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A importância da doula e como eu escolhi a minha

A palavra doula vem do grego e significa “mulher que serve”. Há algum tempo, Gabi Sallit participou aqui do blog enviando alguns textos e entre eles estava um sobre o trabalho das doulas. Parafraseando-a, vamos a definição de doula:

Doulas são profissionais treinadas para assistir mulheres durante a gestação, o parto e o pós-parto. Seu trabalho consiste em amparar a grávida, fornecendo informações, compartilhando experiências, confortando física e emocionalmente. Elas fazem, na verdade, aquilo que, antigamente, faziam as primas, as vizinhas ou as irmãs mais velhas que já eram mães: amparam as gestantes, acalentando, ensinando, cuidando. Durante a gravidez, conversam, orientam, ajudam a tomar as melhores decisões sobre o parto e os cuidados que o bebê receberá ao nascer. Durante o trabalho de parto e o parto fazem massagens, utilizam técnicas de controle não farmacológico da dor, dão segurança emocional aos pais, traduzem os termos técnicos dos profissionais de saúde. No pós-parto, tentam minimizar as dificuldades com a amamentação e apóiam a puérpera, neste momento em que ela está tão frágil.

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Eu, respirando fundo durante mais uma contração e Patricia, minha doula

 

Eu decidi que queria uma doula para o meu segundo parto bem no início da gestação, quando comecei a flertar com o parto natural. Me informei, pesquisei e selecionei alguns nomes para entrar em contato. Foram contatos trocados por e-mail e telefone, a princípio. Pessoalmente acabei conhecendo somente duas doulas e esses encontros foram decisivos para a minha escolha.

Como vocês sabem, minha doula foi a querida Patricia Bortolotto, nome bem conhecido já aqui em Curitiba. Trocamos muitos e-mails e fui em alguns encontros que ela promove quinzenalmente. Nesses encontros prestava muita atenção a tudo que ela falava e assim ia me identificando com suas ideias e posturas diante do assunto parto e nascimento.

Na pré estréia do filme o Renascimento do Parto nos encontramos e ficamos de marcar um encontro, só nós duas, para conversarmos melhor sobre tudo. Numa tarde ensolarada batemos um papo bem bacana numa confeitaria aqui em Curitiba, enquanto tomávamos um café. (ainda tenho vontade daquele sonho com morango, viu Paty?).

Dali em diante, eu tinha uma doula para chamar de minha. Lembro que tive vontade de escrever no facebook “habemus doula” e soltar uma fumaça branca da chaminé. Brincadeira.

Continuamos nos falando constantemente por mensagens no facebook e no celular e também por telefone. Fui ainda a mais alguns encontros e então cheguei na reta final da gestação do Leo. Paty foi muito importante em todas as fases, mas essencialmente naquela fase final, quando entrei nas 39 semanas e fiquei angustiada e ansiosa. Ela me apoiou, ouviu minhas lamúrias, me acalmou. Foi uma amigona mesmo. Ficamos de marcar mais um encontro antes do Leo nascer, mas pela bagunça que a mudança fez na minha vida, acabou não dando tempo.

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minha doula e eu durante o trabalho de parto do Leo

 

No dia que entrei em trabalho de parto, ficamos conversando por mensagem o tempo todo. Quando eu não dava notícias, ela me telefonava para ver como estávamos indo. Combinamos de nos encontrar na maternidade e quem leu meu relato de parto sabe, a partir daí, tudo que aconteceu.

Minha doula me ajudou em todos os sentidos, foi meu apoio, meu porto seguro constante durante a gestação e todo o trabalho de parto e nascimento do Leo. Suas palavras foram decisivas para que eu tivesse força para seguir adiante. Seu cuidado foi essencial para que todas as minhas vontades fossem respeitadas. Seu amor pelo parto foi inspirador durante toda a minha gestação e eu só tenho a agradecer por tê-la ao meu lado, por tê-la escolhido.

Mas, como escolher a pessoa para te acompanhar num momento tão importante e íntimo como esse?

