14 dez 2012

A importância da música na educação das crianças

A música é um dos principais meios de comunicação existentes na sociedade. Através dela é possível transmitir não só palavras mas sentimentos e ideias que podem ganhar grandes proporções didáticas, quando bem direcionadas.

“Primeiramente, devemos educar a alma através da música e a seguir o corpo através da ginástica” disse Platão.

Segundo ele, a ginástica é dança e luta. A luta para conquistar saúde e vigor e a dança para alcançar a nobreza e liberdade. A ginástica com a função de desenvolver a valentia e não a robustez do atleta, e a música para ajudar a não se praticar nada de mal, além de contribuir para desenvolver ritmo e harmonia.

Assim sendo, a finalidade da educação musical é “infundir no educando um espírito de ordem e desenvolver o verdadeiro amor à beleza.” Uma sociedade em declínio é uma sociedade que abandonou a educação musical como parte integrante do processo educativo.

De acordo a Platão, a música é feita de sons, que se manifestam em movimentos ordenados. O bem específico da música é a capacidade de introduzir ordem e beleza de forma perfeita nas ações e na vida. Ele define a música como arte educadora por excelência que, penetrando na alma por meio dos sons, inspira o gosto pelas virtudes. Por esta razão, na verdadeira educação está presente a música. Ela não pode transmitir outra coisa se não as virtudes. Na música estão contidos três elementos: as palavras, a harmonia e o ritmo. Daí a importância da boa e verdadeira música. A música penetra diretamente em nossos centros nervosos e ordena de maneira rápida e imediata a divisão do tempo e do espaço.

“A música, tem o poder de acalmar e disciplinar uma criança, portanto facilita a aprendizagem, seja ela formal ou no âmbito familiar. Ela é um dos estímulos mais potentes para os circuitos do cérebro, além de ajudar no raciocínio lógico matemático, contribui para a compreensão da linguagem e para o desenvolvimento da comunicação. Atua nos dois hemisférios do cérebro. O direito que é criativo e intuitivo e o esquerdo que é lógico e sequencial” afirma Paulo Roberto Suzuki – Musicoterapeuta.

Pesquisas realizadas com o intuito de provar a ação da música nas células cerebrais, mostram que após meses de aula de piano e canto, uma criança manifestou melhores resultados na reprodução de desenhos geométricos, na percepção espacial e no jogo de quebra cabeças.

O processo de ensino que se baseia em uma vivência musical direta e imediata, com manipulação e experimentação sonora, em prática musical coletiva e em vivência corporal, estão em consonância com a psicopedagogia de Vigótski.

“Não dá para falar de música, sem falar de Mozart, o grande gênio da música”, diz Délia Steinberg Guzman. Ele é um clássico por excelência, somente nele as formas tomam vida e expressão, é o mais fantástico conhecedor de regras, imaginação e sensibilidade. Seu estilo universal é atemporal.”

A filósofa Maria Angeles Fernández, inspirada em Apolo, deus da música nos diz: “nada, é mais agradável aos ouvidos dos deuses, que estes maravilhosos sons vindos das cordas, extraídos do vento, paridos dos ventres inchados de tambores e atabaques. O mundo se criou com música, o homem tão pequeno, tão limitado frente a soberba grandeza de seu contexto, aprendeu em seguida que os sons eram sua comunicação com Deus.”

Sabemos da importância de estabelecer regras para o reconhecimento dos limites na educação da criança, e quem nos ensina isso é a própria natureza, que nos mostra a todo instante a presença do ritmo, da harmonia e do som. É certo que, a música nos traz elementos para estabelecer a harmonia, porque é a própria harmonia.

Nenhuma criança permanece quieta enquanto canta, bate palmas, bate os pés e dança, ou seja, os instrumentos naturais do próprio corpo, em sua qualidade de gestos rítmicos primordiais, complementam a expressão melódica do canto. Considerando que o movimento para a criança é tão necessário quanto o repouso e a alimentação, mais um motivo para considerar a música como elemento primordial em sua educação.

Ao trazer estes elementos para enriquecer e também elucidar a nossa reflexão, meu objetivo não é outro se não colocar a música no seu lugar de excelência na educação da criança e também chamar a atenção de pais e educadores para fazer uso de uma linguagem musical na comunicação ao educar, pois é a linguagem da alma, portanto, a linguagem adequada para sintonizar com a alma de uma criança.

Crianças pertencem a um mundo puro, inocente e mágico, onde a música está presente, portanto, não deve ser excluída do seu cotidiano, pois sua natureza anímica, pede isso.

Considerando o que abordamos anteriormente, as palavras, o ritmo e a harmonia são elementos componentes da música e não por acaso são também elementos que compõem o universo infantil.

