18 jan 2017

Brigas entre irmãos: round one… fight!

Há algum tempo, num dos posts lá no Instagram do blog (já segue a gente por lá? é onde atualizo com mais frequência <3) a Natália me perguntou se Mel e Leo brigavam muito por brinquedos, por exemplo – coisa bem comum entre irmãos. Como queria falar sobre isso aqui no blog, aproveitei o gancho.

Se Mel e Leo brigam? Claro que eles brigam! Caramba, e como! E que coisa mais chata do mundo é ficar o dia todo apaziguando e apartando os conflitos! Mas isso não aparece lá no Instagram, não. Naqueles quadradinhos mostro apenas as belezuras e doçuras da vida. Por ora.

Voltando ao assunto do post, já contei pra vocês que até os três meses do irmão, Mel se comportou super bem – com ele e conosco. Dos três aos seis meses do Leo, ela se rebelou com a gente, fez muitas birras e passamos por uma fase bem difícil. Depois que a tormenta foi embora, a paz voltou a reinar, assim, na medida do possível, né? Passamos por períodos de “aproveitar-se da situação de irmã mais velha e, portando, mais – insira aqui um sotaque carioca, para dar mais graça e molejo – esperta” até “aproveitar-se da situação de irmão menor e levemente protegido e puxar o cabelo da irmã”. Foi bem tenso. Mas também passou.

Tem algum tempo, porém, que as brigas e desentendimentos passaram a ser frequentes. Os motivos são outros, mas poderíamos muito bem resumir em:

“mamãe, o Leo pegou meu livro… e rasgou!”

“mamãe! o Leo destruiu meu castelo de pecinhas!!!”

“mamãe! a Mel empurrou o Leo… ela não quer brincar de pegue pegue”

“mamãe! a Mel não deixa o Leo pegar o gatinho preto!”

Ou seja. Eu (normalmente eu, porque passo mais tempo com eles) tenho que ser o juiz em disputas por brinquedos e o pacificador das divergências sobre qual brincadeira os pequenos irão brincar – lembrando que não se pode obrigar ninguém a querer brincar de pegue pegue (Leo chama assim) na hora que queremos.

Eu não quero ser juiz de nada, nunca quis (hahaha), mas acredito que não tinha como ser diferente, já que estamos falando de pessoas diferentes com idades, personalidades e preferências diferentes também.

Das situações mais difíceis até o momento, eu poderia citar duas:

Trollar/azucrinar o irmão mais novo

Exemplo: quando Melanie pega algo do irmão (ou pega algo que o irmão decide querer no exato momento que ela aparece com o bendito brinquedo na mão) e começa a correr em volta da mesa da sala. E Leo, por sua vez, berrando como se o mundo tivesse acabado e correndo atrás dela, que dá gargalhadas enquanto corre.

Nesses momentos tenho um pouco de vontade de entrar debaixo da cama. Ou de pegar minha bolsa e sair pra tomar uma cerveja gelada. Mas, tudo bem, como nem sempre querer é poder, vou tentando aprender a lidar com a situação da melhor forma possível e, o mais importante: aprendendo a deixar que eles se entendam sem interferir demais. Porque percebi que nas vezes em que não agi no mesmo instante em que o desentendimento começou, eles acabaram cedendo à vontade um do outro, mudando de ideia, inventando outra brincadeira. Nem sempre é assim, claro. Aí não tem jeito e precisamos interferir. E com isso vamos para o big problem number two.

O frequente cuidado em não sermos injustos com o mais velho

Isso geralmente acontece por dois motivos: na nossa mente adulta, racional e que trabalha no automático, muitas vezes, pensamos que só porque ele é mais velho e, portanto, um pouco mais maduro, deve ter mais paciência e compreensão com o irmão menor. Mas, mesmo que isso tenha um fundo de lógica, o irmão mais velho não deixa de ter seus direitos e vontades a serem respeitados – inclusive pelo irmão mais novo. Nem deixa de ser uma criança também. O que percebi, então, é que algumas vezes fomos injustos com a Mel, mesmo quando ela tinha razão. Só para evitar conflitos maiores – ou, traduzindo – para evitar o chororô do irmão. O que ocorre é que no meio da rotina corrida e cansativa do dia a dia, às vezes a gente acaba pegando o caminho que parece mais fácil e essa péssima mania de tentar apaziguar as coisas pensando no nosso próprio conforto também. Afinal, quem é que gosta daquela gritaria envolta em lágrimas, não é? O que a gente deixa de entender, no entanto, é que uma peça faltante naquele castelo que acabou de ser construído, acaba com a brincadeira da criança que o construiu. Para nós é apenas uma peça, mas, para a criança, é a porta ou a janela que foi retirada assim, sem mais nem menos. Quebra toda a fantasia que ela colocou ali.

Quando percebi que estava tudo errado, deu aquele estalo e eu disse, pausadamente “pa-rô de passar a mão na cabeça do menor e fazer o maior ceder (quase) sempre. pa-rô tudo, ca-bô issae.” Então, a partir daquele dia, tentamos sempre aplicar a justiça de forma igual. Não só em termos de igualdade de direitos e deveres, mas de sermos imparciais também, ou seja, sem puxar sardinha para nenhum dos lados. E, olha, dá para dizer que as coisas ficaram mais simples e com um peso menor dali em diante. Claro que ainda levamos em conta o fator mais novo ou mais velho, mas sem deixar que isso nos guie em primeiro lugar.

