15 jan 2013

Escrevendo um plano de parto e como eu escrevi o meu

Um adendo: Toda vez que falo de parto aqui no blog tenho que vir me explicar, como se eu tivesse feito algo errado ou proibido, sei lá. Vocês já sabem que esses relatos são baseados no que aconteceu comigo e no que eu acredito, pra mim. Só estou compartilhando. Sem julgamentos, por favor pessoal. Obrigada.

E sobre fazer um plano de parto, não custa repetir: Mesmo que a gente planeje, o rumo das coisas muda sem avisar. Por isso a preparação psicológica vale tanto.

Desde antes de ficar grávida eu já tinha convicção de que tentaria o parto normal. Mas naquela época, eu não sabia de metade das coisas que ocorrem numa maternidade ou hospital antes, durante e depois de um nascimento. Coisas que a gente simplesmente não pensa, não imagina, porque afinal, não faz parte do nosso dia a dia.

Um site que me ajudou bastante é o Amigas do Parto, onde pude ler mais sobre as práticas comuns nos hospitais e maternidades e também pude conhecer o tal “plano de parto“.

Para mim, e provavelmente para a maioria das gestantes, escrever um plano de parto é uma forma de refletir sobre o que você quer para você e seu bebê. Ver como se sente em relação às coisas que podem acontecer lá na maternidade. Para mim, é uma forma de se preparar. E isso vale para parto normal, natural e até cesariana.

Eu escrevi meu plano de parto com 8 meses de gestação. Dei uma cópia ao meu obstetra e outra ao meu marido, e pedi que lessem atentamente. Utilizei esse modelo aqui.

Como vocês sabem, meu parto ocorreu totalmente diferente do que eu poderia imaginar e meu “plano de parto” ficou a ver navios, de certa forma. Mais uma prova de que mesmo que a gente planeje, o rumo das coisas muda sem avisar. Por isso a preparação psicológica vale tanto.

Abaixo, você pode ler o que eu escrevi há mais de 2 anos atrás (por motivos de privacidade não colocarei os nomes completos). Entre parênteses, meu relato do que aconteceu na realidade.

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Imagem: Pintrest

 

Plano de Parto – Michelle Amorim

  • Bebê: Melanie
  • Marido: Alexandre
  • Obstetra: Dr. Hugo
  • Maternidade Nsa. Sra. de Fátima
  • Data provável do parto: 05.08.2010 (data do nascimento 02.08.2010)

 

Estou ciente de que o parto pode tomar diferentes rumos, mas meu desejo é pelo parto normal, que é muito importante para mim. Abaixo listei as minhas preferências em relação ao nascimento da minha filha Melanie, caso tudo transcorra tranquilamente. Caso os planos não possam ser seguidos da maneira como eu gostaria, quero ser previamente avisada e consultada a respeito das alternativas.

Durante o trabalho de parto

 Acompanhante: Meu marido, em período integral.

(Como meu trabalho de parto acabou acontecendo em casa e eu prefiro estar sozinha quando estou com dor, disse que ele deveria ir dormir e se eu precisasse, eu o chamaria. Eu lido melhor com a dor em silêncio e concentrada). Vale lembrar que o direito a um acompanhante é lei. Toda gestante tem direito a um, desde a entrada na maternidade até o nascimento do bebê.

• Lavagem Intestinal: Não gostaria que esse procedimento fosse realizado.

(Se rolasse a little shit no período de expulsão, fazer o que… Não era uma coisa que me preocupava, afinal, os obstetras devem ver isso direito, eu pensava.)

• Tricotomia: Não será necessária já que estou com a depilação em dia.

(Fiz uma depilação caprichada com cera quente (e na raça) com 39 semanas. Dali cinco dias a Mel nasceu.)

• Liberdade para andar, me mover e mudar de posição: Gostaria de permanecer na posição que me for mais confortável e andar sempre que sentir necessidade.

(Pra mim isso tudo era muito óbvio, nem precisava estar escrito num plano de parto. Se quisessem me impor alguma coisa, era só eu não fazer, oras – eu pensava. Como eu estava em casa, pude sentar, andar, pular, virar cambalhota, enfim, deitar e rolar na hora das contrações. Considero que foi importantíssimo para mim no período de dilatação poder me mover livremente, sentar, levantar, agachar, enfim. Liberdade nessa hora é tudo pessoal.)

• Analgesia: Apenas se eu solicitar. Não gostaria que me ficasse sendo oferecida a todo instante.

(E eu não solicitei – pelo menos não formalmente, só na minha cabeça em meio aos xingamentos na hora da dor – até os 10cm de dilatação, afinal, eu estava em casa – vou repetir isso mais algumas vezes nesse texto ainda. Tomei a Raquianestesia doze minutos antes da Melanie sair, somente para o período expulsivo mesmo, pois estava literalmente desmaiando de dor.)

