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Como a Melanie reagiu no início da amamentação do irmão

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Este post foi escrito há mais ou menos 3 meses atrás e foi publicado originalmente aqui

Uma das minhas maiores dúvidas quando Leonardo nasceu, era sobre como seria amamentá-lo já tendo outra criança em casa. Como a Mel iria reagir, como veria o ato da mãe – que até aquele momento era somente dela – estar amamentando outro bebê.

Quando chegamos da maternidade, depois de colocar as coisas em ordem, era chegada a hora de amamentá-lo pela primeira vez com ela ao nosso lado. Lembro que uma amiga muito querida me disse várias vezes que o momento de amamentar era sagrado e que eu deveria estar tranquila, só eu e Leonardo, para que tudo corresse da melhor forma possível. Que de preferência eu amamentasse sempre no mesmo local, na cadeira de amamentação no quarto dele. Assim, só nós dois.

No primeiro mês, Mel nos seguia aonde quer que fossemos, inclusive no quarto dele. Quando ela o viu sendo amamentado pela primeira vez, agiu naturalmente, mas me perguntou o que ele estava fazendo. Sem que eu tivesse tempo de responder, ela mesma concluiu: “ele está mamando no seu mamá”, como ela chama. E eu apenas concordei e disse que ela também já foi amamentada daquela mesma forma, quando era menor.

Nos dias seguintes ela demonstrou uma maior curiosidade e um certo ciúme. Me pediu algumas vezes para mamar também. Haviam me falado para dar alguma desculpa, mas não achei justo nem certo com ela. Por isso, consenti. Ela apenas encostou sua boquinha no meu peito e disse “pronto, agora eu já mamei”. E satisfez sua curiosidade, sem se sentir excluída. Claro que depois disso eu me certificava de limpar o bico, antes que o Leo voltasse a mamar.

Comecei a amamentar na sala, na cozinha, enfim, onde quer que eu estivesse. Isso não foi muito inteligente da minha parte, principalmente sobre amamentar na sala, no sofá. Era só eu me sentar que a Melanie vinha para acompanhar tudo de pertinho. Bem de perto, diga-se de passagem.

Essa foi a parte mais difícil da amamentação em relação a Mel. Amamentar com ela em cima da gente, conversando, pulando, querendo atenção, cobrando que o Leo acabasse logo de mamar para que eu pudesse pegá-la no colo ou brincar com ela. Quem amamenta ou já amamentou, sabe. Atrapalha muito conversar nessas horas. Imagina dar atenção a outro filho, que está ali apenas sendo o que é, uma criança, cheia de energia e amor para dar.

Quando meu marido ou minha mãe estavam por perto, chamavam a atenção dela para outra atividade, a levavam para brincar lá fora, para dar uma volta, enfim, me ajudavam bastante.

Já quando eu estava sozinha com os dois, era mais tenso. A solução sempre foi tentar mudar o foco, para minimizar o ciúme. Eu pedia a ela que colocasse um DVD legal pra gente assistir, ou pedia que ela pegasse aquele livro que ela gosta, para nos contar uma historinha. Ou algum brinquedo que eu conseguisse interagir junto com ela, enquanto amamentava o Leo. Deixava tudo sempre por perto, para emergências.

Hoje ela já acostumou razoavelmente bem com toda a situação e sabe que quando estou com o Leo no colo, não posso atendê-la como ela gostaria. Ela reclama, chorominga algumas vezes, eu fico com o coração na mão.

Mas ela compreende e acaba aceitando. E assim vamos levando, lidando com uma situação de cada vez, como deve ser.

Este post foi escrito há mais ou menos 3 meses atrás e foi publicado originalmente aqui


por mãe da Mel e do Leo



Relato sobre amamentação e o que eu aprendi com essa segunda experiência

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Esse é um relato detalhado da amamentação do Leo e descoberta da APLV dele. Um relato nu e cru, como vocês me pediram.

Leonardo completou seis meses no dia 17. E um mês desde que mamou no peito pela última vez.

É bem difícil para mim escrever e aceitar isso. No início era mais, claro. Depois a gente vai se resignando, vai se acostumando com o que não deu certo ou com o que não aconteceu do jeito que imaginávamos. Afinal, na maternidade isso é um bocado comum.

Se eu fosse listar o que me atrapalhou dessa vez, eu diria, resumidamente, que foi: stress > diminuição na produção de leite > insegurança – e por fim – a APLV. Mas, vamos começar lá do começo, falando, claro, sobre essa minha segunda experiência como lactante.