Com a Mel sempre foi mais fácil de dialogar, claro. Apesar de contestar e questionar muito, ela acabava entendendo como deveria agir. Já com o Leo e seus ímpetos cheios daquela braveza conhecida dos dois anos e pouco, foi e tem sido um pouco mais complicado. No auge do choro, a criança não consegue compreender aquilo que estamos explicando. Então sempre tento acalmá-lo primeiro e conversar (da forma mais clara e simples possível) depois. É suado, é difícil, dá dor de cabeça… mas não tem outro jeito. É parte do nosso papel de pais ajudá-los a compreender as coisas, as regras, a vida.

Uma dica que me deram e que funciona de vez em quando, é aplicar uma contagem de tempo para que cada um fique com um brinquedo ou lidere uma brincadeira, por exemplo. O menor tem uma noção de tempo diferente e, para ele, um minuto parece muito mais tempo. Já sacia aquela necessidade de segurar algo que ele só quis depois de ver o outro brincando. E o negócio é contar em voz alta, com a ajuda dos pequenos. Geralmente a vontade passa e eles partem para outra. E assim o maior consegue continuar sua brincadeira.

Nas poucas vezes que eles brigaram mais feio, de dar um tapa, puxar o cabelo, morder, empurrar… a conversa foi mais séria e mais dura. Não gosto muito da palavra “castigo” – e tenho minhas dúvidas sobre sua real função ou eficácia – mas aquele que bateu no outro precisava sair da brincadeira por algum tempo. Depois eles mesmos voltavam e pediam desculpas, espontaneamente. Acho bem importante trabalhar isso, deles reconhecerem que erraram e de desculparem por vontade própria. Quando acontece de ambos desrespeitarem as regras ou brigarem um com o outro, a brincadeira acaba na hora. Falo apenas uma vez e caso o combinado não seja cumprido, todos pagam o pato.

Depois de todos esses aprendizados deles e nossos, ainda rola muita zoação, briguinhas e algumas provocações, é claro. Mas já conseguimos contornar a maioria dos conflitos de forma mais simples e efetiva, lembrando sempre do principal: que eles são crianças, possuem mentes muito parecidas e têm capacidade de se comunicar e de se entender. Basta a gente ter (muita) paciência, confiar e dar tempo ao tempo. Uma taça de vinho no final da noite, às vezes ajuda também. :)

E por aí? Rolam muitas brigas e desavenças? Como vocês lidam com isso?

7 comentários no blog

  1. Telma Teixeira em

    Da vontade de sumir mesmo qdo as crianças começam a brigar e ao nosso ver, por nada!!! Adorei o post! Aqui em casa, com a mesma idade as meninas brigam muito por brinquedos. Isso pq a maioria sao iguais para as duas. Quando começam a brigar, a q esta chateada fala : ” nao sou mais a sua irmã, nao quero mais brincar com vc nunca mais!” kkkkk tem q rir pra nao chorar. E la vou eu explicar que elas nao devem brigar desse jeito, que são irmãs e que irmãs nao brigam, conversam e se entendem…. 5 minutos depois ja esta tudo bem, mas essa novela se repete por muitas vezes no dia. Briga feia de bater é raro por aqui e qdo aconteceu tbm tirei de perto para pensar no q fez e depois pediu desculpa… Apesar das brigas é tao lindo qdo esta tudo bem e elas brincam juntas, se abraçam, se beijam… Q ate esquecemos dessa parte chata !
    Bjos Mi, saudades 😘

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  2. Priscila em

    Nossa, como é dificil né!!! Aqui a diferença de idade é de 6 anos (3 e 9 anos) então a coisa é bem tensa…só q aqui sempre a menor q provoca, rsrs!

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  3. Daiana em

    Adorei o texto ! Ótimas dicas, como sempre…. afff também tenho vontade de pegar a bolsa e ir tomar uma cervejinha gelada ou até um café e voltar umas 2 horas depois 😂😂😂 #tamojunto 👊👊👊 Beijos Michelle 😘

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  4. Jaqueline em

    Irmãos sempre tem seus conflitos, o importante é saber lidar com eles e educar as crianças do jeito certo. Você dá belas dicas aqui de como lidar. Os meus já estão grandinhos e se entendem bem, leia-se cúmplices, mas passei umas boas com os dois. Agora dou risada quando lembro. Tudo passa e tenho até saudades deles pequenininhos brigando kkkkk. Beijos.

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  5. Paula em

    Oi Michele, onde comprou esse brinquedo dá primeira foto?? Qual nome??

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    1. Michelle Amorim respondeu Paula em

      O Leo ganhou de aniversário. Chama Mosaic da marca PlayMais :)

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  6. Janilce em

    Aqui em casa quando os meus começão a brigar, coloco os 3 abraçados fica aquele bolo chorando, rodando, querendo soltar o outro. Sempre falo para eles que os problemas não estão entre eles e sim contra eles.

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