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A vida após os filhos e o amor que carregamos para sempre

Nos finais de semana, geralmente meus pais vêm aqui em casa para nos visitar e matar a saudade dos netos. De vez em quando, aproveitamos essas ocasiões para dar uma saidinha, só eu e Alexandre. Na maioria das vezes saímos para jantar e ir ao cinema, e foi isso que fizemos numa das nossas últimas escapadas, numa noite fria de domingo.

No carro, só nós dois, conversamos com calma sobre alguns assuntos importantes que estavam pendentes, coisas que precisávamos decidir e aproveitamos para ver o planejamento da semana também. No restaurante, jantamos sossegados, hora em silêncio, hora conversando sobre amenidades, rindo com nossas piadinhas internas e falando sobre coisas do nosso dia a dia. Saímos de lá e fomos para o cinema. Chegamos bem em cima do horário do filme (Mad Max, que por sinal é muito bom!). Quando estávamos subindo pela escada rolante, olhei para Alexandre e perguntei há quanto tempo estávamos fora de casa. Ele olhou para o relógio e disse que tinha mais ou menos duas horas que havíamos saído e me perguntou por quê. Eu, então, olhei para baixo, para o lado, para ele e disse: “porque estou morrendo de saudades dos dois – da Mel e do Leo”. Alexandre disse que sentia o mesmo e ficamos ali, rindo e tentando entender como poderíamos estar sentindo tanto a falta deles, se há poucas horas atrás o que mais queríamos era aquela fuga.

***

Eu nunca fui uma pessoa muito maternal, daquelas que se derrete com bebezinhos risonhos e fofinhos, que quer pegá-los no colo, que agacha feliz para brincar com qualquer criança que encontre. Comentávamos esses dias atrás, eu e minha cunhada (que também é dinda da Mel) sobre o seu espanto quando eu dizia isso a ela – justo ela, que é professora e sempre foi apaixonada por crianças. Lembro também de quando conversávamos sobre ter filhos e eu dizia que não sabia se tinha o gene de mãe, que não me achava nada maternal e que não tinha certeza se queria ter filhos.

Alguns poucos meses se passaram, eu e Alexandre nos casamos e apenas um mês depois do nosso grande dia, eu descobria minha primeira gravidez. Lá, no banheiro do escritório onde eu trabalhava – onde fiz o xixi no palito e vi as duas listras tímidas aparecerem quase que instantaneamente – minha vida começou a mudar. Eu comecei a mudar. Porém, a maternidade não se instalou em mim como um software que você dá um start e pronto, é só começar a usar. Ela foi sendo construída lentamente e continua, até hoje.

Lembro que logo nos primeiros meses da Mel eu perguntei para algumas pessoas “quando é que as coisas vão voltar ao normal? essa fase difícil, essa sensação de estar perdida, deslocada, passa?”. Na verdade, na época, eu não compreendia bem o que eu queria dizer ao perguntar isso. Mas hoje eu sei. Eu queria saber quando a minha vida ia voltar a ser como antes, porque, ingenuamente, eu achava que sim, que ela voltaria a ser como sempre foi, antes da maternidade bater a minha porta.

Hoje, já sendo mãe de dois filhos, a resposta é muito óbvia para mim. A vida nunca mais foi a mesma, nem nunca será. Talvez algumas pessoas consigam voltar quase cem por cento a vida que levavam antes de terem filhos, mas devem ser raras exceções. E eu não sou uma delas. Por isso, eu gostaria muito de ter tido essa consciência desde o começo, de ter aceitado essa nova condição há muito tempo atrás.

A vida muda completamente com a maternidade. E apesar disso parecer muito óbvio para a maioria das pessoas, para outras tantas, não é. Especialmente aquelas que estão vivenciando tudo isso pela primeira vez. Eu, por exemplo, não tinha a mínima noção do que me aguardava do outro lado. Por isso hoje vejo a importância de se falar sobre isso, de buscar esse emocional um pouco mais preparado – e digo um pouco porque totalmente ele nunca estará.