Eu, como tantas e tantas mulheres, tinha um sentimento natural e instintivo, de amamentar. E queria amamentar exclusivamente até o sexto mês. E depois, seguir amamentando até quando eu e meu filho desejássemos.

Ocorre que amamentar nem sempre é fácil. Requer calma, descanso e paciência. E é algo que precisa ser aprendido, pela mãe e pelo bebê.

Logo que o Leo nasceu, ele veio para o meu peito. Ele até sugou um pouquinho, mas não estava a fim de mamar. Queria só me olhar. Depois de algum tempinho, tentei novamente e fizemos contato pela primeira vez. Ele pegava relativamente bem o bico do peito – que naquele momento só tinha colostro – que é o primeiro leite que produzimos e carrega com ele uma porção de vitaminas, proteínas, sais minerais e carboidratos, além de ajudar no fortalecimento do sistema imunológico. Daí a sua importância.

Ainda na maternidade, no segundo dia após o nascimento, veio a apojadura – que é a descida do leite propriamente dito. Os seios ficam inchados, doloridos, quentes e um pouco enrijecidos. Nesses dias, ficou mais difícil para mim fazer o Leo pegar o bico do peito, porque eles ficaram bem planos. Mas com um pouco de paciência a gente sempre conseguia.

Já em casa, a produção de leite estava à todo vapor. Eu amamentava-o em livre demanda e depois de umas duas semanas, ele mesmo começou a requisitar o peito de duas em duas horas, em média. Eu bebia muita água e descansava quando era possível, já que minha mãe e Alexandre me ajudavam a cuidar da Mel e de todo o resto. Eu percebia claramente que, quanto mais eu bebia água, quanto mais o Leo mamava e quanto mais descansada eu estivesse, mais leite eu produzia.

Nas consultas com o pediatra, só elogios. Leo ganhando peso, afago nas costas e um “você está amamentando muito bem, parabéns”. Durante as madrugadas, Alexandre por vezes ia até o quarto do pequeno, nos via sentados na cadeira ao lado do berço e abria um sorriso enorme. Numa dessas noites ele disse “você é a mulher mais foda que já conheci”. Pronto, morri de amores por ele e de orgulho de mim mesma. Eu estava feliz. Cansada, com sono, doída, mas feliz.

Dessa vez não tive fissuras nos mamilos, mas eles ficaram super sensíveis. Me ajudou bastante usar a pomada de lanolina Lansinoh depois de cada mamada.

Eu sinto saudades desses primeiros dois meses do meu bebê. Sinto saudades de dar o peito a toda hora, mesmo quando sentia ele arder como brasa. Sinto saudades de ver o leite jorrando, espirrando na carinha dele e de vê-lo abocanhar o peito todo desesperado. Sinto saudades da mãozinha agarrada na minha blusa, ou segurando a minha. Sinto saudades de vê-lo adormecer mamando e dar uma sugadinha de vez em quando, para garantir que eu ainda estava ali. Era tudo lindo. Ainda que por vezes fosse dolorido e muito cansativo, era muito amor entre nós dois.

Aí começaram os problemas.

Na amamentação da Mel, tive mastite no seio esquerdo. E por consequência disso, meu mamilo ficou levemente invertido, saindo conforme a estimulação. Para o Leo mamar, eu tinha todo um processo de puxar o bico com a bombinha, para depois colocá-lo no peito. Se ele soltava, da-lhe bombinha para puxar novamente. Mas antes desse macete da bombinha, como uma amiga querida me recomendou, foram muitos e muitos minutos de stress antes de cada mamada naquele peito (chegando a meia hora até!), até que ele fizesse a pega corretamente, ou seja, abocanhar o mamilo e parte da aréola também.

Quando conseguíamos, lá estava eu, suando de tanto esforço, físico e mental. Ah sim, tentei usar o bico de silicone, mas caramba, aquele treco é muito grande! Quem tem mamilos daquele tamanho? Leo não se habituou, nem eu. O seio direito era o preferido, dele e meu. A pega acontecia rapidinho, ele não soltava a todo momento e tudo corria lindamente. Mas como a gente sabe, o indicado é que se esvazie uma mama antes de partir para a outra, a fim de que o bebê receba o leite anterior (rico em água) e o posterior (rico em gordura, que o faz ganhar peso). Por isso eu tinha que oferecer o seio esquerdo, mesmo com todo aquele perrengue.

