02 ago 2018

Melanie, seus oito anos e todos os desafios dessa jornada chamada maternidade

Hoje a Mel completa 8 anos de idade. Sim, você leu direitinho. Oito já.

Como não poderia deixar de ser, eu fico bastante reflexiva em datas especiais como esta – em relação à passagem corrida do tempo e também às mudanças que não param de acontecer, tanto nela quanto em nós. E durante essa reflexão toda, concluí que a palavra chave nessa análise de vida e de amor durante esses oito anos, seria “desafio”.

Desafio.

Que começou antes mesmo dela existir, quando me deparei com uma vontade estranha e inquietante de ser mãe, ainda que eu nunca tivesse sido uma pessoa muito maternal nessa vida. Que continuou quando nossa decisão foi tomada e logo um coraçãozinho batia ritmado dentro de mim. O mesmo coração que foi se ligando ao meu devagarzinho, pouco a pouco, a cada cambalhota ou soluço lá dentro da barriga.

Desafio.

Porque num piscar de olhos, meu corpo e minha mente tiveram que mudar e aprender muito também. Aprender vivenciar – ora maravilhada, ora angustiada – aquela etapa única e singular de gestar um ser humano. Aprender a se doar por inteira… doar o meu tempo, as minhas vontades, os cheiros, os sabores… meu coração, pulmões, músculos, ossos, pele e os meus pensamentos todos.

Desafio.

Que veio com tudo quando tive que aprender a ser mais forte: para parir, para amamentar, para acalentar, para não dormir, para aceitar, para mandar embora o medo todas as vezes que ele batia à minha porta dizendo que eu não daria conta do recado ou que a responsabilidade era grande demais para uma pessoa tão comum como eu.

Desafio.

De cuidar, mas ao mesmo tempo deixar aprender a cuidar-se também. De segurar, mas ao mesmo tempo dar espaço para uma possível queda, seguida de um aprendizado. De andar lado a lado, mas deixar fluir e nem sempre correr atrás. De conceder autonomia e confiar que aquele ser tão pequenino seria capaz. De proteger do mundo com as garras afiadas, mas sabendo que eu nem sempre estaria lá.

Desafio.

Em constatar que nada nunca mais seria igual – não importando quantos anos se passassem ou quantas vidas fossem vividas numa só. Nada jamais mudaria o fato de que eu agora tinha um segundo coração. Um coração difícil de alcançar porque esse, apesar de ter nascido em mim, batia fora do meu próprio corpo.

Desafio.

De aprender a dividir cada segundo da minha atenção, cada movimento do meu olhar preocupado ou orgulhoso, cada tom de voz emitido – ora amoroso, ora bravo, cada sim e cada não, cada colo, chamego ou ombro amigo para chorar, cada sentada no chão, cada brinquedo, brincadeira ou canção.

Desafio.

De aprender a dividir o meu tempo, que parecia sempre insistir em ficar cada dia menor. De aprender a dividir todo o meu amor, que incrivelmente conseguiu se multiplicar pelo infinito para acolher todo mundo que precisasse dele.

Desafio.

Em aceitar a minha grande impotência para proteger aqueles que eu intensamente amo, perante esse mundo de gente toda do avesso. Em aceitar que um dia eu não serei mais tão esperada ao chegar em casa ou de ausência sentida quando eu sair. Em aceitar que um dia as minhas ligações, as minhas opiniões e os meus puxões de orelha não estarão mais no top da relevância.

Desafio.

De controlar a minha ansiedade e o meu perfeccionismo, de cultivar muitos e muitos hectares de paciência e de empatia para com o outro, de exercitar mais do que nunca a minha compreensão e o meu altruísmo, de abdicar ou adiar sonhos eternos e antigos, de girar o volante na direção contrária do plano inicial, de mudar de opinião, de ponto de vista e de atitude, a cada dia, todos os dias.

Desafio.

De aprender a olhar para mim mesma novamente, de me sentir dona e dentro do meu próprio corpo outra vez, de tentar desesperadamente me livrar de uma culpa já incutida em mim mas que nunca deveria ter me pertencido, de deixar que meu pensamento fluísse para além da atmosfera materna, de recuperar todos aqueles sentidos que por um grande espaço de tempo eu doei para outro alguém.

A maternidade foi o meu maior desafio até hoje.

Ela me desafia mais do que qualquer outra coisa. Todos os minutos de todos os dias.

Me desafia a tentar ser melhor como mãe, como mulher, como filha, como amiga, como irmã, como ser humano. Me desafia a levantar de todas as quedas que eu já tive, sem deixar de avisar que muitas outras ainda virão.

Mas os desafios nos fazem ir além dos limites que nós acreditamos ter. Desafios nos instigam, nos movem, nos fazem crescer, evoluir, aprender, mudar mil vezes se necessário – ao mesmo tempo que tentamos manter aquela essência que sempre esteve ali.

Desafios nos fazem descobrir e redescobrir força, resiliência, coragem.

Por tudo isso, eu sou muito grata à minha primeira filha, que trouxe a maternidade para a minha vida.

Sim, você, Mel. Obrigada, filha. 

E, assim como eu te digo todas as noites antes de dormir, termino esse texto também.

Você é minha vida. Sempre.

2 comentários no blog

  1. Pri Pires Machuca em

    Mi, que texto lindo e emocionante (caiu uma lágrima aqui)! Você é uma super mãe, um exemplo de vida mesmo! Parabéns pelos 8 anos da Mel, vividos intensamente por vocês! Que Deus abençoe a caminhada da sua linda filhota! Beijos, Pri

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  2. MIRELA COSTA em

    Mi, que declaração de amor para a Melanie! Que esse desafio continue instigando você a ser sempre uma pessoa melhor! É o que buscamos sempre! Parabéns pra essa mocinha linda que “conheci” aos 9 meses!

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