Categories: Comportamento e Educação/ Crianças

Lições que tirei dos terrible twos

Eu estava escrevendo um post sobre a Mel e seus três anos de idade. De repente o assunto terrible twos surgiu e deixou o post muito longo. Então resolvi dividi-lo em duas partes. A primeira é essa que vocês leem hoje.

Tentei dar uma resumida porque assunto eu teria para escrever alguns bons capítulos…

Terrible twos ou terríveis dois anos, é tido como a adolescência da infância, a transição bebê > criança. A maioria dos pais pensa que ele começa efetivamente aos dois anos de idade e logo vai embora, mas em geral acontece a partir de 1 ano e meio pode ir até os 3 anos de idade, fase de grandes mudanças para a criança.

Os terrible twos por aqui começaram com pouco mais de 1 ano e sete meses. E se estenderam por mais tempo do que eu esperava.

A Melanie na verdade não teve muitos episódios de se jogar no chão e espernear. Os maiores problemas comportamentais dela sempre foram dois: chorar muito e alto quando não podia fazer algo ou algo lhe era negado e o pior deles, sair correndo quando deveria ficar ao nosso lado ou esperar.

Bastava irmos num local como shopping ou supermercado, por exemplo, e ela saía correndo sem rumo, desobedecendo nosso pedido que ficasse ao nosso lado ou nos desse a mão. E achava divertidíssimo quando corríamos atrás dela. Ela via como uma brincadeira, achava graça.

Acho que já passamos por todas as situações de birra que a maioria dos pais passam, com certeza. Das pequenas, aquelas do dia a dia, às grandes e escandalosas.

Uma das piores cenas que ela já fez foi na Leroy Merlin, há alguns meses atrás. Ela viu aquelas lanternas brancas provençais de ferro e vidro e quis pegar uma delas. Era uma coisa pesada, que ela não conseguiria segurar e com certeza cairia no chão, podendo machucá-la ao quebrar (no caso das partes de vidro). Tive que impedí-la de sair correndo com a lanterna na mão e segurá-la enquanto ela se debatia no meu colo. Tudo enquanto eu tentava conversar com ela, explicar que não podia porque era pesada e ela iria se machucar. Foram cinco minutos de esperneação e choro, cinco in-ter-mi-ná-veis minutos.

Outra birra memorável foi em fevereiro, se não me engano. Fomos a um restaurante e ela não queria ficar sentada como os primos, enquanto almoçávamos. Nem queria almoçar. Queria somente explorar o restaurante, que era imenso. E depois queria ir na área kids, que tinha cama elástica e outros brinquedos, mas como tinham muitas crianças, ela não poderia ir sozinha. Fui atrás dela umas três ou quatro vezes, e em todas tentava fazê-la compreender que tinha que esperar que eu almoçasse, mas tudo em vão. E da-lhe choro, da-lhe birra. Vale ressaltar que nesse dia eu estava sozinha, sem meu marido. Se essas coisas aconteciam quando estávamos juntos, um almoçava enquanto o outro ficava com ela.

Mel sempre teve problemas em aceitar que tinha que, num certo momento, ficar parada, ficar ao nosso lado ou esperar. Isso tornou as saídas bem difíceis e desanimadoras até, confesso.

Sabemos que a natureza da criança é essa, é movimento e uma energia sem fim, mas existem horas onde eles simplesmente têm que esperar, não há o que fazer. E aí a coisa complica.

Dessa vivência dos terrible twos, posso dizer que tirei as seguintes lições (algumas bastante óbvias):

1. Eles não fazem birra deliberadamente para irritar ou provocar os pais. Eles apenas não sabem como lidar com os próprios sentimentos e frustrações e não conseguem fazer isso sozinhos, sem o nosso apoio e carinho. Irritar-se e gritar apenas acrescenta mais um problema à situação. É difícil manter a calma, eu sei. Mas ver as coisas dessa forma ajuda muito.

2. O modo que as crianças têm de extravasar essa frustração, especialmente os que ainda não falam, é chorando, gritando, e claro, com movimentos corporais, como se jogar no chão. Eles não sabem como agir. Nós, os adultos, sabemos.

3. Não dê importância aos olhares alheios quando você estiver educando seu filho. Afinal, é o seu filho. As pessoas olham e julgam mesmo, a gente sabe. Mas você não deve deixar de agir corretamente só para evitar aquele choro escandaloso do seu filho no supermercado.

