05 fev. 2016

Compras online e a caixa de sapato que veio vazia

No início do ano, quando viajamos com as crianças novamente para Imbituba em Santa Catarina (esse post, aliás, está quase pronto e vai ao ar na próxima semana!), decidi que queria voltar em breve, porém, somente eu e Alexandre. Não fazemos uma viagem a dois desde a nossa lua de mel, então achei que seria bacana termos um tempinho só para nós.

Coincidentemente por esses dias, eu fiquei olhando minhas roupas e deu uma vontade enorme de dar uma renovada, sabem? Roupa, calçado, lingerie, de tudo um pouco. Vi que era uma época bem propícia, já que em janeiro as lojas costumam fazer liquidações ótimas. Como as crianças ainda estavam (e estão) de férias, nem pensar em sair com os dois para ir ao shopping provar roupa. Eles ficam entediados, eu não consigo ver nada e todo mundo se estressa.

Pensei então em fazer o que sempre faço, mas dessa vez com roupas e calçados: comprar online! Eu sou uma grande fã da comodidade das compras pela internet, até porque não gosto de pessoas andando atrás de mim enquanto olho as araras. Compro muita coisa online, cosméticos, produtos de higiene, maquiagem, coisinhas de papelaria, coisas para a casa, roupas e calçados para as crianças, enfim, de um tudo. Mas roupas e calçados para mim, é muito, muito raro mesmo.

Dei uma pesquisada e decidi comprar na Dafiti, que diz ser o maior e-commerce de moda e lifestyle da América Latina – e eu não duvido, pela quantidade e variedade de itens que eles têm por lá. São diversas marcas, desde as mais caras (boutiques) às mais em conta. Já na página inicial existem inúmeros banners pipocando, de desconto e promoções. Fica difícil resistir… Enfim, parecia ótimo e eu me joguei nas compras. Mentira. Comprei alguns vestidos, blusinhas, uma sandália rasteira, um biquini e um presente para o Alexandre.

Tudo certo até aí. Preços bacanas, um bom cupom de desconto no final da compra, parcelamento a perder de vista no cartão de crédito. Era dia 26 de janeiro e, contando os dias úteis no calendário, vi que seria tranquilo receber meu pedido antes da viagem. Relembrando, eu fiz essa compra especialmente para levar na viagem. 

Três dias depois, minha encomenda já estava em Curitiba, com a Vialog, que infelizmente é a transportadora que a empresa escolheu para prestar seus serviços de entrega. Sério. No facebook da empresa e no Reclame Aqui, só existem reclamações furiosas e indignadas a respeito das entregas.  Não atendem em nenhum dos telefones que constam para contato, nem retornam os e-mails.

Aqui eu faço uma pausa, para um pensamento que eu tive nessa hora: “por que, por que meu Deus, eu não pesquisei a respeito do e-commerce e da transportadora ANTES de comprar? por queeeeeê?”

Resumindo um pouco essa novela, que sim, fiz questão de contar aqui para vocês, minha encomenda ficou parada na mesma cidade de entrega, ou seja, aqui em Curitiba, por 4 dias. No site da empresa, constava que a previsão de entrega seria dia 02/02, última terça-feira. Passamos o dia todo em casa e nada foi entregue. Para a minha surpresa, ao checar o rastreamento, dizia “tentativa de entrega: destinatário ausente”. E aí, eu repito: passei o dia TODO em casa.

No dia seguinte, que segundo a Dafiti, seria o prazo final para o recebimento, nem sinal da minha entrega. Abri uma reclamação e até agora estou aguardando um parecer (sobre a mentira do “destinatário ausente”). Pelo que pude perceber, é uma prática comum da transportadora contratada.

Na quinta-feira, então, minha encomenda chegou. E por mais que estivesse atrasada, fiquei feliz por ter recebido. Mas, ao pegar o pacote das mãos do entregador, achei que o peso não condizia com o conteúdo. Ou melhor, com tudo que deveria estar lá dentro.

