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Consequências da qualidade do sono no comportamento da criança

Pesquisas comprovam que a qualidade do sono pode determinar o dia seguinte de uma criança, garantindo-lhe o bom humor e a energia necessária para o seu bem estar, ou um dia de estresse e até mesmo de sofrimento. Comprovam também que uma boa noite de sono, melhora  a concentração e a memória, além de prevenir a diabetes e a obesidade.

Muitas vezes a criança se mostra irritada, manhosa, sonolenta e pouco tolerante com os amigos e com as pessoas que dela cuidam. Tal comportamento na maioria das vezes está ligado ao sono fora do ciclo normal, ao sono interrompido várias vezes durante a noite e também aos distúrbios do sono. Desta forma, a criança não consegue se manter  saudável, tanto no aspecto físico, quanto psicológico, trazendo graves interferências em seu convívio social, assim como no rendimento escolar.

Já pude constatar no meu constante contato com pais, que crianças com tal comportamento, são taxadas como difíceis de lidar e até indisciplinadas, portanto entendem que precisam  corrigí-las, punindo-as.  Estas correções muitas vezes são inadequadas e injustas, visto que, a criança precisa de ajuda e não de punição. Pais que assim agem, certamente desconhecem a causa de tal comportamento, dando uma interpretação equivocada a tal comportamento.  Portanto, investigar a causa para ajudá-la é o melhor caminho, ao invés de, simplesmente reprimí-lo.

Embora minha intenção seja considerar o fator sono no processo de educação, alguns de seus aspectos ligados à saúde precisaram ser considerados, pois estão relacionados ao equilíbrio emocional, tão necessário, para o bom desempenho da criança.

O que é preciso saber para ajudar a criança a ter um sono de qualidade?

– Como a criança está sempre ativa e gasta muita energia, o ideal é que ela descanse pelo menos uma hora e meia após o almoço, em local adequado e com pouca luz, já que o sistema nervoso da criança precisa diferenciar o dia da noite e assim descansar.

– A criança necessita dormir, no mínimo, nove horas noturnas, ou seja, das 21 horas até as 6 horas da manhã, o que corresponde a um ciclo que favorece a atuação do hormônio do crescimento (somatotropina). Isto não significa dormir a meia noite e acordar as 9 horas. É preciso considerar este ciclo que corresponde às leis da natureza e não simplesmente o tempo de sono, na relação tempo espaço e qualidade.

– Enquanto dormimos, o cérebro produz endorfinas, substâncias responsáveis  pelo bem estar, evitando distúrbios como ansiedade e depressão. Por isso é muito importante a criança dormir a noite toda, sem acordar para se alimentar. O sono já é um alimento, ela não precisa de alimento enquanto dorme durante a noite. A partir dos seis meses, este é um mau hábito, criado e sustentado pelos pais, com medo de deixar a criança passar fome e assim seu crescimento ser prejudicado, no entanto interromper o sono é que prejudica o seu crescimento.

– O sono é composto por ciclos que duram de cinquenta a noventa minutos. Em cada um deles,  alternam-se dois estados principais: rem (movimento rápido dos olhos) e nrem (não rem). Este último corresponde a 80% da noite e subdividido em três níveis de profundidade. O primeiro é quando a mente está mais ativa e por isso é possível sonhar. Em cada mudança de fase, a criança acorda, é normal acordar durante a noite, faz parte do ciclo do sono, mas ela logo volta a dormir. Quando este retorno não acontece naturalmente, pode ser sinal de algum distúrbio.

– Outro aspecto importante, é a necessidade da criança se desligar antes de dormir, ou seja, despedir-se do dia, das pessoas, da tv e dos brinquedos. A qualidade do sono pode ser prejudicada, dependendo do nível de excitação recebida. Com melhor compreensão das informações recebidas, a criança terá mais tranquilidade para dormir.

– Ela deverá cessar a brincadeira  pelo menos uma hora antes de dormir, criando condição para se acalmar e depois se recolher em seu quarto e ficar em sua cama para se preparar para adormecer.

– A criança deverá dormir em sua própria cama e aí pegar no sono com pouca luz ou no escuro, dependendo do hábito que se criou anteriormente. Se ela dorme no colo, na cama dos pais, no sofá diante de uma televisão, etc, e em seguida for levada para a cama,  ela poderá “acordar” e se ver em lugar diferente de onde adormeceu e assim se sentir insegura e chorar. É bom ressaltar que o brilho e a claridade da tela da tv inibe a produção da melatonina, que é o hormônio do sono. Além do que o cérebro não tem tempo de processar as informações, interferindo no sono.

Para que este processo seja estabelecido, faz-se mister a compreensão, a determinação, a perseverança, a disciplina e muito afeto para que a rotina se instale e assim a criança sinta-se segura e feliz.

De acordo com o Dr. José Pessoa, pediatra e autor do livro Distúrbios na Criança e no Adolescente, ressaltamos seis distúrbios mais comuns do sono, que influenciam na qualidade do sono da criança e também do adolescente:

Insônia, apneia obstrutiva do sono, terror noturno, sonambulismo, distúrbio rítmico do movimento (drm) e bruxismo. Tais distúrbios influenciam muito no dia a dia da criança, portanto devem ser levados em consideração ao avaliar o comportamento da criança em seu processo educativo, pois estão diretamente ligados à sua saúde, e consequentemente no seu comportamento social.

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3 comments

  1. Parabéns pela qualidade e consistência desta publicação, foi muito útil para mim. Leio muito sobre este assunto (alterações do sono em crianças), como tudo que diga respeito a crianças, me interesso muito sobre o comportamento familiar e social das crianças, e quanto a
    própria e família é culpada pelos “maus comportamentos”.
    Uma família pode “formar” bons filhos ou “deformá-los”
    Obrigado

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