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Coleção de memórias (maternas) com trilha sonora

Esse pequeno post era coisa para o Instagram, mas o limite de caracteres me fez transportá-lo aqui para o blog — o que foi bom no final das contas, já que de qualquer forma eu queria guardar esse registro :)

Esses dias enquanto dirigia pela cidade ouvindo rádio, fiquei pensando no quanto a música tem o poder de nos transportar para lugares em que já estivemos e também de nos lembrar de pessoas e de momentos importantes da nossa vida. Acho que todos nós vamos construindo a nossa própria “coleção de memórias com trilha sonora” ao longo dos anos e, depois que os filhos passam a fazer parte dos nossos dias, eles são automaticamente incluídos nessa caixinha musical de recordações.
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Melanie, que foi a primeira a nascer, tem algumas músicas bem marcantes na nossa história até agora.

Daughters” do John Mayer

marcou duas coisas: o dia em que descobri, às 12 ou 13 semanas de gestação, que o bebê que eu esperava era uma menina e também a grande descoberta de que não, a tal intuição materna não brotava magicamente como me disseram — nem funcionaria sempre…

Songbird” do Oasis

foi a música que mais ouvi antes e depois que ela chegou e fez seu ninho nos meus braços. Liam cantava vou escrever uma canção para que ela possa ver; dar a ela todo o amor que ela me dá… falar de dias melhores que ainda virão; nunca senti esse amor por qualquer outra pessoa. — e ele não poderia estar mais certo.

Hotel California” do Eagles

tocou naquela madrugada de 2 de agosto de 2010 como o clássico que para sempre me lembraria de duas coisas: do nosso trajeto apressado até a maternidade e do quanto o tal “círculo de fogo” era realmente FOGO, minutos antes dela nascer.

Cherry Bomb” das The Runaways

me lembra uma Mel mais crescida — e que já sabe o que o “repeat” significa — com uma personalidade que vem deixando de ser apenas esboço para se transformar em aquarela, aquela tão linda e unicamente imperfeita que dá vontade de tatuar ou de pendurar na parede da sala.
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Leonardo tem uma trilha sonora um pouquinho maior — com algumas lembranças mais significativas, outras engraçadas.

I Was Born To Love You” do Queen

me fez cantar e dançar loucamente quando recebi o resultado do exame de sexagem fetal confirmando que sim, daquela vez a minha intuição estava certa: era um menino que eu carregava.

Paciência” do Lenine

foi a melodia mais tocada durante a gestação do pequeno — que passou como um vendaval junto com final de obra, mudança de casa, filha que se preparava para ser irmã mais velha e pais que tentavam se preparar para a responsabilidade de serem pais de dois.

Pra você guardei o amor que sempre quis mostrar, o amor que vive em mim vem visitar… sorrir, vem colorir, solar; vem esquentar e permitir” — foi o que Nando Reis e Ana Cañas

cantaram mil vezes durante aqueles nove meses e enquanto eu saracoteava com caixas de mudança empilhadas para lá e para cá, para por fim cantarem uma última: enquanto eu, corpo e alma trabalhávamos juntos para trazer Leonardo ao mundo.

Lenine decidiu participar do nascimento do Leo também…

mas fez besteira ao insistir em me pedir um pouco mais de Paciênciaaaa durante aquele trabalho de parto que parecia não ter fim. Ficamos de relações cortadas por um tempo, inclusive.

Comfortably Numb” do Pink Floyd

foi presença ilustre naquele CD, mas David (justo ele!) também magoou meu coraçãozinho parturiente ao cantar junto “não há dor, você está regredindo…” — enquanto eu xingava mentalmente até os antepassados do Roger Waters e questionava “como assim não há dor???”.

Vale contar que acabamos fazendo as pazes depois, David e eu, afinal, quem montou aquela playlist de parto fui eu, né? Lenine eventualmente também foi perdoado quando num dia daqueles de querer pegar a bolsinha e fugir eu precisei cantar em voz alta “hoje eu quero sair sóóóó”.

Cássia Eller cantando de forma tão linda “estranho seria se eu não me apaixonasse por você” em All Star

marcou uma das maiores emoções da minha vida no exato momento em que Leo saiu de dentro de mim e, ainda dentro da água, abriu os olhos e me olhou, para nunca mais desviar — eu espero.

Isso tudo aconteceu e ficou marcado nesses últimos nove anos da minha vida. Mas essa lista vai longe, vai continuar sendo escrita… enquanto eles crescerem, ao meu lado e além de mim. <3

Agora, me conta você quais músicas fazem parte da sua trilha sonora materna!

 

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3 comments

  1. Que lindo!Anotei todas quero ouvir kkk Fiquei pensando na trilha sonora da minha gravidez, e me lembrei que eu escutava muito Hotline Bling do Drake e Work da Rihanna, ouvia também Shakira, Maluma, Nicky Jam e meus favoritos Bruno Mars, Cold Play e Imagine Dragons, e me lembro que no centro cirúrgico tocava Despacito do Luis Fonsi quando o João nasceu kkkkk minha trilha sonora não foi muito inspiradora mas cada vez que eu escuto alguma delas eu lembro de algum momento da minha gravidez e bate aquela saudade, Despacito não tem nada de emocionante mas me lembra do choro dele qdo nasceu kkk como foi lindo, e tenho também duas músicas da Barbara Dias que foram muito importantes em um momento difícil da minha gravidez, um momento de muito medo e insegurança, eu ouvia todas as manhãs antes mesmo de levantar Nove Meses e Dentro de Mim, Pra quem nunca ouviu vale muito a pena, essas canções me deram força e me ajudaram a me conectar com meu corpo pra ser forte e manter a gravidez e meu filho seguro … S2

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