As mudanças que vêm são fortes, abrangentes e por vezes confusas, ambíguas e avassaladoras. Algumas portas se fecham, temporariamente ou, talvez, para sempre. Muitas janelas se abrem em contrapartida. Novos caminhos surgem e pés mais calejados e experientes escolhem seguir a caminhada ou não. Um amadurecimento gratificante acontece no meio desse caminho, surpresas boas e ruins, erros e acertos.

Com a maternidade, pessoas que até então eram presença e companhia constantes na minha vida, se afastaram (ou eu as afastei, talvez). Pessoas com quem eu não tinha tanta afinidade ou proximidade, se tornaram grandes amigas. Pessoas que conheci por acaso se tornaram peças chaves, essenciais para a minha existência. Pessoas que estão longe mas que moram no meu coração, passaram a me consolar somente pelo fato de estarem ali, a uma mensagem ou um e-mail de distância. E algumas pessoas que já eram especiais se tornaram mais importantes ainda, confidentes, honestas, que dão puxão de orelha sem cerimônia, se necessário. Gente que virou meu porto seguro.

Com a maternidade, voltei a dar valor as coisas que já tinham se perdido no caos mecânico e na correria do dia a dia. Uma caminhada com o sol e o vento batendo no rosto, um banho mais demorado, alguns minutos de silêncio, uma refeição saboreada ainda quentinha, uma taça de vinho e um filminho ao final de um dia cansativo, um abraço ou uma conversa com uma amiga ou amigo queridos, um café passado na hora e aquele cheirinho que se espalha pela casa, meus filhos sorrindo com os olhinhos brilhando apenas ao ver as bolhas de sabão no ar, ver minha gatinha dormindo e roncando ao meu lado enquanto escrevo. São coisas tão boas, que nos fazem tão bem, mas que passam a serem ignoradas dia após dia, nessa coisa chamada rotina.

Com a maternidade, aprendi na marra a ser menos egoísta, a olhar mais para o lado ao invés de olhar para frente, a ter mais paciência. Tudo muito difícil de aprender, de praticar, de dar continuidade, mas tão necessário para que a gente possa tornar esse mundo melhor. Também passei a ficar irritada e estressada com maior frequência, e logo em seguida, cair na real de que isso só gera mais um problema e jamais uma solução. E é algo que aprendemos a duras penas, a cada erro.

Com a maternidade, tive que aceitar que todos os dias representam novas escolhas, novas renúncias e novos desafios. Que nem sempre terei as respostas que procuro e que nem sempre saberei qual a coisa certa a fazer. Mas que nada disso é de todo ruim.

Com a maternidade, passei a conhecer melhor as pessoas que vivem em mim – a de antes e a de depois dos filhos. Descobri que sou boa em algumas coisas que nem imaginava ser e mediana em outras que me considerava expert. Diariamente tento que ambas convivam em paz e em equilíbrio, mas existem inúmeros conflitos de interesses e prioridades, em que o lado materno quase sempre vence. Mas parei de ter medo de me perder de mim mesma porque isso sempre volta a acontecer, hora ou outra.

Com a maternidade, descobri uma força dentro de mim que eu desconhecia até então. Aquela que nos faz ser fortes e segurar a barra quando não podemos desfalecer na frente dos pequenos. Aquela que nos faz tomar as mais difíceis decisões. Aquela que nos mantém de pé mesmo doentes, exaustos e sem dormir direito. É uma força de se doar por inteiro, de se dedicar a quem precisa tanto de você. Mas que precisa de você bem, inteiro e feliz.

