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O segundo filho

A primeira gestação e o primeiro filho, vêm acompanhados de grandes expectativas. Expectativas enormes, eu diria.

No segundo, os sentimentos e pontos de vista mudam um pouco e as expectativas tornam-se menores, mais realistas.

Menores expectativas, por sua vez, refletem diretamente em algo muito importante, especialmente para as mães: as frustrações. Você espera menos, você se frustra menos.

Partindo daí, podemos entender por que todos dizem que o segundo filho é mais fácil. Porque é mesmo. Pelo menos, assim tem sido comigo e o meu segundo filho.

Um resumo dessa minha segunda viagem como mãe, seria assim:

O segundo filho chega chegando, trazendo com ele aquele mesmo caos do início, que já enfrentamos lá na primeira viagem. Mas é um caos diferente, é um caos dominável, flexível, mais bonzinho.

O segundo filho é mais leve, mais doce, mais fácil de ler, de decifrar, tem menos mistérios e ainda assim é um ser encantador e cheio de desafios.

O segundo filho é mais paciente, pode esperar um pouquinho, pode ficar com a fralda sem trocar por mais tempo, pode sair pra passear antes do resguardo acabar e não precisa de uma ligação para o pediatra a cada coriza que aparece.

O segundo filho não desespera nem faz todos entrarem em pânico quando chora, porque está apenas se comunicando, apenas tentando demonstrar o que sente. E se ele tiver que chorar um pouquinho para que você possa fazer um xixi ou terminar aquele gole de café, tudo bem. Na segunda viagem, a gente sabe que chorar um pouquinho não tira pedaço de ninguém.

O segundo filho é mais econômico, tem menos roupas e tranqueiras compradas e um pouco (ou muito!) do enxoval herdado do primeiro, não importando se este usava azul ou rosa. Porque na hora do aperto, não faz diferença a cor da fraldinha de boca ou da mantinha.

O segundo filho é mais tranquilo, mesmo quando chora aos berros de cólica ou regurgita mais da metade do que mamou na sua blusa, bem na hora de sair. Porque tem pais que sabem que isso acontece e vai acontecer por muitas e muitas vezes ainda.

O segundo filho tem seu padrão de sono melhor aceito e compreendido, porque tem pais que sabem que nem tudo que leram nos livros da encantadora de bebês dará certo e também, que as noites insones não irão perdurar para sempre.

O segundo filho é sustentável, herda os brinquedos do irmão ou irmã e com isso economiza-se um bom dinheiro e garante-se uma onda de reciclagem do bem.

O segundo filho é forte, não tem perigo de quebrar nem escorrega fácil no banho. Dorme com gente falando em volta porque, afinal, é impossível fazer o irmão maior ficar em silêncio.

O segundo filho geralmente é mais calmo, mas ainda assim dá seus pitis e tem pais que ficam putos e exaustos às vezes (ou muitas vezes).

O segundo filho é meio escola porque te dá a oportunidade de corrigir os erros de antes e cometer novos erros, dando assim continuidade ao aprendizado como pai e mãe, como ser humano.

O segundo filho é mais alegre, mais livre para ser ele mesmo porque não tem que ser um bebê perfeito, mas apenas um bebê.

O segundo filho é mais desencanado, porque tem pais que, mesmo cuidando da sua saúde e segurança, são menos neuróticos com a sujeira, as bactérias, os cantos e as quinas. Sabem que cair faz parte do aprenzidado da vida e que uma hora ou outra eles serão lambidos ou beijados pelo irmão mais velho que já frequenta a escolinha, lugar cativo das viroses.

O segundo filho tem suas fases respeitadas e pais que esperam sem pressa ou ansiedade que ele se sente, tenha dentes, engatinhe, ande e fale. Porque sabem que cada bebê tem um ritmo diferente.

O segundo filho é menos filmado e fotografado, é verdade. Mas é mais visto, percebido e tão ou mais comemorado que o primeiro, em cada uma das suas conquistas.

O segundo filho já vem com habilidades circenses porque tem pais malabaristas, que se tornaram peritos em ser multitarefas e usar não somente as mãos, mas também a boca e os pés para carregar ou amparar coisas.

O segundo filho, mesmo com uma atenção que nunca foi só dele, é mais beijado, abraçado e cafungado. Porque tem pais que sabem que num piscar de olhos ele já estará indo para a faculdade e que esse papo de que colo mima e estraga a criança é balela.

O segundo filho é matemático e te ensina de novo todas as equações que você aprendeu lá no primário, principalmente a soma e a divisão. Aprende-se a amar mais, a amar melhor e a dividir esse amor.

