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And the Oscar goes to… Alexandre, o rei do pedaço novamente.

Me recordo de inúmeras vezes, durante os primeiros meses de vida do Leo, em que ele claramente preferia a mim e Alexandre ficava meio ressentido até. E eu, secretamente, me sentia a rainha da cocada, cheia de leite, de charme e de amor para dar. E esse meu reinado soberano durou até pouco tempo atrás.

Mas, de repente, Leo só quer o pai.

Nos últimos dois meses, se o pai está, eu quase que não existo aqui em casa. De cada dez situações diárias, em pelo menos sete delas ele irá preferir o colo ou a companhia do pai. Exceto, claro, em momentos de choro, sono ou fome. É como se eu fosse o ninho, garantia de alimento e aconchego, e Alexandre, o parque de diversões, sabem? O ninho está sempre aqui, disponível, com suas palhas ajeitadinhas para receber o filhotinho. Já o parque, não. O parque fica fora de casa por uns períodos, às vezes mais longos, outros nem tanto. Fora que o parque é tão mais emocionante e desafiador que o ninho, não é? Ainda mais para um bebê arteiro e cheio de energia, como esse.

Na terça-feira, aproveitamos o feriado para levar a Mel ao cinema e minha mãe ficou aqui com o Leo. Quando voltamos para casa, assim que ouviu o barulho do portão, ele correu para a janela, como sempre faz. Eu entrei primeiro enquanto Alexandre tirava a Mel do carro e fui apressada até o pequeno, dizendo “Leoooo, Leoooo, mamãe chegooooou”. E ele, nem tchum. Continuava olhando atento lá para fora, vendo a movimentação no carro. Fiquei ali agachada por um minuto, me sentindo a rejeitada e, quando achava ingenuamente que não poderia ficar pior, ficou. Alexandre entrou e assim que vislumbrou a cabeça do pai, Leo saiu correndo para ir até ele. No caminho, estava a mãe rejeitada, com os braços abertos e um sorriso de orelha a orelha no rosto. O que ele fez? Passou correndo e desviou, atenção pessoal, des-vi-ou do meu abraço para correr para o pai. Agora, reflitam. Ele des-vi-ou de mim. Eu, então, me recolhi a minha insignificância e saí bicuda. Minha mãe assistiu a tudo e percebi que ela queria rir de mim, mas estava tentando ser solidária (valeu mãe, tamo junto porque você também passou por isso e sabe como é).

Mas e aí? Alguém se identificou com a cena descrita acima? Me digam que sim, por favor. Me sentirei menos pior.

Brincadeiras a parte, gente, cadê o meu menino chicletinho? Cadê o meu bebê que era grudado em mim? Que me chamegava o dia inteiro? Que preferia deitar a cabeça no meu ombro a qualquer outra coisa nessa vida? Cadê? Eu quero ele de volta!!! Buááááá.

Eu sei, eu sei pessoal. No primeiro ano de vida o bebê depende demais da mãe, tanto pela amamentação quanto por uma questão de segurança mesmo. Com o passar do tempo e com a necessidade de explorar e descobrir o mundo, as outras pessoas a sua volta vão ficando mais interessantes. Eu me recordo perfeitamente de quando isso aconteceu com a Mel, quando ela tinha mais ou menos essa idade. A cada saída do pai, era um chororô sem fim, como se o mundo fosse acabar. A cada chegada do pai, era uma festa de arromba, só faltavam os fogos de artifício. E agora, tudo está acontecendo da mesma maneira, só que com o Leo. And the Oscar goes to Alexandre, que é o rei do pedaço, novamente.

Mas, caracas, por que isso acontece? Afinidade? Identificação? Admiração? Ligação afetiva que foi ficando mais forte? Acho que sim, né? E também, Alexandre é aquele que joga Leo para cima, que o deixa escalar os lugares mais altos, que faz as caretas mais apavoradas quando está trocando uma fralda explosiva de cocô, que faz a banana amassada de toda manhã ser mais divertida, que inventa as brincadeiras mais loucas e engraçadas, que faz os melhores ovos mexidos e as melhores tapiocas, que chega em casa numa moto brilhante e barulhenta, que propõe as maiores aventuras e desafios, que conta as histórias com as vozes mais inusitadas, que morde, beija e cheira tanto quanto eu.

Só sei que, mesmo me sentindo um tanto excluída ultimamente, amo cada pedacinho dos dois e amo essa relação tão cheia de afeto e de vida que eles estão construindo a cada dia. É tão bonito ver a alegria estampada no sorriso e no olhar de ambos quando se encontram! A energia contagiante, quando estão juntos. Espero que eles sejam os melhores amigos, confidentes, camaradas e companheiros. Espero que se respeitem sempre, que saibam discordar, que deem broncas um no outro quando acharem necessário e que riam, mesmo que nem tudo dê certo.