Além disso, como tenho prótese de silicone nos seios e com isso eles acabavam ficando cheios demais, o leite empedrava. A mama ficava dura, com os mamilos espalhados e isso dificultava muito a pega. Eu sempre tinha que massagear o seio antes de cada mamada, retirar um pouco daquele primeiro leite, a fim de que o Leo conseguisse pegar direitinho. O pediatra me recomendou um spray nasal de ocitocina, para ser aplicado antes de cada mamada e ajudar a diminuir esse endurecimento da mama. O spray ajudava um pouco, mas somente quando a produção de leite ficou regular, ou seja, conforme a demanda, é que as coisas melhoraram. Mesmo assim foi ficando cada vez mais difícil fazê-lo pegar o seio esquerdo.

Uma coisa que eu nunca vou esquecer, é do quanto ter sossego e privacidade fazem diferença no início da amamentação. E falo por experiência própria. Teve um dia fatídico em que fiquei extremamente irritada e nervosa com as pessoas que trabalham aqui na obra me chamando o tempo todo, me incomodando, justamente quando eu estava tentando me conectar com meu bebê, quando estava tentando amamentar. Me arrependo de não mandado todo mundo para a PQP, de não ter dito que parassem tudo, que fossem embora e me deixassem sossegada com meu bebê. E acredito que as pessoas para quem eu reclamei disso, acharam que eu estava exagerando. Mas não. Afetou e muito a minha amamentação. Fiquei estressada, chorei e logo minha produção de leite diminuiu drasticamente.

Quando chega a hora da mamada e você sente que seu peito não está cheio, é desesperador. Lembro de ficar apalpando o peito, sentí-lo meio vazio e ficar com aquele embrulho na boca do estômago, do tipo, “meu filho está com fome e onde está o alimento dele?”. Então eu colocava o bebê para mamar ainda mais e usava a bombinha, já que sabemos que a sucção eleva a produção de leite. E assim seguíamos.

Na consulta seguinte com o pediatra, pesamos o Leo e ouvi que “ele poderia ter ganhado mais peso do que ganhou”. Pronto. A mesma frase que ouvi antes (da Mel). Ele é um super incentivador do aleitamento materno, mas essa frase foi um tiro na cabeça, que me gerou uma baita insegurança quanto ao meu leite. O pediatra só me disse para garantir a pega correta e que ele não dormisse durante as mamadas. Me pediu para colocá-lo para mamar, fez algumas ressalvas e recomendou que procurasse um banco de leite. Mas eu achei que ainda não era o caso. (mas era!)

No dia seguinte, alguns poucos dias antes do Leo completar dois meses, notei que estava sem leite. Fiquei totalmente em desespero e liguei para o pediatra perguntando que leite eu poderia dar na falta do meu. Ele me recomendou um LA mas me disse para ter calma, antes de qualquer coisa. Falei com uma amiga que também é pediatra (neonatal) e ela foi enfática ao dizer que eu até poderia complementar, se isso fosse me deixar mais segura, mas que fizesse sempre depois de oferecer o peito e sempre no copinho. Nunca na mamadeira. E assim eu fiz.

No início, apenas uma mamada precisava ser complementada. Geralmente depois das 19h. O copinho funcionava, mas desde que alguém me ajudasse a dar o leite para o Leo. Quando tentava sozinha, ele batia as mãos no copo, derramava tudo e ficávamos os dois nervosos, eu e ele.

Até que eu cansei daquele stress todo e resolvi ceder à mamadeira. Leo pegou de primeira, mamou tudo e dormiu. Eu, sentei no chão e chorei. Me senti (e fui) fraca. Mas ao mesmo tempo, decidi que iria procurar ajuda, aquela que eu deveria ter procurado já, naquele momento.

Fui ao Proama, que faz parte do programa Mãe Curitibana, e fui muito bem atendida. Elas me orientaram, conferiram a pega, a vazão e o fluxo de leite, me ensinaram outras posições para amamentar, me incentivaram muito, enfim, foi maravilhoso. E por fim, ao pesar o Leo, me disseram que o ganho de peso dele estava bom sim, que não ficou aquém do esperado. Me disseram para confiar no meu leite, como eu, no fundo, já sabia. E para largar mão do complemento, porque eu tinha leite suficiente sim. Saí de lá bem melhor do que entrei, com toda certeza.