Hoje, depois de quase seis anos desde que engravidei pela primeira vez, muitas coisas mudaram, outras foram adaptadas ou reinventadas. A maioria delas, porém, mudou para melhor, me fez uma pessoa melhor. Então, embora por vezes eu sinta falta de algumas coisas da vida antes dos filhos, não consigo mais me ver naquela vida, sem eles. Não consigo mais imaginar ter a cabeça vazia, sem preocupações, nem a vida sem imprevistos, sem ter jogo de cintura e tentar equilibrar tudo isso.

O que mais mudou nesses anos de maternidade, foi o meu coração, que agora dói de tanto amor que carrego dentro dele. Um amor que me acompanha aonde quer que eu vá. Um amor que não me deixa esquecer dele um só segundo, mesmo quando tento fugir por alguns momentos. É esse amor que me faz sentir uma saudade sufocante dos meus filhos, mesmo quando, há poucas horas atrás, tudo que eu queria era um pouquinho de sossego e silêncio. Então, entreguei os pontos e parei de tentar lutar para que ele não tomasse conta de tudo. Parei de esperar que a vida voltasse a ser como era antes e passei a enxergar todas as possibilidades que agora se apresentam, dentro dessa nova vida. As coisas ficaram mais simples, as lutas ficaram mais claras e menos assustadoras. Tudo flui melhor, mais leve. E hoje, é esse amor controverso, teimoso e imenso, que faz meu mundo girar.

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comentários via facebook

27 comments

  1. Mi,
    Que texto lindo!!!
    É um amor que não se pede, que não se mede e não se repete…
    A verdade é que somos seres que evoluem ao longo do tempo, a nossa aparência não muda tanto mas a cabeça..essa sim evolui demais!!!
    O primeiro filho é uma grande novidade, muitas perdem o chão ( inclusive eu) pois nada se torna como antes…filho dá trabalho sim e tem que dar mesmo. E importante vê-los crescer, darem os seus primeiros passos, as primeiras palavras. Engraçado e que para o meu primeiro, até marca de leite eu consultava resenha de internet…que boba eu.
    O segundo já te pega de boa, com a mentalidade mudada, com os valores já identificados pois o segundo é esperado, amado, querido. O primeiro apenas vem como um sonho bom. O segundo é sempre o irmãozinho, o menino ( ou a menina) que faltava. Ele tem a responsabilidade de completar o quadro.
    Com isso o tempo vira seu maior aliado, voc~e valoriza o tempo, sabe que a infãncia deles vai durar um tempo…e todo tempo é valioso. Nós procrastinamos o tempo mas a mãe…essa sim o valoriza…nada fica pra depois, tudo tem que ser agora e Já!!
    Curta sim os seus filhos, se quiser volte e vá abraçá-los, eu sinto saudade do meu no período de escola…cada conquista é importante pra mim. Ser mãe me ajudou a definir o meu foco na vida, não é ter a melhor casa, ou marido ou emprego e sim curtir o tempo na companhia dos meus filhos.
    Me esforço muito para alguns programas sociais, familiares etc…mas eu gosto mesmo é de um bom sofá, comida quentinha no fogão…um passeio no fim da tarde, dias de chuva e fazer cabaninha…
    Mulheres procriai-vos!!! A vida acontece enquanto fazemos planos e não acreditem em tudo que escutam sobre a maternidade. O seu reatlo Mi, é muito importante que no dias de hoje criança dá trabalho, vai colidir com a carreira (infelizmente isso ainda é verdade em algumas empresas) onde a carga de trabalho é muitas vezes absurda. Crianças são como mudinhas que o Senhor nos confiou para cuidar com todo amor e carinho E isso requer tempo, amor e atenção. Mas como recompensa o emocional da gente.
    Viu só Mi, você tira o melhor da gente!!! Um abração para ti e para sua linda família, você é como uma amiga pra mim, parece que está ao meu lado conversando…tenho muita sintonia contigo. meu marido já sabe o seu nome e o dos seus filhos…espero que o Ale goste de video games e academia para eles terem o q falar quando nos encontrarmos…ha ha

  2. Michelle, é incrível como você consegue colocar em palavras tantos sentimentos e batalhas minhas no meu dia a dia como mãe. Você traz conforto e força para meus conflitos diários. Muito obrigada. Beijos para os pequenos e para você.

