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Amor, diferenças e as aparências que enganam

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Nesses meus seis anos blogando, quatro deles a frente do Vida Materna, já recebi inúmeros comentários e e-mails de leitoras (vou falar leitoras porque noventa e cinco por cento do meu público são mulheres). Foram muitos agradecimentos emocionados, pedidos de um help com a educação filhos ou dicas para as festas de aniversário, dúvidas sobre parto e gestação, toques para que eu falasse mais sobre certos assuntos, enfim, e-mails e mensagens diversas que, muitas vezes – de tanto carinho que carregavam – me fizeram chorar ao ler.

Todas essas mensagens me fizeram sorrir, de alguma forma. E algumas me fizeram rir. E algumas outras me fizeram rir muito, sem parar. E depois, pensar bastante também. Foi o caso deste comentário, feito por uma leitora chamada Mariana, e que deu origem a este post:

Michelle, o seu marido trabalha com o quê?
Sabe por quê pergunto? Porque eu acho muuuito legal o relacionamento de vocês. Explico: eu te vejo bem “certinha” (hahaha), daquelas pessoas que deixam tudo organizado, que gostam de tudo arrumadinho. Já o seu marido eu enxergo de ooooutro jeito: tatuado, anda de moto, deve gostar daquela música born to be wild, de ouvir rock… É aquela coisa do estereótipo sabe? Esses dias vi no IG que você estava no show do Ozzy, mas você passa aquela imagem mais patricinha e o seu marido de ser bem porralouca (desculpa o palavrão). Enfim, a curiosidade é porque às vezes ele passa essa imagem mas é um executivo todo engravatado, rs. Um beijo! 

Eu acho que mais pessoas, além da Mariana, nos veem dessa forma (eu e Alexandre, no caso). É intrigante e até engraçado perceber como as aparências ou o que escolhemos mostrar ao mundo, podem enganar tanto. É o eterno não julgar um livro pela capa, sabem?

Vamos começar então pela pergunta que é recorrente por aqui: “no que seu marido trabalha?”.

Apesar de expor bastante da minha (da nossa) vida por aqui, a gente tenta preservar certas informações porque todo mundo está careca de saber que precisamos ter cuidado no que compartilhamos publicamente. Mas, como muita gente já me perguntou, vou dar uma múltipla escolha para vocês (assim, a gente mata a curiosidade sem especificar onde, quando e por quê, e mantemos uma certa privacidade para o rapaz…)

Então, escolha uma das opções abaixo. Alexandre é:

a) vendedor de Barsa (de porta em porta)
b) pastor de ovelhas
c) meu lacaio e escravo sexual
d) funcionário público
e) um fanfarrão

Pronto. Pergunta respondida, certo? Certo. Agora vamos voltar lá para o motivo de tanto riso – e algumas análises – por causa do comentário da Mariana. Por partes:

eu te vejo bem “certinha”, daquelas pessoas que deixam tudo organizado, que gostam de tudo arrumadinho…”

Eu realmente gosto das coisas certinhas, de colocar todos os pingos nos is e de ter minhas coisas, minha casa e minha vida organizadas. Mas, entre eu gostar e desejar isso tudo e realmente acontecer, na prática, há um abismo enorme, gente! Mas eu tento, eu sempre tento. Alexandre é mais bagunceiro, sem sombra de dúvidas, e isso gera alguns arranca rabos por aqui (quem nunca?).

“já o seu marido eu enxergo de ooooutro jeito: tatuado, anda de moto, deve gostar daquela música born to be wild, de ouvir rock…

Sim, Alexandre tem algumas tatuagens (inclusive tem meu nome escrito na mais recente <3), ama sua Road King, carros antigos e motores v8, gosta de rock, de metal e de sons bem pesados (daqueles que eu sempre acho que o vocalista está vomitando e não cantando…), mas… eu tenho mais tatuagens do que ele! Não dirijo motos (ainda), mas gosto muito de andar com ele. E o rock n roll, poxa vida, está no sangue que corre nas minhas veias. Somos muito parecidos nos nossos gostos.

Ainda, na questão das tatuagens, quem vê a tatuagem enorme que tenho nas costas – e que foi feita depois de quase cinco anos de espera e planejamento – se espanta e diz que jamais imaginava que eucom essa carinha – teria algo assim. Mas eu juro que não entendo isso. Eu enxergo tatuagem como arte, como um desenho ou frase que eu quero ter em minha própria pele para sempre. Algo que seja ou tenha sido importante para mim. Não é pivetagem, maloqueragem ou coisa de gente transviada. É apenas uma questão de gosto e de escolha do que fazer com ou no próprio corpo. Tem gente que gosta, tem gente que não gosta. Só isso.

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“esses dias vi no IG que você estava no show de Ozzy, mas você passa aquela imagem mais patricinha e o seu marido de ser bem porralouca (desculpa o palavrão)”

E essa foi a parte que mais me fez rir. E também, pensar. O que seria essa imagem de patricinha? E o que seria essa imagem de porralouca? Fazendo um ligeiro exame de consciência e de personalidade aqui na minha cabeça, gente, se tem alguma “porralouca” aqui, sou eu, hahahaha.