4. Crianças testam limites o tempo todo, querem ver até onde podem chegar. É da natureza humana, simplesmente porque precisamos de limites. No caso dos pequenos, eles ainda são imaturos para tomar decisões e compreender o certo e o errado.

5. O mais importante: saiba quais brigas comprar. Algumas não valem a pena serem compradas, acredite. Evite o estresse desnecessário, para você e para seu filho.

Normalmente, eu apenas me pergunto se aquilo é realmente errado ou somente uma situação em que eu preferia que fosse de um jeito contrário e se oferece perigo à ela ou aos outros. Se a resposta for não e não, então essa briga não vale a pena.

Exemplos:

– Melanie quer vestir uma blusa ou um calçado que não combina com todo resto ou não condiz muito com a ocasião. Eu deixo que ela vista. É ridículo? Não, ela é uma criança e acima de tudo, é a preferência dela, naquele momento. É perigoso? Pode ferir à ela ou a alguém? Não? Então tudo certo. (a não ser que seja um casamento e ela queira ir de pijama e pantufas, aí realmente preciso tentar convencê-la de alguma forma – o truque de dar duas opções sempre funciona).

– Melanie quer usar aquela meia preferida mas que está molhada. Deixo que ela vista. Um minuto depois ela se incomoda e pede para trocar por uma meia que esteja seca. O mesmo já aconteceu com o cheirinho dela e em outras inúmeras situações desse tipo.

– Melanie não quer colocar o casaco. Deixo ele em cima da cama, digo que ela deve colocar porque está muito frio e saio. Não tento colocar à força. É tempo perdido e o principal, briga que não vale a pena ser comprada. Alguns minutos depois, ela mesma, quando percebe que não vamos sair até que ela esteja de casaco, o coloca e diz “eu coloquei mamãe”.

– Melanie não quer tomar banho. Ao invés de discursar ou obrigá-la a tirar a roupa, começo todo o ritual de pegar pijama, toalha, ligar chuveiro, normalmente e cantarolando, digo que vou tomar um banho bem gostoso e junto comigo vou levar o jacarezinho (algum brinquedo ou bichinho que ela goste de carregar para o banho). Um minuto depois, ela está do meu lado tirando a roupinha para entrar no banho.

– Outra coisa que geralmente surte efeito positivo é dar a opção da escolha. Funciona especialmente nos casos de “não quero colocar o calçado ou a roupa”. E até para a hora das refeições (desde que as opções estejam dentro do esperado para aquela refeição, claro).

E eu poderia listar mais umas cem situações assim. São atitudes simples, mas que evitam um estresse desnecessário para todo mundo.

Às vezes a solução para o problema vem mais rápido, outras vezes ela demora mais. Às vezes é algo que não pode ser negociado de maneira nenhuma, algo que envolve a saúde e ou a segurança deles. Aí entra a paciência. Sempre ela.

Se eu já perdi a minha? Sim, inúmeras vezes. Já gritei, já fiquei p da vida. Quem nunca? Mas percebi que isso só coloca mais um problema “na roda” e a solução sempre vem mais rápido quando tento manter a calma, quando lido com o problema dela naquele momento, ao invés de criar mais um.

Claro que essas atitudes que citei acima dão certo com crianças que já verbalizam mais e entendem melhor as coisas.

Quando a Melanie tinha recém completados 2 anos, era mais difícil fazê-la compreender e aceitar as coisas. Não adiantava muito explicar, discursar ao lado dela. Nessa idade o melhor é informar bem diretamente e da forma mais simples possível (essa atitude é errada por isso e isso e ponto final) e manter a criança ao seu lado, conte-la, sem muitas palavras, sem demonstrar irritação. Grandes explicações não têm muito sentido com crianças dessa idade porque sua capacidade de concentração e de entendimento ainda é muito pequena e pouco (quase nada) lógica.

Além da Mel ter naturalmente crescido e amadurecido um pouco, algumas coisas também mudaram.

Antes, eu tinha dificuldade em lidar com o choro. Tinha pena de fazê-la sofrer. Não percebia que educar é isso, saber dizer não algumas vezes. Que isso é necessário (e muito) para o crescimento deles. É necessário para que algo muito importante possa nascer: o respeito.

Hoje, vejo que aprender a me manter firme e não ceder ao choro, por mais forte que ele fosse, a tornou mais paciente e o principal: eu consegui repassar conceitos, consegui que ela entendesse que as coisas não são como queremos e quando queremos.

