27 jul 2017

E assim, Leo deu adeus à chupeta.

Dessa vez não teve papo cabeça, conversa séria sobre ser forte, valente e guerreiro. Dessa vez nem pude exercitar toda a minha serenidade master e plena de mãe que quer ser firme e amorosa ao mesmo tempo, que quer fazer dar certo realmente. Dessa vez, pessoal, tivemos uma otite na parada. Foi no final de março, exatamente no dia em que resolvemos iniciar as mudanças no quarto dele – que era quarto de bebê, até então.

Na época eu estava preocupadíssima sobre o fato dele estar tão apegado à chupeta e em como eu faria para que ela sumisse do mapa. Leo já não estava mais usando a chupeta somente na hora de dormir, mas em muitos outros momentos também. Os dentinhos de cima estavam ficando mais pronunciados, ele preferia chupar a chupeta do que conversar. Aquela situação que você para e pensa: “tá tudo errado, meu bem. vamos tratar de mudar isso aí!”. 

Estávamos felizes da vida montando a caminha nova dele, num domingo de manhã, pelo que me lembro. Leo estava brincando normalmente até aquele momento, mas senti ele quentinho e já imaginei que estivesse com febre. Conferi a temperatura e estava lá, 38.5 no termômetro. Almoçamos e ele estava mais amuado, não quis comer direito. Pediu meu colo e logo em seguida começou a chorar muito, muito mesmo. Dizia que doía a bochecha. Nós vasculhamos a boca dele procurando por um dente que estivesse com a gengiva vermelha, uma afta, uma mordida que ele tivesse dado em si mesmo. Mas nada. Até que ele colocou a mão exatamente onde doía: na orelha esquerda.

Ele ficou no meu colo e ofereci o cheirinho (Leo chama sua mantinha de tití) e a chupeta – que até então ele amava como se nada no mundo fosse melhor e trouxesse mais conforto. Ele colocou na boca, ficou segundos com ela, tirou e me entregou de volta. Disse – chorando ainda – “dói muito, mamãe”.

Fomos para a IPO (local especializado em ouvido, garganta e nariz) e consultamos com o plantonista. Obviamente era uma infecção de ouvido e tinha muita cera obstruindo até mesmo a visão do médico. Contudo, ele preferiu que retornássemos outro dia, sem a inflamação, para então realizamos o procedimento de lavagem. Receitou o antibiótico, analgésico e fomos para casa.

No caminho até em casa, ele pediu a chupeta. Eu tinha levado na bolsa e dei na mesma hora, mas ele devolveu em seguida dizendo que doía muito. E ali, bem ali, acho que ele terminou seu relacionamento com a pepê. E aquela seria a primeira noite do meu bebê – que não era mais bebê – dormindo na cama ao invés do berço e sem chupeta. Duas grandes mudanças num só dia, porque nós gostamos de aventura nessa vida materna, não é mesmo? Mentira que eu não sabia que aquilo tudo ia acontecer.

A noite foi tranquila até, ele acordou só três vezes. Eu achava que ele nem iria conseguir dormir, então estava no lucro. No dia seguinte ele cogitou pedir a chupeta, mas foi só começar a balbuciar o “quero a pepê” que ele mesmo disse “ah, não. dói.”. E eu, que não sou boba nem nada, fiquei quietinha, bem na minha. Eu poderia ter dito que naquela altura, não doeria mais. Mas seria como ser advogado do diabo, não é? A chupeta já tinha cumprido seu papel, lá quando ele era menor e precisava do conforto da sucção para adormecer. E, claro, existem ressalvas a respeito disso, mas por aqui ela funcionou assim.

Nos dias que se passaram, num momento ou outro de distração, ele pedia a chupeta. E era muito engraçado, porque logo em seguida, ele dizia, sorrindo: “ah, não, eu não uso mais pepê!”.  Todo crescido, o meu menino. E assim todos viveram felizes para sempre, sem chupeta.

Agora, dormir que é bom, minha gente, essa é história para o próximo post.

Ps:

Eu continuo apostando todas as minhas fichas naquele esquema de colocar as cartas na mesa, jogar a real, colocar tudo em pratos limpos, viu? Por aqui não rolou Papai Noel, coelho da páscoa, cortar um pedaço da chupeta pra perder a sucção… Teve muita conversa e aposta (com o coração cheio de coragem e confiança) na grande capacidade que esses pequenos têm de crescer e e mudar. Tudo aquilo que contei pra vocês nesses dois posts:

5 comentários no blog

  1. Simone Mendes em

    Posts seguidos….muito amor!!!!

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    1. Michelle Amorim respondeu Simone Mendes em

      Obrigada! <3

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  2. kelly Marinho em

    Oi Mi, sabe que penso bem parecido com vc. Lembro de pensar, quando eles eram menores que chupeta e mamadeira permaneceriam só até 3 naos, depois eu iniciaria o processo de retirar a chupeta e trocar a mamadeira pelo copo. Qndo a Rafa fez 3, todos achavam que nao conseguirira já que o Arthur nasceu 20 dias depois dela completar 3 anos e passar por esse processo com tantas mudanças de um bebê em casa não seria fácil. Mas eu já estava conversando com ela a mto tempo sobre o assunto, pq sabia que a chupeta e mamadeira tbm já tinha cumprido seu papel e tbm para evitar a troca de chupetas que inevitavelmente aconteceria com ela e um recém nascido em casa. Foi tranquilo! Quando o Arthur fez 3, fiz o mesmo, meses antes comecei a conversar com ele, deu um pouco mais de trabalho mas não posso dizer que foi difícil, foi muito natural na verdade. Foi assim com chupeta, com mamadeira, com fralda e com tudo e toda a situação que eles têm de enfrentar. sempre converso e falo a verdade. Tem vacina pra tomar, vai doer, mas é necessário e vc e eu vamos passar por isso juntos. está pronto?
    E assim seguimos, nem sempre é facil, mas foi essa maneira que escolhi.

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    1. Michelle Amorim respondeu kelly Marinho em

      Kellynha <3 A gente tenta remediar ou encurtar um caminho ou outro, às vezes. Mas nas outras a gente sabe que eles terão a vida e o mundo para enfrentar, e nem sempre estaremos lá para remediar :/ Bjo grande querida

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  3. Ana Paula em

    Tenho 34 anos e ainda não tenho filhos mas espero muito em breve poder realizar esse sonho!!! Parabéns pelo ótimo trabalho Michelle. Beijossssss…

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