• Sobre o uso de Ocitocina ou qualquer medicamento para indução ou aceleração do trabalho de parto: Apenas sob REAL necessidade médica e depois de me serem apresentadas todas as alternativas.

(Não foi necessário.)

• Rompimento forçado da bolsa: Apenas depois do início do trabalho de parto e sob real necessidade médica.

(Minha bolsa rompeu ao final da dilatação, quando durante uma contração eu acabei caindo no chão de joelhos.)

• Infusão intravenosa: Apenas se houver uma real indicação médica. Não gostaria de nada que atrapalhe minha mobilidade.

(Não foi necessária no trabalho de parto. Mas lembro que me colocaram um soro durante o período de expulsão – que durou tipo 1 minuto, vale lembrar…)

• Monitoramento Fetal Eletrônico: Apenas se houver real indicação médica. Idem acima.

(Não houve monitoramento de nenhuma espécie, já que eu estava em casa.)

• Exame de Toque: Não gostaria que fosse realizado com frequência, pois acho muito desconfortável.

(Foram feitos dois exames de toque num período de 5 horas e nos dois eu estava com 2cm de dilatação. Depois não mais, já que quando cheguei na maternidade a dilatação era total e a Melanie estava ali, pronta para sair.)

• Quero poder tomar água ou comer durante o trabalho de parto, caso eu sinta necessidade.

(Duvido que na maternidade eles tivessem me deixado comer ou beber! No início do trabalho de parto eu tomei sopa. E tomei muita água, claro. Como eu estava em casa, pude fazer isso. Depois eu vomitei… só pra constar.)

• Uso da água no trabalho de parto: Se eu sentir necessidade, quero ter liberdade para usar o chuveiro e/ou banheira, se disponível.

(Usei o chuveiro de casa, sentada num banquinho, no início e no final do trabalho de parto. No apto onde morávamos não tinha banheira, o que teria sido bem legal para aguentar as dores.)

• Objetos pessoais no quarto: …

(Eu bem que gostaria de um CD especial, flores, algo que deixasse tudo mais aconchegante. Mas obviamente não deu tempo de levar nada, tamanha a correria que foi meu parto. Sobre usar a roupinha azul da maternidade, não tive nenhum problema com isso. Hoje eu já não sei… mas não é uma coisa de suma importância pra mim.)

Durante o parto em si

• Presença do meu marido e meu obstetra.

(Não gostei de não terem deixado meu marido ao meu lado enquanto eles me colocavam na mesa no centro cirúrgico, mas é uma prática comum em hospitais e maternidades. Não entendo o por que dessa separação. Só o deixaram entrar quando eu já estava a postos, pronta para empurrar. Na sala, estavam eu e meu marido, meu obstetra, o anestesista e uma enfermeira.)

• Posição no período de expulsão: Aquela que me for mais confortável. Não gostaria de ficar totalmente deitada já que isso não favorece o período de dilatação e muito menos o de expulsão.

(Na real: fiquei na posição que me colocaram (deitada), urrando de dor, já que eu não sabia mais quem eu era naquela altura do campeonato… Como eu já estava com total dilatação e a Melanie já coroando, como dizem, pra mim não fez diferença estar deitada.)

• Não quero que minha barriga seja empurrada e qualquer manobra que seja necessária, sob real necessidade médica, deverá ser informada antes. Também não quero que meu bebê seja puxado. Iremos aguardar o tempo dela.

(Não houve necessidade de nada assim)

• Episiotomia: Se for realmente necessária, conforme conversamos eu e meu obstetra, estou de acordo. Com anestesia local.

(Ela foi feita e levei 3 pontos. Acho que a maioria dos obstetras sempre irá dizer que ela é necessária, por medo de ter que lidar com uma laceração, mas sabemos que necessária ela não é não. Porém ter feito a episiotomia não é uma coisa que me incomoda, nem lá no dia do parto nem hoje. A cicatriz existe sim, mas não dói, nem física nem emocionalmente, porque afinal, eu consenti. Vai de cada um.)

• Ambiente no momento do nascimento: Gostaria de luzes suaves e pouco barulho, o nascimento Leboyer.

