Categories: Comportamento e Educação/ Crianças

A relação entre irmãos e o amor que vai se construindo

Captura de Tela 2015-07-10 às 08.15.07

Em outubro do ano passado, contei para vocês um pouco de como foi o início do relacionamento entre Mel e Leo, das coisas que se destacaram naquele primeiro ano de vida em dupla. Hoje, quase um ano depois, volto para um segundo momento de balanço e de um certo alívio também.

Nesses quase vinte meses que se passaram desde que Leonardo nasceu, Melanie foi: a irmã carinhosa e zelosa nos primeiros meses, a irmã que sentiu ciúmes nos meses seguintes, a irmã que começou a “levemente” judiar do irmão menor depois (ainda por não saber lidar direito com uma outra pessoinha para dividir tudo), a irmã que trollava mas que passou a ser trollada também e, finalmente, a irmã feliz, orgulhosa e amorosa. (ps: trollar = chatear, azucrinar, incomodar)

O ponto mais tenso dessa pequena jornada que eles fizeram até o momento, com certeza foi aquele em que Melanie sentiu ciúmes ao perceber que o irmão agora também chamava a atenção, também era uma mini pessoa. Foi muito complicado de lidar. Ela estava numa fase em que achava engraçado empurrar, apertar, tirar os brinquedos da mão ou passar uma rasteira no irmão. E no início, ele ria de tudo. Mas então começou a chorar, a ficar bastante ressentido. Porém, mesmo quando isso acontecia, nunca percebemos nela atitudes carregadas de raiva, nem de nenhum sentimento negativo. Para ela, era engraçado, era uma forma de, literalmente, dar um chega para lá no irmão e mostrar quem mandava no pedaço. Coisas de criança mesmo.

Sempre conversamos muito, tentando orientá-la mas sem excluí-la ou repreendê-la de uma forma que a fizesse se sentir inferior ou menos importante que ele. Claro que por algumas vezes as conversas acabavam tomando o rumo de broncas, porque nós também erramos, também perdemos a paciência em alguns momentos (tipo depois do décimo primeiro empurrão do dia em que o irmão caiu e bateu a boca no chão…).

Quando Mel começou a finalmente entender que aquelas “brincadeiras” machucavam ou podiam machucar o irmão menor, já era tarde. Leo foi assimilando as suas atitudes e começou a reproduzí-las. Empurrava, chegava do nada e puxava os cabelos da irmã. Nesse ponto os papéis se inverteram e era a Mel que vinha chorando contar que o irmão havia “judiado” dela. Tínhamos que tomar um cuidado enorme para sermos justos porque normalmente o caçula se safa de tudo com a eterna desculpa de que é menor. Como Leo ainda era muito pequeno e por mais que a gente conversasse ele ainda não era capaz de compreender totalmente. Foi bem difícil e pareceu demorar uma eternidade para passar. Contudo, passou.

Se eles ainda brigam e se desentendem? Claro! Se ainda rolam trollagens de ambas as partes? Claro! E nem poderia ser diferente. Mas esses “arranca rabos” acontecem numa escala muito menor hoje em dia. E a cada dia diminuem mais.

Hoje em dia, ainda que tenham uma diferença de três anos e três meses de idade, eles brincam muito juntos, se divertem pra valer mesmo.

O engraçado é perceber que eu já sabia de tudo isso. Até porque tenho muitas lembranças da minha relação o meu próprio irmão, sete anos mais novo do que eu, que chutava minhas canelas aos três anos de idade e sempre se safava pelo fato de ser menor (olha só pai e mãe, não estava certo isso aí, hein!). Também sei de histórias do arco da velha do que Alexandre e suas irmãs aprontavam entre si (ou melhor, do quanto ele trollava as irmãs). Acredito que com a grande maioria dos irmãos seja assim. Por isso mesmo não havia como esperar que fosse diferente com os meus filhos.

O que eu sempre me perguntava, porém, era se eles iriam gostar um do outro, de verdade. Pode parecer bobo, porque é meio óbvio que sim, mas desde a gravidez a gente tem esse medo. Será que eles vão se gostar? Será que vão se dar bem? Se entender? Se amar? Eram coisas que sempre passavam pela minha cabeça.