  3. É incrível como seus textos transmitem tudo o que temos guardados e não sabemos identificar e quando lemos, pensamos :É exatamente isso! Passo praticamente doze horas fora de casa é chego exausta e hoje é um desses dias que gostaria de um silêncio, deitar e dormir…. Mas sou mãe de um pequeno de três anos, logo isso não é possível… Eis Que resolvi entrar no email e vi esse emocionante post! Agora vou ali apertar e ficar grudada no meu Príncipe… Que Deus abençoe sua linda família. Vc escreve com o coração, Parabéns! Bjs

  4. que lindo texto querida….ahh eu confesso que eu sim sempre fui maternal tive 4 sobrinhos mtooo próximos antes de ter minha filha ajudei mto minha cunhada e minha irmã….e desde criança eu amo crianças ajudava mto qqr mãe porque eu brincava mtooo com os irmaozinhos de amigos meus ehheheheh sim vizinhas eu ficava estudando com elas no colo acredita?? sim ensinava as cores heheheheh eu AMO crianças e se tivesse condições teria uns 3 /4 filhos hahahaha mas depois da primeira vejo que nao tenho dinheiro e mto menos disposição hahhahahahah………mas eu sempre soube de uma coisa na minha vida serei mae hahahahah…hj penso ja num segundo bebe daqui há alguns anos mas nao sei se o dinheiro vai deixar eu realizar mas este sonho……acredita que até hj eu nao sai sozinha com meu marido?? minha bebe tem 1 a8 m porque?? eu trbalho o dia todo a semana toda fico super longe da minha filha e toda vez que penso em deixá-la pra ir ao ciname acho injusto com ela….porque?? ahhh porque podemos nos divertir e ela tem que ficam em casa??entoa eu levo junto a todos os passeios nao sei se estou certa ou errada mas é o meu sentimento e é como acho que deve ser heheheheh…enfim…….talvez quando eu tiver o segundo deixo os dois juntos e nao me sinta taop culpada hahahah ou me sinto e levo todos hahahaha…eu tenho uma certeza na minha vida NASCI PARA SER MAMAE e sempre soube disso……..mas NÃO eu NÃO sabia tudo que me aguardaria e esse aprendizdo e mudanlças torna tudo mais lindo e mágico e intenso….mas no começo sempre achamos que tudo voltará ao normal mas nunca sabiamos que o normal agora é esse turbilhão de sentimentos e responsabilidades…bjinhosss

  5. Parabéns pelo lindo texto! Identifiquei-me muito com ele, sobretudo por eu nunca ter sida “maternal” antes de engravidar também. Realmente, falar sobre isso é “chover no molhado”, mas não existem palavras para descrever o quanto um coração de mãe se enche de amor quando seus pequenos chegam! E é um amor que vai crescendo, que vai se modificando. Quando tive meu pequeno (hoje com 3 anos e 2 meses), conheci o amor de mãe e, não só isso, passei a amar as pessoas de forma diferente. Hoje amo meu marido como aquele amor que conheci há 13 anos, mas também como um pai maravilhoso! Amo meus pais como sempre amei, como filha, mas também os amo como avós maravilhosos e presentes na vida de meu filho. Todo o mundo passou a “pertencer” a este círculo de amor que meu pequeno trouxe em nossas vidas. O maior amor do mundo!

  6. Lindo texto. Me senti assim no início, esperava o tempo passar e voltar a minha vida de antes. Demora um pouco a cair a ficha de que nunca mais será a mesma. Essa última frase está demais: “E hoje, é esse amor controverso, teimoso e imenso, que faz meu mundo girar”.

    Parabéns pelo blog e pelos textos.