Acho que escolher uma doula vai além de afinidades e empatia, de “ir com a cara da pessoa”. Vai de perceber se a pessoa teria as mesmas ações que você perante a uma determinada situação, de perceber se os pontos de vista são os mesmos, se acreditam nas mesmas coisas. Tem que haver cumplicidade na hora do parto.

Eu, além de tudo isso, buscava alguém que estivesse ao meu lado mas sem interferir demais, sem invadir o meu espaço, sem palpitar. Isso jamais seria possível com alguém da família, por exemplo, alguém envolvido emocionalmente comigo (pai, mãe, avó, tia, irmã, marido, etc). Tendo uma doula me acompanhando eu me senti exatamente assim: apoiada e assistida sempre que foi necessário, mas a bola do jogo sempre esteve comigo e isso foi muito importante.

Ter uma doula foi imprescindível para que meu parto ocorresse da forma como eu planejei e não imagino esse dia sem ela. Então, a todas que desejam um parto cercado de amor e respeito, recomendo muito o trabalho dessas mulheres formidáveis que são as doulas. Vai de achar aquela para chamar de sua, que você se identifique.

Se puder, escolha a sua logo no início da gestação, assim contará por mais tempo com esse apoio precioso. Você pode fazer uma lista de perguntas e levar quando forem se encontrar pessoalmente, para ajudar a conhecê-la melhor. Peça-a para falar sobre seu trabalho, sobre suas vivências e experiências. Sinta, analise e ouça seu coração.

Muita gente tem me perguntado quanto custa, qual o valor cobrado por uma doula para esse atendimento durante a gestação, o parto e o pós parto. Os valores variam, mas por aqui ficam numa faixa de R$900,00 a R$1.000,00, podendo ser negociados diretamente com cada uma das profissionais. Lembrando ainda que as doulas têm um material de apoio que pode incluir, entre outras coisas, banquinho, bola, banheira inflável e apetrechos para alívio da dor (consulte o que cada uma costuma levar no dia do parto).

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Patricia me auxiliando nos primeiros momentos da amamentação

 

Para quem mora em Curitiba e região e quiser entrar em contato com a Patricia Bortolotto, que é uma querida, anota aí: patriciabortolotto@uol.com.br.

Links bacanas:

Doulas do Brasil: site com uma lista grande de profissionais com busca por cidade/estado, com diversas informações.

Nascer com RespeitoDoula Curitiba: para quem mora aqui.

O ABC da Doula: nesse post também tem várias dicas de como escolher uma.

Grupo Parto Natural: tem muitas informações úteis nesse grupo, especialmente sobre profissionais como obstetras e doulas (inclusive voluntárias).

Amigas do Parto: texto bem explicativo sobre o trabalho das doulas.

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Posts relacionados:

O Nascimento do Leonardo – relato de parto

Vídeo de nascimento do Leo

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8 comments

  1. Michelle, esse post me fez extremamente feliz. Desde quando foi falado em doula aqui, fiquei desejando um texto sobre o assunto. E esse superou minhas expectativas e foi mais que esclarecedor. Obrigada pelo seu amor ao escrever!
    Beijos e paz para todos no seu lar!

  2. Muito legal o teu relato Michele. A minha doula me acompanha desde a 13 semana. Eu faço hidro para gestantes com ela uma vez por semana e agora também um cursinho de preparação para o parto. Daqui há 4 semanas “pode acontecer a qq momento” e é muito importante poder contar com o apoio dela e a confiança que ela passa.

    Beijos

  3. oi mi, esse seu post é otimo, e me tirou várias duvidas sobre ter ou não uma doula.
    estou com essa indecisão na minha vida, apesar de tudo indicar que é a melhor coisa a se fazer, vc sabe que sempre bate um “mas será???”, e sempre encontrou posts lindos como essse seu me falando que sim.
    obrigada por dividir conosco suas experiencias que muitas vezes são as nossas mais nem sempre as pessoas normais (não gravidas) nos entendem.

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