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5 dicas para iniciar a introdução dos alimentos sólidos na dieta do bebê

Lembro que, quando Melanie estava perto de completar cinco meses, comecei a pensar sobre a introdução dos alimentos sólidos. Foi o de praxe: conversa com o pediatra, mil dúvidas, muita ansiedade e vontade de começar logo uma nova etapa.

Poucos dias antes dela completar seis meses, começamos. No consultório, peguei algumas recomendações numa folha de papel, do que oferecer, do que colocar na sopa e de como prepará-la. Ouvi com muita atenção e depois imprimi muitas receitas de papinhas, doces e salgadas.

Hoje, já tendo passado por duas introduções alimentares, com a Mel e o Leo – que são duas crianças muito diferentes no quesito comer – posso dar algumas dicas do que aprendi, do que pude perceber e do que foi realmente útil para mim.

Vale lembrar que a introdução dos alimentos sólidos é recomendada somente após os seis meses de idade, exceto quando existe uma recomendação médica específica para o seu filho.

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1. Escolha qual método você quer seguir 

Acredito que hoje em dia existam duas técnicas mais faladas quando se trata de introduzir os alimentos na dieta do bebê: a convencional, que seria a velha fórmula de começar com as frutas e depois com as papinhas salgadas com carne/frango e combinações variadas de legumes e verduras, grãos, macarrão, etc, para citar alguns exemplos. E, com isso, o bebê é alimentado pelos pais ou cuidadores, com o uso de colherzinhas.

O outro método, que tem sido muito difundido aqui no Brasil recentemente, é o BLW (Baby Led Weaning), que é, para simplificar, a introdução dos alimentos sólidos guiada pelo próprio bebê. Os alimentos devem ser oferecidos inteiros, num tamanho que a criança consiga segurar. O próprio bebê escolhe o que comer e quanto comer, dentro das opções que você oferecer a ele.

O método é bem simples, significa, basicamente, colocar o bebê à mesa junto com a família na hora das refeições e deixar que ele pegue, com suas próprias mãozinhas, pedaços de alimentos. Ele prova. Se gostar, come, se não gostar, não come. Os especialistas explicam que a partir dos seis meses a criança já está apta a comer pedaços (e não apenas papas) e não corre mais o risco de engasgar. (daqui e aqui tem mais informações também)

Com a Mel, eu nem sabia da existência do BLW (será que a técnica já existia em dois mil e dez?) e fui pelo caminho tradicional das sopas e papinhas mesmo. Foi bem difícil no início, depois melhorou um pouco e depois ficou novamente. Mel tem uma certa dificuldade em se alimentar, e, como eu já disse aqui, esse é o meu “drama materno”. Um dia esse post sai, prometo. Por agora, digo que é uma luta árdua e diária.

Com o Leo eu já estava mais informada, já sabia onde buscar informações de qualidade, principalmente em blogs maternos mais voltados ao tema alimentação. Iniciei o pequeno com base na técnica oldschool – frutinhas e papinhas salgadas depois, oferecidas na colher – e, depois, pesquisando sobre o BLW, tentei oferecer os alimentos para que ele mesmo escolhesse e comesse como e quanto quisesse. Ele deu umas engasgadas fortes e entrei em pânico porque meu marido tem esse problema de engasgos (algo na glote ou epiglote, se me lembro bem) e já presenciei muitas cenas punks por aqui.

Eu acho o BLW o máximo porque a criança está fazendo suas próprias escolhas e exercitando sua autonomia desde muito cedo, porém, percebi que Leo não curtiu muito na prática a ideia de comer tudo com as mãos e, além disso, que ele comia muito melhor e mais feliz quando eu o alimentava. Claro que cada bebê é de um jeito e o que não funcionou por aqui pode funcionar ou ter funcionado por aí.

Conclusão: leia, pesquise, troque figurinhas com outras mães e pais e inicie da forma que você sentir que deve iniciar. Se não der certo, mude, adapte, readapte, enfim, siga seus instintos e o principal: perceba seu bebê, seus gostos, suas preferências e respeite o ritmo dele.

2. Coloque a mão na massa! Aprenda o que não sabe, aprimore e reinvente o que você faz bem

Existem pessoas que não gostam de cozinhar, outras que não levam muito jeito para isso, outras que vivem uma vida corrida e não conseguem passar tanto tempo quanto gostariam na cozinha preparando as refeições. E ainda, existem as pessoas que são um mix de tudo isso que escrevi acima, e eu me encaixo nesse grupo. Eu gosto de cozinhar, mas não amo. Eu me viro bem, mas não sou mega prendada. E a vida por aqui, assim como por aí, também é corrida.