  7. Lindo texto michele aqui amamentando minha filha com 27 dias tao esperada depois de 11 anos da primeira filha e lembrando de como foi dificil aceitar q minha vida nao seria a mesma hoje sei q minha vida começou naquele momento adoro seu blog bjsss

  8. É incrível como toda a vez que leio teus textos, me sinto completa. Algo tão bom toma conta de mim, que não sei ao menos explicar.

    Sempre sonhei em ser mãe, hoje aos 18 anos de idade, tenho consciência de que seja um sonho distante, pois tenho muita coisa pra viver ainda. Pretendo ter filhos após estas estabilizada financeiramente, formada na faculdade, e com a maioria das ambições de uma vida inteira, alcançadas. Mas o amor materno me tem, sonho em engravidar, ter aquele barrigão, encher a boca ao falar do orgulho que sinto de meus filhos, e por aí vai, ver o olho do pequeno ser que depende de mim, brilhando ao me ver.

    E hoje, tenho também como ambição, passar um dia, lá na frente, aos meus filhos, todos os ensinamentos que tive vindo de ti, Michelle, teu blog ensina, transmite amor, paz, compreensão.

    Obrigada por teus ensinamentos diários, e por estar fazendo de mim, uma pessoa melhor.

    Com carinho, Brenda Marry

  9. Lindo texto!!!! Sinto exatamente isso tem um filho de 02 anos e passei o primeiro ano esperando minha vida voltar ao que era antes da maternidade…hoje vejo que isso já mais será possível pois aquela quem eu era já não existe mais e tudo se tornou tão mais fácil quando passei a aceitar isso!!!

  10. Na reta final da minha primeira gestação, ansiosa pela chegada da minha princesa e morrendo de medo de tamanha responsabilidade que vou adquirir, ler esse texto acalenta meu coração. É engraçado como o medo das mudanças muitas vezes nos faz questionar se estamos prontos ou não pra essa responsabilidade que vai nos consumir eternamente (porque nunca deixamos de ser mães ou pais). Adorei ler o seu texto e fiquei ainda mais ansiosa pra esse dia onde me tornarei MÃE. Vai ser complicado especialmente porque com 1 ano e 5 meses de casada, não se tem preparo "suficiente" no casamento pra assumir essa outra parte, mas confesso que nunca me senti tão plena e tão feliz. Já amo minha pequena com a minha própria vida e não me imagino voltando no tempo e mudando a chegada dela.

  11. Texto maravilhoso!!
    Fala tanto ao meu coração.
    É exatamente isso, é exatamente assim!!
    Uma hora agente para de “remar contra a maré ” e se deixa dominar por esse amor que só nos faz mais feliz.
    Obrigada Mi.

  12. texto muito verdadeiro. quem fica tentando voltar a velha rotina depois dos filhos só se decepciona. tudo muda mesmo. e quer saber? ainda bem que muda!

    Como tu disse ali e eu sinto a mesmíssima coisa.. antes eu dava valor a coisas tão babacas e esquecia de olhar para as belezas que temos em atos simples. num dia de sol ou até mesmo de chuva. o Leo tem me ensinado a dar valor a isso.
    Hoje mesmo, está um dia lindo aqui mas com um vento doido. Eu estava lendo um livro pra ele (aquele do itaú “o mundo inteiro”) e em certa parte fala do vento.. o leo pegou e apontou pro vento na rua. foi tão lindo de ver.. o vento, com ele. coisas q jamais um adulto normal teria o mínimo de “tempo” pra desgrudar das trivialidades para perceber isso.

    Engraçado como mudamos e nem percebemos. quando anunciei minha gravidez pra minha melhor amiga ela achou engraçado. varias pessoas me perguntaram “mas é planejado?”.
    Também nunca fui muito fã de criança. mas queria sim ser mãe. mas só o que as pessoas viam em mim era uma rockera-porra-louca que vai ter bebê. só.. são os preconceitos da vida mesmo. e as vezes a gente dá uma rasteira nessa sociedade preconceituosa sem nem perceber!

    obrigada por desabafar conosco num texto tão lindo.
    Bjao!