(Claro que era isso que eu queria, mas escolhi uma maternidade old school (eu tinha nascido lá há 29 anos atrás) e sabia que “o sistema” não me permitiria tais exigências. Eu lembro das luzes estarem fracas, mas aquela lâmpada super forte estava apontada para o local de saída do bebê, ou seja, para o rostinho da Mel assim que ela viesse ao mundo. Hoje eu questionaria isso, porque acho muito agressivo para um bebê com segundos de vida uma luz fortíssima daquelas, “na cara”. O profissional precisa da luz, claro, mas ela poderia ter sido direcionada para outro lado quando a Melanie ia sair. Sobre o barulho, disso não posso reclamar. Durante todo o procedimento, houve um silêncio muito natural, especialmente na hora em que a Melanie nasceu. Tive sorte de que os profissionais que estavam presentes respeitaram o nosso momento).

• Gostaria do clampeamento tardio do cordão umbilical, somente quando deixar de pulsar:

(Sim, sim e sim, escrevi. Não, não e não… na real. Meu obstetra alegou que por eu ser Rh negativo e meu bebê Rh positivo isso não seria possível. Hoje eu pesquisaria mais a respeito e colheria outras opiniões.)

• Gostaria que meu bebê fosse colocado imediatamente no meu colo e se houver necessidade de succionar as vias respiratórias, prefiro que seja feito enquanto ela estiver comigo.

(Sim, ela veio direto pro meu peito, toda cheia de sangue a bichinha, ganhou um super beijo na testa e ficamos assim por algum tempo. Não sei dizer com certeza se houve sucção das vias respiratórias, mas acredito que não. Ela saiu e veio pro meu colo muito rapidamente. Como no líquido da bolsa havia mecônio, ela foi levada para a sala ao lado, para ser examinada e verem se ela não tinha aspirado nada. Graças a Deus não. Ela teve apgar 9 e 10. Meu marido a acompanhou durante todo o processo.)

• Vínculo mãe x bebê: Gostaria que minha filha permanecesse conosco o tempo todo, já que a maternidade possui o alojamento conjunto. Nas saídas para pesagem, exames e banho, o pai a acompanhará sempre.

(Um dos motivos para que eu tivesse escolhido aquela maternidade, era o chamado alojamento conjunto. O bebê fica com a mãe 24h. Porém, como na maioria, assim que nasce o bebê passa pelos primeiros cuidados (bastante discutíveis, falaremos deles abaixo). Depois que nasceu, a Mel ficou uns minutos deitada no meu peito, foi para a sala de primeiros exames e cuidados e voltou uns 10 minutos depois, enrolada no charutinho, quando eu ainda estava no centro cirúrgico para a saída da placenta. A levaram novamente, alegando que ela ficaria coisa de uma horinha no berço aquecido, para que eu me recuperasse. Na minha inexperiência, eu achei que uma hora era ok. Meu marido acompanhou os exames e procedimentos e eu fiquei no quarto me recuperando. Mas acabaram sendo duas intermináveis horas de separação pra mim.  Hoje me pergunto que calor maior eles querem do que o de colo de mãe? Essa é outra coisa com a qual eu me preocuparia e questionaria mais hoje em dia).

• Amamentação imediata: Sim, gostaria de amamentar minha filha assim que ela nascer.

(Obviamente que isso não aconteceu. Ficamos duas horas afastadas, porém assim que a trouxeram para o quarto me incentivaram a dar de mamar. Tive uma ótima assistência nesse quesito pelo pessoal da maternidade (e em todos os outros, na verdade). Era uma preocupação constante de todas as enfermeiras que passavam para checar como a gente estava. As especialistas em amamentação passavam duas vezes ao dia e eu podia chamá-las a hora que precisasse.)

• Aguardar a expulsão espontânea da placenta.

(Saiu super rápido).

Caso uma cesárea seja necessária

• Permitir o início do trabalho de parto antes de efetuar a cesárea.

• Presença do meu marido durante a cirurgia.

• Gostaria de ser informada sobre cada procedimento associado à cesárea (testes, tricotomia – não será necessária – sonda urinária, etc).

• Uso de anestesia peridural sem sedação.

• Não gostaria de ter minhas mãos presas, caso não seja possível, gostaria que fossem soltas assim que meu bebê nascer, para poder segurá-la.

Cuidados com o bebê

• Não oferecer água glicosada, leite artificial, mamadeiras, chupetas ou qualquer tipo de bico.

(Essa é uma regra que eles fazem questão de cumprir, mesmo assim eu escrevi.)

O que eu gostaria de ter me informado melhor e dado uma maior atenção (e que ficará para um próximo plano de parto)

• Às luzes fortíssimas no rostinho do bebê assim que nasce. Se for possível, quero evitar. Como já disse ali em cima, acho agressivo com o recém nascido. Não acho que uma luz mais amena prejudicará a visão do(a) obstetra.