Segui as orientações das enfermeiras e comecei também a tomar o tal remedinho que tecnicamente ajuda a aumentar a produção de leite. Existem muitas ressalvas acerca do uso desse medicamento porque, afinal, ele é usado para esquizofrenia (!), mas no meu caso e no de muita gente que conheço, aumentou a produção de leite sim. E era nisso que eu estava focada naquele momento.

Depois disso, Leo estava mamando melhor, mas ainda assim eu precisava complementar umas duas mamadas por dia. Cada vez que eu dava a mamadeira, principalmente em público, me sentia muito mal. Me sentia julgada mesmo. Pelos outros e principalmente por mim mesma. Sentia que eu tinha falhado. 

Quando comentei no post de 2 meses do Leo que estava precisando complementar, algumas pessoas disseram que estavam um pouco ‘decepcionadas’. Eu entendo que as pessoas esperem certas coisas da gente, ainda mais quando você expõe a sua vida e levanta bandeiras como a do parto normal, por exemplo. Mas ninguém sabia o que estava acontecendo (até porque eu não expliquei). Agora vocês sabem.

Depois de algumas semanas, Leo começou a chorar muito do meio da mamada em diante, o que nos fez suspeitar de refluxo. Isso, aliado a outros sintomas, desencadeou outra suspeita: a APLV (vou falar mais sobre isso, num outro post).

No feriado de carnaval, ele começou com uma diarreia sem fim e uma assadura feia, como contei para vocês neste post. Em contato com o pediatra e depois de descrever os sintomas – refluxo, um pouco de cólica, diarreia e assadura severa – fui orientada a trocar o LA que estava usando para complementar as mamadas por um leite especial para bebês com alergia à proteína do leite de vaca e a fazer uma dieta de exclusão total de leite e derivados.

Dois dias depois dessas mudanças, o refluxo e a diarreia pararam e a assadura melhorou. Eu andava por aí verde de fome e morrendo de vontade de comer queijo, tomar iogurte, comer aquele bolinho gostoso. Mas segui assim por umas duas semanas. Eu não sou muito fã de frutas e saladas, confesso. Então durante essa dieta de exclusão, eu comia super pouco. E isso refletiu ainda mais na produção de leite.

Como Leo continuava com a mamadeira, foi ficando preguiçoso para mamar no peito e começou a recusá-lo. Virava a cabeça, se contorcia e não queria pegar de maneira nenhuma. Eu insisti por vários dias, mas a recusa só aumentava. Fiquei triste, chorei e tentei processar melhor aquilo na minha cabeça. E foi assim que, ao completar cinco meses, ele largou o peito.

***

Nessa jornada da amamentação, muita coisa me atrapalhou: o mamilo invertido, o cansaço e stress de ficar sozinha lidando com um bebê e todo o resto. Mas com toda a certeza, o que mais me atrapalhou fui eu mesma e minha falta de confiança no meu leite. Eu não deveria ter me sentido insegura quando ouvi que Leo poderia ter ganhado mais peso. Eu não deveria ter me desesperado quando percebi que a produção de leite estava baixa, porque isso só agravou o problema. Eu deveria ter procurado antes o banco de leite. E por fim, eu deveria ter continuado com o copinho e não com a mamadeira. Esses foram os meus erros. Eu já os admiti, já os aceitei, mas ainda não me libertei do sentimento de falha, do sentimento de culpa. E eu não estou dizendo que você deva se sentir culpada por dar a mamadeira, de maneira nenhuma. Só estou relatando como eu me senti e me sinto. Estou aqui falando apenas de mim.

O que eu (re)aprendi com essa segunda amamentação? 

- que as pessoas têm que entender o tamanho da sua entrega, o tamanho do seu esforço e a importância do seu gesto de amamentar.

- que assim que o bebê nasce e durante o tempo que vocês precisarem para se conectarem um ao outro, nada deve ser mais importante.

- que você tem direito de amamentar sossegada, sem ser incomodada. e que tem direito a mandar para aquele lugar qualquer um que te encha o saco nesse momento.

- que elogios, apoio e incentivo é fundamental.

- que pitacos ou frases desanimadoras são totalmente dispensáveis.

- que você precisa de descanso e de algumas horas de sono para garantir uma boa produção de leite.

- que tomar muita água é essencial.

