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O Renascimento do Parto: um filme para ver, rever, sentir e pensar.

escolha

O assunto “nascimento” sempre mexeu muito comigo. Sempre me despertou interesse, curiosidade, admiração. Parir, ter um parto normal, sempre foi algo muito instintivo pra mim, um desejo quase que inconsciente.

Melanie nasceu de parto normal, porém, um parto com algumas intervenções, seguindo o “protocolo” que nos vem sendo imposto há bastante tempo no modelo de parto hospitalar.

Hoje, munida de informações que antes não tinha, gostaria que o nascimento dela tivesse sido diferente em alguns aspectos. Lutaria para que fosse diferente em alguns aspectos.

Ontem tive a oportunidade de assistir a pré estréia do Renascimento do Parto, aqui em Curitiba, no Espaço Itaú de Cinema. E ainda tive a honra de conhecer pessoalmente produtora e diretor do filme, Erica de Paula e Eduardo Chauvet.

Meu primeiro contato com o filme foi há pouco tempo atrás, assistindo ao vídeo promocional que na verdade existia desde 2011. Eu nem saberia dizer quantas vezes o assisti e nem por quantas vezes chorei. Demorei para chegar até ele, verdade. Mas quando cheguei, foi devastador. Um misto de sentimentos e uma vontade enorme de ver mais daquilo tudo.

Pouco tempo se passou e com a ajuda de milhares de pessoas através de um financiamento coletivo, o documentário chegou às telas. Finalmente.

Já nos primeiros minutos do filme, as lágrimas vieram a tona. Eu já sabia. Era impossível assistir e sair imune. Durante os noventa minutos de exibição, senti um pouco de tudo. Choque, indignação, tristeza, alegria e esperança.

O filme mostra a triste – e por que não, vergonhosa – realidade obstétrica brasileira atual, o parto normal, a cesariana, as intervenções a que gestantes e bebês são submetidos e os diversos traumas que ocorrem por conta dessas intervenções. E por fim, o parto humanizado. A alegria e o amor que existem em nascer e a forma como estamos deixando de vivenciar tudo isso. As oportunidades que estamos perdendo.

O obstetra Ricardo Jones fala algo muito interessante sobre como o nascimento mistura vida, morte e sexualidade. E justamente por ser tão natural e puramente fisiológico, precisou ser ritualizado pelos médicos, a fim de terem o controle sobre um ato em que o controle, na verdade, deveria ser apenas da mulher. Da mulher, que teve seu corpo arquitetado para isso, da mulher que é sim capaz de parir por si mesma. Fomos feitas para isso.

Me emociona muito ver o depoimento daquelas mulheres que desejavam um parto normal e acabaram numa cesariana desnecessária, indicada com base nos artifícios e mitos que hoje sustentam o sistema. Aí a importância de se informar, de buscar informação de qualidade, com respaldo.

Em relação aos bebês, em todas as vezes que assisti ao promocional, uma frase, dita pelo pediatra Ricardo Chaves, sempre me levou às lágrimas. Sempre.

“Nós combinamos com o bebê que ele vai nascer sexta-feira às quatro da tarde? E se combinamos, ele respondeu pra gente que ele tem condições de nascer? Essa combinação é impossível de haver. Essa combinação não existe.”

Logo, eu já sabia que assistir aos trechos de cesarianas e aos procedimentos de rotina pelos quais os bebês nascidos em ambiente hospitalar passam, seria uma das partes mais difíceis pra mim. E realmente foi. Um nó na garganta que até agora não se desfez. Doeu lá no fundo da alma por pensar que minha filha passou por alguns deles e em pensar em como ela passou por isso, sozinha, minutos depois de nascer. E também, que tantos, tantos outros bebês já passaram e ainda passam.

Os depoimentos, as entrevistas, as imagens, tudo que é mostrado veio para nos alertar que algo está errado, que algo se perdeu. E que precisamos e podemos mudar esse cenário. Antes que seja tarde demais.

O Renascimento do Parto é um filme para ver, rever, sentir e pensar. É um filme para ser visto por todos. É um filme que eu gostaria de levar pela mão cada uma das minhas amigas, grávidas ou não, meus amigos, meu pai, minha mãe, todos. Porque todos nascemos.

Dentro de tudo que é tratado no longa, a mensagem mais importante pra mim é de que todas as mulheres podem e devem escolher como seus filhos irão nascer. Essa escolha deve existir. Mas ela deve ser baseada em evidências científicas reais, deve ser baseada em informação de verdade e não somente nas historinhas que os obstetras contam em seus consultórios.

A escolha tem que ser consciente. Porque o parto é seu, é meu, é nosso. De mais ninguém.