  13. Mi, chorei!! Lindo texto… Como você, eu tb não tinha esse instinto aflorado e no começo sofri muito, porque eu não sabia mais quem “eu” era… Agora, 3 anos depois, eu sei exatamente: sou mãe. Sempre, em 1o lugar, e todo o resto depois!
    Há algo que me deixa muito triste que é o fato do meu marido não entender ou aceitar essa mudança toda até hoje… Acho que ele ainda espera que tudo volte a ser como antes. Jamais será… Mais alguém passa por isso? bjs

  14. Michele, vc escreveu sobre um dos meus maiores dilemas desde que me tornei mãe e traduziu de forma esplêndida esses sentimentos e pensamentos confusos que passam pelas nossas cabeças malucas de mãe. Simplesmente, adorei o seu texto e, para variar, sempre termino de lê-los com os olhos marejados. Parabéns por mais esse texto!! Bjs

  15. Que texto mais lindo!! Vc arrasou!! :)
    Essa sensaçao é taaooo louca! Eu, assim como vc, nunca fui nada maternal… Ter filhos era uma uma coisa beemmmmm longe da minha realidade. AAi me casei com 30 anos… e depois de muito pensar…. decidimos que era melhor fazermos alguma coisa da vida… do contrário seríamos muito velhos… E aos 34 nasceu nosso bebe… e desde entao minha vida mudou inteira… e é td taaoo maravilhoso… que parece que desde sempre o Jaiminho está conosco!
    Que essa sensaçao perdure sempre… Com os altos e baixos….
    beijoca

  16. Linda maneira de escrever sobre os dilemas do nosso dia a dia ,como é difícil ser mãe …mais como é prazeroso tbm…quanto amor nasce no momento que eles vem nesse mundo!!!bjos

  17. Perfeito texto, Michelle! Você conseguiu descrever exatamente o que sentimos e passamos quando iniciamos esta jornada “louca” de ser mãe. Digo louca pois em algumas vezes me vejo em situações que a princípio me pareceriam impossíveis ou difíceis de suportar, mas aí olho para o rostinho da minha filha e vem uma força, um ânimo que realmente não tem explicação.

  18. Nossa como esse texto veio a calhar com todo o turbilhão de emoções que tenho vivido. Minha filha irá fazer 2 anos no final de agosto, e ainda não consegui me encontrar como mãe, nunca fui uma mulher maternal e também nunca tive muita paciência com crianças, não gosto do choro de crianças. Sofro muito por que muitas vezes gostaria de voltar com minha vida de antes de engravidar, mas também tem sido um momento de autoconhecimento de mim própria, de meus limites e novas habilidades. Realmente me sinto totalmente perdida e sem energia atualmente, mas ao ler seu texto me conforto muito saber que no fundo todas as mulheres que viram mães, vivem estes momentos de total metarmofose, que não estou sozinha neste barco…rssss!!! Aliás metarmofose é a palavra certa para me definir, no momento estou recolhida no casulo, tentando crescer, amadurecer, criar coragem para virar uma mãe borboleta, e voar junto com minha filha por momentos alegres e tristes do cotidiano da vida… Parabéns por este lindo texto, todos os dias leio seu blog, porque me identifico muito com esse turbilhão de emoções que você retrata em seus textos.. Paz e gratidão!!!