- que a livre demanda, apesar de cansativa, é o caminho, especialmente no início. estimula e regula a produção de leite, supre grande parte da necessidade de sucção e faz o bebê ganhar peso.

- que as conchas de amamentação e a bombinha são uma ajuda e tanto para puxar mamilos invertidos ou não tão pronunciados.

- que ter prótese de silicone nos seios não impede de amamentar, mas que podem acontecer alguns percalços por conta disso (no meu caso foi o endurecimento das mamas)

- que você deve confiar cem por cento em você mesma e no seu leite. ele é forte, ele é suficiente.

- que procurar um banco de leite só faz bem e ajuda muito quem está passando por dificuldades para amamentar.

- que você não deveria ser julgada quando tem algum problema com a amamentação. deveria ser orientada, mas sempre com tato e com sensibilidade por parte da outra pessoa.

E o mais importante:

- que amamentar nem sempre é o caminho mais fácil e nem sempre acontece como desejamos. mas que é um caminho que vale muito a pena ser percorrido, que vale a pena tentar, de verdade, se essa for a sua vontade. porque é indiscutivelmente o melhor para o bebê. e, por que não, para você também.

Ps: viu gente, queria só dizer que não me sinto uma mãe pior pelo fato da amamentação não ter acontecido exatamente como eu gostaria. de jeito nenhum. a minha frustração é somente em relação à isso, certo? :) eu sou uma super mãe sim, assim como vocês.


por mãe da Mel e do Leo



Conselhos para os primeiros meses como mãe

Depois de escrever o post sobre os últimos três meses, concluí que, se eu pudesse dar conselhos a mim mesma, para os meus primeiros meses como mãe, eu diria:

- Dedique todas as suas energias a produzir leite, conhecer e se conectar com seu bebê, apenas.

- Durma sempre que possível, mesmo que for só por cinco minutinhos. Faz diferença.

- Confie no seu leite.

- Confie no seu instinto materno. Sempre.

- Aceite e tenha ajuda de todos os lados, tenha mãos sobrando para te auxiliar em tudo que você precisar e até no que achar que não precisa.

- Entenda que está aprendendo a amamentar e que seu bebê está aprendendo a mamar.

- Deixe a limpeza e organização da casa de lado, se importe somente com o básico.

- Aprenda a delegar, não queira dar conta de tudo sozinha.

- Não se sinta pressionada a receber visitas e a fazer sala. 

- Não se preocupe tanto com sua aparência e em voltar ao peso de antes da gravidez. Não agora.

- Ouça o que os outros dizem, filtre e selecione o que serve para você. Quanto aos pitacos alheios, pode dispensar.

- Tome muita, muita, muita água.

- Não se estresse com coisas pequenas.

- Só saia de casa com o bebê quando se sentir segura, quando quiser mesmo e não por pressão.

- Não fique sozinha, tenha sempre companhia nesse início.

- Não se desespere com o choro do bebê. É apenas a forma dele se comunicar, por agora.

- Saiba que tudo são fases e que elas passam. As boas e as ruins.

- Saiba que um dia você vai voltar a dormir.

- É normal se sentir exausta, frustrada e até mesmo deprimida. E tudo isso passa.

- Chore se tiver que chorar, não se envergonhe disso. Não é sinal de fraqueza e sim de ser humana.

- Se tiver outros filhos já, saiba que eles sobreviverão a esse início de caos e atenção dividida, e que todos sairão fortalecidos no final.

- Aproveite cada minuto com seu bebê, porque sim, o tempo voa e num piscar de olhos ele já cresceu. E tudo isso vai deixar saudades. 

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por mãe da Mel e do Leo



Como foi minha primeira experiência com a amamentação

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Na #‎SemanaMundialDeAleitamentoMaterno achei que seria uma boa hora para finalmente vir aqui e deixar o meu relato.

Embora minha experiência tenha sido curta – e digo isso com muito pesar – acredito que foi um bom aprendizado também, especialmente do que não fazer ou do que eu faria diferente hoje.

Desde quando comecei a planejar minha gravidez eu já sabia que queria amamentar. Sabia de todos os benefícios para a mãe e o bebê e também de como esse ato fortaleceria nosso vínculo.

Comecei a me informar já nos primeiros meses de gestação e lá pelo oitavo mês comecei a “preparar” os mamilos usando as conchas de preparação por algumas horas durante a noite. Meus mamilos eram normais, nem invertidos, nem planos. As conchas ajudaram a deixá-los mais salientes e no nono mês o colostro começou a aparecer. Aí fui diminuindo o uso, conforme recomendação do meu obstetra.

