19 out 2012

A importância dos contos de fadas na educação da criança

Embora os tempos modernos ofereçam novos recursos para a criança ter acesso às histórias infantis, nada derruba a magia da antiga fórmula “era uma vez…” que suavemente chega aos ouvidos de uma criança, através dos lábios dos pais inspirados nos contos de fadas.

A magia e o encantamento das crianças devem ser alimentados através dessa linguagem lúdica que fala diretamente à sua alma, proporcionando-lhe conforto e esperança.

Os contos ajudam a criança a elaborar melhor os sentimentos negativos tão comuns na primeira infância, como o medo, a frustração, o abandono, a rejeição, entre outros.

Nos contos, a bruxa, o lobo, o pirata e outros personagens maus, representam sentimentos ruins, são um arquétipo desses sentimentos, portanto querer que estes personagens morram não é atitude de violência mas a necessidade de acabar com estes sentimentos ruins. É preciso lembrar que nas histórias a morte não é violência, é o símbolo da transformação que vai ajudar a criança a elaborar os sentimentos ou sensações que a incomodam.

Não devemos nos preocupar quando a criança festeja a morte desses personagens, eles representam seus medos e esta é a forma que ela tem de vencê-los ou elaborar estes sentimentos que a angustiam.

A magia dos contos passa para a criança a “fórmula da felicidade”, ajudando-a perceber que ela não é a única a sofrer, pois a criança tem um complexo de inferioridade com relação aos adultos muito presente nessa fase. Para a criança os adultos constituem um mundo dos gigantes. Por esta razão devemos nos colocar no nível dos olhos das crianças ao falarmos com elas.

Os contos mostram que existem os bons e os maus, deixando transparecer valores sempre atuais. Reconhecer a dor e aceitá-la é um meio de superá-la e assim ser feliz.

A força plasmadora que atua nos contos é a fantasia, mas ela o faz de tal maneira que as imagens por ela criadas revelam uma sabedoria objetiva. Nunca se deve procurar uma explicação meramente intelectual, seria como tirar o matiz colorido das asas de uma borboleta.

Os pais ou professores devem mergulhar nas imagens dos contos e escutar o que eles lhes murmuram. Quanto menos especulações e análises, tanto mais impressionante será o modo como irão contá-los.

Quando se narra um conto de fadas, tudo depende da atitude e mentalidade de quem faz a narração. Se os contos forem narrados com pleno discernimento de seu fundo espiritual, as crianças não confundirão a “madrasta má”, que toma conta da alma, com uma madrasta (pessoa real) que pode ser a melhor das mães, sem qualquer traço característico das madrastas dos contos de fadas. Saberão que bruxas não se encontram na vida cotidiana, nem os animais que falam, nem os feiticeiros, os gigantes e anões.

É sinal de uma incompreensão crassa, tanto do conto quanto da alma infantil, narrar a história do chapeuzinho vermelho de maneira que o lobo não coma nem a menina nem a avó, mas se regale tomando vinho e comendo bolo, junto com elas e o caçador. Isto significa matar o sentido profundo do conto.

As crianças estão abertas para ouvi-los, pois existe grande afinidade entre ambos. Elas ainda não amadureceram para a consciência intelectual e aguda dos adultos, a percepção sensorial é tal que a criança entende perfeitamente ser o leão um príncipe encantado, pois ela capta algo daquela espiritualidade da qual provieram as criaturas terrestres e que nelas atua.

A existência de coisas ou seres encantados é perfeitamente aceitável para a psique infantil, já que a criança muitas vezes se sente como que encantada e afastada do mundo real.

Por meio das histórias podemos trabalhar sentimentos e sensações muito presentes nas crianças como a ingenuidade, a feiúra, o medo, a inexperiência, a insegurança, a rejeição, a culpa, a dor.