A primeira coisa que fiz foi olhar a nota fiscal. Todos os itens estavam lá, não faltava nada. Já na embalagem, dos 10 itens que comprei, vieram faltando 3: um dos vestidos, o biquini e a sandália. Agora, o que mais me indignou foi que… me enviaram a caixa da sandália… vazia!!! Parecia pegadinha quando abri, juro. Fiquei pensando em como a pessoa encarregada por coletar os itens no estoque não percebeu que a caixa estava vazia e mandou mesmo assim. E depois pensei que talvez a sandália tenha saído de lá de dentro sozinha, para dar uma voltinha, depois de separado o pedido… Só Deus sabe o que houve.

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Nessa hora eu já estava bem indignada, pensando “poxa vida, justo o biquini e a rasteira? por que, por queeeeee?” :(

Claro que já liguei lá, mandei e-mail, mensagem na fan page (que, aliás, tem muita, mas muita reclamação também), mas segundo o atendente, todas as demandas abertas podem levar até dois dias úteis para serem respondidas. Eles iriam averigar o que houve com esses itens faltantes.

Nesse momento, eu quis dizer algo do tipo “tá, mas eu faço o que sem meu biquini, então? faço nudismo na praia?”…. Mas finalizei apenas dizendo que minha impressão de primeira compra foi péssima e que estava muito frustrada por não ter recebido justamente os itens que mais precisava.

Obviamente eles ainda não resolveram meu problema. Não tive nenhum retorno e provavelmente não terei antes que o feriado de Carnaval termine. Vou viajar descalça e, na praia, farei nudismo. Obrigada, Dafiti e Vialog.

Brincadeiras à parte – porque sim, tem que rir para não chorar – obviamente eu possuo outros calçados e outros biquinis para usar. Não vou morrer pelos três itens que não vieram. A questão não é essa (se bem que poderia ser, né? eu paguei por mercadorias que não recebi…).

A questão aqui é como um e-commerce desse porte continua trabalhando com uma transportadora que só gera insatisfação aos consumidores. E também, como erros como esse, de enviarem somente a caixa mas não o calçado, podem acontecer (até poderia ser passível de acontecer, porque estamos falando de seres humanos, afinal. mas que é bizarro, isso é). Fica aqui a dica então para que busquem por um serviço de entrega de qualidade, transparente e que respeite o consumidor. E também, para que o serviço de atendimento seja mais eficiente.

Pelo menos fiquei satisfeita com as peças que vieram. A malha e o tecido das peças de marca própria da loja, por exemplo, são de muita qualidade. Os tamanhos também vieram corretos – escolhi usando a tabela que consta em cada produto. Só levei alguns vestidos para fazer uma pequena barra. Enfim, uma pena todos esses contratempos, porque a loja tinha todo o potencial para ser supimpa.

Não tem um filme que chama Férias Frustradas, ou algo assim? O meu filme seria Compras Frustradas. :)

E vocês? Já tiveram problemas com alguma loja e/ou transportadora? Deixem aqui nos comentários! O mesmo vale para aquelas que vocês costumam comprar e recomendam.

Bom feriado gente!

02 fev. 2016

Sobre aquela nuvem que nunca vai embora

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Eu sumi, né? Eu sei. Os motivos foram muitos e, para listar os principais, eu poderia dizer: férias escolares; crianças cheias de energia precisando de entretenimento e diversão; um filhote no auge daquela fase complicadinha dos 2 anos que está gru-da-do em mim; uma filhotinha de 5 anos e meio que tem se rebelado muito mais do que eu gostaria; os infinitos afazeres domésticos num mês que fiquei por algumas semanas sem nenhuma ajuda extra.

Tudo isso resultou num cansaço extremo – eu chegava ao final da noite sentindo que um alien tinha sugado minhas forças. Meu cérebro simplesmente não conseguia focar em nenhum assunto para escrever. Mas, como a gente tende a ir se acostumando com essa vida corrida e sem fôlego, só percebe o grau do cansaço quando já está no limite. E não é a primeira vez que isso me acontece.

