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O início da relação entre irmãos

mel e leo _ blog vida materna

Pouco tempo se passou, mas Melanie e Leonardo já desenvolveram uma relação profunda e multifacetada nestes onze meses de convivência. E se a gente fosse resumir as fases, até este momento, seria mais ou menos assim:

Melanie, a zelosa

Assim que nasceu, Leonardo inspirou curiosidade e cuidado na irmã mais velha. Nos primeiros dias ela se mostrava intrigada com aquele ser humano tamanho mini e entendeu logo de cara que se tratava de algo pequeninho e frágil. Queria ajudar a todo momento, até porque eu fazia questão de incluí-la em tudo, para que ela se sentisse necessária. E deu certo. Pelo que me lembre, não precisei me preocupar quando ela estava por perto, naquele início. Mel era sempre muito cuidadosa e por que não dizer, receosa de chegar perto do irmão.

Sempre me chamava prontamente quando ele estava chorando e sempre tentava confortá-lo de alguma forma, cantando ou falando coisas que ele obviamente não entendia, mas que com certeza sentia: “não não Leo, não chora, já vai passar”, “eu to aqui Leo, eu to aqui com você” ou “a Mel chegou Leo, não precisa mais chorar”.

Melanie, a rebelde

Muitas pessoas nos perguntam se houve muito ciúme da parte dela e posso dizer que não houve tanto quanto a gente esperava. Houve sim uma fase de ciúmes, mas que não foi caracterizada por hostilidade ao novo bebê que chegou e sim a nós, os pais.

Leo tinha três meses quando ela começou a se mostrar mais rebelde e desobediente. Ficou mais manhosa, demonstrando uma carência depois de ter percebido que aquele tiquinho de gente – que nada fazia além de mamar e dormir – ia crescer e se transformar numa criança, como ela. Mel teve aquele típico click de “não quero crescer” e agia como bebê.

Mas ela nunca foi agressiva com o ele, nunca bateu nem nada do tipo. Por isso tentamos levar tudo de maneira mais light, sabendo que era uma fase que logo acabaria. Além disso, tínhamos que ter muita paciência e entender que ela estava se sentindo ameaçada, claro. Sei que por uns dois a três meses tivemos momentos punks, de muito choro, gritos e teimosia. Mas passou.

Melanie, a carinhosa

Conforme Leo foi se desenvolvendo – aprendendo a sentar, a engatinhar como louco pela casa e a ficar em pé – Melanie foi percebendo que ele era alguém com quem ela podia interagir. Alguém com quem ela poderia brincar, dar risada, se divertir. Que ele era alguém que estava ali para somar, para trazer coisas boas e legais. E, partindo daí, ele foi se tornando o xodozinho da irmã.

Várias vezes ao dia ela olha para ele e diz: “o Leo é tão bonitinho / ele é tão fofinho /  ele é meu pequenininho” e coisas fofas do gênero. E finaliza dando um cheirinho, um abraço e muitos beijinhos.

Melanie, a defensora

Muitas vezes, quando a gente dá alguma bronca no irmão (de leve, né, porque ele é café com leite ainda), ela já vem em defesa dele, toda advogada. Se saímos do carro e não o tiramos imediatamente, ela diz “coitado do Leo! vai ficar no carro sozinho”. Ou quando ela ouve que ele acordou e não fomos pegá-lo na hora, ela diz “mamãe/papai! tem que pegar o Leo! ele tá chorando, coitadinho!!!”

Melanie, a delatora

“Quem foi que derrubou todos esses farelos no chão?! / Quem soltou esse pum?! / Quem foi que comeu metade do meu papel?!”

“Foi o Leo, mamãe!!!” – e aponta para o irmão, sem cerimônia nenhuma, sem pensar duas vezes.

Ou então, o pequeno mal começa alguma travessura e já ouço coisas como “mamãeeee, o Leo tá mexendo na persiana!!!”

Melanie, a trolladora

Como não poderia deixar de ser (!) existem muitos momentos Felícia nesse relacionamento.

Se estamos em outro cômodo da casa e de repente ouvimos risos (vindos da Melanie), pode contar que ela está sacaneando o irmão. Já a peguei no pulo do gato muitas vezes, trollando ele das mais diferentes formas: colocando cobertores e mantas na cabeça do guri, subindo em cima dele como cavalinho, colocando os pés no pescoço ou nos ombros dele, pegando os brinquedos que ele estava na mão, empurrando tipo “chega pra lá” e por aí vai. É de deixar qualquer pessoa maluca.

O mais engraçado é que Leo ri de tudo isso. Ele RI, dá gargalhadas. Foram poucas as vezes em que ele chorou por causa das trollagens da irmã. Amor bandido esse.

A gente fica bem contente de olhar essa relação e perceber que ela realmente o ama e é feliz por tê-lo como irmão. De verdade. É algo lindo e com valor inestimável, algo que somos abençoados em ver todos os dias.

Ontem mesmo ela estava ao lado dele, chegou mais pertinho, o abraçou e disse: “eu amo o Leo, mamãe”. Assim, espontaneamente. É de derreter o coração, né?

Veremos como serão os próximos anos. Já dá para apostar no estilo “entre tapas e beijos”, mas espero que sejam mais beijos :)

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5 comments

  1. Parabéns pelo texto Michelle. Fico muito aliviada por perceber que aqui em casa as coisas tendem a trilhar este mesmo caminho. A Sophia, minha primogênita tem 04 anos, e o Heitor acabou de chegar, nasceu dia 07 de outubro. Tentamos envolver a Sophia desde a descoberta da gestação. E ela foi muito receptiva. À medida que a barriga crescia isso ficava mais evidente. Sempre ganhava beijos na barriga e o Heitor já recebia declarações de carinho e de amor. Com o nascimento veio a necessidade dela de querer ajudar, carregar, beijar, e na medida do possível nós permitimos, porque ela é maior e sem noção da sua força, perante esse ser tão frágil. E ela fala com muito carinho que vai ensina-lo a ler, colorir, andar, falar. É bom perceber essa preocupação por parte dela. Lógico que nem tudo é ou serão flores. Ela já percebeu que ele demanda mais atenção. E até a atenção de terceiros por ele, causa um pouco de ciúmes, concretizado na forma de rebeldia e de atitudes para chamar a atenção para ela. Ela frequenta a escolinha em horário integral e nestes dias que ainda estou aprendendo a conviver com meu bebê, a lidar com a atenção que preciso multiplicar, me vi pensando e me culpando se estou sendo justa com ela? Continue compartilhando conosco suas experiências, que certamente irão abrandar nossos corações. Meu maior desafio, depois de aprender a ser mãe, que a gente aprende todo dia, é agora ensinar meus filhos a serem irmãos, bons irmãos.

  2. Esse amor é uma graça de se ver! Por aqui tive que encarar a rejeição do Heitor comigo, uns 3 dias depois que chegamos do hospital. Ele queria pegá-la no colo, beijar, mas eu não podia encostar nele. Não foi fácil. O ciúme tbm nunca foi agressivo e, na verdade, está começando a se manifestar agora, ele com 2 anos e a Bruna com 5 meses. Com os de fora é pior, pq as pessoas que antes mexiam com ele, agora só brincam com ela, como se ele não existisse. Em casa ele quer pegar, beijar, abraçar e ela ri o tempo todo, o procura virando o corpo para ver o que ele está fazendo e dá gargalhadas com as travessuras que ele faz!

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