O filme “O Renascimento do Parto” retrata a grave realidade obstétrica mundial e sobretudo brasileira, que se caracteriza por um número alarmante de cesarianas ou de partos com intervenções traumáticas e desnecessárias, em contraponto com o que é sabido e recomendado hoje pela ciência. Tal situação apresenta sérias conseqüências perinatais, psicológicas, sociais, antropológicas e financeiras. Através dos relatos de alguns dos maiores especialistas na área e das mais recentes descobertas científicas, questiona-se o modelo obstétrico atual, promove-se uma reflexão acerca do novo paradigma do século XXI e sobre o futuro de uma civilização nascida sem os chamados “hormônios do amor”, liberados apenas em condições específicas de trabalho de parto. 



Com a participação especial do cientista francês Michel Odent, da antropóloga norte-americana Robbie Davis-Floyd, da parteira mexicana Naoli Vinaver, do ator e diretor de cinema Márcio Garcia e sua esposa, a nutricionista Andréa Santa Rosa. O filme também conta com a participação de muitas mães e diversos especialistas brasileiros, como Ana Cristina Duarte, Melânia Amorim, Ricardo Jones, Heloísa Lessa, Ricardo Chaves, Fernanda Macêdo, Daphne Rattner, Laura Uplinger, Esther Vilela, entre outros.

cartaz

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Veja o trailer: orenascimentodoparto.com.br/#/trailer

Vá ao cinema: onde ver?

Na pré-estréia, com os queridos Eduardo Chauvet e Erica de Paula
Na pré-estréia, com os queridos Eduardo Chauvet e Erica de Paula – marido, eu e minha pancinha do sétimo mês :)

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17 comments

  1. Quero muito ver, mas ainda não vi nada para a minha cidade… Heitor tbm nasceu de parto normal hospitalar e eu acho que foi tudo ótimo, mesmo com as intervenções. Eu não aguentaria até o fim sem a analgesia… Tbm acredito que o parto é nosso e devemos ter o direito de escolher. Graças à Deus eu encontrei uma obstetra que ainda acredita no parto normal e topa fazê-lo quando o bebê decide quando quer nascer. Temos muito o que evoluir ainda neste quesito!

    1. Ah, esqueci de falar! O problema são as intervenções desnecessárias, as não consentidas pelas mulheres, sabe? Ou melhor, elas nem são consultadas antes, os médicos simplesmente agem, sem consentimento. Esse é o absurdo, essa é a violência.

      Se sua obstetra chega pra você, te dá as explicações necessárias, te consulta antes se você quer fazer algo ou não, aí sim, é a sua escolha. ;-)

  2. Ola michelle, queria te contar que minha bebezinha laurinha nasceu a uma semana de parto normal hospitalar como eu tanto queria. Estou muito realizada e até agora ainda estou em extase pelo acontecido, me preparei muito. Houve intervencoes sim, mas ela veio quando desejou e é um bebe forte q esta mamando muito. Bjos e vc foi fonte de inspiracao.

  3. Olá Michele, gostei muito do seu Post, ou melhor, do convite chamando as futuras mamaes a pensarem, refletirem sobre a forma que elas querem ter os seus bebês. Realmente é vergonhoso saber que mais de 80% dos bebês no Brasil nascem por parto cesariana. Tive minha filha aqui na Alemanha, de parto natural/normal. A maioria dos bebês aqui nascem de parto natural, isso aqui é rotina. A porcentagem de criancas que nascem por cesariana aqui na Alemanha nao chega aos 30%. Acho que as futuras mames deveriam se informar mais sobre o assunto e pensarem acima de tudo no melhor para o bebê. Ouco comentarios como: “quero ter minha filha no Eistein”… “A minha vai nascer no Sao Luiz”…”Claro que cesariana, nao quero ter dor”…Entao me pergunto se elas nao estao se importanto mais com status do que com o que seria o melhor para o bebê?!Um grande abraco e parabéns por vc ser a pessoa que é, por este Blog lindo e pela sua família linda!

    1. Oi Carina,

      Eu acho muito triste o fato das escolhas pela cesariana baseadas em informações equivocadas e nas cesarianas feitas por razões não-médicas para mães que queriam o PN. Como você disse, na maioria dos países o comum é o PN, ao contrário do Brasil.

      Espero que estejamos no caminho para uma mudança e o principal, para uma conscientização das mulheres, principalmente, e médicos.

      Obrigada pelo carinho! :)

      Bjo

  4. Oi Michelle,

    Estou com vinte e cinco semanas de gestação da minha primeira filha e também sou de “Chuvitiba”! =P
    Depois que li esse post, arrastei o maridão para o cinema. Então, saímos do cinema com alguns questionamentos que precisamos resolver.
    Apesar de já estar disposta a ter PN, decidimos que tenho que reavaliar se a minha obstetra está realmente disposta a isto também. Já a questionei sobre essa possibilidade e ela disse que isso se resolve na hora do parto. Esta resposta me deixou insatisfeita, mas acabei pensando que ela estava certa. Vejo que até certo ponto ela pode estar certa sim porque algumas decisões tem que ser tomadas na hora mesmo, mas as preferências da mãe devem ser respeitadas sempre que possível. A angustia que tenho é de como irei saber de antemão se serei realmente respeitada e não enganada, com desculpas convenientes ao obstetra. Mesmo procurando um médico que me deixe mais segura quanto a isso, só na hora descobrirei se terei minhas preferências respeitada ou não.

