03 jul 2013

Expectativas maternas

Expectativa: s.f. Condição de quem espera pela ocorrência de alguma coisa; perspectiva. Estado de quem espera algum acontecimento, baseando-se em probabilidades ou na possível efetivação do mesmo.

Esses dias me peguei pensando em expectativas e, no caso da maternidade, acho que elas começam antes mesmo de nos tornarmos mães.

Primeiro, vem a expectativa de saber se existe uma hora certa para ter filhos, se é muito cedo ou se você está esperando de mais. Depois, a expectativa de conseguir engravidar.

Já gestando, vem a expectativa em saber se o bebê que você carrega é menino ou menina, de ver a barriga crescer e de saber se tudo transcorrerá bem durante a gravidez.

Pouco antes da metade da gestação, vem a expectativa de montar o enxoval, o quarto, de organizar as coisinhas do bebê que vai chegar, de estar preparada, de comprar as coisas certas, nem de mais, nem de menos.

Conforme a barriga vai crescendo e os quilos a mais vão aparecendo, vem as expectativas quanto ao corpo, se ele voltará a ter as mesmas formas de antes, se você conseguirá perder todos quilos adquiridos na gestação e até se a sua vida sexual será a mesma.

Próximo a data prevista para o nascimento, começam as expectativas em relação aos cuidados com um recém nascido. A amamentação, as primeiras trocas de fralda, os primeiros banhos, as primeira cólicas, as primeiras noites em claro. Será que você dará conta?

Vem então a expectativa com relação ao parto, se ele será como você deseja, à amamentação, a conciliar o trabalho e a maternidade e à nova vida que se inicia.

Depois que o bebê nasce, mais expectativas. Se ele vai mamar e comer direitinho, quando ele vai sentar, engatinhar, quando vai andar, falar, qual será sua primeira palavra. E para as mães que já tem filhos, se eles se darão bem e se você dará conta de cuidar e amar todo mundo.

Essas são só algumas das expectativas que vamos criando ao longo da gestação e, por que não dizer, ao longo da nossa vida. Acho que a grande maioria de nós sente tudo isso, especialmente quando se trata do primeiro filho.

Nesta minha segunda gestação, tenho tentado me livrar de um bocado delas.

Criei muitas expectativas e fiquei ansiosa para engravidar novamente, em fevereiro. E depois, para ver se realmente estava tudo bem, se o bebezinho estava lá realmente (muito se deve ao fato dos meus primeiros exames de beta hcg terem dado um valor baixo).  Sou assim, ansiosa por natureza mesmo. Mas depois disso, as expectativas foram se esvaindo, foram indo embora. Por isso demorei a me sentir grávida, eu acho. Por não estar acostumada à maternidade livre de expectativas.

Hoje, estando a poucos dias de completar o quinto mês de gravidez, tento não esperar de mais, tento não me cobrar de mais, e, antes da hora. Cada vez que me sinto muito ansiosa ou percebo que estou alimentando muitas expectativas em relação a esse bebezinho que está vindo ou algo relacionado a ele, paro e reflito.

Acho que é bom ter expectativas, ter desejos, ter um plano, ter objetivos claros a serem conquistados. Mas quando se trata de ser mãe, isso não é algo tão simples, não é simplesmente racional. O que a gente quer ou acha certo, nem sempre é o que acontece na realidade. E com isso vamos nos moldando, nos adaptando, aprendendo.

Grávida pela segunda vez, tenho focado muito mais em mim mesma, na minha preparação emocional e psicológica como mãe, do que na preparação material propriamente dita. Na primeira gravidez a gente não pensa nisso, até porque, ninguém fala muito desse assunto. Por isso a gente se frustra tanto, porque esperamos de mais, esperamos perfeição. E lidar com sentimentos, lidar com a vida, é imperfeito.

Para a maioria das mães (inclusive foi para mim) o grande foco na primeira gestação é montar o enxoval do bebê, deixar tudo preparado. E realmente é muito bacana toda essa preparação. Vejo como um ritual, é meio mágico mesmo. Mas, pouco se fala de preparação emocional. Existem os papos sobre se preparar para a amamentação, para o parto, para o pós parto, mas essas informações ficam sempre em segundo plano. Você não vê escrito algo assim “olha, além desse bodyzinho seu bebê precisará que você esteja pronta para recebê-lo! prepare-se! encha-se de força, de amor e de garra.”

É muito legal montar o enxoval, o quartinho, fazer toda essa caminhada. Não vejo isso como algo desnecessário, longe disso. Até porque seria hipócrita dizer isso, já o blog começou com o intuito de ser um “guia de compras” para quem está montando um enxoval mesmo. Depois ele foi mudando e crescendo, junto comigo. (isso, aliás, merece um post, que virá em breve).

O que acontece na primeira gestação, em que somos bombardeadas com novas informações de todos os lados, é que a gente esquece de preparar a mente, o corpo e a alma para aquilo que virá: a maior, melhor e mais difícil jornada que vamos trilhar em toda a nossa vida. A de ser mãe.

Na verdade, sabemos que não existe livro, texto, lição, nada que nos prepare para a maternidade real. Nada além dela própria e das vivências que vamos tendo, com nossos filhos. O que podemos fazer, porém, é nos munir de informações e filtrá-las, deixando permanecer apenas aquelas com as quais nos identificamos.

Para isso, você pode ler inúmeros livros, textos na internet, participar de grupos de discussão, trocar figurinhas com suas amigas, mães ou não.