A Mel mamou logo que nasceu (não tão logo quanto eu gostaria, mas ainda assim, logo) e como ela pegou firme e aparentava estar mamando bem, eu achei que estava fazendo certo. Acontece que ela não estava fazendo a pega correta e já na segunda mamada eu estava com uma pequena lesão em um dos mamilos. Chamei uma das enfermeiras especialistas em amamentação da maternidade e ela me ajudou a identificar o que seria a tal pega correta: boca de peixinho, pegando não somente o bico do peito mas boa parte da aréola também.

Tivemos alta e no dia seguinte meu leite desceu. Muito leite, cheguei a ficar assustada até com o tamanho que meus seios ficaram. O que também me fez perceber uma coisa: com os seios maiores, esticados, cheios de leite, meus mamilos praticamente sumiram! De repente era como se fossem planos. Percebi que era complicado a Mel conseguir pegar certinho. Diante disso, usei a abusei das conchas. Sempre as colocava um tempinho antes da Mel mamar e isso ajudava muito a puxar os mamilos para fora. Além disso, comecei a usar a bomba manual por uns minutinhos diários, com o intuito maior de estimular a produção mesmo e principalmente ajudar a puxar os mamilos.

Alguns dias se passaram e meu peito desinchou um pouco, o que fez os mamilos darem o ar da graça novamente. Aí conseguimos estabelecer contato, como dizem. Um bom contato. Eu estava adorando amamentar a Mel, me sentia muito bem mesmo. Vê-la com aquela carinha de satisfação e de barriguinha cheia após cada mamada era muito gratificante. Era um momento só nosso.

Na época, percebi que a necessidade dela era mamar de duas em duas horas e mantive isso durante algumas semanas. Depois espaçamos para três horas. Mas se ela quisesse antes não tinha problema. O peito estava ali para a hora que ela quisesse. Não sei se posso chamar isso de livre demanda, mas foi a maneira como nos acertamos.

Aí começaram alguns problemas.

A mastite

Tive mastite em um dos seios por causa de uma fissura (ocasionada provavelmente por pega incorreta), tive febre alta e o peito ficou com algumas regiões avermelhadas. Foi aí que o LA (leite artificial) entrou na nossa casa.

Eu teria que ir até a maternidade onde meu obstetra estava de plantão e como a Mel ainda não tinha completado 40 dias, não me senti confortável em levá-la até lá. Fora que eu não sabia quanto tempo iria demorar já que não tinha um horário agendado. Minha sogra veio para ajudar meu marido e no caminho trouxe uma lata de NAN, conforme o pediatra da Mel recomendou, caso ela precisasse mamar enquanto eu estivesse fora.

Mas, eu consegui retirar o leite do outro peito e deixei para que eles dessem para a Mel na minha ausência. Assim, o NAN acabou não entrando em cena nesse dia.

Tomei antibiótico por uns dias e a Mel ficou mamando somente no peito no qual não tive mastite, e com isso, a produção de leite do outro peito ficou um pouco comprometida. Senti que diminuiu bastante. Fora que um peito só não estava dando conta do recado.

O refluxo

Hoje em dia eu tenho minhas dúvidas se realmente era refluxo ou somente um bebê que mamou mais do que podia. Ocorre que a cada mamada era um jato de leite que ela colocava para fora. Especialmente quando a colocávamos na posição para arrotar. Confesso que me sentia muito frustrada em vê-la colocando para fora o que tinha acabado de mamar tão bem. Ela tomou alguns medicamentos e deu uma melhorada, mas com isso comecei a questionar se ela estava se alimentando bem.

A chupeta e a mamadeira de chá

Nós demos chupeta para a Mel com um mês de vida ou menos até. O pediatra quis me enforcar, com toda a razão, claro. Quando ela chorava com cólica ou gases, a chupeta foi a solução que encontramos para minimizar esse desconforto. Ainda hoje não sei como me sinto em relação a isso, se dentro de mim acho que foi certo ou errado. Só acho que com certeza a inexperiência foi um fator importante, outra vez.

Como já contei para vocês aqui, minha mãe ficou conosco durante os primeiros meses da Mel. E como toda pessoa mais velha (a maioria delas), ela também acreditava fielmente que o bebê precisava de chá e água, além do leite materno.