• Administração de Nitrato de Prata ou antibióticos oftálmicos: Se os exames da mãe para Streptococo, Clamídia e Gonorréia deram todos negativos, a administração desse colírio perde a utilidade e ainda pode causar conjuntivite química no recém nascido. Além disso, ele interfere na visão do bebê, que é tão importante nesse início de vínculo e contato com a mãe. Essa é uma prática comum nos hospitais e maternidades, porém totalmente discutível.

• Administração da Vitamina K, que previne a hemorragia no período neonatal: Hoje eu pediria que a Vitamina K fosse aplicada (é uma injeção) com o bebê nos meus braços, a fim de tentar minimizar a dor sentida por ele, ainda tão pequeno.

• Não gostaria que houvesse separação (como houve com a Mel, de duas horas aproximadamente). A não ser por real necessidade médica, claro.

Eu provavelmente vou adicionar mais tópicos nessa lista, com o passar do tempo.

Links interessantes sobre parto e plano de parto:

 

E você? Já escreveu seu plano de parto?

46 comentários no blog

  1. Renata em

    Parabéns pelo post!

    Um site super legal também para auxiliar as mamães na elaboração do plano de parto é o do Nucleo Bem Nascer.

    http://www.nucleobemnascer.com.br/destaques/como-escrever-seu-plano-de-parto

    Beijos!

    Responder
    1. Michelle Amorim respondeu Renata em

      Oi Renata!

      Obrigada. Já adicionei o link ao post. E nesse último link eu já tinha usado como fonte o Nucleo Bem Nascer :)

      Bjo

      Responder
  2. Mamãe do Otávio em

    Fiquei mal lendo…
    Tanta coisa aconteceu comigo que até hoje não consigo falar ou entender.
    Acho que nunca mais quero engravidar… ai ai #totalmentetraumatizada

    Responder
    1. Michelle Amorim respondeu Mamãe do Otávio em

      Own, Tamis, o que houve? Tem relato do nascimento do Otávio no teu blog?

      Abraço bem apertado <3

      Responder
  3. Gabi em

    Mi, eu arrepio de ver os Planos de Parto, fico impressionada de como amamos estes bebês antes de eles estarem nos nossos braços!

    Se o João nascesse mil vezes eu ainda teria coisas a melhorar e, ainda assim, seria perfeito. Isso é ser mãe, né!

    Responder
    1. Michelle Amorim respondeu Gabi em

      Ah, com certeza Gabi! A gente ama essas coisinhas e quer o melhor pra eles mesmo antes de conhecermos seus rostinhos :)

      O legal é que o tempo vai passando e vamos colhendo mais e mais informações. Isso pra mim é muito importante!

      Bjo

      Responder
  4. Mirela em

    KKKKK, eu não fiz plano de parto pq confio plenamente na minha obstetra e creio que na hora eu não ia lembrar de nada… Eu internei com 1cm de dilatação pq precisava de fazer um antibiótico antes do parto. Com 5cm minha médica chegou e sugeriu a ocitocina e eu aceitei, pq ela havia acabado de deixar um plantão de 12h e, como meu marido já fez muitos assim, sei como é cansativo para eles. E só dela estar ali com a maior carinha boa, topei. E foi ótimo, em menos de duas horas de indução Heitor nasceu. Eu quis analgesia, pq não sou tão forte assim e acho que foi ótimo, pq eu já não estava mais no meu corpo, rsrsrs… A dor nos tira a lucidez! A luz estava na cara da criança, mas o silêncio era total. Como ele não chorou de imediato, não o trouxeram pra mim, mas meu marido foi atrás dele e eu fiquei muito calma. Graças à Deus correu tudo bem e meu pimpolho está a 10 dias de fazer 3 meses!

    Responder
    1. Michelle Amorim respondeu Mirela em

      Oi Mirela!

      Ah, que legal que deu tudo certo! Confiar 100% no profissional que está com você é essencial.

      Dizem que as contrações depois da Ocitocina doem mais. Mas n seu caso foi super rápido, né?

      Bjo

      Responder
  5. Camila em

    Nossa, quanta coisa que eu não sabia. Vou começar a ler mais sobre o assunto, pois afinal, estamos providenciando um bebezinho para esse ano.

    Responder
    1. Michelle Amorim respondeu Camila em

      Eeeeee que legal Camila! Então tem que continuar acompanhando o VM :) Boa sorte!