  19. Michelle que lindo texto! Eu ainda não sou mãe, mas sempre desejei muito ser. E ao contrário de você, sempre fui maternal. Tudo ótimo, né? Não :( embora meu desejo seja imenso, meu medo muitas vezes é maior. Então, conscientemente ou não, eu vou protelando a hora. Se um dia me sentirei pronta de verdade? Não sei. Acredito quase piamente que não. Então, o que me resta é, um dia, tomar a decisão definitiva (infelizmente, mulheres têm prazo de validade pra gestar) ou me descobrir grávida por um desses mistérios da vida de que tinha de ser. Tenho 28 anos e cheguei a engravidar nesse ano, mas tão rápido eu soube, mais rápido ainda a gravidez não evoluiu (nas trompas). Eu nem tive tempo de me sentir grávida. Eu sabia, mas não me sentia.
    Enquanto isso, eu me perco lendo seu blog…percebendo como a maternidade pode ser maravilhosa. Grande beijo.

  20. Que engraçado né Michelle, sempre comento isso com minhas amigas, o quanto é intrigante esse sentimento que nasce, que cresce e não sabemos de onde. Também nunca fui muito de mimimi com crianças, depois que meu pequeno chegou eu entendi o motivo das mamães serem tão chatas rs, entendi porque minha mãe nunca deixou eu ir dormir na casa da minha avô. Eu e meu esposo também fazemos como vocês, mas raríssimas vezes, porque meus pais moram em outro estado, quando eles vêm para cá aproveitamos para sair um pouco, mas a sensação é sempre a mesma. Depois que os filhos chegam, não existe mais programas que realmente sejam bons sem eles por perto. Beijos!

  21. Olá… acompanho o seu blog mais nunca cheguei a comentar, lendo esse texto sou obrigada a deixar um recadinho e dizer que ele me ajudou a organizar alguns pensamentos… obrigada

  22. Muito lindo michelli

    Estou me preparando pra ter o 2
    Filho ainda não estou grávida tenho uma menina de 14 anos que é um presente de Deus .E vc surgiu pra me iluminar,sou sua mais nova fã .
    Ser mãe é isso lutar ,abrir mão não temer
    Porque a recompensa é a melhor do mundo .
    Parabéns linda família ????
    Bjs
    Katy

  23. Michele,

    Descobri seu blog faz pouco tempo, estou em êxtase com a leitura dos textos, amando e me identificando cada dia mais com eles.

    Esses dias estou beeeemmmm pra baixo, acho que estou com problema e não sei com quem conversar.

    Tenho plena consciência das mudanças da vida após a maternidade, sei da necessidade de cada renúncia, sei que o dia a dia é um desafio, mas também já conheço a alegria de ser mãe, os momentos de ternura e do quão gratificante é ouvir aquela vozinha gritando “mamãe” pela casa.

    Tenho uma rotina bem puxada. Moro num lugar afastado (uma rodovia), por isso não é fácil encontrar uma bá que consiga chegar em minha casa antes que possamos sair para trabalhar(saímos 05:30). Não encontramos ninguém para morar conosco e com o tempo percebemos que isso seria financeiramente inviável, então a solução foi colocar o bê na casa de minha mãe (o transporte para a casa dela é mais fácil) com a babá lá. Saímos de casa às 05:30, deixamos ele na casa de minha mãe e vamos trabalhar. Pego no trabalho às 07:00, meu marido às 07:30. Trabalho em escritório e meu marido na rua, gerenciando algumas lojas, ele visita muitas delas durante o dia. À noite pego um ônibus para a casa de minha mãe e meu marido nos pega lá para irmos para casa…e assim tem sido por 2 anos e meio.

    Meu gordinho tem 3 anos, fiquei em casa com ele até os 6 meses e voltei a trabalhar. Meu marido por muito tempo reclamou da situação, disse que ao deixar nosso filho na casa de minha mãe, ainda que com uma babá, estávamos “terceirizando” a educação dele e que minha mãe interferia na criação, bem…não posso negar que avó estraga os netos, mas não posso negar também que ela é a pessoa mais confiável do mundo com quem eu poderia deixar meu filho.

