08 jul 2014

Livro: Crianças Francesas não fazem manha

crianças francesas não fazem manha - blog vida materna

Crianças francesas não fazem manha é um grande sucesso em diversos países e teve sua primeira edição lançada em 2013. No livro, Pamela Druckerman desvenda os segredos dos parisienses na criação dos filhos, “espirituoso, conciso e repleto de bom senso, o livro oferece uma mistura de dicas e princípios vitais para ajudar os pais a encontrarem seu caminho”.

Há alguns meses, recebi da editora Objetiva os dois volumes: Crianças francesas não fazem manha e Crianças francesas dia a dia. A diferença entre eles está na abordagem mais prática e direta do segundo livro, funcionando como um guia de dicas retiradas do primeiro volume. No primeiro, a autora relata um pouco da sua vida pessoal, da sua mudança para Paris, entre outros acontecimentos. Lá ela percebe que os franceses conseguem equilibrar a vida pessoal, o casamento e a maternidade de uma forma bem harmoniosa e simples. É um livro bem bacana e tem uma leitura leve. Gostei e recomendo ambos os volumes.

Ao ler, fui percebendo que várias das coisas descritas no livro, eu já fazia, por intuição, por bom senso ou por instinto mesmo.

O que eu mais gostei, porém, é justamente do conceito de que os filhos não devem ser o centro de toda a atenção, que todos na família têm sua importância. E de que nosso lado materno/paterno não deve sufocar nosso lado mulher, homem, indivíduo. Falei disso neste post, lembram?

Fiz várias anotações enquanto lia e aqui estão as dicas que mais gostei e algumas considerações minhas sobre cada uma delas:

Dicas gerais e valiosas

– Se a vida familiar gira em torno apenas dos filhos, ela não será boa para ninguém, nem para eles. Todos são igualmente importantes.

– Cada criança é diferente e mesmo as regras precisam ser quebradas de vez em quando. Tudo precisa ser adaptado.

– Aprenda a observar seu bebê, isso é muito importante. Aguce sua sensibilidade, a fim de se tornar cúmplice dele, em cada passo, cada conquista.

– Não minta para seus filhos. Decepções e tristezas fazem parte da vida, que não é nem precisa ser perfeita. Quando algo estiver errado, explique a eles. Mesmo que não queira dar maiores detalhes, mas admita que algo não está bem.

– Seja educado, dê o exemplo. Diga por favor, obrigado, bom dia, enfim, seja cordial sempre. Seus filhos aprendem com você a cada ação sua.

– Dê limites com amor. “É preciso amor e frustração para a criança se construir”. Para todos nós, não é?

Você gestante

– Uma gravidez tranquila contribui para um bebê tranquilo. (falando por mim, posso dizer que isso se refletiu como verdadeiro nos meus dois filhos – Mel é agitada, Leo é tranquilo).

– Quanto menos peso você ganhar ao longo da gestação, mais rápido retornará ao seu peso de antes.

– Não deixe sua sexualidade esfriar. Você será mãe sim, mas continuará sendo mulher, acima de tudo.

Sobre estimulação e desenvolvimento

– Trate seu bebê como uma pequena pessoa racional e com sentimentos, desde o início. Nunca subestime a sua inteligência e confie na sua capacidade e autonomia.

– Não se preocupe em estimular seu filho o tempo todo, desde bebê. Ele já tem um grande trabalho a fazer com tudo que precisa ser aprendido a partir do momento em que vem ao mundo.

– Para crianças menores de 6 anos, é mais importante desenvolver habilidades como concentração, relacionar-se com os outros e empatia, do que ler e escrever, por exemplo. Essa é a base de tudo.

– Você precisa relacionar-se com adultos para manter sua sanidade, logo, crianças precisam relacionar-se com outras crianças, também.

Sobre rotina e sono

– Introduza lentamente uma rotina na vida do bebê. Crie um ritual do sono, para sonecas diurnas e para o sono noturno.

– Aprenda sobre os ciclos do sono (falei deles aqui)

– Bebês se movimentam e emitem sons enquanto dormem. Aprenda a observar e não intervenha imediatamente.

– Não espere que tudo funcione perfeitamente logo de cara. Isso leva tempo e requer paciência e observação.

Sobre alimentação

– Depois do leite materno, faça com que legumes e verduras sejam o primeiro alimento do bebê. Prepare algo saboroso, com cor, bonito aos olhos. Assim você contribui para a formação do paladar e de uma alimentação saudável.

– Fale mais sobre comida, sempre de forma positiva. Deixe que as crianças ajudem no supermercado e no preparo das refeições, para despertar seu interesse pela comida.

– Crie a regra de que seu filho precisa ao menos experimentar novos alimentos, mas sem forçar. Ele deve aprender a gostar de comer e isso acontece gradualmente.

– Nunca use comida como recompensa mas não trate o chocolate como vilão. Os alimentos que consideramos “besteiras” não precisam ser abolidos e erradicados do mapa, apenas devem ser esporádicos (na minha humilde opinião).

– Bebam água. Suco é para o café da manhã ou o lanche da tarde.

– Não demonstre uma ansiedade exagerada para que seu filho coma verduras e legumes, por exemplo. E não exagere nos elogios e comemorações. Mantenha apenas a positividade e lembre-se sempre de que comer não deve ser uma obrigação e sim um prazer.

Você, mulher, indivíduo, ser humano e o casamento 

– Mantenha um equilíbrio nos diversos papéis que você tem em sua vida. Mulher, mãe, profissional, esposa, entre tantos outros.