      Bjão

      Responder
  6. R. em

    Acho que só um PS poderia ser adicionado: que por mais que planejemos, por escrito ou não, que tenhamos consciência de que outras coisas bem diferentes podem acontecer. Digo isso para que depois não nos sintamos tão mal caso as coisas não aconteçam segundo o roteiro. Se a gente tem essa consciência, pode evitar muita dor, sofrimento e culpa…
    Eu tive de passar por uma cesariana sem entrar em trabalho de parto. Não queria isso, fiquei muito chateada, mas eu pensei que aquele momento teria de ser de alegria, independente da forma que acontecesse, pois era o nascimento de um filho, ora! Depois que o bebê nasce e está tudo bem com ele e conosco também, o restante fica para trás.
    Então, o conselho que posso dar é que fiquemos calmas, ou pelo menos tentemos ficar tranquilas, o nosso estado emocional talvez seja o que há de maior interferência no momento do parto, normal ou não.
    Abraços!

    Responder
    1. Michelle Amorim respondeu R. em

      Com certeza Renata! Por isso fiz questão de escrever:

      “Como vocês sabem, meu parto ocorreu totalmente diferente do que eu poderia imaginar e meu “plano de parto” ficou a ver navios, de certa forma. Mais uma prova de que mesmo que a gente planeje, o rumo das coisas muda sem avisar. Por isso a preparação psicológica vale tanto.”

      A gente não pode prever o futuro, mas pode se preparar psicologicamente e até fisicamente para o nascimento, seja ele parto ou cesárea ;)

      Bjo

      Responder
      1. R. respondeu Michelle Amorim em

        rsrsrs… por isso comentei que a forma de PS ou até mesmo de advertência antes do post pode evitar outras leituras diferentes da que está expressa. O seu texto é muito claro ao informar que essa foi sua experiência, e não a verdade absoluta. É o relato de uma mãe quanto ao nascimento de sua filha.
        Enfim, eu só quis dar esse meu pequeno conselho porque fiquei muito, mas muito mal por descobrir na última semana de gravidez, praticamente, que meu GO era quase que um cesarianista. Eu havia pesquisado, sabia que ele fazia PN e tudo mais, inclusive em todo pré-natal eu sempre perguntava das minhas chances de PN que, segundo ele, eram bem altas. Entretanto, minha situação foi bem específica, relacionada, acredito eu, a questões de logística de hospital mesmo, e acabou que tive de encarar a cesariana sem entrar em trabalho de parto, algo que eu não esperava. Eu estava pronta para uma cesariana caso fosse necessário, se eu estive em contrações e não dilatasse nada, por exemplo. Mas aí eu tive essa surpresa…
        Enfim, foi só isso mesmo. Eu só quis falar isso para que, caso aconteça com alguém, não entrar no centro cirúrgico chorando ou se culpando. Nossos bebês precisam da nossa tranquilidade. Pode parecer autoajuda barata, mas no fim, tudo dá certo, não é?!
        Abraços!

        Responder
        1. Michelle Amorim respondeu R. em

          Oi Renata!

          Que bom que você entendeu (e acredito que a maioria das minhas leitoras sempre compreende meus textos tbm). Já coloquei um adendo lá em cima, mas confesso que me cansa ter de me explicar sempre, sabe?

          Só to aqui para compartilhar, somar e nunca recriminar ou diminuir :)

          E acho que você está certíssima quanto a essa diminuição de expectativas e tudo mais. Até tenho um post sendo preparado sobre esse assunto: culpas e cobranças. Logo mais termino.

          Bjo

          Responder
          1. R. respondeu Michelle Amorim em

            Pois é, e ainda para complicar, eu praticamente não amamentei com LM! :(
            Tudo fugiu do que eu desejava… foi duro!! E quase enlouqueci, sério, kkkkk.
            Daí meu pensamento de tentar também compartilhar isso aqui, pois nossos babies nos merecem bem para cuidar bem deles. Quando tive essa compreensão, deixei para trás esses ressentimentos, e aí curti muito mais e melhor!
            Beijos!

            Responder
        2. Michelle Amorim respondeu R. em

          Não consegui te responder pelo último comentário, bugs de layout….

          Idem Renata. Minha experiência com a amamentação foi muito mais curta do que eu imaginava. Outro assunto vindouro aqui no blog :)

          Bjo

          Responder
    2. Ana C. respondeu R. em

      Melhor comentário que vi até aqui. Não recrimino nem desmereço quem faz o plano de parto, mas discordo da forma de pensar de algumas pessoas.
      Ana Claudia.

      Responder
      1. Michelle Amorim respondeu Ana C. em

        Meus textos no blog tem uma função bem clara Ana: compartilhar a minha experiência e as coisas que acredito. Eu nunca ditei isso ou aquilo como verdade absoluta. Sempre digo que cada um sabe da sua vida e decide o melhor pra si. Isso é indiscutível. Mas nem por isso eu deixo minhas convicções, porque afinal, são minhas.

        É meio que chato toda vez que faço um post falando de parto ter que vir me explicar. Juro.