Ocorre que, se eu estivesse no meu “normal”, cem por cento bem, eu continuaria tocando a vida normalmente. Fiz isso diversas vezes – continuar quando eu deveria parar – e talvez esse seja justamente um dos motivos para que nunca haja uma melhora definitiva. Eu nunca descanso quando sinto que preciso, não escuto meu corpo, não me dou um tempo.

Eu pensei bastante antes de sentar aqui e escrever tudo isso. Tive receio dos julgamentos que, infelizmente, sempre vêm. Mas, depois de ver o quanto aquele primeiro post (onde o meu entendimento e vivência nesse contexto ainda eram pequenos) sobre a depressão pós parto e o impacto da maternidade nas nossas vidas ajudou tanta gente, outra vez optei por abrir essa porta e compartilhar a minha experiência. Nós precisamos parar de tratar esse assunto como tabu, apenas por medo do julgamento alheio. E as outras pessoas precisam parar de julgar sem entender.

Há quinze anos eu convivo com a ansiedade e uma depressão moderada, que some por um tempo mas acaba sempre voltando, seja de forma mais amena ou mais forte. A minha natureza é ansiosa, eu quero fazer, quero realizar, quero ver acontecer, quero fazer o melhor que puder fazer. Mas aquela tristezinha, aquela desesperança que nunca vai embora de vez, fica zunindo nos meus ouvidos que eu não sou boa o suficiente, que eu não vou conseguir, que não vale o esforço, que eu não tenho nada de relevante para compartilhar. Que é melhor ficar na inércia, deixar para lá e ficar sentada vendo a vida passar. Analisando assim, quando se está do lado de fora do furacão, pode parecer menos grave do que realmente é. Mas a verdade é que a depressão e a ansiedade são uma m****. Te paralisam quando você quer se mover, te impedem de viver e de ver as coisas como elas são. Isso que no meu caso elas sempre se apresentaram de forma moderada. Nem posso imaginar o que pessoas com casos mais graves sofrem.

Falando nisso, aliás, eu nunca conheci alguém que não tem ou teve depressão e que compreendesse o que ela representa na vida de outra pessoa. Mas tenho esperança que, ao falarmos mais sobre o assunto, a gente consiga criar um entendimento, empatia e compaixão maiores, sabem? Como a Nivea do Que Seja Doce tem dito, #precisamosfalarsobreisso. Aliás, obrigada, viu, querida?! Seus relatos sinceros me ajudaram também a voltar nesse assunto. Bom para mim – porque colocar para fora sempre faz bem – bom para quem possa estar precisando de um alento.

Um pouco de como a ansiedade e a depressão afetam a minha vida

Meus gatilhos (como são chamados os fatores que podem desencadear as crises) nunca foram muito claros para mim, mas cansaço, stress, falta de um sono reparador, insatisfação e frustração comigo mesma e por não conseguir seguir com meus planos, sempre foram alguns deles. Aliás, vale mencionar que meu sono é péssimo desde muito antes de ser mãe. Acho que por esse motivo nunca senti tanto o impacto das poucas horas de sono quando eles eram menores. Mas tudo tem um limite e uma hora o copo transborda. Nenhum ser humano funciona direito sem um sono que repare corpo e mente, mesmo que por poucas horas diárias.

Já os meus sintomas sempre foram exaustão, insônia, introspecção, fraqueza e tonturas, pensamento acelerado, antecipação. enxaqueca, prisão de ventre, sensação de nó na garganta e embrulho no estômago, irritabilidade, auto estima abalada, medo, sensibilidade e choro sem motivo, náuseas, e, durante as piores crises, a inércia e a apatia, aquelas de não querer fazer nada, ir a lugar nenhum nem ver ninguém.