Para mim, ficar no cantinho do castigo tem sido uma experiência interessante até agora. Tenho conseguido ir ao banheiro sossegada, trocar de roupa ou me maquiar levando mais do que cinco minutos, terminar meu café da manhã sem pressa ou apreciar meu vinho enquanto preparo aquele molho gostoso para o jantar.

Mas ó, assim que possível, quero o meu menino chicletinho de volta, tá? Já estou com saudades. <3

leo e ale_blogvidamaterna

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17 comments

  1. Olha comadre aqui em casa está bem assim e eu fico nessa mesma desolação. Por outro lado é nessas horas que eu paro e tenho meus cinco minutinhos pra me cuidar, pra assistir meu programa favorito ou até mesmo vir aqui no blog ler suas histórias. Lembre-se nesses momentos que ele sempre te amará, assim como você à ele. Beijos.

  2. Amiga, sei bem o que é isso, minha filhota desde pequenina é louca pelo papai. Eu ficava com ela horas e horas e ela não dava nem um piu, o papai chegava ela gritava, gesticulava, sorria, tudo de uma vez pra ele.
    Mas o que temos que fazer é pensar que na verdade, NÓS FIZEMOS A MELHOR ESCOLHA, o melhor papai que eles podem ter.
    Adoro seu Blog, acompanho tudo!
    Bjão!

  3. hi hi hi
    então !!! Minha mãe sempre dizia que quando eu era pequena tinha um grupo de professoras amigas suas la em casa para uma reunião..elas estavam na sala de jantar e eu estava sentada no chão, brincando ao seu lado … quando meu pai chegou eu fui engatinhando correndo na direção dele! estilo último gol de jogo de futebol! triblando todas as pernas debaixo da mesa !!! ehheheheh
    a minha nunca fez, não! mas todos os dias quando o pai chega ela para de jantar e vai correndo abraçá-lo! deixa tudo em cima da mesa ……

    Estou lendo um livro sobre inteligência emocional e tem um capítulo dedicado para os pais (pai não mãe ) diz a figura do paterna tem uma forte influência sobre a criança … se você quiser ler , eu acho que o título em Português é esse :
    Inteligência Emocional E a Arte de Educar Nossos Filhos – JOHN GOTTMAN E JOAN DeCLAIRE

  4. Olá, Michelle! Nossa, parece que estou lendo um relato meu! Meu Felipe de 2 anos e 10 meses também está assim, um grude com o pai. Muito engraçada essa fase! No começo me senti “a rejeitada” também, mas hoje em dia acho que estamos num estágio um pouco mais à frente: quando chego do trabalho ele não desvia mais para o pai, fica querendo os dois ao mesmo tempo. Mas claramente eu “sirvo” para assuntos sérios (alimentação, sono, medo) e o pai para “assuntos diversos e diversão”. O pai é o HERÓI, vamos falar a verdade. Nas vezes em que tenho que buscá-lo na minha mãe sem meu marido, sempre vem uma vozinha lá do banco de trás: “mamãe, to com saudade do papai”… e eu morro de rir e me orgulho pacas! São os dois amores da minha vida! Mega parceiros. Isso sim é definição de família! Bjs para vocês!

  5. Tenho duas bonecas ( 2 anos e 5 meses e 7 meses) a de 7 meses ainda é meu grude, até porque ainda amamento, mas a dê 2 anos parece que vi ela descrita no seu post, rsrsrs porque eles são tão mais “legais” que a gente né ? Já li que os filhos sabem e sentem o amor incondicional da mãe, por isso não se esforçam tanto para conquistar como com os demais… é claro que pai tbm tem amor incondicional e além de incondicional é amor incondicional acrescentado de muita aventura !!! Que assim seja, antes grude , do que desgarrado!!!!!!
    Este é meu primeiro comentário aqui, mas acompanhdo seu blog a muito tempo ! Parabéns pelo trabalho e pela linda família!

  6. olá…ahhh que legal…….menina aqui em casa ta parecido a BEA cada carro que chega no condomínio a noite é o papai……e sai correndo pra porta e fica chateada quando digo…não filha é o vizinho…..hahahamas em contra partida se deixo ela com ela pra tomar banho tenho que sair de fininho e ela fica na porta… mãe…. (gritando ela nao fala mamae so mae) é engraçado…e o pai mesma coisa…….mtas vezes ela prefere ele tbm mas como eu tbm trabalho e fico fora o dia todo acho que ela sente saudades de nós dois…mas quando ele chega ela nao quer saber de mais nada…….só colo e folia……..é bom a folga e eu acho mto legal…….porque com nós e natural a ligação e com o papais é mais construída ao longo do tempo fico feliz em ver ela amando o papai e querendo ele…….estou até conseguindo ler um livro depois de 1 a e 4 m hahhahaha……..e eu li que os PAIS sao importantes por isso mesmo pela forma diferente de lidar com os pequenos…..eles sao mais soltos e deixam as crianças se arriscarem mais…e isso é positivo..ate bebezinho o pai segura diferente…virado para o mundo ja nos mamaes carregamos virados para nos no instinto de preservar e dizer é meu……curta e paroveite…..eles serao os melhores amigos sempre…emu irmao e meu pai sao ate hj……

  7. Sinto desapontá-la, mas continuo sendo a rainha do pedaço lá em casa rsrsrs!
    Mas tem explicação, Michelle: os papéis são invertidos, passo o dia todo fora e o papai fica mais tempo em casa (é policial e trabalha em regime de plantão).
    Por outro lado, quando o papai vai trabalhar o chororô é grande.