        Responder
        1. Ana C. respondeu Michelle Amorim em

          Sim Michelle, concordo, assim como eu acho que o espaço aberto aqui é para expormos a nossa opinião. Eu apenas não concordo com a forma de pensar de ALGUMAS pessoas, não disse que não concordava com a sua forma de pensar. Respeito e admiro sua visão, mas tenho a minha,assim como todas tem.
          E com roda sinceridade, acho seu blog muito bacana, útil, e não posso deixar de dizer que muitas vezes me ajudou muito.
          Peço desculpas pelo desconforto, não foi minha intenção fazer você se explicar, assim como não expliquei o motivo pelo qual discordo.
          Mas você continua de parabéns.

          Responder
          1. Michelle Amorim respondeu Ana C. em

            Claro Ana, o espaço é aberto e nem moderados os comentários são (só se alguém me xingar, o que até o momento nunca aconteceu), rs. Não houve desconforto não, pelo menos não apenas pelo seu comentário.

            Fico feliz que você goste do blog e entenda as minhas opiniões e meus textos. E você poderia discordar de mim ou de qualquer pessoa, mas é que você não explicou, como você mesma disse ;)

            Responder
  7. Paula Borges em

    Amei a matéria!!!!
    Já amava o blog antes, to amando mais ainda sabendo que vc é ativista do parto normal, muito bacana!
    Estou com 25 semanas e espero conseguir o meu!!!
    Um beijo pra vc e pra linda Mel!

    Responder
    1. Michelle Amorim respondeu Paula Borges em

      Oi Paula!

      Olha, não sei se sou ativista, mas que sou entusiasta do PN eu sou :)

      Bjo e obrigada pelo carinho

      Responder
  8. Priscilla em

    Confesso que quando li o post fiquei um pouco preocupada. Sou mãe e obstetra e não aprovo acompanhamento de trabalho de parto ou parto domiciliar. Parto humanizado deve ser aquele onde a mãe e o bebê tem a sua saúde resguardada. Obstetrícia é uma caixa de surpresa e cada gestação é diferente da outra. Felizmente um grande número de gestantes tem uma boa evolução do trabalho de parto e dão a luz como o planejado, mas as intercorrências acontecem e temos que estar prontos para intervir já que minutos fazem TODA a diferença. Sou totalmente a favor do parto vaginal mas desde que acompanhado por um obstetra no ambiente hospitalar, com o bem estar fetal assegurado e com toda a estrutura necessária para qualquer intervenção. É fundamental confiar no médico e esclarecer todas as duvidas durante a gestação. Não é nenhuma derrota ter que fazer uma cesariana. Acho que o melhor plano é aceitar a sua história e do seu bebê. Afinal o que importa é a alegria de tê-los aqui.

    Responder
    1. Michelle Amorim respondeu Priscilla em

      Priscilla,

      Acho que você não entendeu direito.

      Meu parto aconteceu assim, não foi uma coisa que eu planejei ou quis (ter o trabalho de parto em casa). Tanto que termino meu relato dizendo que da próxima vez irei antes para a maternidade. É apenas o meu relato de como as coisas aconteceram e não de como eu acho que devam acontecer. Tem uma diferença grande aí.

      Eu não me sentiria segura de realizar um parto domiciliar, apesar de ocorrerem tantos e com sucesso hoje em dia. Mas essa é a forma como EU me sinto.

      E em nenhum momento eu disse que condeno a cesárea. Sou entusiasta do parto normal e dou um super apoio a quem queira tentar, mas não interfiro nas decisões das pessoas nem imponho o que eu acho certo. Cada um sabe da sua vida e decide o que é melhor pra si e para seu bebê.

      Responder
    2. Gabi Sallit respondeu Priscilla em

      Priscilla, como deve saber, a OMS preconiza que o lugar mais adequado para o parto é onde a mulher se sente segura – seja no hospital, em casa de parto ou na sua casa. E a OMS não “acha” nada. Ela se baseia em evidências científicas.
      Em um país como o Brasil, no qual mais de 80% dos bebês, na rede privada, nasce via cesárea, temos que repensar a conduta dos profissionais de saúde. O conservadorismo que faz entender o ambiente hospitalar como imprescindível tem nos prejudicado, já que acaba redundando em intervenções desnecessárias em mulheres saudáveis, que paririam naturalmente. As estatísticas comprovam que está aumentando o número de bebês nascidos com baixo peso e que o índice de internações em UTI neonatal é mais comum entre nascidos por via cirúrgica.
      Entendo sua opinião e também acho muito importante aceitar a nossa história, mas, para mim, o essencial é construí-la.
      O Plano de Parto é isso: mulheres retomando a ingerência sobre seu corpo e o bem-estar de seus filhos, baseadas em estudo, informação de qualidade e parceria – não delegação – com os profissionais de saúde.
      Espero ter contribuído para o debate!
      Um grande abraço!

