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Escolhendo um caminho para educar

mel_livros_blog vida materna

Imagine que você vai para o seu primeiro dia de trabalho naquela multinacional grandiosa e comandada por pessoas que você considera feras no ramo. Pessoas que você admira e respeita.

Você é, então, apresentado aos diretores e em pouco tempo de conversa percebe que eles discordam o tempo todo e que lhe dão instruções completamente opostas sobre as suas funções, direitos e deveres dentro da empresa. Enquanto um diz para você ir para a direita, o outro o manda para a esquerda.

O que você pensaria? Que aquelas pessoas estão totalmente perdidas no comando da empresa, certo?

Eu acho que é assim que uma criança se sente quando os responsáveis por sua educação adotam posturas opostas e agem de maneiras muito diferentes. Algo como “poxa, mas eles não parecem saber o que estão fazendo… então, acho que vou fazer do meu jeito mesmo”. Essa é a mensagem que a criança recebe.

É claro que cada um tem seu temperamento, seu jeito de falar, de pensar e de sentir as coisas. Ninguém precisa mudar sua personalidade para educar um filho. Só é preciso que ambos escolham o mesmo caminho. E também, não é que alguém ali esteja cem por cento certo ou errado. O negócio está em se definir uma conduta e segui-la. E quase sempre o melhor caminho é o do meio, o do bom senso.

Muitas pessoas podem dizer que isso não acontece com elas porque, por exemplo, têm um companheiro ou companheira que segue suas linhas de raciocínio e seus ideais. Até eu poderia dizer isso!

Acontece que, depois que os filhos nascem, depois que aquela mini pessoa está ali, à mercê do que você irá passar a ela, as coisas mudam. A gente se vê em situações de mãos atadas, de mato sem cachorro e a gente se angustia, se aflige, sente medo. E com medo, a gente nem sempre sabe como agir, porque não enxerga claramente.

É medo de magoar, de fazer chorar. É medo de ser muito rígido ou de ser muito mole. É medo de ceder e não ser respeitado depois ou de não ceder e estar sendo duro demais.

É difícil achar o caminho do meio. Aliás, a gente até acha o caminho do meio, mas às vezes deixa de segui-lo. Por medo, por pressão, por cansaço.

Um bebê nasce tendo que aprender tudo, desde respirar fora do útero até a caminhar, mais tarde. Da mesma forma, ser pai, ser mãe, é algo que se aprende, que se constrói. E é uma longa caminhada. Aquela em que a cada passo você descobre algo novo, cai ou muda de ideia.

Uma pessoa muito querida (e sabida) me disse para fazermos uma lista de comportamentos e definirmos, juntos, as atitudes que seriam tomadas para cada uma delas. Para evitarmos essa confusão na cabeça dos pequenos – especialmente da Melanie, que irá completar 4 anos.

Situações das mais diversas, como aquelas que atentam contra a saúde e integridade física ou emocional de qualquer um (estar perto de uma janela ou de um lugar que tenha perigo de se machucar, bater num amigo, não querer dar a mão para atravessar a rua, etc), passando pelas situações mais rotineiras como não querer comer, querer comer na sala e não a mesa junto com a família, não querer tomar banho ou dar piti no supermercado até aquelas situações de preferência mesmo, do tipo preferir vestir uma blusa que tecnicamente não combina com o resto da roupa. E por aí vai.

A gente senta, conversa, discute os aspectos de cada comportamento e decide junto que atitude tomar. E é algo bem positivo porque vocês acabam mudando de ideia em relação a várias coisas. Ou chegam a conclusão de que o caminho não é aquele que vocês pensaram, lá no início. Conversar é sempre muito positivo e benéfico numa relação. Agrega mais conhecimento – próprio e da pessoa que está ao seu lado. E o principal: deixa a criança mais segura de si mesma e de como lidar com seus sentimentos e frustrações.

Como já sabemos, algumas situações são negociáveis e outras não. Com o tempo, aprendemos quais brigas valem a pena serem compradas e quais apenas causarão stress para você e seus filhos. Mas, se você os educa em conjunto com outra pessoa, é essencial que vocês sigam pelo mesmo caminho, ainda que sendo vocês mesmos. É o que tenho aprendido nesses anos.

Esses dias uma leitora me escreveu dizendo que gostava do blog porque junto com a maternidade eu praticava o autoconhecimento. E eu acho que é isso mesmo, ela definiu perfeitamente o que existe na maioria dos meus textos: uma pessoa se conhecendo, se reconhecendo e se reinventando como mãe, todos os dias.

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