Ainda assim, a gente precisa comer, certo? Então, inevitavelmente eu tenho que ir para o fogão preparar a comida, especialmente a dos pequenos. Com isso me vi obrigada a pesquisar modos de preparo e sugestões de receitas, além de me inteirar, sempre que possível, das novas descobertas a cerca da alimentação e da saúde. Com isso, fui criando meus próprios hábitos e desenvolvendo minhas habilidades culinárias. Faço aquilo que gosto e que faço bem, mas, ainda assim, me arrisco com receitas novas ou alimentos que não são corriqueiros aqui em casa.

Quando eu fazia as papinhas para a Melanie, eu seguia a risca o que cada receita ensinava e por muitas vezes ficava perdida e confusa. Com o Leo, desde o início eu faço as minhas adaptações, altero quantidades e combinações, porque fui aprendendo o que fica gostoso ou não para nós. Sempre foi uma questão de observar e principalmente, de descomplicar a hora de preparar as refeições.

Por exemplo. Melanie estranhou um pouco quando coloquei alho nas papinhas, mesmo tendo começado com esses temperos lá pelo segundo ou terceiro mês de alimentação dela. Dei um tempo sem colocar o coitado do alho e depois fui voltando, aos poucos.

Com o Leo, usei alho, cebola e cheiro verde logo de cara, já nas primeiras sopinhas. E ele gostou muito. Hoje em dia uso muitas ervas e temperos como manjerição, alecrim, salsinha, cebolinha, alho, cebola, alho poró, mix de ervas finas, enfim, uso de tudo (não tudo junto, claro! rs). Novamente, a gente precisa observar e ir adaptando o preparo da comida, conforme os gostos da criançada e o nosso aprendizado do que dá certo.

3. Seja paciente e tente manter suas expectativas bem baixas

Eu iniciei a alimentação da Mel super ansiosa para vê-la comer e comer bem. Lembro de já na primeira papinha esperar que ela comesse tudo e amasse, e, é claro que isso não aconteceu. Imagina! Acostumada somente com líquido (leite) e, de repente, vem aquele negócio diferentão na boca? Dificilmente o bebê irá amar logo de cara. A rejeição, as caretas, o choro, mais cuspir do que realmente comer: tudo isso é normal. Tendo essa consciência, você evita a frustração que sempre vem acompanhada da ansiedade para que as coisas deem certo, especialmente quando falamos da alimentação dos nossos filhos.

Com o Leo, eu já estava calejada de certo modo, então comecei como quem não quer nada, para não me frustrar e não colocar um peso desnecessário na hora de comer. Se ele gostasse, iria comer. Se não, paciência. Eventualmente ele iria, no tempo e no ritmo dele. Do lado de cá, eu estaria fazendo a minha parte: oferecer os alimentos condizentes com cada refeição, oferecer uma certa variedade dentro do possível para aquela primeira fase e, não desistir de um legume ou verdura só porque ele foi rejeitado da primeira vez.  Meu pensamento, na época, era exatamente esse. Menos stress para mim e para ele, menos frustração por consequência.

Acredito que o cara lá de cima – como diz nossa amiga Xuxa – se compadeceu da minha situação e atendeu às minhas súplicas, me mandando uma criança que, ao contrário da irmã, come bem. Leo foi bem receptivo com a introdução dos sólidos, desde as primeiras frutas e até das primeiras papas salgadas. E vejam, quando digo que ele foi receptivo, não quero dizer que ele comeu tudo já de primeira. Apenas que ele se deixou experimentar, saborear, pegar e conhecer cada alimento. Contei como foi essa introdução dos alimentos, o que ele comeu e quanto, aqui.

Porém, mesmo que cada um dos meus filhos tenha suas características próprias, tenho para mim que o fato de ter reduzido a ansiedade acerca disso ajudou a tornar o processo mais divertido e desafiador para ele. Comer, descobrir os alimentos, deve ser uma alegria, uma conquista, um prazer. E tudo isso se constrói dia a dia, lentamente e com muita paciência.

4. Tente não fazer comparações porque cada criança é única

A gente sempre cai na besteira de ficar comparando nossos filhos com os primos, os filhos das amigas e por aí vai. Quantas vezes eu mesma me peguei pensando “poxa vida, a Mel bem que podia comer desse jeito!” ou “nossa, que sonho ver a Mel devorando um brócolis!”. Mas isso, além de ser uma perda total de tempo e de energia, não serve para nada. Ou melhor, serve sim, para aumentar a frustração sobre algo que não nos compete: as diferenças no comportamento e nos gostos de cada ser humano. Cada criança é única, não temos como esperar um padrão porque ele simplesmente não existe quando falamos de pessoas. Assim como o filho da amiga ama brócolis e não curte feijão, a minha ama feijão e não curte brócolis. Cada um tem suas particularidades e aceitando isso, todo mundo fica mais feliz.

