03 maio 2013

Educação emocional

Para educar bem uma criança, não basta considerar só o seu intelecto, é preciso mexer com uma dimensão da sua personalidade que, de maneira geral, vem sendo ignorada pelos pais: a emoção.

A educação emocional hoje é tão necessária que, mais do que nunca, deverá fazer parte do currículo escolar assim como ser conteúdo integrante da educação dentro da família.

A família é a nossa primeira escola de aprendizado emocional. Herdamos uma tradição de fazer pouco dos sentimentos da criança, simplesmente porque ela é menor, menos racional, menos experiente e mais fraca que os adultos.

Levar a sério as emoções da criança exige empatia, a capacidade de ouvir e ver as coisas pela sua ótica. Somos produto de uma cultura em que as emoções não devem ser manifestadas, principalmente pelos meninos.

A base para quem quer se tornar um pai ou uma mãe melhor é fazer um exame de consciência para avaliar sua prática educativa e se necessário, buscar novas formas e estratégias para desempenhar a importante tarefa de educar. Levar em conta as emoções da criança, assim como as suas próprias emoções, é condição sine qua non, para uma educação de verdade.

O psicólogo John Gottman, após uma pesquisa realizada com famílias americanas, aplicando conceitos de inteligência emocional para uma compreensão da relação entre pais e filhos, concluiu que existem quatro tipos de pais:

1. Os pais que não dão muita importância aos sentimentos da criança, ignorando-os e até ridicularizando-os. Estes pais demonstram pouco interesse no que a criança está tentando comunicar, quando de variadas formas, manifesta suas emoções. Sentem-se constrangidos, assustados, ansiosos, aborrecidos, magoados, ou espantados com tais manifestações. Consideram também que as emoções negativas da criança depõem contra eles próprios.

As crianças assim tratadas, vão entender que seus sentimentos são impróprios, inadequados e inaceitáveis, podendo assim ter dificuldade em regular suas emoções.

2. Os pais  que não aprovam, julgam e criticam a expressão emocional da criança. Sentem necessidade de controlar os filhos e enfatizam a obediência cega. Repreendem e castigam por manifestações emocionais, sem avaliá-las, não considerando se a criança esteja agindo mal ou não.

Estes pais acham que a criança usa emoções negativas para manipular, provocando disputa de poder. Entendem que as emoções negativas refletem deficiência de caráter.

Da mesma forma que os pais que não valorizam os sentimentos da criança, os pais desaprovadores levam a criança a ter dificuldade de regular suas emoções.

3. Os pais que aceitam livremente qualquer manifestação de emoção da criança reconfortando-a, quando manifesta sentimentos negativos. Não orientam a criança sobre as suas emoções, porque são permissivos, não impõem limite e não ensinam a criança a resolver problemas.

Nesse caso a criança não aprende a regular suas emoções, tem dificuldade de se concentrar, de fazer amizades e de se relacionar com outras crianças.

4. Os pais que orientam os filhos através do mundo da emoção, não aprovam atitudes que julgam impróprias, ensinam os filhos a regularem seus sentimentos e encontrarem meios apropriados para extravasá-los e a resolver problemas.

Estes pais veem as emoções negativas como uma oportunidade de intimidade e também de agirem como educadores. Não dizem como a criança deve se sentir e são capazes de “perder” tempo com uma criança triste, irritada ou assustada, e, não se impacientam com estas manifestações, respeitando-as, sem rejeitá-las ou condená-las.

Aproveitam estes momentos para escutá-la e ajudá-la a nomear o que está sentindo, para tranquilizá-la, para manifestar afeto, para impor limites, para ensinar manifestações aceitáveis da emoção assim como técnicas de solução de problemas.

Sendo assim tratada, ela aprende a confiar em seus sentimentos, regular as próprias emoções e resolver problemas. Tem autoestima elevada, facilidade em aprender e se relacionar  com as pessoas. Tem melhor desempenho escolar, é mais sociável e também é por isso é mais saudável. Tem menos problema de comportamento, se recupera mais facilmente de experiências tristes ou  ruins.

Quando a criança se sente emocionalmente ligada aos pais e esses usam este elo para regular seus sentimentos e ajudá-la a solucionar problemas, o resultado é sempre melhor e mais positivo.

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3 comentários no blog

  1. Lele em

    É mesmo muito importante estar atento às emoções dos filhos. Dar importância e mostrar as possibilidades.
    Gostei muito do post.
    beijos
    Lele

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  2. Juliana em

    Gostei muito, muito do post. Sou psicóloga e mãe e essa questão da educação emocional vem me preocupando muito. Vejo pais e educadores preocupados com o desenvolvimento intelectual e físico, que são muito importantes também, mas lamento não ver a mesma preocupação com o desenvolvimento emocional. Bela reflexão sobre o tema.
    Abraços
    Juliana

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  3. Julian em

    Muito esclarecedor, como todos da coluna educação! Parabéns pelas ótimas escolhas de temas!!

    Beijos

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