Dito isso, é muito importante esclarecer que:

Eu sou extremamente feliz com a minha vida, especialmente essa que tenho vivido nos últimos 8 anos. Não mudaria nem trocaria nada de lugar, nem com ninguém.

Eu amo loucamente meus filhos e meu marido.

Meu casamento vai muito bem, mesmo com as nossas diferenças e desentendimentos – absolutamente normais de qualquer casal.

Tenho poucos, mas bons e fiéis amigos. E uma família com quem posso contar.

Amo minha casa e tenho muito orgulho de a termos construído. E mesmo sentindo falta de trabalhar fora de vez em quando, nunca me arrependi da escolha de ficar com meus filhos e, mais tarde, de trabalhar em casa.

Tenho uma vida muito agitada, com duas crianças pequenas, que demandam cuidados e educação, uma casa para cuidar com uma obra ainda em execução, um trabalho que tem ficado de lado mas que sempre tento fazer da melhor forma e amo, que é o blog.

Tenho muita fé e me sinto eternamente agradecida por todas as bênçãos na minha vida, especialmente meus filhos, crianças felizes, saudáveis e amorosas.

Depressão não é infelicidade com a vida que se leva. Não é falta de louça para lavar ou falta do que fazer. Não é coisa de gente fraca, pelo contrário, é preciso uma força enorme para enfrentá-la. Não é falta de fé ou coisa de gente que não tem Deus no coração. Não é frescura de gente que tem tudo para ser feliz e não é. Não tem a ver com nada disso.

Depressão é caracterizada por um desequilíbrio na química cerebral, onde os neurônios não respondem bem ao estímulo dos neurotransmissores – substâncias responsáveis pela comunicação entre as células nervosas. Entre os neurotransmissores mais comumente associados à depressão, está a serotonina,  que atua no cérebro regulando o humor, sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade a dor, movimentos e as funções intelectuais.

As causas mais comuns da depressão são: pré disposição genética, stress, doenças que alteram a química cerebral como o hipotireoidismo e até a deficiência de algumas vitaminas no organismo, e o uso abusivo de alcool e drogas, claro. No meu caso, exclui-se apenas essa última.

Como tudo começou

As primeiras crises foram leves e apareceram durante a adolescência. Abalaram especialmente minha auto estima e a imagem que eu tinha de mim mesma. Depois, no auge dos vinte e poucos anos, elas vieram com um pouco mais de força, tanto que me mantive num relacionamento onde eu não estava feliz por alguns anos. Por insistência da minha mãe, procurei um médico e fiz alguns exames. O diagnóstico clínico apontou depressão e os resultados dos exames, hipertireoidismo. Comecei o tratamento para regular os hormônios da tireóide e também para a depressão, com o antidepressivo que comumente é utilizado como “porta de entrada” desses medicamentos. Após alguns poucos meses, eu estava melhor, muito melhor. De repente eu parecia eu mesma de novo, queria viver novamente a vida da maneira como eu sabia que tinha nascido para viver: apaixonadamente.

Passei quase um ano me preparando psicologicamente e emocionalmente para, enfim, terminar aquele relacionamento que não estava me fazendo feliz. Nesse ponto da história, já éramos casados. Ele era uma pessoa muito boa, éramos muito amigos. Demais, talvez. Não havia paixão, química de verdade e o principal, não haviam sonhos ou planos em comum. E eu percebi tudo isso apenas depois de sair da depressão. Mas, colocar um fim implicava em muitas coisas… separação legal, divórcio depois, divisão de bens (que eram praticamente zero), e o mais difícil: envolvia as famílias de ambos. Para minha surpresa, meus pais me apoiaram totalmente, me acolheram mesmo. Eles vinham há tempos observando que eu não era feliz. Não como deveria ser. Então, com muita coragem e esperança de estar fazendo o melhor por mim e pela outra pessoa – afinal, se você não está feliz, como irá fazer o outro feliz? – coloquei um fim em tudo. Doeu muito, foi uma das coisas mais difíceis da minha vida, com certeza. Eu sentia que estava destruindo a vida de uma pessoa, me senti devastada. Mas assim que o fiz, o mundo saiu de cima dos meus ombros e eu pude respirar como há anos não fazia. Dois meses depois, sem estar procurando por nada nem por ninguém, conheci Alexandre – o amor da minha vida, que viria a ser meu marido e pai dos meus filhos depois. Muito tempo se passou e eu estava finalmente bem comigo mesma.