Foi o mais importante que aprendi nessas duas experiências com meus filhos: que não adianta termos um modelo de alimentação perfeito na nossa cabeça porque estamos lidando com pessoas, gostos e paladares diferentes. Cada criança tem seu ritmo, seu interesse por comida, seu ponto de saciedade e sua forma de apreciar e de encarar o ato de comer. Como disse um dia a Roberta (do Piscar de Olhos), tem criança que nasce toda trabalhada na comilança, outras não. Ter essa consciência faz o desafio da introdução dos alimentos ser menor.

5. Tenha suas fontes confiáveis de pesquisa e dicas de receitas

Sobre qualquer assunto que seja, existem milhares de textos, sites e blogs falando do mesmo assunto. Não dá para ler tudo, até por uma questão de tempo, mas também para não confundir a nossa cabeça. Eu acho bacana acompanhar as últimas pesquisas e descobertas alimentares, mas não dou conta, de tanta coisa que surge todos os dias. Por isso, quando vocês me pedem para falar mais de alimentação por aqui, eu fico um pouco receosa, porque afinal, não sou nutricionista, nem chef de cozinha e nem cozinheira prendada e entendida eu sou. Então o que eu faço aqui no blog? Compartilho o meu jeito de fazer, as coisas que deram certo e as que não deram com os meus filhos – porque, alguma coisa boa deve sair disso tudo, eu espero! E também, indico links, textos e blogs de gente que manja mais sobre isso.

– Eu sempre tive dúvida sobre quais tipos de panelas usar. No momento, usamos panelas de aço inox, mas estamos em vias de trocar para panelas de cerâmica, que apresentam menos riscos à saúde. Tem um texto bem legal sobre isso aqui: “como escolher entes os diversos tipos de panelas existentes no mercado?“.

– Há algum tempo o Mamatraca fez uma série de vídeos com a Pat Feldman, do Crianças na Cozinha, e achei bem legal e instrutivo. Aqui nesse link você pode ver todos eles. O blog da Pat é muito bom também, cheio de receitas gostosas. Sou louca para fazer o caldo de carne caseiro, mas ainda não me aventurei nessa empreitada.

– A maioria de vocês deve conhecer a Thais do Delícias do Dudu, não é? O blog é muito bacana para quem procura informações sobre alimentação infantil e tem muita receita boa e fácil de preparar, desde as mais simples às mais turbinadas e nutritivas, e até versões caseiras de alimentos industrializados que normalmente estão presentes no nosso dia a dia.

– Quando quero dar uma repaginada na minha “vida culinária” ou preparar algo diferente (embora isso seja bem raro porque sou meio bicho preguiça na cozinha), sempre dou uma lida em blogs específicos de receitas. Tem uma lista de mais de trinta blogs de culinária que vale a pena conhecer: olha só > aqui.

No próximo post sobre alimentação, vamos falar sobre itens e utensílios e vou mostrar o que foi útil para mim, o que eu indico para iniciar a alimentação dos pequenos. E, por último, o post que vocês estão me pedindo: como é alimentação atual do Leo e o que mudou depois que ele completou 1 ano, combinado? :)

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8 comments

  1. Michelle,
    Bia está com cinco meses e quero começar logo nas papinhas. Vou ver esses blogs de culinária apesar de estar meio cheia esquema de blogs, ando gostado muito do estilo instagram de ver receitinhas…
    Fernando ama as minhas papinhas e quando come fora de casa logo estranha.Eu gosto de receitas mais elaboradas e dou muita atenção ao que ele come. Gosto muito desse blog http://diariodobebegourmet.blogspot.com.br/ que foi meu norte para as papinhas do primeiro filho.
    Comida de mãe é uma instituição!!!

  2. Eu adorei o post, queria ter lido um post assim quando estava aflita com a introdução de alimentos aqui. Com certeza esse foi um daqueles post que deixa muita mamãe com o coração aliviado. Na época vi a indicação do blog da Thais Ventura aqui e foi onde eu pesquisei muuuuito e tudo começou a dá certo.
    Beijo

  3. Ansiosa pelo post com a alimentação atual do Léo! Estou precisando de inspiração com a minha bebê de 1 anos e 1 mês aqui que anda meio difícil pra comer e só quer peito, rs! Bjo

  4. Boa tarde, adorei as dicas. Super útil!!!

    Quando minha filha há um tempo atrás iniciou a alimentação sólida achei interessante comprar pratos divertidos para facilitardes acreditem me ajudou muito!!
    Comprei um pratinho lindo de ursinho que vem garfo e faca, talvez por eu ser pirada em ursinho ela também curta muito!!
    Ela simplesmente amou o prato que comprei. Para quem interessar a loja é http://www.donaaranhababy.com.br , foi a primeira vez que comprei online, os conheci pelo Instagram. Comprarei mais vezes, super recomendo!
    Beijinhos

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