    Bjos querida, amo o blog!

  8. Michele, se te deixa mais aliviada… bem, as coisas aqui estão do mesmo modo. ha-ha-ha (é rir pra não chorar)

    No primeiro ano da Mari, tivemos de ficar separados, eu fiquei na casa da minha mãe e o papai na mãe dele. Estávamos juntos, bem e ajeitávamos a casa, uma família de “namorados” com filha. Aí quando mudamos, ela já era acostumada ao pai… na rua! Em casa, ela o rejeitava. E o papai ficava morrendo por dentro, se perguntando se ela o aceitaria um dia. Eu me achava a rainha da vida dela né?

    Até que, ela se desenvolveu, começou a falar, pular, brincar e eu perdi o reinado! Pior é que agora é chamego também pra todo lado e braços cruzados pra mim. Fico enciumada, mas logo passa porque sei que meu esposo queria muito ser aceito e AMADO pela própria filha! Então desencano e entro na brincadeira. Chegamos a nos jogar no chão da cozinha! E é muito gostoso.

    Então o que digo? Aproveita pra dividir a atenção com o Alexandre, porque depois “piora”… recentemente a minha dor é ver o amor dela pela professora e nem tchuns pra mim ha-ha-ha (rir pra não chorar 2).

  9. o meu só tem 4 meses e já é louco no pai. Com isso eu não me importo tanto mas fico profundamente magoada qnd alguém ( todo mundo) fala q ele é a cara do pai. É infantil eu sei, é por isso nunca falei com ninguém sobre isso. Mas poxa carreguei 9 meses numa gravidez super complexa e chata, pra ninguém falar: ‘ ele tem alguma coisa sua’. #desabafei

  10. Normal, ele tá na fase da identificação, como e menino quer fazer coisas de menino com o pai. Minha filhota tá com oito meses e ainda não fala (exceto murmura algumas quase-palavras), mas ela passa o dia inteiro toda feliz falando “da-dai”! (que a gente sabe que é “papai” ) e só fala “ma-mã”) quando está revoltada ou com fome, ou seja, virei a provedora do soninho e da comida, pois na hora da diversão é só dadai pra lá e pra cá, rsrs.

    Beijos!
    http://www.baudabijou.com.br

  11. Ah que fofo!!! E como não amar esses pais? Eu ainda não passei por essa experiência, graças a Deus rsrs
    Porém, tem horas em que sinto falta de uma folguinha, tudo é comigo, t-u-d-o.
    Amei o texto!
    Beijos

  12. Michele,
    O seu marido trabalha com o quê?
    Sabe porquê pergunto? Porque eu acho muuuito legal o relacionamento de vocês. Explico: eu te vejo bem “certinha” (hahahaah), daquelas pessoas que deixam tudo organizado, que gostam de tudo arrumadinho.
    Já o seu marido eu enxergo de ooooutro jeito: tatuado, anda de moto, deve gostar daquela música born to be wild, de ouvir rock…
    É aquela coisa do esteriótipo sabe? Esses dias vi no IG que você estava no show de Ozzy, mas você passa aquela imagem mais patricinha e o seu marido de ser bem porralouca (desculpa o palavrão). Na família do meu marido temos um casal assim. O irmão dele é desbocado, fala o que a gente pensa mas tem vergonha de falar, anda de moto, curte rock pauleira e ela é toda delicada, sensível e estão juntos por muuuito tempo. Acho que tem uns 18 anos :O
    Enfim, a curiosidade é porque as vezes ele passa essa imagem mas é um executivo todo engravatado – o que não é o caso do meu cunhado rs.

    Um beijo!

  13. Hahahaha… Engraçado e normal. Eu pego a minha de 1a4m na creche e ela aponta o dedo pra porta e diz: Daddy?! Na verdade, eu amo ouvir isso, afinal ela é nossa, mas dá uma pontinha de ciúmes, lógico! Quando ele chega é uma excitação linda.

    Aproveitando o assunto, há também a questão do Complexo de Édipo que acontece com toda criança, sim, toda. Depois leiam J. – D Nasio, entretanto nem a minha baby, nem o Léo estão nesse momento ainda, pois acontece por volta do 3º e 4º anos de idade.

    Abraços, Ju.

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