No final da gestação da Mel, a sombra foi aparecendo novamente, chegando de mansinho. Um mês depois da chegada da pequena, tão querida, tão amada, eu estava oficialmente com depressão pós parto e síndrome do pânico, como contei aqui. Precisei retornar ao antidepressivo que tomava antes da gravidez e com a ajuda da minha mãe – que ficou comigo por quase 4 meses – e do meu marido, consegui me recuperar.

Os três anos seguintes foram ótimos, eu estava bem, porém, os dias difíceis sempre apareciam novamente. Eram altos e baixos que vinham como ondas e iam embora. Engravidei do Leo e a gestação foi super tranquila, mesmo com o final da obra e a mudança de casa às 37 semanas. O parto aconteceu como eu desejava, natural, na água, lindo, transformador. Passei pelos desafios dos primeiros meses sendo mãe de dois e me senti vitoriosa por perceber que, mesmo com muitos dias punks, eu consegui superar. Tive uma crise leve quando Leo tinha uns 4 meses, coincidentemente na época onde ele foi diagnosticado com alergia à proteína do leite de vaca e nossa amamentação desandou. Porém, nessa época eu já sabia lidar melhor com as crises e também sabia o que me ajudava a melhorar. E fui atrás de tudo isso.

Em meados do ano passado, acreditando que eu estava curada e que minha química cerebral já havia sido ajustada, resolvi parar por conta própria o medicamento que tomava. Ele estava acabando com a minha libido e isso me incomodava um bocado. Mas foi um grande erro cortar assim, de um dia para o outro e sem ao menos consultar o médico. E aí, minha gente, veio a pior crise de todas, fora a do pós parto na primeira gestação. Eu chorava, chorava, sentia uma angústia sem fim, uma inutilidade enorme perante à vida. Junto com isso, problemas familiares me atingiram em cheio, mesmo não sendo diretamente meus. Eu só continuava em pé por causa dos meus filhos. E foi aí resolvi procurar um médico novamente.

Começamos com uma medicação nova e também um medicamento para o sono – que eu tenho me recusado a tomar porque não aceitei ainda essa necessidade de um remédio para algo que deveria ser natural para todo ser humano, que é dormir. Para isso estou tentando alguns chás e também quero dar uma chance à melatonina, que infelizmente só é vendida fora do Brasil. Então eu sigo dormindo dia sim, dia não. Mas tenho esperança de que isso também logo seja ajustado. Ah, e sim, já me recomendaram terapia, mas, sinceramente, é algo que não me agrada muito.

Eu melhorei nesse tempo, mas ainda não totalmente. E foi aí que me dei conta: acima de qualquer tratamento e medicação, eu preciso aprender a lidar com a minha mente, a reprogramar o meu cérebro e a forma como tenho lidado comigo e com os outros. Preciso saber reconhecer o que me abala e o por quê. Eu preciso aprender a ouvir o que meu corpo me diz. Preciso me exercitar regularmente, de alguma forma. Preciso me alimentar melhor e suprir as carências do meu organismo. Preciso dormir melhor. Preciso continuar sendo a melhor mãe que meus filhos podem ter. Preciso viver feliz e apaixonada, como eu sou realmente. E é por isso tudo que decidi lutar, começando por esse texto, começando hoje.

