este texto. Minha filha está com 2 anos e 2 meses e sozinha resolveu largar as fraldas. Começou a pedir para ir ao banheiro e já faz quase 1 mês que ela não usa fraldas. Sempre fui a favor de fazer as coisas com calma e no seu tempo.

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