Só para citar algumas particularidades de cada um: Alexandre sempre foi muito estudioso, certinho e responsável, não bebe uma gota de alcool e é bem racional – na maioria das vezes. Ainda assim, não deixa de ter seu gênio leonino difícil de lidar. Já eu, bom, eu sou uma eterna adolescente. Não adorava estudar, mas estudava e tirava boas notas. Às vezes, chuto o pau da barraca, geralmente não sou de deixar pra lá nem para acertar os ponteiros depois. Defendo o que acredito com o coração. Sou um pouco impulsiva e muito emotiva e sensível. E, ainda, quem me acompanha lá no Instagram, está sempre vendo uma cervejinha aqui, um vinho ali. Não que eu beba até cair (hahaha) mas eu curto beber sim – um bom vinho (nem precisa ser tão bom assim, na verdade) e uma cerveja gelada num churrasco ou no final de um dia cansativo. E já aprontei algumas poucas e boas. Coisas que, com certeza, numa disputa de porralouquice entre nós dois, me dariam o troféu de rebelde sem causa. Isso só para citar algumas coisas.

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Vocês viram como as aparências enganam? E como a gente tem muitos pré-julgamentos e pré-conceitos atribuídos a certos tipos de pessoas e certos tipos de atitudes? Mas não. Olhando para uma pessoa ou para o que ela escolhe nos mostrar, não conseguimos ver nem um terço da pessoa que ela realmente é.

E, falando agora do nosso relacionamento, uma coisa que percebo ainda mais a cada dia, é que a gente não precisa ser ou pensar exatamente igual para que o amor aconteça. Enquanto muita gente fala de almas gêmeas, de metades da laranja, outras tantas dizem que os opostos se atraem. E eu acho que as duas coisas existem. Até mesmo no nosso caso. Sinto que somos diferentes mas, ainda assim, tão parecidos! Discutimos, brigamos, rimos, choramos, discordamos, aparamos as arestas. Para depois fazer tudo de novo. Parece loucura. E é, de certa forma.

O que nós já sabemos, porém, é que nenhum relacionamento é perfeito. O que faz valer a pena, para mim, não é o final feliz que todo mundo – ou quase todo mundo – sonha, porque ele pode ou não acontecer. O que faz valer a pena, é o que acontece no caminho.

Estamos juntos há mais de sete anos e ainda estamos aprendendo a conviver, a amar um ao outro, a educar os nossos filhos, que são o que de melhor e mais precioso fizemos juntos. É um exercício diário e por vezes confuso, conflitante e exaustivo. Mas eu vejo muito amor em tudo isso. E acredito que ele também. E é o que nos faz continuar aqui. Afinal, a coisa mais importante que a gente pode aprender nessa vida, é apenas amar e ser amado em troca”. [via moulin rouge]

comentários via facebook

32 comments

  1. Kkk adorei as opções sobre a ocupação do Alexandre, ri muito.
    Como sempre, adorando seus textos e é impressionante como as aparências enganam.
    Qdo vem pra Sp?? Beijos

  2. Olá Michelle.. Não sei nem por onde começar.Pois então eu venho a um bom tempo seguindo seus postes e te admiro muito .Também visualizo seu instagram so não a sigo porque não tenho kkk comflitos no casamento em questao a isso mas enfim..So gostaria de parabenizar pois você é uma pessoa super equilibrada determinada mãezona esposa e muito mais. Amo seus textos sempre super bem escritos continue assim.

  3. Que gostoso ler seus textos, Michelle ! Eu me identifico com muitas coisas que você escreve, e dessa vez, me identifiquei com a sua leitora Mariana, pois também tinha de você essa imagem mais “certinha”…Além de ter rido bastante com as opções que colocou para seu marido, em minha mente, sempre achei que ele fosse cantor de MPB rsrsrsrsrsrs e que tocasse em algum barzinho… espia até onde foi minha imaginação ?rsrsrsrsrsrsrs abraços à vocês e aos pequenos…

  4. Super me identifiquei com o seu post. Antes de conhecer meu esposo o achava super fanfarão, pois sempre vivia rodeado de amigos sempre em todos os (bate latas da vida) mas na verdade quando me permitir conhecer aquele homem que tanto me instigava pude perceber, que ele se pudesse so vivia em casa, já eu que me consideravam uma pessoa mais pacada acabei descobrindo que não era bem assim não. Realmente as aparencias enganam.

  5. Legal Michelle! Já tinha visto essa sua tattoo no instagram e confesso que tomei um susto também haha… Infelizmente, somos carregados de estereótipos mesmo, e você com essa carinha e sempre compartilhando esses caderninhos, agendas e coisinhas fofas parece mais paty. Mas é isso aí, Deus continue abençoando vocês :) Acredito que a beleza nos relacionamentos está nas diferenças de cada um, como se completam e escolhem viver juntos apesar das personalidades diferentes.