Obrigada pelas mensagens cheias de preocupação com meu sumiço e de carinho para comigo e minha família. Achei que vocês mereciam uma resposta e ela está aqui. Me deixa muito triste quando o blog fica sem atualização por tanto tempo, porque ele é como a minha casa. É uma parte enorme de quem eu sou. Mas agora vocês já sabem que não consigo achar relevância em nada que produzo quando estou de mal comigo mesma. Afeta demais a minha criatividade e a minha vontade de escrever, de fotografar, enfim, de compartilhar. Mas prometo tentar ver isso aqui como um refúgio, uma válvula de escape mesmo, ao invés de me afastar. Porque esse já se tornou um blog pessoal faz tempo. Sei que vocês esperam muito pelos posts e novos conteúdos, seja aqui ou no Instagram, então me desculpem pela falta de posts nas últimas semanas (ou meses). E obrigada por tudo.

Força e fé porque as coisas melhoram, sim. Nós somos capazes, eu acredito nisso. Apenas precisamos continuar buscando respostas, aprendendo com nós mesmos e com a vida, e lutando para encontrar o melhor caminho, sempre. Porque ele é lindo demais para não tentar. E está logo ali.

Tá tudo bem, viu? <3

13 jan. 2016

Os fantásticos (terríveis?) dois anos

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Acho que todo mundo já ouviu falar dos terrible twos ou dos terríveis dois anos – como as pessoas costumam chamar aquela fase “graciosa” que praticamente todas as crianças passam (antes, aos dois anos e pouco depois também). Nesse período ocorre a transição bebê > criança e, além de ser uma fase de grandes mudanças para os pequenos, também acontecem as birras homéricas, os chororôs, as frustrações, um certo egoísmo e aquela dificuldade em aceitar e entender que o “não” e o “depois” existem.

Passei por tudo isso com a Mel, que hoje tem 5 anos, então tenho tentado praticar ainda mais a empatia, a paciência e a compreensão para com o pequeno ser contestador da vez. Porque, sinceramente, não consigo ver outra forma de fazer tudo funcionar sem que todos fiquem malucos e surtados – especialmente eu, que passo mais tempo com eles.

Já percebi – e não precisa ser muito esperta para isso – que todas as vezes que eu fico puta com alguma atitude dos meus filhos, especialmente do Leo que está com 2 anos, os ânimos ficam ainda mais exaltados, o problema dobra de tamanho e consequentemente a solução demora mais a vir. Em todas as vezes que mantenho a calma, que consigo agir com serenidade – costumo respirar fundo e me imaginar numa ilha paradisíaca no Tahiti enquanto Leo esperneia no meu colo e sim, eu consigo fazer isso por alguns segundos, hahaha – tudo se resolve mais rápido: ele se acalma, as pessoas em volta olham com normalidade (afinal tem um adulto ali dando conta da situação e crianças choram mesmo, todo mundo deveria saber disso, oras) e todos vivem felizes para sempre.

Continuo acreditando que o mais importante é saber quais brigas comprar. Algumas não valem a pena serem compradas, acredite. É complicado ter esse discernimento quando já estamos exaustos lidando com uma situação de birra e choro. No entanto, quando a gente consegue, evita estresse desnecessário para todos.

Por isso minhas palavras chave para essa fase em especial, têm sido: amor, paciência e desapego – de tempo, de rotina, de espaço, enfim, de tudo. Como aconteceu no último domingo, por exemplo.

Depois de quatro horas de viagem de Curitiba até Imbituba-SC, chegamos no nosso destino na Praia do Rosa, próximo das 13 horas. Como todos estavam com muita fome, optamos por almoçar no restaurante da pousada enquanto esperávamos que nosso apartamento fosse liberado.

Ao tomarmos nossos lugares à mesa, Leo já demonstrou que ele não tinha os mesmos planos que o restante da família e ficou em pé na cadeira, pedindo para sair. Imediatamente tirei o “kit socorro” da mochila deles (que são desenhos para colorir, giz de cera, massinha) mas isso apenas nos deu tempo de fazer o pedido e esperar que ele fosse servido.