E então o tempo foi passando. E um misto de alívio e alegria foi chegando, ao perceber que sim, eles se amam, se cuidam, se defendem, se precisam, se entendem entre si. Brigas sempre irão acontecer, mas vejo um amor genuíno crescendo a cada dia, dentro de cada um deles. Um amor e uma admiração sendo construídos aos pouquinhos, assim como a cumplicidade e o companheirismo.

Se as coisas serão diferentes num futuro próximo ou distante, não temos como prever. Eu torço para que eles sejam grandes amigos, para que estejam sempre ali, um pelo outro. Mas, por agora, apenas quero curtir esses momentos de paz, amizade e calmaria entre os dois.

***

A cena do vídeo abaixo, que me encheu de alegria e me deixou com um sorriso bobo no meio do palco, foi gravada no último final de semana, em que fomos à festa junina na escola da Mel. Ver esse zelo gratuito, esse carinho dela com o irmão, sem esperar nada em troca, ah, foi maravilhoso. <3

E por aí? Como é a relação entre os pequenos? Quais foram as mudanças com o passar dos anos?

comentários via facebook

8 comments

  1. Ah Mi, irmãos são assim mesmo, e é uma delícia!!! Sou a caçula de 3 irmãs e sempre teve (e ainda tem) briguinhas por motivos variados, mas tbm muito amor. Já as minhas pequenas estão entrando na fase de brigas agora, aos 4 anos e 7 meses. Elas se cuidam, se protegem e se amam demais, mas ultimamente tbm tem brigado muito. As brigas acontecem na maioria das vezes por causa de brinquedos e brincadeiras, do tipo as duas quererem ser “chefe” ao mesmo tempo, querer o mesmo brinquedo ao mesmo tempo (isso pq na maioria das vezes tem dois iguais). Neste exato momento Luiza esta deitada do meu lado chateada pq a irmã não deixa ela ser chefe e cozinhar elásticos nas panelinhas e a Carolina está em cima dela beijando e dizendo “te amo”. Essas briguinhas me deixam extremamente irritada pq acontecem sempre qdo estou cozinhando ou vendo algo de meu interesse na TV ou computador e que passam imediatamente qdo demonstram amor uma pela outra.

  2. Oi, Mi!!! Muito legal seu texto!
    Tenho um bebê de 11 meses e estou grávida de 5 meses. Quero muito que sejam amigos, fico falando pro meu filho fazer carinho na barriga, tento sempre repetir o nome do bebê pra não ser tanta surpresa assim quando ele chegar. Mas posso dizer que sonho com eles cheios de amor e se divertindo juntos. Tomara!!!!

  3. Oi Michelle! Tenho um filho que fará 8 anos em setembro e eu ainda não penso em engravidar outra vez. só que essa convicção se esvai qnd leio seus textos falando dos seus dois pimpolhos. Fico emocionada de vdd. Lendo o que escreves, todo medo de ter outro filho, desaparece.
    Parabéns!

  4. E é assim mesmo! Aqui a diferença de idade dos meus é de 1 ano e meio, então Heitor não deu muita conta da irmã nos primeiros meses. Ele queria ver, pegar e só. Quando ela começou a sentar, engatinhas e fazer as gracinhas normais de um bebê, aí a coisa foi ficando mais difícil. No início ele só falava o nome dela, tipo “tira ela daqui”. Depois que entrou para a escola começou a bater nela, a empurrar e isso gerou e ainda gera uma tensão grande. E lógico que depois do sexto empurrão do dia eu perdi a linha com ele. Agora ele está com 2 anos e 8 meses e ela com 1 ano e 2 meses e é a coisa mais fofa de se ver como eles brincam juntos, dão risadas juntos, sentem falta um do outro e brigam tbm. Mas com um pouco de rebolado a gente vai levando, né?

  5. Coisa linda amor de irmãos, minha filha mais velha tem 15 anos e o mais novo 1 ano e 2 meses é um amor só, lindo de se ver, é bom q ela já me ajuda muito a cuidar dele bjs

deixe seu comentário!