Vocês já devem ter ouvido muito frases como “você tomava e está aí viva, sempre foi saudável, etc” ou “quando você nasceu o pediatra me disse para intercalar o mamá com o chazinho” ou “dá um pouco de água ou chá para essa criança! deve estar morrendo de sede, coitada!”. Já ouviram, né? Certeza. A pressão é enorme.

No nosso caso o chá entrou na jogada por mais um fator: a Mel ficava dias sem fazer cocô. Com isso, minha mãe me convenceu a dar chá de erva doce para ela. Ele realmente ajudava, só que ali naquela mamadeira havia, além de chá, o açúcar! Sim, açúcar. Como ela sempre preparava o chá, eu não tinha ideia que ele era adoçado, até porque sempre expliquei que os bebês não tem esse discernimento de salgado e doce nessa fase. E nem precisam.

Quando percebemos (tarde de mais, eu diria) ela se sentiu muito ofendida, disse que só queria o melhor para a Mel, “coitadinha tomar esse chá amargo e sem graça”... E eu não duvido disso. Dentro das crenças dela e do que ela vivenciou lá na década de oitenta, ela realmente deveria estar agindo dentro dos moldes da sociedade. Mas não hoje em dia, quando sabemos da importância do leite materno, quando sabemos que um bebê não precisa de nada além do leite materno nos primeiros seis meses de vida. Nem água (que já compõe boa parte do LM), nem chá. Muito menos açúcar.

Normalmente confiamos cegamente nas nossas mães e sogras, mas digo uma coisa: se as ideias e os ideais não batem completamente, alguma coisa, em algum ponto, irá sair fora dos trilhos. Não por mal, apenas por crenças e opiniões que divergem mesmo, do que seria o melhor. Hoje eu não me deixaria influenciar. Nem deixaria desrespeitarem uma decisão minha.

Ainda me sinto culpada por não ter sido mais atenta. Acho que sempre me sentirei. Acredito que esse fato, dela ter conhecido o açúcar tão cedo, influenciou muito em toda a forma dela se alimentar. E a introdução da mamadeira logo nos primeiros meses, influenciou diretamente na amamentação.

Assim, com quase três meses, a Mel começou a ficar preguiçosa para sugar no peito. E o meu leite começou a diminuir. Quanto menos ela sugava, menos leite eu tinha. Mesmo eu insistindo na bombinha, para estimular a produção. E aí apareceu novamente a preocupação (a neura) se ela estava se alimentando bem. E a fórmula entrou de vez na jogada.

Hoje, vejo que ao invés de ter me apavorado e introduzido o LA, deveria ter confiado no fato dela estar ganhando peso bem e ter insistido mais na amamentação. Deveria ter exterminado o chá, as mamadeiras e todos os pitacos alheios da nossa vida e ter ouvido somente o que o conhecimento que eu tinha e a minha intuição de mãe me diziam.

Será que minha experiência com a amamentação será melhor dessa vez? Não temos como saber ao certo. Mas sei que quero me esforçar mais, quero me fortalecer mais naquilo em que acredito para não deixar que as pressões externas tenham efeito sobre mim. E isso não só porque dizem que temos que amamentar. Não só porque tenho conhecimento de todos os benefícios do leite materno. Mas acima de tudo, porque quero amamentar. Mais e melhor do que na primeira vez. Sem pitacos, sem intromissões, sem traumas.

O que sei também é que não quero nem ouvir falar na palavra “chazinho”. Se me falarem em dar água ou chazinho, aponto para o peito e digo “tá aqui o chazinho!”. E pode ser que eu diga outras coisas também.

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Leia também: por que amamentar?


por mãe da Mel e do Leo



Por que amamentar?

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A primeira coisa que devemos ter em mente é que a amamentação é um processo fisiológico, natural, mas que precisa ser aprendido.

O leite materno é completo! Isso significa que até os 6 meses de vida, o bebê não precisa de nenhum outro alimento (água, chá, suco ou outro leite). Após esse período, a amamentação deverá ser complementada com outros alimentos que serão introduzidos lentamente na alimentação do bebê conforme a orientação do médico pediatra. Não há idade ideal para que o bebê deixe de ser amamentado, isso vai depender da vontade da mãe e do filho. Lembram do slogan? “Até os 2 anos ou mais…”.

O leite materno funciona como uma verdadeira vacina, protegendo a criança de inúmeras doenças. Além disso, é limpo, está sempre pronto e na temperatura ideal. Isso sem falar que a amamentação favorece um vínculo mais íntimo entre a mãe e o bebê.