      Responder
    3. Rosa respondeu Priscilla em

      Você não tem que aprovar nada sobre o parto das pessoas! Se o parto é seu, depende da sua aprovação, caso contrário, sua aprovação não muda nada, e nem cabe no parto e nascimento dos outros!

      Responder
  9. Bia em

    Muito legal, Michelle!!!!!
    Tb fiz um plano de parto, foi parto normal, mas com algunas coisinhas q nunca saem como idealizamos. Enfin, o q importa é que amei e ter toda essa clareza na cabeça ajuda muito.
    E tem gente pegando no pé com isso? Mas ora ora…que bobagem!
    Beijo!

    Responder
  10. Flávia Rebelato em

    Oi Mi, adorei o post! Acho bem bacana vc fazer esse plano de parto, hoje em dia é muito comum mesmo. Está evidente no post que ele nao ocorre 100% como vc quer…lógico né meninas, como tudo na vida…eu acho que vcs deviam perder menos tempo discutindo com a forma da Michelle se expressar e deixar os seus relatos de parto aqui nos comentários, isso sim é importante e acrescenta alguma coisa #invejinhadopartonormal…heheh
    Minha opinião: PARTO NORMAL….TUDO DE BOM!TE QUE TER ORGULHO NESSE BRASILZAO DE CESÁRIA
    ABRAÇO

    Responder
  11. Thais em

    Quando minha filha Leticia nasceu em 2009 eu tambem planejei bastante, fiz plano de parto e tudo mais, mas como tudo nessa hora é imprevisto, entrei em trabalho de parto com 35 semanas, cheguei na maternidade com 4cm de dilatação, quando monitoraram ela descobriram que ela não estava bem, então tiveram que me colocar no “sorinho”rsrsrs pra acelerar o parto…ela nasceu 3 horas depois. Assim que nasceu ela veio pro meu colo, pude abraça-la, tirar fotos com ela e meu marido, infelizmente logo em seguida ela foi pra UTI pois estava com desconforto respiratório devido a uma infecção neonatal…

    mesmo com todos esses imprevistos é muito importante sim panejar seu parto, conversar com seu obstetra, conhecer muito bem a maternidade escolhida e acima de tudo se preparar para que mesmo que tudo saia do plano inicial vc possa aproveitar cada momento e fazer dele um momento único e importante!!!!

    Responder
  12. Negra Jack em

    Gente do céu estou eu aqui querendo engravidar e nem sabia que plano de parto existia . rsrsrsr!
    Legal vc coloca aqui essas coisas sabe,a gente aprende muito ,infelizmente a realidade da maioria das mulheres e bem diferente,parto pelo sus,e sem escolha de obstreta. Mais achei o post bem interessante. Parabens pelo blog.

    Responder
  13. Shymenni em

    Amei ler o Relato do nascimento da Mel, fico em êxtase todas as vezes que leio relatos de PN, pois estou em busca do meu.
    Infelizmente no nosso Brasilzão, parir se tornou algo pelo qual devemos batalhar, lutar constantemente, pois a medicina tomou a frente dum momento que é natural, o nosso corpo nasceu para isso (salvo as exceções onde uma cesárea realmente é bem indicada, cerca de 15% das mulheres precisam desse tipo de procedimento).
    Eu ja tenho uma cesárea, muito mal indicada por sinal, onde fui infelizmente enganada por um GO que só pensou em seu bem estar financeiro.
    Hoje, após buscar bastante informação me sinto preparada para parir, para efetivamente poder ter um parto, sem permitir que me seja roubada a chance de trazer meu filho ao mundo, como da outra vez!
    Sobre o PD, só não o terei por

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  14. Shymenni em

    Amei ler o Relato do nascimento da Mel, fico em êxtase todas as vezes que leio relatos de PN, pois estou em busca do meu.
    Infelizmente no nosso Brasilzão, parir se tornou algo pelo qual devemos batalhar, lutar constantemente, pois a medicina tomou a frente dum momento que é natural, o nosso corpo nasceu para isso (salvo as exceções onde uma cesárea realmente é bem indicada, cerca de 15% das mulheres precisam desse tipo de procedimento).
    Eu ja tenho uma cesárea, muito mal indicada por sinal, onde fui infelizmente enganada por um GO que só pensou em seu bem estar financeiro.
    Hoje, após buscar bastante informação me sinto preparada para parir, para efetivamente poder ter um parto, sem permitir que me seja roubada a chance de trazer meu filho ao mundo, como da outra vez!
    Sobre o PD, só não o terei porque meu marido não tem confiança o suficiente para isso, mas o mesmo é sim muito seguro dentro de uma gestação sem riscos pré existentes, diferente do que eu li em algum comentário acima!
    Bom, para finalizar, gostaria mesmo de te parabenizar e agradecer em poder partilhar desse momento tão intimo e lindo com todos que tem acesso ao seu blog!
    Gratidão por mais conhecimento adquirido!