Alexandre fez o prato da Mel e ambos começaram a almoçar. Leo comeu alguns pedacinhos de peixe e duas colheres de arroz com feijão e decidiu que não queria mais ficar ali. O choro veio, junto com os movimentos para tentar se livrar dos meus braços e enfim poder sair correndo pelo gramado.

Eu, olhando meu prato tão bem feito, tão quentinho, com aqueles legumes bonitos cozidos no vapor e aquele peixe grelhado delícia ao molho de ervas finas, tinha duas opções:

1. tentar segurar o pequeno explorador, comer e dar de comer a ele ao som de berros e gritos (e talvez ter uma indigestão depois)

ou

2. reconhecer as prioridades naquele momento: eu já almocei comida quentinha a vida inteira e não iria desfalecer por esperar meia hora a mais; meu filho de 2 anos poucas vezes esteve num lugar tão lindo e tão livre quanto aquele e estava maravilhado demais para se contentar em sentar e comer, apenas. ele também poderia almoçar um pouquinho mais tarde.

Então eu optei por ele. Deixei que saísse da mesa e fomos conhecer o lugar. A carinha de alegria e satisfação do pequeno ao ver de pertinho os peixes enormes no lago, superou qualquer refeição que eu pudesse estar fazendo naquele momento – ou ele. Alexandre chegou uns minutos depois para me resgatar, e voltei para a minha comida gelada. A essa altura do campeonato eu já nem estava com tanta fome, e comi somente os legumes e a salada. Leo almoçou tranquilo pouco depois, assim que liberaram nosso apartamento. E tudo ficou bem.

Se eu acho certo deixar de comer para satisfazer um desejo ou necessidade do meu filho? Naquelas circunstâncias, naquele dia, sim, pois não estávamos numa situação corriqueira nas nossas vidas. É preciso analisar cada caso e cada situação para não banalizar o não.

Se eu acho que ele ficará mimado por ter suas “manhas” atendidas? Absolutamente não. Depois de cinco anos exercendo a maternidade, não vejo mais como manhas, mas sim como frustrações de um mini ser humano que ainda não sabe se comunicar totalmente por palavras, por isso usa o choro como ferramenta de comunicação. (hoje em dia isso é TÃO óbvio pra mim que quando penso, falo ou escrevo, automaticamente vem o pensamento “dãããã!” na minha cabeça).

É óbvio que existem situações onde não pode haver negociação, especialmente aquelas que podem oferecer algum tipo de perigo à integridade física e/ou emocional da criança. Nessas horas, é ativar o abraço acolhedor e preparar os ouvidos para o choro que vem em seguida. E todo mundo sai vivo no final, eu garanto. A gente fica meio maluca e estressada sim, eu sei, mas sobrevivemos.

De qualquer modo – e chegando no motivo de estar escrevendo esse post – o que tem me chamado muito a atenção desde que Leo completou dois anos em novembro passado, é o quão fascinante e encantador o mundo se tornou para ele, que agora anda, corre, senta, cai, levanta, deita, rola, sobre e desce sem auxílio de ninguém. Cada novo lugar, cada novo obstáculo, cada novo movimento, cada nova sensação é especial e única para uma criança nessa fase (e talvez em todas as outras, por que não). Eu vejo muita vida ali, querendo saltitar para fora daqueles olhinhos curiosos. Por isso tento acolhê-lo mais e, ao invés de simplesmente impor e dizer não, dar opções a ele. Pensar algo como “cara, imagina o quanto isso aqui deve parecer o máximo para ele?!”. Às vezes consigo manter totalmente a calma e agir de forma lindamente racional, outras vezes não (porque, afinal, também tenho meus dias ruins e meus dias de tpm…).

Por isso tudo, tenho enxergado esse período não mais como terrível apenas e sim como “os fantásticos (terríveis?) 2 anos”. Porque é a melhor e a pior fase – ao mesmo tempo. Todos os dias ele nos presenteia com novos aprendizados, palavras, frases, gracinhas e muito carinho; assim como todos os dias ele arranja um motivo diferente para dar piti e chorar… chorar. E assim vamos seguindo, até que ele tenha maturidade suficiente para entender explicações mais complexas sobre a vida e suas regras. Por agora, não adianta fazer discurso eleitoral. Basta informar da forma mais simples possível e acolher a frustração, se ela vier.

