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Aprendendo a dividir a vida em partes iguais

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Assim que me descobri grávida da Melanie, mergulhei de cabeça no mundo da maternidade. Todos os meus pensamentos, toda a minha atenção era voltada para ela e para tudo que dissesse respeito a ser mãe. E acho que para praticamente toda mulher que se vê à espera do primeiro filho, as coisas sejam assim.

Depois que ela nasceu, o mergulho foi ainda mais profundo – tão profundo que devo ter batido com a cabeça até (metaforicamente falando). Eu apenas via, ouvia e pensava nas necessidades dela, vivia dentro do mundo dela. Talvez isso tenha ajudado a agravar o meu quadro de depressão pós parto, porque a vida já muda totalmente depois que o primeiro filho nasce, imagine então você deixando de viver a sua vida e vivendo a dele.

Mas era isso que acontecia. Eu não assistia mais um filme, não via mais uma série das que eu gostava tanto, não lia um livro ou revista que não fosse maternal e pasmem, até a música que é uma das minhas paixões, ficou totalmente esquecida. Era o mundo dela somente e não mais o meu, e estava tudo muito, muito errado.

Mas por que eu agia assim? Porque eu inconscientemente achava que era o modo certo, achava que tinha que ser cem por cento para ela, por ela. Eu sempre fui meio oito ou oitenta, sempre fui de me focar integralmente no que me proponho a fazer – e na maternidade me vi agindo assim também. Acontece que tudo, absolutamente tudo na nossa vida, precisa de equilíbrio. Porque temos que ser várias pessoas em uma só e todas elas são igualmente importantes.

Hoje, com meu segundo filho, as coisas são muito diferentes.

São diversos tempos: tempo de dar atenção somente a ele, tempo de dar atenção somente à irmã, tempo de dar atenção aos dois ao mesmo tempo, tempo de dar atenção ao trabalho, tempo de dar atenção aos afazeres da casa, tempo de dar atenção para o marido e claro, tempo de dar atenção a mim mesma.

Claro que nem sempre consigo me dedicar de corpo e alma a todos esses setores da minha vida – na maioria das vezes me dedico a vários ao mesmo tempo e as coisas acabam sendo feitas meio nas coxas –  mas eu tento, sabem? E mesmo que tudo dê errado – e eu fique p. – no final sempre tenho aquela sensação de que eu já sabia, que nada é perfeito e nem tem que ser.

A principal mudança que vejo, comparando com os primeiros meses da Melanie, é que incluí o Leo na nossa vida e na nossa rotina, e não o contrário. Depois de ter suas necessidades e seu tempo respeitado quando era recém nascido – até que ele estabelecesse seu próprio ritmo – agora ele integra a nossa família, mas o mundo não gira somente ao seu redor. E acho que isso faz bem para todo mundo por aqui.

Percebi isso ao me pegar dançando com ele, leve, solta, ao som de Nina Simone – enquanto passava um café. E definitivamente: sou uma mãe muito melhor quando estou feliz, quando também penso em mim mesma e, principalmente, quando consigo conciliar a mulher e a mãe que vivem aqui dentro – sem diminuir a importância de nenhuma das duas.

Desde que escrevi aquele texto sobre buscar o equilíbrio entre ser mãe e mulher, minhas perspectivas mudaram muito, eu mudei muito e tenho mudado mais a cada dia. Dá para perceber isso pelos textos que agora não falam somente dos meus filhos, mas de mim e dos tantos papéis que tenho nessa vida.

Tenho dois filhos, por vezes fico exausta, a casa anda uma bagunça, o trabalho anda atrasado e de lado e tenho que me virar nos trinta todos os dias. Mas tenho tentado fazer tudo isso sem pirar, parando para respirar e me dando os tempos necessários para processar os sentimentos que vêm depois de cada situação – sejam eles bons ou ruins.

Uma das coisas que aprendi nesse tempo, é que nem sempre algo precisa perder o seu lugar para que algo novo possa entrar. Com o tempo, as coisas se encaixam, se acoplam, se completam.

Às vezes demora um pouco para que o equilíbrio apareça, mas quando ele aparece e você finalmente começa a aprender a dividir sua vida em partes igualmente importantes, ah, é bom demais.

It’s a new dawn
It’s a new day
It’s a new life
For me
And I’m feeling good.

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12 comments

  1. Nossa Michelle, os primeiros 4 parágrafos e 100% eu!!! Hoje!!! Mas ainda não consegui enxergar que isso esta errado e muito errado. Eu amo viver e respirar minha bebe de 6 meses. As vezes ate bate uma deprezinha, de não fazer mais nada para mim, mas tb acredito que tudo são fases, e tenho muito medo de me arrepender de não ter me dedicado a ela integralmente nesses primeiros 2 anos de vida, que acho tao importante.

  2. Me vi 100% nesse post. E sinto que a chegada desse segundo (mesmo que só dentro da barriga ainda) já está mudando as coisas e está me fazendo perceber todas as partes da vida.
    Beijos!