    Beijos

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  15. Linda em

    Agora eu entendo porQue os medicos brasileiros cobrem Tao Caro para fazer UM parto.
    Passar 10 anos estudando Para terem que aturar todo dia essas gestantes dizendo como eles devem trabalhar.
    Pqp!
    Até dizer a intensidade da luz que eles devem ter enQuanto estāo trabalhando.

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    1. Michelle Amorim respondeu Linda em

      Pois é Linda, que absurdo a mãe se preocupar com o bebezinho que ela está carregando por nove meses e dará a vida ao invés de se preocupar com o que é melhor para o médico, né? Coitadinho. Essas gestantes são muito abusadas mesmo.

      PQP.

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  16. renata em

    Muito Obrigada por esse modelo!! Nossa amei seu blog. Quando minha doula falou pra fazer um plano de parto, pensei comigo “que besteira, eu me esforcei tanto para ter um médico particular favorável ao parto normal e uma doula justamente para confiar na equipe” e foi justamente quando vi o seu modelo de plano que entendi que realmente tinham coisas para pensar, para se resguardar de imprevistos e também para se preparar para o momento. Realmente, muito obrigada mesmo!

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  17. Elielma em

    olá Michelle, visito seu blog todos os dias ,gosto muito das suas postagens,seus filhos sao liindos!gostaria que vc me ajudasse em uma duvida ,sou mãe de um menino liiindo,que amo muito daqui um tempo quero muito engravidar denovo,o que deus me mandar ta otimo, mas sonho muito em ter uma menina,meu tipo sanguineo é O-, e o do meu esposo é A+, quando tive meu filho tomei uma vacina chamada MATERGAN,que toda mãe de rh-,que tem filhos rh+ precisa tomar,eu tomei porque o tipo sanguineo do meu filho é O+,muita gente diz que eu nunca vou poder engravidar de uma menina por causa do meu tipo sanguineo,dizem que quem tem esse tipo de sangue O- se tiver o primeiro filho do sexo masculino todos os outros também serão do sexo masculino,e se o primeiro filho for do sexo feminino todos os outros também serão do sexo feminino, … dizem que o primeiro filho determina o sexo dos outros filhos em mulheres com sangue O- e parceiro de sangue A+…maas andei pesquisando na net e pelo que entendi isso nao tem nada haver porque o que determina o sexo do bebe é o espermatozoide…minha sogra tem esse mesmo tipo sanguineo que eu e teve 4 filhos todos do sexo masculino…uma conhecida da minha mae teve 3 meninas…e a mae da minha amiga teve 3 meninos sera que isso é verdade?
    vc conhece alguem que tem esse mesmo tipo sanguineo e teve filhos de amos os sexos? se vc puder me ajude por favor,ficou muito grata desde já,obrigada!

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    1. Michelle Amorim respondeu Elielma em

      Olá Elielma, tudo bem?

      Olha, eu nunca ouvi falar disso, sabe? Acredito que seja um mito ou crença popular.

      Minha mãe tem sangue tipo O- e teve uma menina e um menino, eu e meu irmão :)

      Bjo e boa sorte

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      1. Elielma respondeu Michelle Amorim em

        obrigada ,tambem acho que é mito! bjs fica com deus

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  18. Keila Bedin em

    Maravilhoso, me ajudou muito!

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  19. ariany em

    olha, gostei muito e to querendo fazer o meu… Muitas maes falam para na hora que chegar na maternidade pedir para protocolar o plano de parto junto à ficha, vc sabe como funciona isso? pode me dar dicas pelo meu email? eu tbm queria saber mais sobre a tricotomia, pois tb nao queria fazer, mas nao tenho coragem de tirar com a cera, pois só usei cera uma vez e só em cima, e acho que nao aguentaria agora :/

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  20. Karla Adriana em

    BEM ESCLARECEDOR….

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  21. Lívia em

    Olá, adorei seu blog e esse relato de plano de parto. Tenho pesquisado bastante sobre o assunto, pois decidi pelo PN e sei que a maioria dos hospitais não apoiam muito, por isso é bom ter um obstetra que te apoie. Minha dúvida (e receio) é quando à episiotomia. Não quero ter que precisar fazer, mas como você fez, queria saber a tua opinião a respeito da vida sexual após, pois li muitos relatos em que afetou muito. Obrigada, beijo!

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