– Dirija sua paixão e energia para outras atividades, além dos seus filhos e de suas necessidades. Mostre a eles que suas funções vão além da maternidade e não abra mão da sua vida. Você também tem que ser feliz.

– Lembre-se que mãe perfeita não existe porque, afinal, somos todos imperfeitos por natureza. E isso é bom, traz aprendizado e nos torna diferentes uns dos outros.

– O casal deve reabrir espaço gradualmente para o seu relacionamento depois da chegada do bebê. Não esqueçam de vocês porque os bebês não chegam para substituí-los. Chegam para somar.

– Se possível, faça com que a noite seja um momento dos adultos. Vocês precisam de um tempo a sós.

– Não se contradigam na frente das crianças. Sejam cúmplices na educação deles.

– Pode parecer tirano, mas você é o adulto, logo, você decide. Mas lembre-se sempre de dar opções para que eles tenham a oportunidade de escolher, dentro daquilo que você propõe.

– Nunca pergunte o que uma pessoa que fica em casa cuidando das crianças fez o dia todo. É bem óbvio!

Sobre paciência, aprender e ensinar

– Para que a criança aprenda a esperar, deve aprender a se distrair. Ela precisa entender que não é o centro do universo.

– Diminua o seu ritmo e demore um pouco mais para responder. Não largue o que está fazendo imediatamente – a não ser que seja algo realmente urgente.

– Mostre educadamente que está ocupado e apenas diga “espere um pouco”. Nem que tenha que repetir isso diversas vezes. Paciência é treinamento, para ambos, lembre-se.

– Da mesma forma que não gostamos de ser interrompidos, as crianças também não devem ser. Cada um deve ter seu espaço e eles devem ser respeitados.

– Trate a frustração como uma habilidade crucial para a vida, porque realmente é. Mostre que compreende seu filho e seja solidário nos momentos em que ele se frustrar com algo que não aconteceu como ele esperava.

– Birras não mudam regras. Não ceda apenas para cessar o choro (e isso vale para aquelas birras no shopping, no supermercado, enfim, em público).

– Ao receber tarefas importantes, as crianças aprendem sobre responsabilidade. Confie na capacidade deles.

– Crie uma espécie de moldura, onde a base, o acabamento e os limites são seus. Mas quem escolhe como irá pintar o quadro, as cores, as formas, é seu filho.

– Proteger seus filhos é diferente de isolá-los de todos os perigos do mundo (até porque isso seria impossível). Eles devem aprender a se proteger também e isso vem com as experiências de vida.

– Não tenha medo de dizer não. Seja convincente porque as crianças percebem quando você está firme e não irá mudar de ideia.

– Diga sim com mais frequência. Autoridade tem a mesma raiz da palavra autorizar. Não banalize o não.

– Não imponha apenas. Sempre explique o por quê da regra. Caso seja uma situação de perigo eminente, aja primeiro, explique depois.

– Entenda que é normal que seu filho fique chateado com você e não espere que ele obedeça de imediato. Dê um tempo para que ele entenda e então cumpra.

– Saiba quando ceder, saiba quais brigas comprar. Você não pode vencer todas as batalhas e o caminho para educar é longo. Talvez o mais longo que a gente já trilhou nessa vida.

O livro ainda aborda outros assuntos e tem receitas bem bacanas e até um exemplo de cardápio das creches e escolas francesas.

Resenha-Patrocinada-Vida-Materna-Identificação (1)

4 comentários no blog

  1. Mirela Costa em

    Muitas dicas do livro já venho pondo em prática tbm aqui com os meus. Nesse momento, para mim, o mais difícil está sendo manter a paciência. Pq eu nunca me coloquei em segundo plano pq os filhos chegaram. E Heitor está numa fase de testar os limites e, com isso, a nossa paciência… Nunca disse tanto não na minha vida. E só digo para aquilo que realmente precisa. Mas, assim como vc, cuidar da casa, marido, de mim e dos filhos sem ajuda, não é mole não!

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    1. Michelle Amorim respondeu Mirela Costa em

      Eu estou desconstruindo isso há algum tempo Mirela. De me colocar em segundo lugar, sabe? Sempre fiz isso e não é bom para ninguém.

      Mas força aí que as coisas vão se ajeitando, a gente vai aprendendo a lidar melhor com essa nova condição de mãe de dois e de todo o resto.

      Bjo pra vcs

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      1. Mirela Costa respondeu Michelle Amorim em

        Michelle, eu sempre pensei que se eu estivesse bem, meus filhos tbm estariam, por isso não me coloco em segundo plano. Há quem possa achar que é egoísmo da minha parte, mas eu não deixo de cuidar de mim por isso. Nossa rotina é muito carregada, cansativa, apesar de prazerosa. Mas eu quase surtei quando Heitor tinha uns 8 meses. Então deixo os dois com o pai e vou ao salão, vou ao shopping e fico o tempo que tenho vontade, pois no dia-a-dia, sou mãe em tempo integral, parei de trabalhar para isso e não me arrependo. Pense assim que vc consegue, se vc estiver bem e feliz, todos à sua volta estarão! bjo.

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  2. Gleice em

    Oi. Estou no capítulo 5 do livro e tenho adorado a leitura! Achei o modo frances de criação de filhos bem razoável e mmuita coisa do livro eu já praticava na pura intuição.
    Aproveitei a manha de hoje para fazer a receita de bolo do final do capitulo 4. Delicioso!!!! Em vez de frutas ou gotas de chocolate nós usamos uma barra de chocolate meio amargo muito mal picada. Perfeito!!! Bjos

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