Ingenuidade: Branca de Neve e Pinóquio (acreditam no personagem do mal)

Feiúra: Patinho Feio (um irmão mais bonito do que o outro)

Medo: Chapeuzinho Vermelho, Aladim (medo de estranhos)

Inexperiência: Os Três Porquinhos (o irmão mais velho sabe tudo)

Insegurança: Alice no Pais das Maravilhas, Mogli, Peter Pan (sentir-se inseguro diante de situações novas)

Rejeição: Cinderela

Culpa: Rei Leão, Pinóquio

Dor: A Pequena Sereia

Abandono: João e Maria (sentimento de abandono pela ausência dos pais)

Por meio das histórias também podemos trabalhar o conceito de finitude, pois tudo na vida tem um começo, meio e fim. As crianças precisam saber que as pessoas não são como os personagens dos desenhos ou jogos eletrônicos, que nunca morrem. Diante de tanta tecnologia, nunca os contos foram tão importantes e necessários na vida da criança como hoje.

Outro conceito que o conto ajuda a criança identificar e que carece de reconhecimento é a ética. É através dos contos que a criança consegue discernir o certo do errado, o que pode e o que não pode fazer, enfim, o reconhecimento do sim e do não. 

É muito comum a criança se identificar com um dos personagens de um conto e se agarrar a ele, querendo repetidas vezes ouvi-lo.

Os contos de fada sobreviveram ao tempo justamente porque são necessários por conterem ensinamentos que falam à alma da criança, falam de valores imutáveis, caso contrário já teriam desaparecido, apagados pelo tempo e caídos no esquecimento.

Por isso, os pais devem usar e abusar dos contos. Só assim poderão sonhar com um final feliz para nossa sociedade tão carente dos verdadeiros valores.

12 comentários no blog

  1. Flávia em

    Nossa, que texto bacana…nunca tinha pensado nos contos por esse lado e da sua importancia na qualidade de vida dos pequenos, descobrindo e enfrentando seus medos…parabéns a autora e ao blog. bjos

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    1. Michelle Amorim respondeu Flávia em

      Muito bacana né? A dona Lourdes sempre nos faz ver as coisas de outras formas e questionar :)

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  2. Gislene Vieira de Lima em

    Gosta de contos de fadas? Conheça A PRINCESA COM OLHOS DE GATO. Um conto de fadas para adultos. http://issuu.com/gislenevieiradelima/docs/amostra_gratis?mode=window

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  3. Letícia em

    Adorei suas palavras, um texto muito legal mesmo, muitas pessoas deveriam ler e assim ver a importância da literatura infantil na vida de nossas crianças…parabéns!!!

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  4. laura de oliveira em

    Maravilhoso este texto,quantas vezes quando criança,acreditava ser personagem de algum conto, ora triste,ora feliz!!!!!!

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  5. Julia MariaPontes em

    Excelente texto. Parabéns Maria de Lourdes Barduco.

    Muito interessante a questão da criança saber lidar com a realidade e, não ficar no mundo da fantasia. É necessário experiências só assim a criança terá suas próprias análises, opiniões ..

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  6. Marlene Domingos em

    Temos que manter os contos ainda mais vivos nos nossos dias.

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  7. Daiane Martins em

    Temos mesmo pois é mágico cada conto cada historia…..

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  8. excelente matéria. Recomendo para educadores ,pais e profissionais que lidam com crianças.

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  9. Natália Efigenia em

    ótima matéria,me ajudou muito em um trabalho da faculdade,adorei.

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  10. Núbia Rodrigues Lima em

    Excelente texto Michelle Amorim, parabéns pelo seu trabalho, sem dúvida a contação de história é de fundamental importância para o desenvolvimento infantil em todas as esferas, emocional, psiquíca, cognitiva, anímica e comportamental. Contar histórias é também uma maneira de criar e fortalecer vínculos de afeto. Os contos de fadas são de uma riquesa imensuráveis. Conto histórias para crianças e adultos e todos gostam!
    Abraçs. Núbia Rodrigues Lima ( Ludika Lua, Espaço de Vivência Pedagógica.)

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  11. Sandra Silva em

    Tenho um prazer imenso ao doar livros que encantem crianças e se sintam dentro da historia.

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