No mais, Melanie (aos três anos de idade) muito sabiamente me ensinou a contar até 15 em situações difíceis. Também ajuda entoar o nosso master mantra materno “vai passar, vai passar”. Vai passar e logo virá outra fase difícil… e vai passar também. E assim o ciclo segue, infinito.

1, 2, 3… 15! :)

29 dez. 2015

Sobre as crianças, vamos aprender: é desnecessário dizer…

Ele sempre mama pouquinho tempo assim?!

Ele sempre mama tanto tempo assim?!

Nossa, ele ainda mama de madrugada?!

Nossa, mas ele já desmamou?!

Nossa, mas ele ainda mama no peito?!

Nossa, como ele chora alto, né?!

Jura que ele não consegue dormir com barulho?!

Nossa, como ele chora, né?!

Ele sempre come pouquinho assim?!

Ele sempre come tanto assim?!

Nossa, ele não engatinha/anda/fala ainda?!

Ele tá tão magrinho, né?!

Ele tá ficando gordinho, né?!

Como a saúde dele é frágil, né?!

Ele é sempre choroso/manhoso assim?!

Ele é sempre quieto assim?!

Ele é sempre agitado assim?!

Ele é sempre medroso assim?!

Ele é sempre terrível assim?!

Ele sempre pede colo assim o tempo todo?!

Ele sempre estranha as pessoas assim?!

Ele é sempre fechado assim?!

Ele é sempre bravo assim?!

E a lista de frases desnecessárias, cheias de julgamentos – sobre os pais e os filhos – segue infinita.

Então, colocando o foco apenas nos pequenos, vamos lá:

Crianças são seres humanos únicos, diferentes de mim e de você. Aceite isso. Não compare crianças, não queira que crianças sejam iguais, que reajam da mesma forma – ou da forma como você julga correta – às diferentes situações que se apresentam à elas. Nós, aliás, já fomos bebês, já tivemos 1, 2, 5, 8 anos, não é? Nós, adultos, temos os nossos dias bons e ruins, nossos desejos, necessidades e frustrações – como qualquer outro ser humano. Por que então uma criança não os teria?

Compreenda que uma situação pode ser corriqueira para você – um adulto, dotado de total racionalidade já – mas não para uma criança. Algo que é pequeno e simples para nós, é gigante e assustador para uma criança pequena – que ainda está aprendendo a perceber o mundo, a conhecer as pessoas, os lugares, os sentimentos e o seu próprio potencial. A sensibilidade natural de uma criança, especialmente das menores, deve ser respeitada, deve ser acolhida. Seja qual a forma que ela encontre para exteriorizar isso – o choro, o silêncio, a agitação, o apetite, a necessidade de se sentir segura.

Crianças precisam apenas de tempo – do tempo delas. Precisam de espaço seguro para se desenvolver no seu próprio ritmo. E, acima de tudo, precisam de amor e de compreensão. Elas têm direitos – de ir e vir, de pensar, de sentir, de demonstrar, de agir – assim como eu e você.

O que elas definitivamente não precisam, é de comparação com outras crianças ou de julgamento. Aliás, quem precisa disso, não é?

A sua intenção até pode ser boa, mas posso garantir: os pais dessa criança sabem de todas as suas dificuldades, inquietações, medos e do ciclo do seu amadurecimento melhor do que ninguém. Eles acompanham isso dia após dia enquanto estão dando o seu melhor para criá-la e educá-la. Então, não é necessário relembrá-los de algo que eles – melhor do que ninguém – já sabem, não é?

***

Esse post é para você, para mim, para nós todos.

Agora que aprendemos, então, vamos praticar isso nos próximos 365 dias que vêm por aí.

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