Tenho conseguido ensiná-la que existem regras no mundo onde vivemos. Algumas foram feitas para serem quebradas, sim, mas outras foram feitas para que possamos conviver pacificamente, com os outros seres humanos. Isso ela aprenderá na prática conforme for crescendo mas já está sendo preparada, desde pequena, aos pouquinhos.

Vale lembrar que cada criança é única e age conforme seu temperamento e natureza próprios. Uma coisa que surte efeito com a minha pode não adiantar com a sua, e vice versa. Acho que no fundo sempre sabemos como lidar com os nossos filhos. É uma questão de respirar fundo, aprender e olhar pra dentro de nós mesmos.

Para terminar, por muitas vezes vi pessoas (mães) proferindo frases como “eu detesto criança birrenta!”, aos quatro ventos. Mas colega, e quem é que gosta de criança que faz birra? Me diz, quem? Muito provavelmente essa mãe que diz algo assim tem lá no fundo um preconceito e um pré-julgamento da mãe de uma criança que fez/faz birra. E aí eu só posso dizer que cada criança tem algum tipo de dificuldade. Todas elas. Se não é birrenta, dá trabalho pra comer, ou pra dormir, ou pra se relacionar com outras crianças, ou pra obedecer, ou para se expressar e expressar sentimentos, ou pra se adaptar na escola, e tantos outros desafios que as crianças enfrentam. Não dá pra julgar. Ainda mais estando de fora.

Dica da Mel: quando a coisa ficar muita feia e você estiver quase perdendo as estribeiras com seu filho, conte até dez. Ou melhor, até quinze.

 

Melanie blogvidamaterna from Michelle Amorim on Vimeo.

comentários via facebook

18 comments

  1. Perfeito, Michelle! Meu lindo vai fazer 10 meses ainda, mas já fico imaginando quando chegar essa fase, pq perco a paciência com muita facilidade… E algumas dessas dicas de bobagens que a gente compra a briga com a criança, não vale a pena mesmo. Vamos ver até lá!

  2. Michelle, eu acompanho o seu blog ha algum tempo e gosto muito. Mas dessa vez o seu texto merece um comentario! Eu super me identifiquei pois tenho uma filha de 2 anos e 10 meses que é exatamente igual. O bom é saber que não é só aqui em casa, e que eu também nao sou a unica a nao saber o que fazer. Parabens pelas sua soluções, mesmo que a curto prazo! e parabens pelo blog
    Katia
    Blog Minhas Dikas Baby

    1. Oi Katia! Que bacana, fico feliz em saber que você acompanha e gosta do blog :)

      As coisas melhoraram bastante agora que ela completou 3 anos. Claro que ainda é uma criança pequena, mas tudo fica mais fácil.

      Bjo

  3. Marcou de mais sua frase “a tornou mais paciente e o principal: eu consegui repassar conceitos, consegui que ela entendesse que as coisas não são como queremos e quando queremos.”

    Era oq ue eu precisava aprender neste momento. E o meu ainda tem 1 ano e 5 meses e tá de mais…

    Amo ler seu blog, desde a gravidez me ajudou muito, enxovais e muito mais.

  4. Oiiiii
    Nossa amei o blog,ainda não tenho filhos,mas ha algum tempo venho amadurecendo a ideia
    Só de ler seus posts ja me apaixonei pela mel
    Parabéns pelo blog,pela melanie,pela sua família e por você….

  5. Nossa, eu vi minha filha no seu texto… como é difícil esta idade, eles realmente acham que pode tudo e com todos.. gritam, choram, fazem birras e muito mais.. eu já perdi minha cabeça diversas vezes e não adianta de nada… foi a 1ª vez que li seu blog.. amei…
    Parabéns pelas sábias palavras!

  6. Olha, minha filha está completando 2 anos e dez meses hoje. E ela entrou nessa fase desobediente há duas semanas. Está completamente fora de controle. Me chamou de monstro hoje pq não quis deixá-la fazer alguma coisa. Jogou suco de uva de propósito no meu sofá branquinho. Obrigada pelo texto. Muito bom saber que não sou a única a passar por isso.

  7. Oiiii Michele estou passando sufoco com meu menor, mas comecei a falar sério com ele começou a desobedecer. Crianças odeiam castigo, por isso estou sendo firme com ele boas dicas…Bjus

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