    Vou pesquisar mais informações sobre partos na água e em casa aqui em Curitiba. Esta seria a minha escolha de coração, mas tenho alguns receios e medos que, como mãe de primeira viagem, não me sinto segura ainda.

    Obrigada por seus sempre lindos e instrutivos posts!

  5. Eu tive duas cesáreas, apesar de ter querido muito o parto normal da primeira vez. No meu blog, se voce gostar e quiser divulgar, eu conto como este filme me emocionou, por me mostrar que eu podia ter tomado decisões melhores. Queria ter visto 7 anos e 9 meses atrás…

  6. Assisti ao filme e assim como tu, chorei do começo ao fim. E lendo agora o que escreveste, às lágrimas rolaram de novo. É inevitável. É um assunto que me toca fundo. Meu primeiro filho nasceu de cesárea, com 36 semanas, Eu estava com pouco líquido amniotico, e disseram que era melhor ja fazer a cirurgia. Fique arrasada. Queria muito passar pela experiencia de ter o meu filho da forma mais natural possível. Mas como disseram que seria o melhor pata o meu filho… Agora estou grávida de novo, de 19 semanas. E estou pedindo a Deus para que tudo dê certo, e que dessa vez eu consiga. Pelo meu filho e por mim. :)

  7. Michelle, primeiro parabéns pela divulgação deste filme, que é simplesmente fantástico.

    Estou grávida de 27 semanas da minha segunda filha e minha história é bem parecida com a sua. Sempre sonhei com parto normal, na verdade acho que nunca cogitei em fazer uma cesárea. Meu primeiro parto foi normal, me preparei para ele com exercícios, respirações, etc., e minha filha nasceu super saudável e linda (hoje ela tem 2 anos e 9 meses), mas, como o seu parto, ele ocorreu com algumas “intervenções protocolares”, que hoje vejo que provavelmente não seriam necessárias. Então, desde antes desta segunda gestação resolvi que seria diferente, eu iria me informar melhor, me preparar melhor, e foi o que eu fiz, desde o dia que soube que estava grávida novamente.
    Assisti a este filme, também chorei e me emocionei o tempo inteiro. E o melhor, levei meu marido que se emocionou junto e tem me dado mais força desta vez. Agora estou preparada para o que der e vier, para o que meu corpo mandar, para o que for melhor para este serzinho que está crescendo dentro de mim. Independente do tipo de parto que ocorrer, o que é mais importante é que ele vai ser um parto consciente! E um bom parto para nós!!!!

  8. Oi querida! Conheci seu blog hoje. Amei. Parabéns.
    Estou de 26 semanas do Davi e já tenho uma princesa de 5 anos.
    Quero muito o PN… pois da 1ª vez, cheguei ao hospital com 6 de dilatação e mesmo assim, fui submetida a uma cesariana. Sofri muito com isso e dessa vez, quero diferente. Mesmo com as torcidas de nariz da minha obstetra..
    Estamos na torcida.

  9. Boa noite.
    Tive um filho,optei por parto cesariana,eu desde o primeiro mês optei por isso.Assisti vários filmes no curso da Unimed,em relação ao parto.Conheci a sala de cirurgia,estava bem preparada em relação ao parto.Não me arrependo de forma alguma,pois onde tive meu filho,na verdade eu fiquei horrorizada com as mulheres que tentaram o parto normal.É chocante,é lindo para quem tem convenio,médicos sempre que preciso,hospital a disposição com os melhores atendimentos.Isso não quer dizer que eu não tenha deixado de ficar orgulhosa de alguns partos normal.Só que nós “brasileiros” temos que ver,que é preciso haver mudanças em relação ao parto,mas que seja uma mudança digna para as mamãe que necessitam de um atendimento digno.Gostaria muito de poder contar um fato que ocorreu,com uma conhecida,mas me sinto desnecessária se fizer isso com ela.É chocante,pois ela carrega uma sequela até hoje do parto normal,pois até seu esposo a deixou pelo ocorrido.Por isso,que cada um tem sua escolha,mas tb não podemos desclassificar as pessoas que queiram um parto cesariana.

  10. Menina do céu, eu nem estou grávida ainda, acabei de fazer uma videolaparoscopia pois estava com endometriose e agora tenho fé que vou engravidar!!! Antes de ver esse seu post eu era decidida a fazer cesariana, pelas histórias ruins de parto normal que ouvia, mas sinceramente, você é a culpada por me fez mudar de opinião!!! Foi lindo ver este vídeo!!! Espero de coração fazer parto normal quando engravidar!!! E que Deus abençoe seu parto também!!! Que seja abençoado e maravilhoso. Abraço.

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