Crianças que se alimentam de leite materno têm menos risco de sofrer de doenças respiratórias, infecções urinárias e/ou diarreias (problemas que podem levar a internações e até à morte) e no futuro, certamente, terão menos chance de desenvolver diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.

Também existem benefícios para a mãe!

* Reduz o peso mais rapidamente após o parto;
* Ajuda o útero a recuperar seu tamanho normal, diminuindo o risco de hemorragia e de anemia após o parto;
* Reduz o risco de diabetes;
* Reduz o risco de câncer de mama;
* Se a amamentação for exclusiva, juntamente com outras condições, pode ser um método natural para evitar uma nova gravidez.

Como tornar a amamentação mais tranquila e prazerosa?

* Nos primeiros meses, o bebê ainda não tem um horário rígido para mamar. Deve-se dar o peito ao bebê sempre que ele pedir. Com o tempo, ele vai fazendo seu horário das mamadas. É isso que chamamos de aleitamento materno sob livre demanda;
* a melhor posição para amamentar é aquela em que a mãe e o seu bebê se sentirem mais confortáveis. Não precisa de pressa, o bebê precisa sentir o prazer e o conforto do contato com o corpo da mãe;
* cada bebê tem seu próprio ritmo de mamar, o que deve ser respeitado. Ele deve mamar até que fique satisfeito. O bebê deve esvaziar bem uma mama e então, só depois, a outra mama deve ser oferecida (somente se ele quiser);
* o leite do fim da mamada tem mais gordura e por isso mata a fome do bebê e faz com que ele ganhe mais peso, por isso, a mãe deve esquecer aquela estória de que o bebê deve mamar durante 15 minutos em cada mama;
* na mamada seguinte, a mãe deve oferecer a mama que não foi oferecida na mamada anterior. Se houve necessidade de oferecer as duas mamas na mamada anterior, a mama a ser oferecida deve ser a última que o bebê sugou;
* não é necessário que seja usado nenhum tipo de pomada, creme ou outro produto nos seios. Antes e depois de oferecer o peito ao bebê, a mãe deve usar somente água corrente para lavá-lo e após a mamada recomenda-se (depois da água) passar o próprio leite no mamilo e nas aréolas e só;
* a “pega” adequada se dá quando o bebê abocanha não só o bico, como também a maior parte possível da aréola. A maior causa de fissuras mamárias se dá por conta da “pega” errada. Se o beber sugar somente o bico, além de doer, o risco de machucar é muito grande;
* Quando o bebê nasce através de parto cesáreo, é normal que o leite da mãe demore mais para “descer”. Se no parto natural isso acontece em torno de 2 ou 3 dias, na cesárea pode levar até 5 dias. Mas, mesmo assim, isso não é impedimento para que a mãe ofereça o “pouco” de leite que tem. Esse leite que a mulher produz logo após o parto (que por vezes já sai das mamas no último mês da gestação) é chamado de COLOSTRO e mesmo podendo ter uma aparência de “leite fraco” (o que não existe!!!), é considerado a primeira vacina que o bebê o recebe.

Mais algumas dicas…

Nos dias de hoje, é totalmente contra indicada a Amamentação Cruzada, ou seja, nenhum bebê deve mamar no seio de uma mulher que não seja a sua mãe. Se a mulher produz leite em excesso e seu bebê “não dá conta” de mamar tanto, deve-se estimular a doação de leite. Todas as cidades do Brasil contam com bancos de leite que fazem esse trabalho e, além disso, o Corpo de Bombeiros (em todo o Brasil) faz coleta de leite materno no domicílio da doadora. Além de estar contribuindo com a saúde dos bebês internados em hospitais, a mulher estará evitando que o excesso de leite que produz prejudique a sua própria saúde!!! Excesso de leite nas mamas pode causar ingurgitamento mamário (“leite empedrado”), o que atrapalha a amamentação do seu bebê e pode levar a infecções maternas, causando febre e outros sintomas.

E não esqueça: nada é mais importante para a produção do leite materno do que a ingestão de bastante líquido por parte da mãe e o estímulo da sucção. Quanto mais leite for retirado da mama, mais leite o organismo da mulher produzirá.

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Esses foram só alguns toques. Se alguém quiser mais alguma dica e nós pudermos ajudar… Contem conosco!!!

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