  6. Adorei o post! Achei super interessante vc contar certas coisas pois vc e sua família não deixam de ser como ” celebridades” que seguimos e tentamos nos identificar. Eu tb acho que ele deve ser policial federal hehehehe.

  7. ótimo post!! mas a parte q achei mais engraçada do comentario foi “deve gostar dakela musica born to be wild” hauhauhauhauhauhauhauhauahua… ri alto…
    é q vc tem cara de mto mocinha: loirinha, cabelo lisinho, estilo Barbie mesmo… mas as aparencias estão sempre enganando…
    vc podia mostrar suas tatoos no blog tbem!!! a das costas é liiinda!!
    em tempo: AMO seu blog! vc é d+

  8. Muito bom!!! Sabe que eu tbm achava q vcs eram bem diferentes no começo. Quando vi o video da Mel chegando no hospital pra conhecer o Leo que dá pra ouvir a voz do Alexandre, eu mudei de opinião na hora, comecei a ver ele como mocinho e você como bandida. hahaha engraçado né? Mas vejo q vcs se completam e isso é o que basta!!
    Qnto a profissão dele, acho que a única ocupação desse homem é ser seu escravo sexual. Só acho!
    hahahaha
    Bjos nos dois!!!

  9. Jesuuusss, ameeeeeeei loucamente o post!

    Aparências enganam muuito! Acho vcs um casal lindo! Em relação a você Michele, eu aceitei, sempre te vi como uma “patricinha” rebelde sem causa, que curte shows e tem bandas prediletas. Já o Alexandre, cheio de Tatuagem assim, já pensei que ele era um executivo, ou um empresário super bem sucedido, mas ele NUNCA tem cara de que gosta de estudar, nunquinha!!! Imaginava ele também um “ogrão” sabe? Que curte bastante uma cerveja.

  10. Ahahah….todos com a mesma opinião…..achei que ele fosse dono de alguma loja de motos ou peças…. Algo assim….você eu já desconfiava que fosse meio doidinha (brincadeirinha….). Amo, amo o blog de paixão…..

  11. Doida de pedra! Te adoro! Minha filha é um ano mais nova que a Mel, então fico acompanhando aqui como se fosse “as cenas dos próximos capítulos” e adoro tudo! Um beijo e obrigada por ser gentem como a gentem! hahahah

  12. Já eu achava que ele era enfermeiro ou médico. Lembro de ter lido no post do nascimento do Léo que ele estava num plantão de muitas horas quando você entrou em trabalho de parto hehe como somos curiosas! Mas você me inspira! E acho que a curiosidade vem daí.

  13. Sabe, eu também tinha lido o comentário e confesso que achei ele meio forte. Não sei, talvez tenha sido o momento em que caiu a minha ficha do limite entre público (e a imagem que é formada) e do privado (e a segurança). Parabéns por conseguir ter seus limites claros em seu blog. Bjs.

  14. Olá Michelle!
    Só quem não lê com amor as lindezas que você escreve não te conhece pois é tudo simples e real.Sobre seu esposo ele com certeza é um super pai e vocês um casal roqueiro muito maneiro.

  15. Sempre achei voces tudo a ver.. e nunca te imaginei patricinha. talvez porque voce ja havia confessado teu gosto musical.
    O problema é que mesmo as meninas que um dia só andavam de allstar e pintavam o cabelo com cores malucas devem “crescer”, mesmo que muitas vezes nem queiram.. a sociedade exige isso de nós, mulheres.
    Eu sou uma.. era bem maluca. tive o cabelo de várias cores e andava de coturno mesmo num calor de quase 40 graus. um tipo bem normal haeiaehiae
    Aí veio a faculdade e meu mundo desabou. imagina uma enfermeira de piercing? com cabelo vermelho neon? não pode não!
    Entao, mesmo que voces sejam “diferentes” o rock é puro amor e une as pessoas! hauehaijaha
    Bjao!

  16. Não só as aparências enganam, mas a voz tb! Te conheci no workshop da Thais e achei vc com jeitinho super fofolete! Taí, a tatoo poderia entrar no item “coisas que não imaginam sobre vc”. Muito gostoso seu blog! Bjk

  17. Te acompanho faz um bom tempo,, acompanho em silêncio sempre, té mesmo por não ter tempo de comentar.
    Sempre achei que Ele trabalhava no ramo de automóveis ou moto mesmo.
    No início eu até te achava com carinha de patricinha, mas depois fui sacando que vc é uma mulher de muita personalidade, do tipo que a gente quer ser quando crescer. Rs
    Muita, mas muita coisa que vc escreve vc me traduz, assim como o faz com muitas pessoas. Leio seus textos e penso que era exatamente o que eu gostaria de escrever ou falar.
    Parabéns pelos seus lindos textos.
    Ps.: tbm sou de curitiba, mas moro no interior do paraná à 10 anos.

  18. Olá, não sei se aqui é o lugar, mas só queria comentar que eu estava iniciando algumas ideias para criar meu blog, e hj abri o seu, confesso que achei o seu tão legal, que acho q vou excluir a minha ideia kkkk. Parabéns pelo seu trabalho, sucesso!

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