28 jun 2018

Leonardo aos (quase) 5 anos

Estava lembrando daqueles diários de desenvolvimento do Leo que eu costumava fazer, quase um mês a mês, lembram? Era bem bacana registrar as mudanças no comportamento dele, especialmente durante o primeiro ano de vida onde coisas novas eram descobertas todos os dias.

Conforme Leo foi crescendo e as mudanças passaram a acontecer de forma mais gradual, eu fui deixando de escrever sobre isso também. Mas hoje, assim que terminei de editar as fotos desse lindo dia de sol, senti vontade de vir aqui e falar um pouco sobre esse pequeno de olhar sonhador e de sorriso maroto – que não me deixa dormir uma noite inteira desde mil oitocentos e dezessete – mas que é um dos donos do meu coração.

Leo começou sua jornada nesse mundo com uma gravidez que veio muito mais veloz do que a gente imaginava, mas que me deu uma canseira para ser confirmada – depois de uns quatro testes de farmácia e três exames de sangue, para ser mais exata.

Leo me proporcionou uma gravidez tranquila, leve, sem neuras e tão diferente da primeira; mas que justamente por isso pareceu passar muito mais rápido e me fez ter vontade de pausar um pouquinho o tempo e viver cada minuto mais uma vez.

Leo nasceu no dia e na hora que escolheu, trazendo junto de si o amor, a dor e o arrebatamento mais intensos que eu já havia vivido – aquela “dor de vida” que marcou a minha alma e o meu corpo para sempre.

Leo começou sua caminhada nesse mundo já tendo que dividir seus bens mais preciosos e, apesar dos nossos medos de que essa conta de 4 não fechasse, nos mostrou que a gente pode amar e se doar muito, mas muito mais do que a gente imagina.

Leo demorou um pouco a engatinhar e andou com um ano e dez dias de idade, mas dali em diante não parou nunca mais – de andar, de correr, de pular, de escalar, de tentar, de explorar e de testar os seus e os nossos limites.

Leo começou sua introdução alimentar muitíssimo bem e em relação às frutas, amava todas elas, das mais azedas às mais doces – em especial a manga – mas hoje em dia me dá um baile ao aceitar somente a banana e a maçã.

Leo brinca com tudo e de tudo, sem restrições – talvez por ter começado suas brincadeiras com brinquedos diversos que a irmã dividia com ele, incluindo as bonecas, os ursinhos e as panelinhas – e hoje me enche de orgulho quando brinca com seu pinguim de pelúcia e faz questão de enrolar o bichinho numa toalhinha “para que ele não sinta frio” e embalar o peludinho “para que durma bem” – diz ele. Porque ele brinca de ser pai, assim como eu brincava de ser mãe.

Mas Leo, apesar de toda essa diversidade e imaginação ao brincar, não esconde de ninguém que troca qualquer coisa por um carrinho – talvez até pela rodinha de um carrinho – tamanho seu amor. Nem esconde de ninguém que “quer ser piloto de corrida para ir muito muito rápido e inclusive de moto”, valha-me Deus!

Leo também já disse que queria conhecer os outros planetas, ver como tudo é lá de cima e saber porque o sol vai embora e para onde ele vai – e que por isso iria estudar bastante para se tornar um “austronauta” – nas palavras dele.

Leo desde cedo demonstra muito senso de organização já que ao passar por algo que esteja torto ou fora do lugar, ele volta e arruma, ajeita, estende, estica – pra garantir que as coisas fiquem como deveriam ficar. Ele também nunca entra em casa sem limpar ou tirar o seu calçado, já que sabe que terra e areia são frequentes naqueles pezinhos.

Leo sempre que dá um abraço, olha atentamente em volta para garantir se quem está do lado não gostaria de um abraço também – dessa forma ninguém fica sem carinho ao seu lado. Mas em compensação, é um tanto arisco com beijinhos – especialmente daqueles que não convive muito – e às vezes até eu mesma recebo olhares de reprovação ao amassar aquelas bochechas com os meus estalos.

Leo começou a falar muito cedo e sempre com muita facilidade, mas demorou a fazer aquela conexão de confiança e diálogo que a gente tanto espera dos filhos. Hoje, tenho a honra e a responsabilidade de ser sua maior confidente – sem fazer esforço, sem precisar investigar demais.

Leo gosta tanto de estar com o pai, mas tantoooo, que hoje em dia ao invés daquele ciuminho bobo que eu tinha, eu sinto paz e contentamento ao perceber não só o quanto ele é amado e também o quanto ele é capaz de amar. E, claro, sinto alívio por ter algum tempo – daquele nosso tempo tão necessário! – para respirar por mim mesma sabendo que ele está bem e feliz.