A música é a linguagem da alma e como tal ela poderá nos ajudar a resgatar os verdadeiros valores tão ausentes no mundo de hoje, carente dos reais valores humanos. Humanizar a educação é o maior desafio que encontramos hoje nas escolas e nas famílias. Humanizar a educação, é fazer valer estas três grandes virtudes: a bondade, a beleza e a justiça.

Quero com esta reflexão fazer um chamado a todos aqueles que de alguma forma educam crianças ou mesmo só têm contato permanente com elas, que façam uso desse grande recurso ao educar: a música. Ajudando-as a preservar esta virtude que já é de sua natureza: a sensibilidade.

Muitas vezes os pais bem intencionados, buscam oferecer aos filhos a melhor educação, colocando-os em aulas especiais diversas, além de uma escola de educação infantil, com o intuito de ajudá-los em sua formação. E no entanto, na maioria das vezes não valorizam e por isso mesmo não estimulam a educação musical, na educação dos filhos, por desconhecer o seu real valor. Posso afirmar que a educação musical é completa, educa todos os aspectos do ser humano.

Em uma educação onde se estimula mais o lado esquerdo do cérebro, ou seja, o racional, a sensibilidade cede lugar ao endurecimento nas relações, gerando pessoas mais distantes e frias, ou seja, com pouca ou nenhuma sensibilidade. E a música é antídoto mais eficaz que podemos lançar mão contra este mal.

Uma ação pedagógica eficaz é cantar, ouvir boas músicas, ouvir músicas clássicas, ouvir sons da natureza junto com os filhos.

Para cantar com a criança, não é necessário possuir técnicas vocais, e sim deixar a voz sair do coração e passar pela garganta carregada de emoção, e assim conduzí-la, nesse mundo mágico em que ela vive. Cante com ela e os laços afetivos certamente serão fortalecidos, facilitando assim o seu processo educativo.

assinatura_coluna_educação_GB3

12 comentários no blog

  1. Carla em

    que lindo!! inspirador para o fim de semana!!
    obrigada
    um beijo a todas

    Responder
  2. Flávia Rebelato em

    Olá michelle e amigas,
    Queria compartilhar minha alegria, estou grávida!!!
    Sigo seu blog e muitos outros faz tempo para me preparar para ser mae, aprendendo com os muitos ensinamentos seus e de muitas outras pessoas legais que tem a força de vontade de dividir suas experiencias (porque cá entre nós, não é mole escrever e postar sempre).
    obrigada! adoro o blog! Vc é 10 michelle…

    Responder
    1. Michelle Amorim respondeu Flávia Rebelato em

      Eeeeeeba que alegria Flávia!!! Parabéns!!! Muita muita saúde para você e seu bebê e claro, muito AMOR :)

      Vá nos mantendo atualizadas!

      Bjo grande

      Responder
  3. Adriana Rodrigues em

    Muito legal essa matéria! A música é essencial par ao desenvolvimento da criança como pedagoga e como mãe posso afirmar isso, minha filha ouve música desde a barriga e isso reflete de forma muito positiva em suas atitudes. Parabéns ao blog por mais esse excelente assunto!
    Bjos.

    Responder
  4. Gabi em

    Michelle, o João faz aula de músicalização desde os 6 meses! É maravilhoso, ele AMA!
    Fiz um post ensinando a fazer um xilofone. Veja: http://dadadablogdotcom.wordpress.com/2012/11/08/xilofone-da-d-martha/

    Responder
  5. elisandra silva pedroso em

    minha filha antes de nascer eu colocava todo os dias cds a noite pra mim relaxar,ai eu conversava com ela.de repente ela comecava chutar minha barriga.eu adorava isso.

    Responder
  6. Zanete (acadêmica) em

    Gostei muito dessa matéria,reforçou meu entendimento, mais preciso com uma certa urgência, uma matéria q/fala da importancia da musica instrumental na vida dos adolescentes o papel dos pais,e, resultado no comportamento deles. bj

    Responder
  7. Maria José Magalhaes em

    A musica proporciona diversos beneficio para a criança é uma grande aliada no desenvolvimento saudável da criança

    Responder
  8. Andreia Maria em

    gostei muito do assunto. Mais estou precisando do ano que Platão fez essa pensamento.

    Responder
  9. Andreia Maria em

    gostei muito do assunto. Mais estou precisando do ano que Platão fez essa pensamento.