O segundo filho traz menos culpa, porque tem pais que sabem que nem tudo sai como o planejado mas que tentam fazer o seu melhor. E acima de tudo, que têm consciência de que não precisam se anular como indivíduos para serem bons pais.

O segundo filho é tudo, menos previsível, te surpreende, te faz rever seus conceitos e, a cada instante, te mostra que você ainda tem muito, muito a aprender.

A segunda viagem é linda, enriquecedora e não deixa de ser difícil. Porém, durante as turbulências, você já sabe onde caem as máscaras de oxigênio, já sabe onde se agarrar e para onde correr. O ar pode até faltar por alguns momentos, mas no final, você sabe que ficará tudo bem. Mesmo que seja de um jeito diferente daquele que você imaginou, lá no começo.

Esse é um resumo – bem humorado – da minha segunda viagem como mãe, que não seria possível sem a primeira.

É uma vida louca, mas cheia de amor.

leo_hands_blog vida materna

comentários via facebook

41 comments

  1. Que maravilhoso o depoimento amei.Michelle você acha que a diferença de idade entre a Mel e o Léo foi a ideal, ou você esperaria mais. Pois tenha uma menina de 2 anos e estou na dúvida se aguardo mais um pouquinho ou se já está na hora de arrumar o segundo filho. Abraços.

    1. Oi Danielly!

      Eu acho que na verdade não existe momento certo, sabe? Eu sempre acreditei que depois de 2 anos e meio seria o ideal, mas hoje vejo que cem por cento preparada a gente nunca está. Claro que quanto mais independente a criança estiver, melhor. E digo independência de fralda, de chupeta, de comer a maioria das coisas sozinha já.

      Pense bastante a respeito, mas decida seguindo o seu coração :)

      Bjo grande

  2. OI Michelle,
    estou torcendo rrezando e me inspirando em vocês que estão sendo segunda vez mãe, eu estou grávida também, e com certeza me sinto bem mais preparada pra ser mãe novamente, com relação as tranqueiras, com toda certeza será bem mais econõmico na segunda vez … kkkk
    no primeiro agente simplesmente se deslumbra e quer tudo na hora … muioto maluco isso.
    Adorei o depoimento, vc é praticamente uma poeta, ficou lindo !
    grande beijo!

    qem quiser dá um pulo nno meu blog, muitas coisas legais tmb.

    http://www.lazymind2u.blogspot.com.br

  3. Amei! Eu não estou no segundo filho… Mas sou tia de coração e de sangue de muitos… Então foi suave… Se o segundo for mais suave ainda… Eu vou querer um terceiro e um quarto. Kkk

  4. Fiquei pensando como será aqui, pq com o primeiro já sou tão desencanada com quedas, sujeira, bactérias, comida e tal… E foi tudo tão tranquilo tbm, pq Heitor não teve cólicas e era um bebê nota dez! Eu só tive dificuldade para amamentar e em aceitar que as noites de sono não eram mais as mesmas. E daqui um mês, mais ou menos, essas noites de sono irão por água abaixo novamente…

  5. Arrasou mais uma vez Michelle !!!
    Eu também criei menos ou quase nenhuma expectativa qndo engravidei pela segunda vez… agente fica mais relaxada, menos ansiosa com o que está por vir,não é?
    beijos pra vc !!

  6. Não sei porque, mais fiquei com olhos cheio de lágrimas lendo esse texto, rs. Tenho um bebê de 6 meses, e não vejo a hora de poder dar um irmãozinho (a) pra ele, porém, como 1 só não é fácil, imagine 2 … fazer o que, minha vocação é ser mãe, e uma mãe nova… 23 anos de amor, dedicação, carinho e afeto ao meu pequeno grande homem…

  7. ADOREI! Estou de 35 semanas e me sinto tão cansada mas tão cansada que fico pensando que não tenho coragem de ter outro filho, mas lendo assim uma outra visão de tudo, dá um ânimo verdadeiro para encomendar um maninho rsrs
    Obrigada!

  8. Que lindo! Amo seu jeito de escrever! Ainda estou na primeira viagem, mas planejando a segunda e sei que muitas coisas vão ser diferentes iu pelo menos vou tentar. Hehe

  9. Que lindo Michelle. Tenho um filho, e vivo me perguntando, se seria capaz de amar outro filho do mesmo jeito. Mas depois de ler seu texto, me lembrei do velho ditado: “coração de mãe sempre cabe mais um”.

  10. Como ler o seu texto e não rir, suspirar e se emocionar?! Eu estou me preparando para a segunda experiência materna e o texto foi perfeito!
    Não vejo a hora de começar tudo de novo … rsrsr

  11. Michelle,
    Adorei o texto, e amei principalmente a parte em que vc descreve o caos como “mais bonzinho”. O que eu mais gosto em vc é a sinceridade, vc tem um senso de espírito muito peculiar.
    O Gustavo acabou de completar 1 ano e eu estou louca de saudades de um bebê RN. E cheia de dúvidas sobre o quanto esperar para encomendar um segundinho.
    Bjs!