  3. Seus posts são maravilhosos e sempre mostram bem a realidade.
    Meu filho tem menos de um mes e estou me sentindo bastante esquecida por mim mesma… Nao tenho depressão pós parto, mas ando chorando bastante e as vezes nem sei por que, talvez pq o novo assusta (estar sem trabalhar, responsabilidade de cuidar bem de um filho, voltar ao peso, ser esposa,….).Amo meu filho, amo cuidar dele, mas vi que nem tudo são flores na maternidade como sempre imaginamos. E você nos ajuda a ver que todo esse sentimento é normal…
    Parabéns e obrigada!

    1. Mariana, isso que vc está passando é super normal! Eu chorei os primeiros 15 dias após o parto, sem razão alguma. O choro vinha e eu deixava ele vir. Depois isso passou. Não se cobre muito que as coisas fluem melhor. A esposa volta com o tempo, a rotina volta com o tempo e o corpo tbm. Não tenha pressa. Curta seu bebê ao máximo, pois eles crescem sem que a gente perceba…

  4. Acho que por isso blog de mãe faz tanto sentido, é meio assim com muitas ou quase todas, e a gente fica se perguntando se tá surtando ou apenas descobrindo e redescobrindo o caminho das pedras.

  5. Naquele post eu já tinha te dito que a gente não pode ficar em segundo plano. No meu caso foi o contrário. Eu não conseguia aceitar que uma ida ao mercado era difícil ou impossível naquele momento. Que sair para tomar um suco num bar era um luxo que não me pertencia mais. Eu nunca vivi a vida do Heitor, eu o inseri na nossa. Mas mesmo assim tudo foi complicado. Hoje já me acostumei a essa nova vida, já entendi que uma simples ida à padaria precisa de uma logística, sim pq tenho dois “bebês” e não posso deixar eles em casa. Eu converso muito com eles, mesmo com Heitor que tem 1 ano e 10 meses e Bruna com 3 meses. E me vi explicando para eles que mamãe é uma só para dois, na verdade para 5, pq tenho que cuidar deles, do marido, dos gatos e de mim, claro!

  6. MUUUUITO EU… MEU MUNDO GIRAVA EM TORNO DO NICOLAS ATE OS 2 ANOS E DEPOIS ME REDESCOBRIR EM MINHA NOVA PROFISSÃO E A CADA DIA QUE PASSA TENHO MAIS SUCESSO, POREM FICA MESMO MUITO DIFICIL OS NOSSO DIVERSOS PAPEIS, MAE, SILVIA, ESPOSA, DONA DE CASA, DIRETORA, CONSULTORA DE BELEZA, ETC… ACHO QUE PRECISO CONTRATAR UMA ASSISTENTE DO LAR PRA ME LIVRAR DE UM PAPEL… RS

  7. Michelle,
    Parabéns pela sua nova conquista. É normal e super aceitável nos primeiros meses ter a atenção no bebezinho, mas depois ele tem que entrar na rotina da sua vida mesmo. E aquele papo de todo o tempo do mundo são dos meus filhos não é saudável para ninguém.
    A minha mãe era assim. Ficou em casa para cuidar de quatro meninas. Ela era totalmente frustrada. Não tinha vaidade nenhuma e criou a gente sem qualquer auto estima. Ela só fez a gente trabalhar muito cedo para não ficar “igual a ela”.
    Quando saí do meu emprego (ou melhor me mandaram embora), ela foi a primeira a me criticar, dizendo que iria me aniquiliar. E aconteceu foi justamente ao contrário, eu amo cuidar da minha casa, do meu filho.
    Me descobri bem caseira e a minha família tem um ritmo que a maioria pode achar absurdo mas é o nosso ritmo. Não ligo para muitas “modinhas” sobre criar filhos, que são bem oito ou oitenta mesmo. Mas meu filho come, dorme e brinca bastante, disso eu não abro mão.
    Estou grávida do segundo filho e será uma menina. Sei que as coisas vão mudar, afinal meninos e meninas são bem diferentes, mas quero manter a minha essência, uma mãe brincalhona, feliz e que dá limites para os filhos serem felizes também. Pois se a gente não for feliz e realizada na nossa casa com a nossa família, como podemos ensinar os nosso filhos a ser?

  8. Michelle parabéns pelo blog, me identifico muito com você!!
    E todas essas fases desde o nascimento até hoje passei por todas, e hoje estou em equilibrio, consigo dar conta de tudo, porém, com muito mais tranquilidadeee!!
    Graças a Deus, porque a neura de me cobrar tudo não me fazia bem!!
    E hoje minha filha amada tem 8 meses e sou uma mãe leve, mesmo com um milhão de afazeres!!!

    Que muitas mães, mulheres, esposas, profissionais, donas de casa, se sintam assim, plenas, leves, sem neuras!!
    ;)

  9. Nossa Michelle..me vi total no seu texto. Tenho uma filha de 1 ano e 1 mês e também fiquei tão imersa no mundo da maternidade que está sendo difícil voltar a ser eu mesma (ainda que diferente). Até esse negócio de ler só sobre maternidade, meu marido que fica puxando minha orelha, pq é uma coisa tão automática, que nem me dou conta. Estou bastante exausta e quero muito conseguir equilibrar tudo isso. Minha filha está começando a fase das birrinhas e está difícil conciliar rs Vou continuar na esperança e acompanhando seu blog para conseguir alguma inspiração. Parabéns! Bjs
    Renata

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