    Responder
  10. Ivone Boechat em

    A influência da música na saúde mental
    Ivone Boechat

    A música se destaca dentre as expressões artísticas, desde os primórdios da narrativa bíblica. No século VI a.C, Pitágoras afirmava: “A música e a dieta são os dois principais meios de limpar a alma e o corpo e manter a harmonia e a saúde de todo organismo”.
    Nada no planeta escapa aos efeitos da música. Ela interfere em tudo: na digestão, na produção de secreções, na circulação sanguínea, nas batidas cardíacas, na respiração, na nutrição e nas inteligências.
    O alemão Tartchanoff, especialista nos fenômenos cerebrais, provou que “A música exerce poderosa influência sobre a atividade muscular, que aumenta ou diminui, de acordo com o ritmo, o volume, o estilo”. Os sons são dinamogênicos, isto é, aumentam a energia muscular em função de sua intensidade e ritmo. Ou o inverso: a música pode paralisar. O uso errado da música encurta a vida e, corretamente usada, ajuda a preservá-la. As batidas cardíacas podem ser reguladas ou transtornadas pelos sons musicais. O rock, por exemplo, faz mal à saúde física e mental, e vicia tanto quanto qualquer droga química. Um rock-dependente submetido a um tratamento de desintoxicação mental demora muito para curar a desarmonia no seu metabolismo.
    Já os ritmos harmoniosos são estimulantes, sedativos, ajudam a recuperar o sono e fixam a memória. A medicina usa a música na terapia de partos, cirurgias, tratamentos dentários etc. Empresas de saúde entretêm pacientes em sala de espera com música suave, neutralizando a ansiedade.
    Médicos de Los Angeles, EUA, selecionam músicas para relaxar no tratamento de pacientes com dores. No Brasil a música é usada na assistência a doentes terminais.
    Há muito se sabe que a música estimula a produção no trabalho. Em restaurantes, se inteligentemente usada, ela estimula o apetite, o romantismo, a confraternização, as comemorações. Nos quartéis, desperta o espírito cívico. A Bíblia conta, por exemplo, que o rei Jeosafá usou um grandioso coral e uma banda de música para intimidar o inimigo (II Cr 20). Ganhou a batalha!
    Shakespeare dizia que a música: “Presta auxílio a mentes enfermas, arranca da memória uma tristeza arraigada, arrasa as ansiedades escritas no cérebro e, com seu doce e esquecedor antídoto, limpa o seio de todas as matérias perigosas que pesam sobre o coração”.
    Para cada ambiente há ritmos, sons e volumes apropriados. Porém, o volume acima de 60 decibéis, segundo órgãos internacionais de saúde, pode causar espasmos e lesões cerebrais irreversíveis. Mais de 90 decibéis, e o excesso sonoro e rítmico calcificam parcialmente o cérebro, bloqueando a memória. A mensagem externa não pode ser gravada, porque a química está alterada pelo excesso de adrenalina.
    A epilepsia musicogênica resulta do excesso de ruídos musicais, incluindo convulsões. A lesão produzida pelo mau uso do som pode até matar, se a vítima não for adequadamente tratada. Desde o quarto mês de gestação, os bebês já podem perceber a agressão externa pela inteligência corporal. A ansiedade de uma grávida onde o som ultrapassa os limites humanos de segurança é percebida e registrada pelo feto.
    Hoje, muitos jovens têm problemas de audição comuns em idosos, o que explica o volume exagerado de músicas em festas e cultos. Isso leva a sons cada vez mais altos. Outros efeitos negativos são irritabilidade, memória confusa, baixa aprendizagem, baixa autoestima, insônia, cefaleia, vômitos, impotência, morte etc.
    Na Alemanha, um estudo revelou que 70 decibéis sistemáticos de “música” causam constrição vascular – mortal, se as artérias coronárias já estiverem estreitadas pela arteriosclerose. Quem usa marca-passo deve fugir desses ambientes! É comum o mal-estar súbito em pessoas durante festas em que a música, ao invés de ser um bem passou a ser arma. É uma questão de saúde pública!
    Se usada com equilíbrio, a música sensibiliza, entusiasma, fortalece a memória, consola, tranqüiliza, desperta a atenção, mobiliza inteligências…
    A música deve ser usada inteligentemente, como recomenda um dos maiores músicos da antiguidade, Rei David: “ Pois Deus é o Rei de toda a Terra; cantai louvores com inteligência.” Sl 47:7 .
    Nos céus de Belém, anjos cantaram naquela noite em que a Internet de Deus se abriu à humanidade, em sons harmoniosos e o data-show celestial revelou “… novas de grande alegria…” Lc 2:10

    Extraído do livro A família no século XXI 1ª edição Reproarte 2001 RJ

    Responder
  11. Para Babies em

    Muito legal, vou compartilhar!!!

    Responder

Deixe seu comentário!