    Este ano tentamos colocar ele na escola, mas minha mãe chorou muito e não aceitava o choro do neto na escola, ela dizia que estávamos maltratando ele. Não conseguimos mantê-lo na escola, foi o ápice da briga entre meu marido e minha mãe, passamos a viver uma guerra silenciosa, ele não dizia nada na frente dela, mas brigava comigo por tudo, e vice versa… Resolvi não ouvir mais as queixas “das partes” e segui minha vida, afinal sou sozinha, quando chego em casa à noite ainda tenho que ser mãe-esposa-dona de casa.

    O grande “X” da questão está justamente aí. Moramos num lugar distante e temos apenas um carro, ou seja, dependo de meu marido para TUDO, isso T U D O!! Mas ele parece não ter entendido ainda a nova vida. Quando eu estava de licença ele me disse que não levantaria à noite para me ajudar, porque eu estava recebendo licença maternidade justamente para perder noites cuidando de meu filho.

    Contei pouco com ele nesses três anos, ele não sabe preparar a mamadeira, não consegue identificar que aquele enjoozinho é fome ou sono, tudo para ele é birra, falta de educação. Quando eu peço para ele ficar com o bebê para que eu faça as coisas de casa ele se queixa e diz que eu preciso ter dinheiro para ter uma diarista em casa todos os finais de semana.

    Ele se queixa que eu sou apenas mãe, que não busco fazer nada com ele, mas alguém aí me diz, como é que podemos fazer algo juntos com uma criança pequena ? As poucas vezes que fomos no cinema, o bê ficou na casa de minha sogra. Nunca dormi uma só noite sem meu filho.

    Meu marido praticou corrida por muito tempo e se queixa porque eu não ia com ele. Saímos muito cedo de casa durante a semana e quando chegava no final de semana eu tinha dó de tirar o bebê de casa às 05:30 para leva-lo para a orla.

    Minha vida funciona assim, saímos para o trabalho às 05:30 e durante o período que meu marido praticava a corrida, ele chegava em casa à noite, se alimentava e saia para correr. Atualmente à noite ele estudo inglês (de domingo a domingo) e faz jiu jitsu duas vezes na semana, em dias que ele escolhe. Então minha agenda é: quando ele aula presencial no inglês, chegamos em casa por volta das 20:30/21:00 (eu fico na casa de minha mãe esperando por ele), quando ele não aula presencial chegamos em casa por volta das 19:00/19:30, ele alimenta o cachorro (isso…um golden) toma banho e se troca para ir ao jiu (retorna às +/-23:00). Nos dias em que ele não vai para o jiu ele chega em casa, alimenta o golden e vai para o quarto estudar e lá fica por pelo menos uma hora.

    São muitas as queixas do meu marido: não saímos juntos, não fazemos nada juntos, não praticamos um esporte juntos, mas alguém aí me dá a receita de como fazer tantas coisas, ser tantas mulheres ao mesmo tempo e ainda sorrir ?

    Trabalho de segunda a sexta e no final de semana (que ele também estuda) tenho que colocar ordem na casa, fazer comida, lavar, passar, cuidar do bê…Alguns finais de semana uma pessoa vai para a nossa casa me ajudar, mas, como sabemos a organização tem que acontecer no dia-a-dia. Para piorar as coisas meu marido tem “fobia” de filas, então, quando vamos passear no shopping e eu quero comprar alguma coisa, tem que ser numa loja vazia e tem que ser tudo rápido, porque ele tem que voltar pra casa para estudar.

    Estou perdida, não sei mais quem sou e não sei o que fazer. Minha relação está ruindo porque me sinto só para cuidar do meu filho, e meu marido reclama que as coisas não são como ele idealiza. Ele tem uma “criança ideal” na cabeça, e o filho dele não atende a estes parâmetros. Para ele uma criança de 3 anos não usa mais fralda, come tudo e sozinho e não faz birra. Ele não entende que as crianças são folhas em branco, e que a educação e o desenvolvimento são cultivados diariamente, principalmente por exemplos.

    Michele, desculpa o desabafo, mas precisava falar e assim que li este texto, achei que essa era a hora.

    Obrigada!

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