  12. Oi Michelle adoro seu blog,e essa sua postagem me deu mais ou menos uma luz pois ando pensando em ter um segundo filho, mais morro de medo só de pensar em começar tudo de novo, os medos, as angustias, e fico pensando será que vou ter tempo pro meu primeiro filho(João)e agora com esse post fiquei meio que mais confiante de saber que pode ser diferente,o meu João tem 3 anos e é muito grudado em mim será que ele não vai ficar com raiva se eu tiver outro bebe ,ai ainda tenho muitas duvidas até mesmo em relação a idade certa pra dar um irmãozinho pro meu bebe…..
    Beijos!!!!!

    1. Keila, tenha agora! Não diferença melhor de idade do que três anos entre um e outro.
      quando passa disso começa a complicar.
      e antes disso tb não é mole né.

    2. Oi Keila!

      Vou responder o mesmo que disse pra Danielly, ali em cima!

      Eu acho que na verdade não existe momento certo, sabe? Eu sempre acreditei que depois de 2 anos e meio seria o ideal, mas hoje vejo que cem por cento preparada a gente nunca está (nem estará!). Claro que quanto mais independente a criança estiver, melhor. E digo independência de fralda, de chupeta, de comer a maioria das coisas sozinha já.

      Pense bastante a respeito, mas decida seguindo o seu coração :)

      Bjão

  13. Realmente o segundo filho é mais tranqüilo. Só a ciumeira entre as duas é que pega… Tenho duas meninas, uma de cinco e uma de dois. Acho que meninas são mais competitivas. Beijos!

  14. Oi Michele,
    vou fazer o exame de sangue hoje para confirmar minha segunda gestação e seu texto foi um bálsamo pro meu coração.
    Tenho muita vontade de ser mãe de novo, muita vontade de dar ao meu filho o incrível presente de ter um amigo pra vida toda, um irmãozinho.
    Desejo me solidificar como família.
    Tenho muitos medos, receio pelo casamento, as vezes acho que não temos o preparo necessário, mas com o primeiro também não tinhamos e aqui estamos nós.
    Acho que na verdade, nunca estamos preparados para nada, Deus vai nos remodelando a medida das provas que vamos passando.
    Hoje com meu filho com 4 anos, vejo a grande capacidade de amar e me doar que adquiri desde que ele nasceu, e o melhor, isso não me traz frustração , só alegria.
    Obrigada!
    Paz e muito amor.
    Bjsss

  15. Bom, seu texto realmente me emocionou. Tenho um rapaz de 2 anos e meio, e estou louca para ter o segundo, mas como o texto diz, agora é tudo com mais calma… Só de pensar em ter outro meu coração ja fica enorme .. Achei incrível o jeito como vc se expressou sobre suas viagens !! Muito bom seu texto, parabéns

  16. Parabéns michelli pelo texto

    Tenho uma filha de 14 anos mais só agora
    Me decidi ter um segundo filho
    Estou aguardando acontecer
    Esperei muito mais achei melhor
    Mais estabilidade mais calma e confiança
    Só agora todos querem e era isso que faltava e o melhor ela pode me ajudar,
    Sem brigas sem competições de atenção

    Beijos?

  17. Michelle, amei seu blog.
    Este texto princialmente.
    Tenho muito medo de ter um segundo filho (que, na realidade, seria o 3º pois o meu primeiro é falecido)
    Mas tenho medo de ter duas crianças ao mesmo tempo, num mundo onde não quase não vemos uma rede de solidariedade. Não tenho mais minha mãe. Ela seria um grande suporte, no puerpério. Então sozinha, vou viver tudo de ruim do primeiro, mais o agravante de ter outras criança ao lado.
    Espero que a minha coragem venha. E que não demore. Pois, por enquanto, não consigo decidir.
    Obrigada por incentivar e encorajar mães, como eu, que tem a maternidade na alma, mas não possui condições fisicas, ´para exercer esta divina missão.

  18. Lindo texto! !
    Estou grávida de 16 semanas do segundo filho,e realmente, estou menos ansiosa, menos apreensiva,já até me questionei sobre isso achando se era normal ou não!
    Depois de ler seu texto fiquei mais tranquila.
    Minha filha tem 4 anos,e acho uma diferença de idade muito boa!
    Só estou preocupada com a reação dela depois que o bebê nascer, dizem que ela pode voltar fazer xixi na roupa,será?

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