Leo adora interagir, brincar e correr com os amigos e amigas, mas também gosta de brincar sozinho e às vezes, no meio de um montão de gente e de opções, até prefere a sua própria companhia. Nisso temos muito em comum – dois introvertidos e um pouco tímidos, mas lotados de amor para doar: para com si mesmos, para com os outros, para com a vida.

Leo e eu nos entendemos, nos reconhecemos e sabemos o que o outro está sentindo – apenas com o cantinho de um olhar. Essa é certamente a maior conexão que eu já tive com alguém. Muitas vezes achamos nossa casinha, nosso cantinho, nosso lugar seguro – um no outro – durante um simples abraço.

Ele mudou muito desde que nasceu e ainda mudará muito mais, claro. Mas isso, isso eu realmente gostaria que durasse para todo o sempre.

Que eu continue sendo a sua casinha, o seu lugar nesse mundo tão imenso, cheio de gente e possibilidades – enquanto eu estiver aqui e até depois disso, quem sabe.

9 comentários no blog

  1. Camila em

    Ahhh esses meninos! ❤️

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    1. Michelle Amorim respondeu Camila em

      :D <3

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  2. Miriam Pinheiro em

    Olá Michelle! Eu adorava ler sobre o desenvolvimento do Leo. Ele é mais velho que a minha filha, e através dos seus relatos, eu podia ver o que viria pela frente no desenvolvimento da minha filha, hoje com 3 anos.
    É incrível o quanto o tempo passa depressa né?! E o quanto nossos filhos nos surpreendem com essa identidade que eles vão criando.
    Gosto muito do seu blog. Continue escrevendo para nós, mães, que vivemos em constante aprendizagem e troca de experiências.

    Bjo grande!

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    1. Michelle Amorim respondeu Miriam Pinheiro em

      Oi Miriam!

      Eu fico feliz de ter registrado todos aqueles meses e momentos dele! Hoje e sempre que der vontade de relembrar, é só correr no blog :)

      Obrigada pelo comentário e pelo carinho!

      Bjo <3

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  3. Keltin em

    Existe algo mais gostoso do que ver nossos filhos correndo, rindo e brincando, explodindo alegria e saúde, se existe eu desconheço. Hoje estou com meu coração em pedaços ao ter que ouvir da professora da escolinha do meu filho reclamando que ele não tem sossego, que não conhece a palavra “não” como diz ela, que ele grita enquanto brinca, que só sabe correr, que joga o brinquedo no coleguinha e da risada, Michelle não sei se eu estou certa ou não, mas meu filho só tem um ano e dois meses, é duro ouvir isso quando eu deixo ele na escolinha as oito da manha e o vejo de novo as sete da noite, isso é cruel, eu daria tudo pra ver meu menino correr, brincar e rir alto, mas para nossas professoras isso parece errado, nossas crianças tem que crescer quietinhas, sem poder explorar o mundo ou suas habilidades novas que estão descobrindo a cada dia. Precisamos de escolas que permitam a criança crescer “sendo criança”, do jeitinho deles correndo e brincando, rindo e com curiosidade por tudo que é novo aos seus olhinhos. eles tem a vida adulta inteira para ficar atras de um computador em uma sala silenciosa olhando pra janela com um copo de café meio frio já, como eu estou agora, porque não consigo trabalhar pensando como será que meu filho está, desculpe o desabafo, mas as mães se entendem né, abraço, tudo de bom :)

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    1. Michelle Amorim respondeu Keltin em

      Oi Keltin,

      Puxa, que triste isso. Eu imagino como deve ter sido para você. Eu não sei todo o contexto nem da rotina de vocês, claro, mas veja se não vale a pena reavaliar a escola ou marcar uma conversa, sabe? Compartilho dos mesmos pensamentos que você acerca dessa primeira infância, por isso acho importantíssimo que a escola acompanhe o pensamento dos pais.

      Beijo grande pra vocês

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      1. KETLIN respondeu Michelle Amorim em

        sim, eu penso muito sobre isso, queria tanto coloca-lo em uma escolinha mais dedicada ao desenvolvimento durante a educação infantil, mas moro em uma cidade bem pequena e infelizmente é a unica que temos, até cogitei uma babá, mas ainda acho a escolinha mais segura e o convívio com outras crianças é saudável para socialização dele, então me resta paciência kkkk abraço S2

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  4. Sodreia em

    Oi! Me emocionei lendo e sentindo o seu texto… minha filha tem 3 anos e é bom saber que as maravilhas e agruras que vivemos são parecidas com as das maioria das mães… Parabéns e que essa conexão seja eterna! bjs!

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    1. Michelle Amorim respondeu Sodreia em

      Oi Sodreia! Obrigada, querida! Feliz que gostou do texto :) Bjo grande

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