Mas hoje, vejo que a principal preparação vem de dentro mesmo, e o principal: vem de não se esperar de mais da maternidade, nem de você mesma. Vem de não esperar de mais do bebê que está chegando. Até porque é um fardo muito pesado para alguém que nem chegou ao mundo. Assim, diminuímos e muito as frustrações que teremos.

Eu, como qualquer ser humano, não deixo de ter expectativas. Mas tenho tentado ter expectativas menores, sem projetar de mais meus desejos sobre algo que ainda vai acontecer. E que não depende só da minha vontade.

Pode ser que amanhã eu acorde cheia de grandes expectativas. Quem sabe.

Por agora, espero apenas que meu bebê possa nascer na hora em que escolher nascer. Que nasça com muito respeito e carinho. Que venha com saúde e que a Mel possa amá-lo sem sentir que perdeu algo, mas sim, que ganhou um companheiro, um amigo. São para essas expectativas que tenho realmente me preparado.

No mais, a gente sempre acaba dando um jeito. É ou não é?

14 comentários no blog

  1. Ana Carolina em

    Melhor post que já li sobre isso!!

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  2. Telma Teixeira em

    Lindo texto, me emocionei!

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  3. Mistelko em

    Mi, amo seus textos… este me deixou emocionada! Muita paz pra vc, querida!

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  4. Maggie em

    Olá! Ótima postagem e ótimo blog tb, parabéns!

    Sugiro que você entre também na Mammynet pois lá você poderá fazer postagens com dicas de seu blog, criar comunidades,trocar idéias com outras mamães.. etc..

    O endereço é mammynet.com

    É uma rede para pessoas especiais como você!

    :)

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  5. Lucila em

    Adorei seu post Mi!!!

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  6. Cris em

    Michelle, isso tudo o que vc escreveu reforça ainda mais o que aprendi com o segundo filho. No primeiro, tudo é exagerado, novo, muitas vezes duvidoso e inseguro. No segundo, as coisas são mais leves, mais serenas, já aprendemos a pôr tudo em perspectiva. Amo mais a maternidade e meus filhos hoje, tendo dois, do que quando tinha uma só… mesmo o trabalho sendo mais que dobrado. Bjs e parabéns pelo menininho que vem por aí!

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  7. Michele Almeida Canhoto em

    Michelle,
    Quando você estava iniciando a sua segunda gravidez eu fiquei muito feliz por ti e estava pensando também em engravidar novamente e conversei muito, mas muito mesmo com o meu marido. Eu amaria ter uma menina e estava com gravidez psicológica.
    Mas tem uma coisa que eu não abro mão: ser uma pessoa tranquila, cuca fresca e outro filho muda muito a vida da gente.Quando Fernando nasceu eu me transformei em uma megera crítica e ninguém cuidava do meu filho melhor do que eu. Agora estou melhorando e voltando a ser eu e realmente não sei até que ponto eu estou pagando para ter outro filho.
    Meu filho é tranquilo e realmente não o vejo como filho mais velho e sim como filho único. Também sinto essa questão de irmão, afinal tenho três irmãs e meu marido tem um irmão. Mas a verdade é que todo mundo cresce e tem a sua vida e ele tem amigos e primos sempre presentes.
    Fico muito feliz por ti, sei que vai dar conta e a sua família será completa com o menininho. Eles são mais sapecas mas muito, muito carinhosos…
    Boa hora para ti, que ele chegue de uma maneira muito tranquila e seja um amor…e que a Mel também se apaixone por ele e não o veja como um aliado.

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  8. andreanny em

    Adorei o texto me ví as expectativas e agora vou tentar pensar mais em mim,marinheira de primeira viagem só tem em mente enxoval,gravidez tranquila,parto,amamentação,ganho de peso,nunca paramos para focar em nós.Vou refletir agora qd estiver ansiosa.Bjos estou adorando o blog,só uma dúvida para quando é seu DPP?o meu é para 18/11.

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  9. Jaque Alcantara em

    Ola cheguei aqui através do blog Vida Organizada e me apaixonei por tudo que li.Estou gravida pela primeira vez e estou tentando vivencia isso tudo de forma serena.Estava cheia de expectativas e duvidas e aqui através dos post,as coisas foi clareando.Obrigada !

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  10. Glaciele Braz Marinheiro em

    Olá Michele, adorei seu post, me identifiquei muito com suas palavras ou melhor, me clareou muita coisa com a sua reflexão, também sou muito ansiosa e tenho me visto tranquila com a segunda gestação, achei que fosse devido a falta de tempo, pelo fato do meu primeiro bebê ter menos de 2 aninhos e me ocupar por demais. Adorei refletir esse tema tão bom que é ser mãe com suas palavras, parabéns, Deus abençoe sua gestação! Pra quando será o irmãozinho da Mel? Minha princesinha e irmãzinha do Miguel chegará em dezembro. beijos.

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    1. Michelle Amorim respondeu Glaciele Braz Marinheiro em

      Oi Glaciele! A previsão é 15 de novembro. Obrigada pelo carinho :)

      Bjo

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  11. Johnk698 em

    Hi Dear, are you in fact visiting this website daily, if so then you will definitely take fastidious knowledge. deeegfadccdd

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  12. Raphaella em

    Bom dia!

    Lendo seu post me identifiquei com toda essa ansiedade.
    Tomei minha ultima pilula segunda feira, e estou ansiosa pra tudo…

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